16 de agosto de 2013

Notícias do Verão III


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"Era muito cedo para fazer a mala, mas prosseguiu, mesmo assim.
O nosso lar é o lugar onde têm de nos acolher, queiram ou não, disse o poeta, ou disse o pai de Marian, parafraseando o poeta, e o nosso lar é também o lugar de onde estamos sempre mortinhos por nos pôr a milhas."

Don DeLillo, “Submundo”

Imagem  daqui

14 de agosto de 2013

Notícias do Verão II


 
Olhou-o aflita:

- Olhe, a coisa de que eu mais gosto no mundo… eu sinto aqui dentro, assim se abrindo…Quase, quase posso dizer o que é mas não posso…
- Tente explicar, disse ele de sobrancelhas franzidas.
- É como uma coisa que vai ser…É como…
- É como?...inclinou-se ele, exigindo sério.
- É como uma vontade de respirar muito, mas também o medo…Não sei…Não sei, quase dói. É tudo…É tudo.
 
Clarice Lispector, “Perto do Coração Selvagem”

13 de agosto de 2013

Notícias do Verão I



















A tecnologia tornou possível uma crescente difusão da mentalidade que vê o mundo como um conjunto de potenciais fotografias.

Susan Sontag,  Ensaios sobre fotografia

12 de agosto de 2013

Sem Lomba

Informa-me o jornal que se acabaram os briefings do Lomba.

Ou melhor, foram descontinuados, que é a maneira de conjugar o verbo acabar na era dPC.

Voltará a haver?

Humm, se houver briefings já não serão do Lomba, serão de outra coisa qualquer.

E eu que, verdadeiramente, nunca cheguei a prestar atenção.

Moral da história: temos que estar sempre atentos, porque os briefings hoje quase que fecham antes de abrir.

 

 

9 de agosto de 2013

A culpa é do Sócrates


Magnífico Montenegro (MM) veio hoje, já usando uma estival camisa azul-bebé, desencasacado e desengravatado, perguntar se o PS aceitaria os swaps que “seu Jorge” quis vender, porque um actual conselheiro de Seguro, que também o foi de Sócrates, até se interessou pelo assunto nesse tempo.

Não vou jurar que a pergunta foi exactamente esta, porque eu tinha apanhado sol, estava a partir tomates e o azul-bebé enterneceu-me, mas acho que foi.

Quem quiser certificar-se e tiver paciência pode ir aqui.

Confesso que achei que tinha perdido algum capítulo da novela, porque o episódio estava difícil de perceber, mas também me pareceu que não teria muita importância porque no fim disto, e depois de tudinho bem visto e revisto, acho que ainda vamos chegar a uma inevitável conclusão − a culpa de “seu Jorge” trabalhar no CITIBANDO e fazer propostas desonestas aos governos foi, é, e será sempre, única e exclusivamente, do Sócrates.

Grande salada (a que eu fiz, claro).

8 de agosto de 2013

A mão por trás do arbusto


A minha interpretação sobre o mais famoso papel dos últimos dias não coincide com a dos meus amigos que reputo de inteligentes e que costumo ler.

Acham eles que o papel com o nome de “seu Jorge” foi posto cá fora pelo gabinete DESTE primeiro-ministro. Não é a minha interpretação. Também ouvi ontem a SIC e José Gomes Ferreira deu uma plausível razão para as diferenças no papel que não interessam para esta história.

Sabemos que o CITIBANDO tentou vender uns produtos marados ao governo de José Sócrates e que este os recusou.

O que a SIC diz em comunicado é:

“O documento a que a SIC teve acesso veio da residência oficial do primeiro-ministro e aquele que o Ministério das Finanças divulgou veio do IGCP”

Isto quererá obrigatoriamente dizer que foi o gabinete de Passos que meteu os pés pelas mãos?

Não acredito. Acredito, sim, que não é só Paulo Portas que faz milhares de fotocópias quando sai do governo, e que a vingança de Sócrates pode tardar, mas não falha.

E funciona assim a modos que como “a mão por trás do arbusto”; porém, se Sócrates, ou alguém por ele, conseguir tirar o sono à quadrilha nem que seja por uma ou duas noites, eu já agradeço (mas não esqueço).

A propósito, o Tozé deve estar a banhos, não?

7 de agosto de 2013

A ajudinha de “seu Jorge”


Desde que percebi que ninguém ia parar este governo, legitimamente eleito com base num chorrilho de mentiras, e que já era impossível salvar o que eu pensava que devia mesmo ser salvo, passei a defender o que antes abominava – o velho quanto pior, melhor!
 
É bom mesmo que tudo apodreça o mais depressa possível, porque quando já não se aguentar o fedor alguma coisa vai ter que acontecer.
 
Este último caso de “seu Jorge” tem dado uma boa ajuda. Primeiro “seu Jorge” negou, depois não se lembrou, finalmente lembrou mas disse que fumou mas não inalou, depois o Lomba disse que ia investigá-lo até ao fim do dia (vergonha, chiça), depois o dia todo não chegou, depois veio a madrugada e os documentos forjados, depois lá pelas onze da manhã “seu Jorge” demite-se “de consciência limpa” e farto de injustiças no tratamento. Diz, em comunicado, que a sua “disponibilidade para servir o país sempre foi total” e a gente acredita, porque percebemos que tanto lhe quis vender swaps tóxicos como lhe quis guardar o tesouro.
 
O homem faz qualquer coisa pelo país, mas como o país é ingrato, “seu Jorge” lá vai agora de requitó para o Citibank, para a Parpública ou para o raio que o parta, e a Albuquerque, que também não mente, Deus a livre, mas fica com o pescoço encarnado de raiva, terá que arranjar outro patriota para guardião do tesouro.
 
Deve ser isto a podridão da política de que falava o Machete, que está, aceleradamente, a tomar conta de todo o espaço vital da sociedade.
 
Como já disse, acho isso bom, porque quando já não se aguentar o cheiro vai ter que se limpar a casa.
Acontece que, depois de dois anos nisto acho que o país inteiro está viciado em” casos” e podridão.
Ainda estará disponível para tentar viver limpo? Pergunto-me.

 

5 de agosto de 2013

Um Putin alentejano e fofinho

Um amigo do Facebook “levantou-me esta lebre” que, de tão inacreditável, me levou à necessidade de ver para crer.

E que vi eu? Isto:
Rondão Almeida é presidente da Câmara de Elvas, pelo PS, desde 1994.
Praticamente, toda a obra feita naquela terra e no concelho leva o seu nome.

Na impossibilidade de se candidatar este ano, escolhe para o substituir o seu vice-presidente, entra ele próprio na lista em 3º lugar e ainda encabeça a lista para a Assembleia Municipal.

Tudo legal, pelos vistos, tudo muito fixe e tudo com o apoio do PS.

Nem sei por que raio me fui lembrar de Putin e Medvedev mais a sua dança de cadeiras lá na longínqua Rússia – ora agora presides tu, ora agora presido eu.

Pensamentos estapafúrdios, os meus. E tão ruins. E imperdoáveis.
Ah, se não fosse o PS a moralizar estas candidaturas autárquicas nem sei que seria de nós.

2 de agosto de 2013

Serão só dificuldades de aprendizagem ou será mesmo burrice?














daqui

Ao fim de dois anos governados por uma incompetente comissão liquidatária do PSD, se houvesse hoje eleições os portugueses deixariam o PSD a três míseros pontinhos do PS.

Alguém que arranje umas explicações para os miúdos lá no Rato porque eles estão com sérias dificuldades em assimilar a matéria.
Ainda chumbam.


31 de julho de 2013

Se não fosse a minha mãe…



























Minha mãe tem 86 anos.

Lendo a Expresso de sábado passado, a certa altura mostra-me esta imagem e pergunta: não achas que esta fotografia é um sinal de esperança para nós?
Perante a minha estupefação, desatou a rir na minha cara.

Por mim, nem tinha percebido que era a imagem do “novo ciclo”.
Quando for grande quero ser assim viva como ela.

30 de julho de 2013

Onde pára o Álvaro?

Já não há ironia nesta pergunta; agora é literal – onde pára Álvaro Santos Pereira?

Saiu de ministro, não foi à tomada de posse da remodelação e nunca mais ouvimos falar dele.

Das duas, uma: ou já voltou para Vancouver ou, mais mês menos mês teremos notícias sobre a empresa que o acolheu e que lugar nela ocupa.

A opção que tiver tomado vai dar-nos a conhecer, finalmente, o verdadeiro Álvaro.

O Raposinho tem andado ocupadíssimo, em papel e online, a tecer a defesa do Álvaro, o que logo me dá ideias… como direi? Melhor não dizer!

Argumenta ele, o Henrique, entre outras coisas muito perspicazes e inteligentes, que a snobeira lisboeta achou que o Álvaro era um totó por pedir que o chamassem pelo nome próprio, como no Canadá.

Ora, a snobeira existe, de facto, mas não neste caso, e até eu, que sou alentejana, acho o Álvaro um verdadeiro totó, porque só um verdadeiro totó aceita ser ministro dum país que desconhece.

A mania dos doutores que existe por aqui, sim senhor, tem razões históricas e não desaparecerá só porque os Álvaros e Raposinhos acham que deve desaparecer; nem desaparecerá se se fizerem mil decretos. Desaparecerá a prazo, quando as razões que a criaram deixarem de existir.

Que o Henrique não perceba isto, não é grave, porque o rapaz se limita a escrever umas coisas que acha engraçadas e que, às vezes, também me fazem rir, mas para ser ministro, valha-nos a santa, não dá.

O Álvaro é um totó, sim, mas onde andará?

É esta a questão que agora me inquieta; temo que se deixe enrolar por alguma onda grande no mar português.
Queira Deus que não, e que a gente tenha notícias dele bem depressa. Já tenho saudades. É que, na verdade, era um ministro totó, mas era fofinho – ria-se das piadas dos deputados e até chegou a anunciar-nos o fim da crise. Só não disse quando. E continuamos sem saber.

29 de julho de 2013

Também posso brincar, Cristina?

É maravilhoso ver como os ricos deste país estão felizes e descontraídos.

Deve dizer-se, em abono da verdade, que os nossos ricos nunca foram exibicionistas, sempre deixaram isso para os novos-ricos.

Para eles, a riqueza é sua por desígnio divino, é coisa que não se discute nem há necessidade de exibir.

Há muitos, muitos anos, quase no tempo em que os animais falavam, apanharam uns sustos, mas tudo isso passou, graças a Deus, e a vida voltou a ser como sempre foi e deve ser – segura, mansa e discreta.

E assim continua, podendo até dizer-se que está cada vez mais segura.

Poucas vezes os nossos ricos aparecem, mas esta semana deram um ar de sua graça na Revista do Expresso.

Instalados nas suas casas muito simples da Comporta, o que lhes apraz dizer é que estar lá, nessas casinhas, com a natureza em estado puro, “é como brincar aos pobrezinhos”, nas palavras de Cristina Espírito Santo, que Deus a proteja.

Não é uma ternura? Eu adorei.

Nota: a imagem aqui reproduzida acompanha a reportagem do Expresso e mostra as delícias dum champanhe no areal. Também posso brincar, Cristina?

28 de julho de 2013

Onde estão?

















Onde estão as mulheres que, em 2011, lado a lado com os homens, ocuparam a Praça Tahrir e derrubaram Mubarak?
Olho a televisão e não vejo nenhuma.

26 de julho de 2013

Mentirosos e trambiqueiros

Esta noite sonhei que se tinha provado, sem margem para dúvidas, que a ministra Maria Luís Albuquerque NÃO tinha mentido ao parlamento.

Isto chegou a um ponto em que começo a achar que Sócrates e os seus rapazes não passavam de uma boys band ainda em estágio para a marginalidade.

Já não aguento mais mentirosos e trambiqueiros.
Quero muito, muito, muito, que a ministra, apesar do ar de sonsa, não seja mentirosa.

É que temo pela minha saúde mental.

25 de julho de 2013

Roupa velha


Um governo pouco novo tomou posse.
 
Antes, passando os olhos por jornais, blogues e televisões, constatei o afã de cada comentador/escrevinhador em encontrar o “vencedor” da crise política.
 
E houve para todos os gostos – para uns foi Passos, para outros Portas, para outros Cavaco (???), para outros Seguro. Só me falta mesmo encontrar alguém que, depois de aprofundada análise, prove que o grande vencedor foi Jerónimo de Sousa.
 
Enquanto eles esgrimiam argumentos para encontrar o vencedor, nós demonstrávamos total indiferença pelo tema, tal como agora com a constituição do remodelado governo.
 
Sabemos que o que nos servem não passa de roupa velha, aquele colestrólico prato que se faz para aproveitar restos de frango assado, mas quem se vai importar com isso?
 
Temos prática, muita prática, de comer e calar.  
Acho que até gostamos.

24 de julho de 2013

Eça Agora

O jornal Expresso continua apostado em meter-me em casa coisas que eu não quero, talvez por não saber que a minha aposta, ao contrário, passou a ser a de tirar de casa tudo o que não quero, viver apenas com as coisas de que gosto e um mínimo de coisas neutras mas imprescindíveis
 
Com a iniciativa Eça Agora, que se integra na comemoração dos seus 40 anos, decidiu o jornal oferecer-me, primeiro, Os Mais, de Eça de Queirós, em três fascículos, e depois o prolongamento do mesmo até 1973 pela lente da imaginação de alguns autores-amigos do Expresso; por fim, no lugar do posfácio, vai oferecer-me uma “Introdução à Leitura d’Os Maias”.
 
Eu não entendo o raciocínio por trás desta iniciativa, porque me parece que a grande massa de leitores do Expresso, por gosto ou por obrigação escolar, já leu Os Maias, estará agora numa altura da vida em que pouco lhe interessa a tal Introdução à Leitura e talvez não tenha grande paciência para os chamados Novos Maias, congeminados pelos tais escritores-amigos que aceitam encomendas (ah, a vida está difícil, todos sabemos).
 
Nada disto me chatearia se eu fosse capaz de pôr livros no lixo.
Não sou, mas finalmente decidi o que fazer com as prendinhas do Expresso – serão largadas num banco da praça, da avenida, ou do jardim.
 
Quem sabe, não nasce assim um BookCrossing cá no meu sítio.
Isso sim, teria a sua piada, e redimiria um pouco o jornal que, para ajudar os seus, me enche de papel que não quero e não pedi.
 
Nota: a imagem usada é parte da imagem promocional da iniciativa do Expresso


23 de julho de 2013

O Inverno da vida, e tal

Nos últimos anos, comparo os livros de Paul Auster com os filmes de Woody Allen – geralmente são uma grande pepineira; só de vez em quando sai um bom.

Acabei de ler “Diário de Inverno” de Paul Auster. Pepineira.

Auster escreveu este livro (porque precisa de pagar as contas, digo eu), porque está quase a completar 65 anos de vida, o que corresponde à idade oficial de entrada no Inverno da vida, diz ele.

A mania de comparar a vida com a sucessão das estações do ano é coisa que me chateia, e, de tão repetida, só denota uma grande falta de imaginação.

Eu, por exemplo, nasci no verão; na minha perspectiva, quando estiver com os pés p’rá cova deve ser Primavera, porque já passei pelo Verão, pelo Outono e pelo Inverno.

Este pessoal que insiste no Inverno da vida e tal, só pensa no esqueleto, parecendo esquecer-se de que sempre nos sentimos mais novos do que o que realmente somos.

Qual Inverno, qual carapuça!
Custa dar uma chance ao que a gente sente deixando as artroses fora da literatura?

Por mim, insisto em dizer que já não falta muito para entrar na Primavera da minha vida, com direito a descontos na CP e na Gulbenkian.

Cúmulo da sorte, não vou sozinha.
Por isso parabéns, hoje, para quem comigo faz, todos os dias, este caminho rumo à Primavera.
 
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22 de julho de 2013

Compromisso, salvação, emergência.


























Esta gentinha está quase a conseguir que eu passe a detestar algumas palavras −  compromisso, salvação, emergência, por exemplo.

E, no entanto, até há pouco, achava-as todas belas, adequadas, e ricas de sentido.

Compromisso tem uma sonoridade doce e amável.

Salvação sempre me apareceu associada a algo de grandioso, próximo, até, do heroísmo.

Emergência logo me punha um pinonim na cabeça, uma luzinha a andar à roda e a certeza de não haver tempo a perder - um, dois, três, ou vive ou morre.

O espaço mediático, hoje em dia, está permanentemente ocupado por seres, talvez vivos, quem sabe, que chamam Compromisso ao pensamento único, Salvação à morte certa sem honra nem glória, e admitem que uma Emergência pode ser por tempo indeterminado (por aqui, já vai em dois anos).

São eles que, às vezes, já me fazem detestar aquilo de que tanto gosto – palavras.

Nota: ontem houve palhaços, mas foi mais uma actuação sem brilho.
 
Imagem daqui

 

19 de julho de 2013

Eu desvinculo-me de; os outros, não sei


Já várias vezes escrevi neste blogue sobre o Acordo Ortográfico de 1990.
 
Em finais de 2011 fiz um honesto esforço para o começar a usar, em meados de 2012 desisti, e ganhei a firme convicção de que não voltaria a usá-lo.
O AO é, manifestamente, um acordo político que em nada ajuda à unificação do português; isto na eventualidade, não provada, de ele necessitar de ser unificado.
 
Circularam na internet várias petições contra a sua adopção, e assinei algumas.
Esta chega agora à Assembleia da República para ser discutida; justamente uma que não assinei.
 
O motivo por que não assinei prende-se com a estranheza que o título me provocou − Petição pela desvinculação de Portugal ao 'Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990' (AO90).
Sempre achei este português muito macarrónico mas, se era escrito por tanta gente com pedigree linguístico, o problema devia ser meu; passei, pois, adiante.
Ontem, quando me deparei com a notícia do Público e, de novo, com o nome da petição, voltei a sentir o incómodo já anteriormente experimentado.
 
Para mim, sempre foi simples: vinculo-me a e desvinculo-me de, mas desta vez resolvi tirar o assunto a limpo. Peguei no dicionário de verbos da Porto Editora, nada de especial, portanto, e na parte das regências encontrei na página 707
 - desvincular (-se) – de: desvinculou-se do contrato; desvinculou-se da sociedade.
Na página 756:
- vincular-se – a: vinculou-se ao clube desportivo; por: vinculou-se por escrito.
 
Assim, a petição, no meu entender, devia ter como título:
Petição pela desvinculação de Portugal do 'Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990' (AO90), ou Petição pela não vinculação de Portugal ao 'Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990' (AO90).
 
Se eu estiver enganada, corrijam-me, por favor.
É que não tenho pedigree linguístico, mas sempre me desvinculei de.
Agradecida.

18 de julho de 2013

O Papa Francisco, as Indulgências, o Twitter e o Purgatório











 
 
 
 
 
 
Quando vi o Papa Francisco, logo depois de eleito, aparecer à janela do Vaticano, gostei dele. Pareceu-me um homem simples.
 
Com estas parvoíces começa antes a parecer-me um simplório.
Se assim for, a quem serve um Papa simplório?

17 de julho de 2013

Que pena















 
Que pena tenho de só as ilhas serem selvagens.

O que o homem estava mesmo a precisar era duns milhares de selvagens à porta.

12 de julho de 2013

Assunção Esteves

Quando em 2011 foi eleita Presidente da AR, com apoio mais ou menos generalizado dos deputados, não me pronunciei neste blogue, o que alguns, que me sabem apoiante das causas das mulheres, estranharam.

Assunção Esteves é “afilhada” de Cavaco Silva. Foi pela mão dele que entrou no Tribunal Constitucional e a ele deve a sua carreira política.

Como credenciais, não me pareceram as melhores do mundo e achei por bem esperar para ver.
Esteves e Silva, verifica-se, são criaturas que podiam ocupar os seus lugares em tempos mornos de salamaleques, mas mostram à saciedade que não servem para os  dias de tempestade que vivemos.

Quando, há umas semanas, um grupo de reformados se manifestou na AR, em silêncio e de costas para o hemiciclo, Assunção Esteves, reformada aos 42 anos com 7000 euros de reforma, ralhou-lhes e disse-lhes que respeitassem o Parlamento.
Ou seja, por aqui não se passa nada, e aquilo, quanto a ela, foi só um grupo de velhos malcriados que resolveu chatear a senhora Presidente que estava lá no alto posta em sossego.

Ontem houve novos protestos na Assembleia e Assunção Esteves disse:

“Nós não fomos eleitos para termos medo, para ser coagidos e provavelmente também não fomos eleitos para não ser respeitados".

Pois não. Os senhores deputados foram eleitos para representar os portugueses e devem ser respeitados, mas é preciso que mereçam o nosso respeito o que, manifestamente, vai sendo cada vez mais difícil de acontecer com a classe política. Toda.

Ainda bem que não deitei foguetes antes da festa, ou seja, quando foi eleita − a protegida de Cavaco Silva parece-me pouco preparada para dirigir a casa da democracia em tempos de cólera.
Além disso, também nunca gostei de sonsas.




11 de julho de 2013

O oráculo de Belém

O oráculo de Belém falou ontem à tardinha.

Como é normal, logo apareceram pitonisas aos montes para decifrar a arenga, mas parece que cada uma ouviu sua coisa e, por isso, não se entenderam muito bem.

Não sou menos que as outras pitonisas e também tenho cá a minha interpretação “da coisa”, ou seja, do oráculo.

Este enumerou os malefícios das eleições se elas não forem como ele as quer.

Exige um governo de operários do PSD, CDS, e PS que executem o seu próprio programa, mas só até ao momento que acha adequado, ou seja, daqui por um ano.

O oráculo reconhece três partidos e ignora todos os outros.

O oráculo tratou o governo pior que cachorro tinhoso.

O oráculo continua a ter a língua grande e eu continuo a achar que lha devíamos cortar.

O oráculo não percebeu que o tempo dele passou porque, no tempo certo, não se deu ao respeito.

Quando estudei sobre o oráculo de Delfos, e era uma catraia, aquilo meteu-me medo. A caverna, a fenda, as fumarolas, as pitonisas que podiam morrer.

Este oráculo que nos calhou em sorte, o de Belém, é uma caricatura risível do que me metia medo.

Mas eu acho que sei o que ele quer: vai querer dizer-nos que teve que escolher alguém de fora para governar porque os partidos não se entenderam como o país precisa.

Veremos que tal me saio como pitonisa.

10 de julho de 2013

Portas e o camone

A mim, o calor, que costuma dilatar os corpos, mirra-me o raciocínio.
Assim tenho andado, mas ontem despertei um pouco.
 
Foi Paulo Portas, ouvido na rádio que, com aquela voz bem colocada e articulada, me informou que o Ministro dos Negócios Estrangeiros dos EUA tinha sido chamado por si, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, para lhe dizer que Portugal não gosta nadinha que os Estados Unidos andem a espiar a Europa.
 
Imagino Paulo Portas de olhos bem abertos, voz grossa e dedo em riste para o Ministro dos Negócios Estrangeiros dos EUA.
 
Ah, ah, o camone deve ter saído das Necessidades borradinho de medo.


5 de julho de 2013

E é isso


Numa dependência dum banco português, bem no centro duma capital da Europa, as coisas não estão a correr bem – demasiados clientes para tão poucos funcionários activos.
 
A certa altura, um cliente no princípio da meia-idade insurge-se com a intolerável situação; fala sozinho, primeiro, e pergunta, depois, se os outros não estão de acordo. Uma mulher que já passou a meia-idade e que deve até ter passado uma ou mais fronteiras no tempo em que as havia mas que ainda tem agarrada à pele a rudeza do granito beirão responde a meia-voz:
 
- A gente está de acordo, mas toda a gente tem medo e cala-se.
Intrometida que sou, mesmo sentindo que não sou dali, pergunto:
- Medo de quê?
 
A resposta vem sob a forma dum breve encolher de ombros de resignação martirizada.
 
Quarenta anos de democracia, um quarto de século de integração europeia e meio século de emigração não foram suficientes para desvanecer em nós este sentimento que nos domina, tolhe e diminui – o medo.
 
Medo de tudo e de nada, com e sem razão, medo de existir, afinal, como dizia o filósofo.
 
É em grande medida graças a ele, a este medo atávico, que ainda hoje os políticos nos podem tourear e bandarilhar, com a certeza de que ficaremos sentados no sofá e diante da televisão, vendo-os entrar e sair, pôr e dispor como lhes apraz, decidindo das suas vidas mas sempre indiferentes à nossa.
 
Haja o que houver, não nos moveremos, porque “a gente tem medo e cala-se”.