quarta-feira, janeiro 11, 2012

Mandem-me os herdeiros

A dança das cadeiras, aqui no protetorado, é muito sui generis. Nunca ninguém fica de fora, porque as cadeiras chegam para todos. Basta ser amigo, ter feito um favor, pertencer ao “arco da governação” e, de certeza, não ficará de fora, sem cadeira, a fazer beicinho com cara de estúpido.

O conjunto de amigos da cadeira começa agora a tomar a forma de gerontocracia, porque os anos não passam só por mim, passam também por eles e eu conheço-os há muiiiiiiiitos anos.
Cardona, Braga Catroga, Pinho, Pinto e Rocha são nossos velhos conhecidos.
Outros amigos, mais distintos, dançam noutro torneio – os das fundações, que também é um baile de prestígio e mando. É o caso dos Vilar e Santos Silva.

Acontece que todos estão a ficar entradotes, e começam a formar uma brigada do reumático que em breve vai precisar de ajuda para correr para a cadeira.
Como estas festarolas fazem parte da nossa maneira de estar, estão para ficar, pelo que sugiro que adotemos a linha norte-coreana da sucessão dos herdeiros.

Venham de lá os filhos Catrogas, Cardonas, Pintos, Pinhos, Rochas, Vilares e Silvas porque, pelo menos, mudam as caras (esperando que tenham saído mais ao outro progenitor) e pode atá acontecer que algum tenha um olhar um bocadinho mais modernaço e desempoeirado sobre o mundo e o país.

Abdiquem senhores, e mandem-me os vossos herdeiros. Se preciso for, por mim, chamar-lhes-ei Génios dos Génios de qualquer coisa, daquilo que os senhores quiserem, como o Kim Jong-un, e até juro solenemente que nem falarei de questões morais, ou políticas, ou de estarem a gozar com a minha cara.
É só que estou mesmo fartinha de tão egrégios avós – os senhores.

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