23 de fevereiro de 2012

Patrãozinho André

Por aqui, mesmo quem não é ligado ao futebol, desde que oiça notícias e leia jornais, vai acumulando muita informação sobre o tema, ainda que superficial.

Foi o que me aconteceu há dias com o título desta notícia, que nem li, mas que me disse alguma coisa, e por isso hoje a fui repescar (em linguagem desportiva, como convém).

Villas-Boas: “Não preciso do apoio dos jogadores, só do dono do clube”

Na altura pensei com os meus botões – és tu que jogas, rapaz, ou são eles? e achei muito estanho que um treinador diga que não precisa do apoio dos jogadores para o seu projeto, visto que são eles que o concretizarão.

Sabemos que o André tem uma importante costela inglesa mas essa deve-lhe ficar para os lados da rabadilha. A verdadeira costela lombar, a que sustenta, é bem portuguesa, diria até que é portuguesa dos sete costados.

É que o André tem os tiques duma grande parte dos patrões portugueses, os tais que acham sempre que quem trabalha é descartável.
Eles, os patrões, só precisam mesmo do banco e do Estado.
Como o André precisa, apenas e só, do Abramovich.

22 de fevereiro de 2012

As rapariguinhas do shopping

Terça-feira de carnaval num centro comercial de Lisboa quase deserto.

Pergunta uma das rapariguinhas do shopping –“ Évora é para cima, não é, para o Porto?
Ah! Então é para Faro.”
À saída uma outra rapariguinha do shopping – “afinal hoje é feriado, ou não? Uns dizem que é e outros dizem que não é, não percebo.”

Quase toda a gente, hoje em dia, está de acordo em dizer que Portugal nunca teve uma geração tão bem preparada, e eu estou de acordo.

Mas, senhores, e os que não se prepararam?

È confrangedor ver gente na casa dos seus vinte anos que não faz ideia para que lados fica uma das capitais de distrito, que até são só 18.

Também apetece perguntar em que planeta habita a rapariguinha que, ao fim de duas semanas de polémica em todas as televisões, ainda não tinha percebido se era feriado ou não.

Aos muito preparados o governo indica a porta de saída. Uns irão porque querem, outros porque nada mais lhes resta; e por aqui ficarão apenas estes impreparados.

É com eles que vamos construir um país moderno e dinâmico, senhor primeiro-ministro?

Se os preparados se virem obrigados a seguir o seu conselho e partirem em massa, restar-nos-á uma choça governada por uma choldra, de que o senhor será merecedor, mas eu não.
Estou zangada, pois estou, e depois?


21 de fevereiro de 2012

Já se sabe que os animais são todos iguais, mas há uns mais iguais que outros

Esta notícia do Público, leva-me a uma recorrente interrogação.

Sócrates mentia e já não havia bicho careto que não lhe chamasse MENTIROSO com todas as letras.

Quando será que os mesmos acusadores (é bom lembrar que foi Manuela Ferreira Leite a pioneira no uso do adjetivo) começam a chamar a Passos aquilo que ele é, tanto quanto Sócrates era, – MENTIROSO?!
Deu-lhes agora para a boa educação, foi?


20 de fevereiro de 2012

"O Sentido do Fim"


“Quantas vezes contamos a história da nossa vida?
Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contámos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas – principalmente – a nós próprios”





“O Sentido do Fim”
Julian Barnes
Ed. Quetzal
pag. 100

Ao saber que “O Sentido do Fim” de Julian Barnes ganhou o Man Booker Prize 2011, não se estranha, mesmo não conhecendo a concorrência.

Através da história de vida de Tony Webster, Julian Barnes coloca-nos perante questões essenciais - como construímos as nossas memórias, qual o seu grau de veracidade, o que nos escapou, o que não quisemos saber, o que preferimos esquecer, o que presumimos, como escolhemos viver a nossa vida, onde nos perdemos daquilo que eramos na juventude, o que manipulámos?

Servidas por uma escrita prodigiosa, estas 152 páginas lêem-se dum rufo, ainda que nelas haja muito para meditar e muitos parágrafos para reler.
Grande literatura, sim.

18 de fevereiro de 2012

Um presente para Passos






















Neste carnaval, duas máscaras africanas para o nosso primeiro poder escolher com qual quer continuar a assustar-nos.
Para os outros todos, bom carnaval.

17 de fevereiro de 2012

Nem piegas nem medricas

Duas notícias.
Segundo o Público, a taxa de desemprego disparou para 14%; e acrescenta:
Se forem incluídas as pessoas desencorajadas mas que gostariam de encontrar trabalho, o número real deverá aproximar-se ou mesmo ultrapassar o milhão de pessoas.

Segundo o ionline, foi revelado pelo Indicador de Poupança APFIPP/Universidade Católica que a taxa de poupança das famílias desceu em janeiro.

Segundo o mesmo organismo, "as expetativas de desemprego registadas no inquérito às famílias … desceram ligeiramente em janeiro, apesar de se manterem em níveis muito elevados", facto que "pode reduzir a necessidade de poupança das famílias por motivo de precaução".

Está-se mesmo a ver. Com 14% de desempregados, cortes nos salários, aumentos nos transportes, na energia, na saúde, etc., os portugueses estão a poupar menos apenas porque têm menos medo do desemprego, ora essa. Nem sequer é porque não consigam poupar, ou por terem tido de deitar mão às poupanças, nada disso, só porque não são medrosos.

Ah! Nação valente, povo temerário.
E o que eu gostava que esta gente poupasse na asneira.  

16 de fevereiro de 2012

Salò

Eu dizia aqui ontem que todos os dias há, neste país, “uma guerra” para travar, um alvo a abater, um soundbite a esmiuçar”.

Não é o caso de hoje. Hoje é dia nem sei do quê.

A história dos livrinhos com o programa do governo ao custo unitário de 120 euros, que eu paguei enquanto deixava na livraria dois ou três que custavam 10% disso, mostra-me mais uma vez (mas é só mais uma vez), que este governo se ri de nós, cospe em nós e ainda raspa os pés no capacho que somos nós.

Porque será que me lembro duma cena do filme Salò de Pasolini, em que humanos nus e pela trela eram obrigados a comer o inominável?

15 de fevereiro de 2012

Se um blogue incomoda muita gente...

Recentemente, dois doutos crânios lusos entenderam escrever sobre a blogosfera.
José Pacheco Pereira escreveu no Público um longo artigo que Joana Lopes transcreve e comenta no seu blogue Entre as Brumas da Memória.
Talvez por ele próprio ser autor dum blogue, analisa a blogosfera com trambelhos, ainda que os seus trambelhos.

Pessoalmente não acredito que os blogues políticos tenham perdido influência; neste país há sempre uma “guerra” para travar, um alvo a abater, um soundbite a esmiuçar, e sobre eles há tantas e tão variadas opiniões, argumentações e ponderações, que os blogues se tornam uma fonte inesgotável de artigos de opinião, alguns bem melhores do que os que lemos nos jornais.

Já Miguel Sousa Tavares, que parece começar logo a espirrar de alergia quando lhe falam em internet, escreve na página/lençol do Expresso:”…essa terrível entidade a que hoje querem resumir a democracia chamada blogues”.

Não conheço ninguém que queira tal coisa, mas é certo que não me movo nos círculos seletos de MST; ao contrário, conheço muita gente que pensa que os blogues acrescentam democracia à democracia.
Os blogues políticos e de reflexão sobre a nossa sociedade são, frequentemente, muito bem escritos e pensados (é só passar pela minha lista de Gosto de), são gratuitos e feitos nas horas vagas de quem os escreve.

Sousa Tavares percebe, na blogosfera, que não é só ele que sabe escrever, ou pensar, e que hoje todos podem publicar "sem custos para o utilizador".
Talvez essa constatação o faça sentir-se um pouco ameaçado, talvez.

14 de fevereiro de 2012

Temo juízes justiceiros


Baltazar Garzón escolheu para si próprio a figura de juiz star que nunca me agradou; muitas das suas atuações também me levantaram, ao longo dos anos, as maiores reservas.

Entendo que um juiz deve ser discreto, e se nunca se falar dele, tanto melhor.
Ao contrário, Garzón há anos que procurava a ribalta, construindo laboriosamente uma imagem de justiceiro universal.

As minhas campainhas de alerta soaram a quando do seu mandato de prisão contra o ditador chileno, Augusto Pinochet.
E se eu abominava aquele homem! Mas, enquanto toda a gente batia palmas, eu franzia o sobrolho; aquilo tresandava a golpe mediático e, sobretudo, parecia-me um atestado de menoridade passado à ex-colónia, a quem não era reconhecida capacidade para acertar as contas com a sua própria história, como e quando o entendesse.

O mesmo se passou com a investigação aos crimes de guerra do franquismo.
Espanha fez, bem ou mal não interessa, um pacto de “esquecimento” sobre o qual construiu a sua atual democracia. Esse pacto será revisto quando, se, e como os espanhóis o entenderem, e não por capricho dum só juiz.

O que agora levou ao seu afastamento ultrapassou, em meu entender, todas as marcas; e não me venham dizer que os juízes do Supremo Tribunal, que votaram por unanimidade a sua suspensão, são todos franquistas ressabiados, porque não posso acreditar nisso.

Escutar as conversas entre presos e seus advogados não é admissível.
Num Estado de direito e democrático, há uma linha que não pode ser ultrapassada, os fins não podem justificar os meios, e as democracias não podem usar os métodos das ditaduras.
Ainda que o bandido nos fuja, ainda que a alma nos doa.

13 de fevereiro de 2012

Chefias intermédias

Nos últimos tempos, já todos percebemos que quem manda aqui neste pedacito de terra é uma senhora chamada Angela Merkel, outra chamada Cristine Lagarde e um senhor chamado Mário Draghi ; há ainda uma série de funcionários que gostam de debitar umas coisas mas esses, de facto, não mandam nada, e por isso não me afligem.

O que eu não sabia mesmo é que nesta república, que eu julgava laica, também manda o Papa.

Fiquei a saber, pelo Expresso do último sábado, que o expedito primeiro-ministro, que a maioria dos portugueses elegeu mas todos temos que gramar, afinal nem sequer consegue acabar com os feriados religiosos sem autorização do Papa.

Será santa ignorância, a minha, mas o facto é que tenho vindo a perceber que, por aqui, não há governantes – todos não passam de chefias intermédias equiparadas a, vá lá, a director-geral.

10 de fevereiro de 2012

Portuguesinha de gema

Lá em casa sempre ouvi um ditado assim: “dos teus dirás mas não ouvirás”.

As gerações que nos precederam eram fecundas em aforismos. Estes constituíam, no seu entender, verdades incontestáveis que lhes serviam para rematar, ou melhor dizendo, matar, as conversas em que nos mostrávamos mais “respondões”.

Certo é que eles me entraram no ouvido e muitas vezes me vêm à memória, embora hoje não sirvam para nadinha porque há muito tempo que ninguém está disposto a aceitar aforismos seguidos de ponto final.
Contudo, portuguesinha de gema que sou, tendo a descair para o lado do “dos teus dirás mas não ouvirás”

Vem de lá Merkel e diz que há túneis a mais na Madeira.
A gente sabe que os túneis foram feitos com dinheiro dos fundos estruturais, todos aprovados em Bruxelas, e por isso ela não pode pôr o corpinho todo de fora.
Mas, no fundo, e se virmos bem as coisas, a mulher até tem razão, só que aquilo dito por ela chateia-me, pá.

Depois vem um tal Schulz dizer que nos andamos a meter demais com más companhias – para ele Angola, para mim, China e Angola.
Ora, ele sabe que para pagar o que lhe devemos e mais os juros usurários que nos exigiram, vamos ter que vender as joias a quem der mais.
Quer receber o dinheirinho? O melhor é deixar- se de moralismos e nem perguntar por onde andámos para o arranjar.
Mas, no fundo, e se virmos bem as coisas, o homem até tem razão, só que aquilo dito por ele chateia-me, pá.

É óbvio que o velho “dos teus dirás mas não ouvirás” foi coisa que me ficou, o que, em boa verdade, também me chateia um bocado.

9 de fevereiro de 2012

La vie en rose

Na Antena 1 da RDP, no espaço da manhã dantes ocupado por Pedro Rosa Mendes e seus companheiros, existe agora uma rubrica sobre portugueses no mundo.

Durante alguns minutos, a jornalista fala com alguém que está a viver e a trabalhar noutro país e eu ponho uns óculos cor-de-rosa.

São sempre jovens com boa formação que encontraram um trabalho que os satisfaz. Todos falam de segurança no trabalho, organização e saudades do sol. Enfim, a vida é bela e cheia de oportunidades no largo mundo ao nosso dispor. O programa satisfaz plenamente a ideia do primeiro-ministro de que os jovens devem abandonar a sua “zona de conforto” e emigrar.

Noto, porém, que os entrevistados, não estando infelizes, ao contrário, têm saudades do país e da família. Presumo que, se aqui encontrassem maneira segura de empregar o seu inegável talento, na sua grande maioria, gostariam de estar na sua “zona de conforto”.

Reparo também que, no programa, nunca ouvi entrevistar nenhum dos muitos licenciados portugueses que mais não encontram lá fora do que a possibilidade de vender copos a bêbados de país alheio; também nunca ouvi um jovem com o 12º ano que só conseguiu ser trolha, nem um dos mais velhos que se sente enganado e bastamente explorado na sua condição de emigrante.

Mas é bom. O senhor Primeiro-ministro e o Dr. Relvas certamente gostam disto e eu, durante uns minutos, vejo o mundo em tons de rosa clarinho.

8 de fevereiro de 2012

Venerável Vasco

Vasco Graça Moura nunca escondeu que não gosta do AO, (eu também não) mas a atitude que tomou ao entrar no CCB é um ato de desobediência civil.

Ou talvez seja só rebeldia, não sei.

Se calhar nunca foi rebelde em novo e por isso, admito, resolve experimentar agora, numa altura da vida em que os atos de rebeldia podem ser desesperantemente parecidos com arrogância, mas nunca com coerência, como tenho visto por aí.

Sim, acho que é rebeldia tout court, daquela fácil de ter quando sabemos que nada nos acontece.

Venerável Vasco sabe disso.

Assim, à entrada, declara que naquele tasco, que parece ser só seu, ninguém vai escrever segundo as novas regras.

Que faz o governo que o nomeou?

Ora, o costume nestas situações que metem veneráveis: acobarda-se e desdiz o que está dito – o AO entra em vigor a 1 de Janeiro de 2012, não, não, foi engano, obrigatório mesmo só em 2014. Desculpe lá ó Vasco, faça como quiser, esteja em sua casa, disponha.

Da coluna vertebral do Viegas, que já tinha dado a “palavrinha” a Mega Ferreira e lha retirou prontamente quando lhe lembraram que ele não manda nada, e que é grande defensor do AO, nem digo nada. Não devemos falar daquilo que não existe senão em conversas de especulação filosófica, o que não é aqui o caso.

7 de fevereiro de 2012

Passos Coelho e o touro de Pamplona

A atuação política de Passos Coelho faz-me lembrar a largada de touros em Pamplona.

Aberta a porta do curro, a besta corre pelas ruas, marra a torto e a direito, corneando pelo caminho vários “piegas” que se meteram com ele e até os que não se meteram com ele.
Mais cedo ou mais tarde, tem o destino de todos os touros: é morto por homens

Vamos alargar o cinto

Há não muito tempo, o bastonário da Ordem dos Médicos surgiu na televisão com a ideia de criar uma taxa adicional sobre fast food.

Num tempo de cultura do corpo e do saudável, muitos acharam que talvez fosse uma boa ideia porque todos sabemos que aquilo não é a comida mais recomendável do mundo.

A mim pareceu-me, vagamente, que era uma ideia de alguém que vê o país a partir dos corredores do Hospital da Luz, ou da Cruz Vermelha, ou da Cuf e que lhe renderia alguns minutos de exposição televisiva, mas não seria uma ideia bem pensada e aprofundada por alguém que representa uma classe profissional que conhece, talvez como nenhuma outra, as fragilidades do país que habita.

Chegou-me agora às mãos um livrinho intitulado “Desigualdades em Portugal, problemas e propostas” (Edições 70+Le Monde diplomatique, edição portuguesa), em que Isabel do Carmo, conhecida militante antifascista e hoje Diretora do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Santa Maria, escreve:

Os portugueses têm de apertar o cinto…trata-se apenas de uma metáfora, porque de facto deveríamos dizer “os portugueses vão ter de alargar o cinto”.
É entre as classes mais pobres que a obesidade aumenta.

Quando os salários descem

O cliente vai procurar aquilo que lhe possa trazer mais calorias, que seja mais saciante, por menos dinheiro. E o que preenche mais essas duas qualidades são as gorduras, os doces e o álcool. As fontes de proteínas são mais caras, como são caros os alimentos ricos em vitaminas e sais minerais.

Parece simples de entender – ficar saciado por poucos euros é o objetivo de quem é pobre, logo, quanto mais pobres, mais obesos.
O problema é que as verdades simples não dão direito a aparecer nos telejornais.

6 de fevereiro de 2012

Bandarilhas do nosso contentamento

Nós, portugueses, temos um estranho sentido quer de educação, quer de democracia.

Podemos não cumprimentar o vizinho, sujar o espaço público com o talão do multibanco e os dejetos do nosso cão, estacionar ocupando o lugar de três carros, não devolver chamadas telefónicas feitas, faltar aos compromissos assumidos e nem dizer água vai, soltar as crianças nos restaurantes como se estivessem no parque infantil, “atropelar” o idoso lento que vai à nossa frente, conduzir como assassinos, mas não podemos criticar ninguém, exceto os políticos.

Também não temos o hábito de louvar ninguém, exceto os jogadores de futebol.

Para nós, na maioria das vezes, crítica é sinónimo de ofensa, contundência é má-educação, da polémica fugimos como o diabo foge da cruz, e se ousássemos a antiga “bengalada” alguém ligaria para o 112.

Entendemos o democrático direito à opinião duma maneira beata, e expressar com veemência o desacordo é considerado impertinência de mau-gosto, se não mesmo injúria.

Mas isso é só o que se vê à superfície, o que gostamos de mostrar.

No fundo, continuamos a gostar de tourada, arena e sangue, mas na bancada. É de lá que gostamos de aplaudir aquelas almas simples que se dispõem a espetar as bandarilhas do nosso contentamento.

Respeitinho e dissimulação. Assim fomos moldados por 48 anos de ditadura, e assim continuamos.
Acredito que um dia passará. Mas leva tempo.

Nota: este post surge, não como resposta mas como reflexão, sobre a caixa de comentário do post abaixo

4 de fevereiro de 2012

Sábado frio


“A estação do frio é uma estação para pessoas felizes.”

Assim escreveu Adolfo Mesquita Nunes no 
Delito de Opinião, e eu gostei.

3 de fevereiro de 2012

Só uma ideia para nuestras hermanas

Sol não nos tem faltado, mas os dias continuam negro; não passa um que não nos traga notícias de retrocesso.

Em Espanha, o governo do PP vai alterar a lei do aborto com “o regresso ao sistema anterior, baseado em três pressupostos: violação, malformação do feto ou risco para a saúde da mulher.”

Não sei o que dirão as espanholas. Estarão dispostas a voltar à abortadeira de vão de escada num momento em que mais de cinco milhões de espanhóis estão sem emprego e não se podem dar a esse supremo luxo de ter filhos?
Nas crises, são sempre as mulheres as mais penalizadas, mas o que vivemos já não parece uma crise – assemelha-se mais a uma guerra sem bombas mas igualmente mortífera.

As espanholas, eu sei, e não precisam de conselhos, mas, mesmo assim, aqui lhes deixo uma ideiazinha:

Encontrem uma Lisístrata contemporânea.

A da antiguidade organizou uma greve de sexo, assim conseguindo a paz entre atenienses e espartanos. Talvez uma moderna e salerosa Lisistrata consiga de novo ”organizar as tropas”, chamando à luta os seus parceiros para, juntos, obrigarem os políticos (maioritariamente homens) a inverterem a tenebrosa marcha de regresso a um passado de trevas em que as mulheres se queriam dóceis, conformadas e amedrontadas.
É só uma ideia.

2 de fevereiro de 2012

O escritor e o blogger, J. Rentes de Carvalho

Acabei de ler, com agrado, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, livro de contos de J. Rentes de Carvalho. Não sendo, no meu pobre entender, grande literatura, é, contudo, um livro cheio de narrativas limpas, escorreitas, com apurada sensibilidade e sentido de humor.

O autor, que vive em Amesterdão, tem um blogue – TEMPO CONTADO, onde no dia 1 de Fevereiro escreveu isto:

Estamos de parabéns. É admirável como há portugueses que, com aflições de sobra, de pouco tempo dispondo entre o futebol, a televisão e o café, arranjem oportunidade para, ferrenhos, erguendo o punho, brandindo a Moral, se mostrarem solidários com a Grécia.
É um exemplo que nos dignifica, uma atitude enérgica, muito capaz de levar a que a Alemanha reconsidere a teimosia de não satisfazer o calote.

Palavras cínicas, e até ofensivas, dum homem já entradote na idade.

Primeiro, alvitra que os seus compatriotas mais não são do que consumidores de futebol, televisão e café, isto é, não trabalham.
De seguida, mostra que o seu tempo está mesmo muito contado porque não usa nenhum dele para se informar sobre as causas da dívida grega ou a maneira como a união monetária foi construída à medida dos interesses germânicos.

Homem público com pretensões a intelectual não pode limitar-se a emprenhar de ouvido o que se diz lá no paraíso fiscal em que vive – a Holanda, e isso de escrever o que nos dá na real gana é bom para mim e para os meus colegas bloggers sem nome na praça nem livros no escaparate.

J. Rentes de Carvalho, se não quer perder o seu contado tempo com as toneladas de informação disponível, podia, ao menos, ler o seu colega Manuel António Pina

Resumindo: o livro “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia” recomenda-se, mas o blogue de J. Rentes de Carvalho – TEMPO CONTADO – esse, eu vou evitar, para não contaminar a imagem que criei do escritor.
Se é que ainda vou a tempo.

1 de fevereiro de 2012

O Bastonário está desassossegado

Confesso que sempre tive alguma simpatia por António Marinho Pinto; talvez por eu própria gostar de palavras, também gosto de quem as usa sem medo ainda que, com isso, possa correr o risco de, aqui ou ali, elas saírem mais desbragadas.

Desta vez acho que não é mero desbragamento, é desnorteio.

Quando alguém se insurge contra um ministro por ele pedir uma investigação às contas do seu próprio ministério, pelas quais, sejam atuais ou anteriores, terá que dar a cara, está-lhe a negar um direito e até um dever.

Quando alguém se socorre sistematicamente do “caso” da nomeação da irmã da ministra para o Ministério do Ambiente, parece estar sem argumentos.

Quando alguém diz que a ministra “parece uma barata tonta” está a deitar mão ao mero insulto.
Além disso, há nesta afirmação um subtil toque sexista que incomoda.
Duvido que Marinho Pinto usasse a mesma expressão referindo-se a um ministro homem.

Fica-me a ideia de que Marinho Pinto está, também ele, à rasca.
Por isso estas suas palavras já não são fortes e contundentes.
Apenas estouvadas e grosseiras.

31 de janeiro de 2012

Não te entendo, moço.

O rapaz que há uns meses aceitou um trabalho temporário como Secretário-geral do PS e que dá pelo nome de António José Seguro, tem o condão de me pôr a desconfiar da minha própria literacia.

Primeiro foi aquela história da “abstenção violenta” do PS na votação do Orçamento de Estado.
Corri dicionários, enciclopédias, prontuários, gramáticas e até fui ao Ciberdúvidas  para tentar perceber o sentido de tão arrevesada locução. Nada.

Ainda mal refeita deste trauma, eis que me aparece de novo Seguro com afirmações sobre as negociações da dívida da Madeira que cito:

"É um acordo entre familiares do PSD, que aplica àquela região autónoma a mesma receita do Continente, isto é, empobrecer", disse o líder socialista, acrescentando que a Madeira "vai ser duplamente prejudicada" com esta opção.” (daqui)

Ora, é sabido que há famílias muito desavindas ou até, para ser moderna, disfuncionais, mas o mais normal é haver entreajuda entre familiares. Com esta frase, a gente pensa que ele vai dizer que houve favorecimento mas, qual quê, a seguir diz que a Madeira "vai ser duplamente prejudicada".

Se isto se transpusesse para num cartoon, eu apresentar-me-ia, certamente, com os olhos revirados e um balão de fala cheio de pontos de interrogação.

Não consigo entender o rapaz, mas isso não é grave, é só iliteracia minha. Grave mesmo é que me parece que ele também não se entende a si próprio.

30 de janeiro de 2012

“Proposta Indecente” -2 (sequela europeia)

Desde sábado de manhãzinha, quando ouvi a notícia - Segundo o "Financial Times", a Alemanha quer que a Grécia abdique da soberania sobre as decisões orçamentais, transferindo-a para um 'comissário do Orçamento' da Zona Euro. Esta seria uma condição para que Atenas receba um segundo resgate (aqui), os meus cinco sentidos perderam a tramontana

Primeiro achei que não estava a ouvir bem, depois comecei a deitar chispas pelos olhos e fumo pelo nariz, depois a escoicinhar com os membros que a natureza me deu, e a espumar pela boca e, finalmente, a usar linguagem de carroceiro.

Lembrei-me do filme dos anos 1990 “Proposta Indecente”. Nele, um casal em apuros financeiros recebe uma proposta, por parte dum milionário, para passar uma noite com a mulher a troco de um milhão de dólares. O bom do Robert Redford só queria ir para a cama com a Demi Moore umas horas, mas ousar propor tal negócio só porque os outros estavam falidos já era uma proposta indecente.

Como eramos cândidos e puritanos nos anos noventa.

Neste “filme”, a Alemanha é o prestamista que pretende instalar-se em casa do devedor grego para controlar toda a vida doméstica, do quarto á sala, passando pela cozinha, casa de banho e visitando o quarto da empregada, se não mesmo o da patroa. De caminho, se as coisas não correrem a seu gosto, vai levando as pratas - herança da avó, o cordão de ouro da tia Constantina e algumas notas de euro ou dólar que por lá encontre escondidas numa gaveta.

Entendo que, se o prestamista não quer emprestar, está no seu direito; não pode é dizer – empresto na condição de me meter na tua cama.

Esta é uma proposta dum senhor medieval que não é só indecente; é também obscena, prepotente, e, sim ouso dizê-lo, protofascista.


27 de janeiro de 2012

Pedro Rosa Mendes

Eu ouvi a tão falada crónica do Pedro Rosa Mendes logo quando ela foi transmitida. Ouvia sempre; não só ele mas também a Raquel Freire, a Rita Matos, o Gonçalo Cadilhe e o António Granado.

É hora de estar a fazer isto e aquilo, e vou ouvindo. Naquele dia, salvo erro 18 de Janeiro, parei com o isto e aquilo e fiquei a ouvir. O que ele dizia era tão certeiro e desassombrado, tão corajoso e sem tibiezas, que era preciso prestar a devida atenção.

Quando acabou, a intuição disse-me que aquele homem tinha acabado de pôr o seu emprego em risco porque se recusava a ser a voz do dono, coisa já tão rara na comunicação social em Portugal.

Tenho a certeza que Pedro Rosa Mendes não é ingénuo, e sabia isso tão bem como eu. Mesmo assim, recusou a autocensura, chamou os bois pelos nomes, e optou por correr riscos.

Eu, ganhei o dia. Num país triste, amarfanhado e medroso como hoje é o nosso, encontrar pela manhã a voz da dignidade e da coragem que, implicitamente, ousa mandar para o sítio certo o Miguel Relvas e companhia, corresponde, literalmente, a ganhar o dia.

E este post hoje mais não é que o meu obrigada e a minha homenagem a um jornalista sem medo – Pedro Rosa Mendes.


Nota: deixo aqui o link para a sua crónica, esperando que ainda não tenha sido retirada.

26 de janeiro de 2012

Pergunta muito ignorante

Outro dia, encontrei no Facebook este desabafo:

Isto de ser poupado em tempos de crise e de roubos vários, coincidentes com o inverno, não tem piadinha nenhuma.
Ele é o fechar a torneira no duche e sair de lá com quase tanto frio como se entrou, ele é o ter apenas um aquecedor ligado em vez de vários mais o AC, e andar por casa com tanta roupa como na rua, ele é o usar a água fria para lavar a loiça e ficar com as mãos que nem cubos de gelo...

Quem isto escreveu é uma mulher de 35 anos, licenciada, que vive sozinha e trabalha há mais de dez anos na mesma empresa.
Este é um bom retrato do famoso, desejado, e ativamente procurado pelo governo, “empobrecimento” dos portugueses.

A classe média, que tão laboriosamente fomos construindo ao longo de 40 anos, está agora a passar frio para ver se não passa fome e se consegue pagar as suas contas no fim do mês. Algo de muito semelhante vai acontecendo noutros países da Europa.

Sendo a dita classe média a coluna vertebral das sociedades modernas, a que sustenta o consumo, e através dele o sistema capitalista que, por sua vez, precisa de produzir sempre mais para se manter, a pergunta muito ignorante é esta: o capitalismo tem tendências suicidas ou é apenas moderadamente bipolar?

25 de janeiro de 2012

Proença, o português

O editorial do Expresso de sábado passado coloca uma questão que eu também já tinha aflorado aqui.

Escreve, a dado passo, o editorialista:
Fica-se a perceber o que o país, o Governo, os patrões e a UGT ganham com este acordo (Concertação Social); mas não se percebe o que ganham os trabalhadores.
E conclui que não ganham nada, só perdem, e muito.

Era essa a pergunta que eu gostava que a CGTP tivesse feito ao maralhal que lá estava – o que têm para a troca?
Era preciso obriga-los a dizer que não tinham cromos nenhuns mas queriam a coleção toda, e dada.

Contudo, no meio desta desgraça, houve uma parte muita divertida: o argumento dado por João Proença para justificar a sua assinatura – é que, se não assinasse, podia ser pior.
Tão português!

Teve um acidente e partiu uma perna? Ora, teve muita sorte, porque podia ter morrido.
Por cá é sempre assim, com a graça de Deus.

24 de janeiro de 2012

Eu sem hackers

O blogue Aventar tomou a iniciativa de fazer um concurso de blogues distribuídos por categorias muito diversas.
A primeira fase, entre 13 e 21 de Janeiro, estava aberta a todos os blogues e cada pessoa só podia votar uma vez.

Eu tinha ouvido falar recentemente do concurso de blogues da TVI e dizia-se que havia hackers que mandavam milhares de votos para os blogues que queriam. Enfim, tudo muito à moda do ciberespaço.
Resolvi inscrever o meu blogue na categoria dos nascidos em 2011, ciente de que não haveria hacker que me apanhasse, para ver por dentro como estas brincadeiras funcionam.

Não informei ninguém de tão destemido ato, nem família, nem amigos, e nem sequer coloquei no meu blogue a informação sobre o concurso que o próprio Aventar disponibilizava.

Então, foi assim:
Na categoria em que me inscrevi foram apurados 1865 votos, distribuídos por 36 blogues.
No meu blogue, vindas de http://aventar.eu/blogs-do-ano-2011/, houve 72 entradas. Dessas, apenas 3 leram mais do que um post.
No final tive 10 votos.

Ora, contas redondas, pode dizer-se que, dos 1865 votantes, 72 por aqui entraram e saíram como o sol pela vidraça, os hackers não me apanharam, e ainda houve 10 leitores, tão estimados como desconhecidos, que tiveram a pachorra de ir lá pôr o seu voto.
Aqui lhes deixo os meus agradecimentos por terem achado graça a este blogue-bebé.

E agora vou ali ver se aprendo alguma coisa com o mais votado que, para vosso conhecimento, e nesta categoria, é:
Standard's e People, Pá
Sete jovens com “profiles” onde não consigo entrar sem e-mail e password e que mostram como nos devemos empenhar nas coisas em que nos metemos. Parabéns para eles.

23 de janeiro de 2012

Vacas sagradas, não tenho

Os meus amigos comunistas que me desculpem mas, para mim, o PCP não é, como é para eles, uma vaca sagrada.
Aliás, não tenho vacas sagradas, porque não sou crente nem indiana.
Dou-lhes, porém, todo o direito de não gostarem daquilo que escrevo e penso, esperando que me deem também o direito de continuar a pensar e a escrever livremente.

E o facto é que o PCP deixa-me, frequentemente, como é que hei-de dizer, talvez perplexa ou consternada.

Só para falar dos últimos dias, por exemplo, fiquei, vá lá, perplexa com o envio de votos de pesar ao povo da Coreia do Norte pela morte dum tirano não eleito, que o mata à fome, e que se dizia comunista.
Fiquei também, vá lá, consternada, por logo de seguida ter votado contra um simples voto de pesar pela morte de Vacklav Havel. É que nem uma abstençãozinha, foi logo contra. Deduzo que para o PCP o homem já devia ter morrido há muito tempo, com o raio que o parta.

Também, vá lá, me deixa perplexa e consternada, que o PCP entenda sempre que o que não é de sua iniciativa não presta. No caso recente do pedido de fiscalização sucessiva do OE, o PCP nem sequer teria deputados suficientes para o fazer sozinho, pelo que, demarcando-se da iniciativa a pretexto de minudências textuais, acabou por, objetivamente, facilitar a passeata triunfal do governo no seu ataque a tudo o que mexe e trabalha.

Duvido que seja isso que os eleitores do PCP pretendem quando nele votam. É que, para o povaréu votante que sofre na pele as bacoradas dos políticos, são mais as coisas que nos unem do que aquelas que nos separam.

Estou tão farta de ouvir as esquerdas a gritar “a minha via é melhor que a tua” como de ouvir os crentes a dizer “o meu Deus é melhor que o teu”.
Se calha é por isso que continuo sem via e sem fé.
Mas cá me aguento. Parece que há mais vida para além das vias. E da fé.
E da fé nas vias. E das vias de fé.

Nota: imagem de uma escultura (múltiplo) do escultor Jorge Vieira.

21 de janeiro de 2012

Sábado com W. Benjamin


Ser feliz é poder tomar consciência de si sem apanhar um susto.




Walter Benjamin
“Imagens de Pensamento”
Assírio e Alvim, 2004

20 de janeiro de 2012

A resposta é sempre NÃO

A CGTP bateu com a porta, bem cedo, nas reuniões da Concertação Social.

Eu gostava que ela tivesse ficado mais um pouco e que tivesse perguntado aos patrões o que davam aos trabalhadores em troca do tanto que lhes vão tirar. Concertação deve ser um “toma lá, dá cá”, não?

Depois, podia bater com a porta e vir dizer-nos o que eles tinham respondido. Eu gostava.

O PCP não quis juntar-se aos deputados do PS e do BE para pedir a fiscalização sucessiva do OE por “discordância fundamental” em relação a “alguns dos fundamentos” apresentados no documento. E acrescenta que “O corte é inconstitucional seja feito a todos os trabalhadores, seja feito apenas aos do sector público”. (Público)

Já sabíamos, mas isso é motivo para recusar liminarmente uma ação unitária?

O povo de esquerda que me desculpe mas, neste caso, purismo em excesso tem o mesmo efeito do colaboracionismo. E desmoraliza muito.

19 de janeiro de 2012

É amanhã



Concertação Social

Foi assim




Imagem retirada dum blogue Católico tradicional, Antimodernista e Antiprogressista

" Conversas n' A Catedral"

Levei anos a resistir à leitura de algum livro de Mário Vargas Llosa.
Certo é que podemos gostar do artista e não do homem (ou mulher) e vice-versa. Neste caso, quase tudo me desagradava no homem: o seu ar de galã sul-americano, a sua arrogância intelectual, o programa neoliberal com que se apresentou às eleições para presidente do Peru em 1990

Finalmente decidi-me pelo “Conversas n’ A Catedral”, um calhamaço de 630 páginas, e não me arrependi, embora no início tenha tido a sensação de que o autor estava a dizer-me: leitora, tu és burra, vou-te provar que és burra, vais desistir desta minha magnífica obra.

Abusando claramente dos seus vastos recursos estilísticos, usa desnorteantes diálogos intercalados (cada linha uma pessoa, um assunto, um tempo), discurso indireto livre e solilóquios em simultâneo; contudo, este desbragamento estilístico vai-se moderando, e no final ficamos com a sensação que este é um dos grandes romances do século xx.

Em “Conversas n’ A Catedral”, conta-se a história de Santiago Zavala,
que viveu a ditadura de Manuel Odría entre 1948 a 1956 no Peru, e traça-se um vasto retrato do país nessa época.
Logo na primeira página, Llosa escreve:

Ele era como o Peru, Zavalita, a certa altura, tinha-se fodido. Pensa: em que altura?

Com uma pequena alteração geográfica, esta é a pergunta que muitos de nós, portugueses, estamos a fazer neste momento.


18 de janeiro de 2012

Regresso ao futuro

Na semana passada, pedi aqui que me mandassem os herdeiros de Catroga, Cardona e companhia porque estava farta de tão “egrégios avós”.

Mal sabia eu que os ministérios estão povoados de talentosa juventude nos cargos de assessores, adjuntos e especialista, todos com menos de 30 anos e vários Especialistas entre os 24 e os 25 anos, todos com ordenados jeitositos.

Recebi esta fascinante lista por email, e confesso que não tive pachorra para ir confirmar, mas confio no remetente. Aqui a deixo hoje para quem quiser tomar conhecimento e, como eu, se alegrar – está-se a formar uma nova vaga de políticos que, com tais professores, só pode deixar-nos tranquilos quanto ao futuro da gestão da coisa pública. E da democracia.


MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL (2)

Cargo: Assessora
Nome: Ana Miguel Marques Neves dos Santos
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Adjunto
Nome: João Miguel Saraiva Annes
Idade:28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.183,63 €


MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS (1)


Cargo: Adjunto
Nome: Filipe Fernandes
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.633,82 €


MINISTÉRIO DAS FINANÇAS (4)


Cargo: Adjunto
Nome: Carlos Correia de Oliveira Vaz de Almeida
Idade: 26 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Assessor
Nome: Bruno Miguel Ribeiro Escada
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.854 €


Cargo: Assessor
Nome: Filipe Gil França Abreu
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.854 €


Cargo: Adjunto
Nome: Nelson Rodrigo Rocha Gomes
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA (2)


Cargo: Assessor
Nome: Jorge Afonso Moutinho Garcez Nogueira
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Assessor
Nome: André Manuel Santos Rodrigues Barbosa
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.364,50 €


MINISTRO ADJUNTO E DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES (5)


Cargo: Especialista
Nome: Diogo Rolo Mendonça Noivo
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Adjunto
Nome: Ademar Vala Marques
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Especialista
Nome: Tatiana Filipa Abreu Lopes Canas da Silva Canas
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Especialista
Nome: Rita Ferreira Roquete Teles Branco Chaves
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3069,33 €


Cargo: Especialista
Nome: André Tiago Pardal da Silva
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


MINISTÉRIO DA ECONOMIA (8)


Cargo: Adjunta
Nome: Cláudia de Moura Alves Saavedra Pinto
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago Lebres Moutinho
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Cristóvão Baptista
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago José de Oliveira Bolhão Páscoa
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: André Filipe Abreu Regateiro
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Ana da Conceição Gracias Duarte
Idade: 25 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: David Emanuel de Carvalho Figueiredo Martins
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Folgado Verol Marques
Idade: 24 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (3)


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Joana Maria Enes da Silva Malheiro Novo
Idade: 25 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Antero Silva
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Especialista
Nome: Tiago de Melo Sousa Martins Cartaxo
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


MINISTÉRIO DA SAÚDE (1)


Cargo: Adjunto
Nome: Tiago Menezes Moutinho Macieirinha
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,37 €


MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA (2)


Cargo: Assessoria Técnica
Nome: Ana Isabel Barreira de Figueiredo
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.198,80 €


Cargo: Assessor
Nome: Ricardo Morgado
Idade: 24
Vencimento Mensal Bruto: 2.505,46 €


SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA (1)


Cargo: Colaboradora/Especialista
Nome: Filipa Martins
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 1.950,00