30 de junho de 2011

Jardim, versão de esquerda

Se alguém, alguma vez e injustamente, pensou que Alberto João Jardim não era um homem sensato, enganou-se redondamente.
É só ler a notícia

"Jardim recusa privatizar águas, electricidade e saúde" (aqui)

Um pouco mais à frente, pode ler-se que igualmente recusa o fecho do Jornal da Madeira de que o governo da região é único proprietário, e também aí revela sensatez – é que isso seria o mesmo que desligar o ventilador ao Alberto João.
Homem sensato vale por muitos, digo eu.

28 de junho de 2011

Parabéns ao Gonçalo M. Tavares


Ontem percebi, através de alguns blogues e do facebook, que Gonçalo M. Tavares ganhou o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), com a obra "Uma Viagem à Índia".
Já tinha feito a ronda pelos jornais online e não tinha visto nada nesse sentido. Hoje googlei e lá descobri duas pequenas notícias.
Em compensação, o estado de saúde de Angélico está no topo da página dos mesmos jornais. Assim se vê onde está o interesse dos portugueses e o pouco que os media fazem para puxar esses interesses, nem que seja um degrauzinho só, mais para cima.
Parabéns, Gonçalo M. Tavares

O senhor deputado e a cervejinha

- Beber a cerveja pela garrafa é normal?
- Sim
- Sempre?
-Não, só às vezes.
- Então quando?
- Bom, por exemplo, num piquenique, em viagem, na praia, quando duvidamos da lavagem dos copos, num passeio a pé, num concerto rock, etc.
- E se for no restaurante do Centro de Arte Moderam da Gulbenkian?
- Bom, aí seria um caso de alguém que devia trocar a cerveja pelo chá.
Tive este diálogo imaginário com o meu imaginário neto quando vi um conhecido deputado da nação fazer exactamente isso – beber a cerveja pela garrafa no restaurante do CAM, na  5ªfeira da semana passada, dia feriado.
Eu sei que o homem é amigo do proletariado que bebe sempre pela garrafa lá na tasca ao pé de casa mas, caramba, está no parlamento desde que acabou a escola primária, faz leis, opina, nunca se ri, fala com a boquinha pequena, é homem de grandes responsabilidades e ainda não aprendeu os gestos mínimos de civilidade à mesa?
Pode-se argumentar que as pessoas são livres? Pode, e eu também sou livre de achar que “ter maneiras” nunca fez mal a ninguém, ainda mais se se é figura pública e deputado da nação.
Isto faz de mim uma bruxa elitista e reaccionária?
Então, é isso mesmo que eu sou.

27 de junho de 2011

A hipersensibilidade dos socialistas derrotados

Sempre tive coração mole e comoção fácil com o sofrimento dos outros se ele for silencioso. Ao contrário, quando o sofrimento lhes dá para fazer e dizer disparates, vai-se-me a compaixão e, às vezes, até o respeito.
Alguns socialistas não têm sabido digerir a derrota e têm entrado pelo caminho do disparate.
Já  aqui e aqui abordei inacreditáveis declarações que mostram desnorteio e mau perder.
Como se pode ler no post anterior, publiquei um comentário de um anónimo que se encaixa no paradigma do socialista em sofrimento. Como não me senti ofendida, continuo na onda da compaixão e respeito.
Segundo o artigo do Expresso, que li todo, Canavilhas não recebeu Francisco José Viegas com os argumentos já sabidos. O Expresso diz textualmente: “A ex-ministra proibiu, assim, a entrada dos novos titulares no “seu” Ministério. Viegas desceu de degrau e mudou de interlocutor”
Depois tudo se resolveu num encontro no parlamento e, claro está, vai recebê-lo para lhe passar a pasta depois de ele tomar posse. Era óbvio que isso iria acontecer e eu pergunto: então para quê a tentativa de humilhação?
Gabriela Canavilhas pode, como eu, discordar da “despromoção” da Cultura e disse-o logo, posto o que era escusado ter ido mais longe com uma atitude estúpida e arrogante, repito, e acrescento ainda, bacoca, ridícula e ressentida, que a deixou ficar mal na última fotografia e não chamou a atenção para coisíssima nenhuma a não ser para a sua vontade de ser pôr em bicos de pés.
Mas, como Gabriela Canavilhas é uma irrelevância política, amanhã já ninguém se lembra do que disse, do que fez e, em breve, ninguém se lembrará dela mesma.

25 de junho de 2011

As fotografias de Canavilhas

Durante quase dois anos habituámo-nos a uma ministra da Cultura que ficava sempre bem na fotografia. Se Sócrates cuidava da imagem, Gabriela podia ser sua professora.
De saída do governo recusou-se a passar a pasta a Francisco José Viegas porque ele é apenas Secretário de Estado e Ministro não se rebaixa assim (pensou a Gabriela).
Canavilhas é fotogénica mas a arrogância e a estupidez nunca o foram. Por isso ficou tão mal na última fotografia.
A propósito, que será que ela fez de tão grandioso naquele ministério que não possa passar a um Secretário de Estado? Alguém sabe? É que eu não estou mesmo a ver…

24 de junho de 2011

Os Vivos que paguem a crise

Já todos ouvimos e lemos que os nossos mortos se continuam a tratar e que os nossos médicos mortos continuam a receitar.
Ficámos agora a saber que também alguns magistrados mortos podem receber subsídios de compensação (aqui)
Ainda me indigno, estúpida que sou, mas de seguida rejubilo. É que isto de viver em democracia é mesmo porreiro, pá. Em ditadura acontece o mesmo mas ninguém sabe nada, em democracia está tudo escarrapachado no jornal.
Só me falta mesmo saber o que fazer com tanta informação.

22 de junho de 2011

Brevemente na sua PT

Todos estamos habituados a ligar para a PT (ou para a TMN) e sermos sucessivamente passados para outro operador que, supostamente, nos poderá dar a melhor resposta às nossas questões.
Entre “transferências” sempre nos perguntaram se podíamos aguardar um momento mas agora tudo mudou. A PT resolveu ser criativa na linguagem e agora os operadores pedem-nos um BREVEMENTE. Pode aguardar um BREVEMENTE? Ou então, um BREVEMENTE, por favor.
Quem terá sido a luminária criativa?
E quem será o chefe da luminária?
Brevemente e a longo prazo acho que não há Crato que nos valha.

21 de junho de 2011

Passos Perdidos de Passos

Confesso, deu-me gozo. De boca seca e cara de pau, ontem à tarde, e ao fim de duas rejeições, Fernando Nobre retirou-se da eleição para presidente da AR.
Deu-me gozo a sua derrota pessoal, que buscou com as próprias mãos.
Se fosse sério, depois duma campanha a dizer mal dos políticos, não aceitaria o convite dum partido e ainda mais para um lugar específico - nada mais, nada menos, que o segundo lugar do Estado. Se fosse sério, quando percebeu os problemas que a sua candidatura trazia ao partido que o convidou, ter-se-ia retirado rapidamente para lhe facilitar a vida, ainda mais num momento em que toda a direita apela ao “entendimento”.
Limitou-se a ser ambicioso, convencido de que valia alguma coisa; verificou agora, com um travo amargo, que não vale nada, que politicamente é zero e que o país o dispensa. Cada vez que foi a votos por si mesmo, perdeu.
Deu-me gozo também que Passos tenha percebido logo no primeiro dia que não terá vida fácil e que, em política, o voluntarismo raramente colhe (nem plano B ele tinha).
Finalmente, fiquei muito intrigada com aqueles dois senhores que se colocaram por trás de Nobre quando este veio fazer a sua declaração de boca seca e que, mal ele acabou, o retiraram dali quase ao colo. Não sei se serão colegas de bancada mas achei que tinham ar de capangas.
Que mau aspecto tinham todos.
Que mau aspecto teve tudo.

20 de junho de 2011

O BE vai implodir?

O desaire eleitoral do Bloco, para quem está de fora, era esperado. Nos últimos tempos de Sócrates, as linhas orientadoras do Bloco foram erráticas, inconsistentes, quando não arrogantes.
Quando nasceu, o Bloco foi uma esperança para todo um eleitorado de esquerda, na sua maioria educado e urbano, que já não se revia nos tradicionais partidos de esquerda. E conseguiu ser uma esperança transversal a várias gerações.
Era também alguma coisa em construção (como a Europa), nascido da vontade de entendimento entre vários pequenos partidos de esquerda, até aí sempre de candeias às avessas uns com os outros. Era, enfim, uma esperança, ainda que de contornos pouco definidos, para todo um povo de esquerda que se sentia órfão.
Esta “criança”, foi crescendo e engordando, sempre acarinhada, até se tornar num adolescente que, subitamente, se confronta com a dura realidade da vida – ela não é fácil.
É então que os genes de todas as famílias dão prova de vida, todos ao mesmo tempo, e temos um adolescente perturbado, com borbulhas e dentes tortos, que tende a fechar-se na cave, culpando o resto do mundo e curtindo apenas, e só, a sua própria música.
Pode, sem dúvida, estar a viver apenas uma crise de crescimento que será ultrapassada, mas pode também perder-se na sua caminhada para a vida adulta.
Os mais recentes sinais não são animadores. Daniel Oliveira e Rui Tavares são duas excelentes cabeças que, nos seus blogues e jornais em que colaboram, têm procurado pensar o passado, e sobretudo o futuro do seu partido, em público e sem tabus. O que eles escrevem é política pura e séria.
À extrema correcção com que o têm feito, alguns dirigentes do partido começam a responder ao velho estilo da esquerda estalinista, o que não augura nada de bom.
O tal povo de esquerda órfão, educado e urbano, fartou-se exactamente disso dentro do PCP e de outros.
A grande discussão interna estará marcada para Setembro mas, a continuar assim por tão “maus caminhos”, este adolescente problemático pode nem chegar à idade de votar.

18 de junho de 2011

Dignidade num país pouco dado a esses “devaneios”

Saramago: Fundação não vai "ter dinheiro do Estado"

A Fundação José Saramago não recebeu "nem um tostão do Estado" e assim continuará, tendo como princípio manter a sua independência, disse à Lusa a sua presidente, Pilar del Río.
"Não vamos ter dinheiro do Estado. A Fundação José Saramago não admite dinheiro público", realçou a jornalista e tradutora, que viveu com José Saramago durante mais de duas décadas.

"Temos que nos alimentar a nós mesmos, trabalhando, com todo o nosso empenho, toda a nossa energia e toda a nossa capacidade criativa", contrapõe, realçando que "a fundação buscará dinheiro como puder".

Tão raro que até espanta!

17 de junho de 2011

Se não fosse Pitta...

No seu blogue Da Literatura, e num post intitulado Habituem-se, Eduardo Pitta apresenta o resultado final da contagem dos votos: 132 de direita e 98 de esquerda. Termina dizendo Agradecer a Francisco Louçã e Mário Nogueira. (sublinhado meu)
Eu pensava que era para agradecer ao Sócrates e, vá lá, também àquelas do rating, mas parece que percebi tudo mal, e quem deu a vitória à direita foi o malvado do Louçã e o sindicalista Nogueira. Os portugueses também não foram para aí chamados.
Estamos sempre a aprender com os nossos intelectuais.
Valha-nos isso, já que o Paulo Macedo está de volta e desta vez para nos tratar da saúde
Cada vez que me lembro dos milhões de cartas que ele mandou aos contribuintes quando estava à frente da Direcção Geral de Impostos, admito seriamente que agora, em tempo de poupança, vá tratar da saúde dos doentes por email.  

Nobre sem nobreza

Porque é que o Nobre não tem a Nobreza de renunciar ao lugar de deputado e, assim, poupar engulhos àquela cabeça tonta que se lembrou de lhe garantir o lugar de Presidente da AR?
O doutor podia voltar, se tivesse coluna vertebral em vez de umbigo, àquele trabalho humanitário que lhe ficava tão bem.
Por mim, gostava.

"A Árvore da Vida"

Os que acham “A Árvore da Vida” o melhor filme do ano que me desculpem mas, na minha modestíssima opinião, aquilo é uma grande seca, e não é por ter ganho a Palma de Ouro em Cannes que lhe vou dar o (meu) benefício da dúvida
Tendo por base os eternos conflitos americanos entre pai e filho ao longo do crescimento deste - digamos que podia ter sido um pouco mais original no tema de fundo, Terence Malick constrói uma salada entre o catecismo e o National Geographic para deslumbrar o olho e (pretensamente) acordar a consciência do pagante.
Tem imagens belíssimas para quem não adormecer entretanto, a música é boa mas, no cômputo geral, é uma enorme chatice por um punhado de euros.
Os críticos também se dividem, mas eu estou com Vasco Câmara que no Público lhe atribuía duas estrelinhas; e vai cheio de sorte, que eu hoje estou bem-disposta.

16 de junho de 2011

Alguém viu por aí a ética?


A notícia é chocante, e a degradação moral que ela mostra leva-me a pensar que este país caminha para ser inviável.
Lembro-me de, há muitos anos, ter ouvido Laborinho Lúcio dizer que um jovem que não prevarica será um adulto malformado. Concordei com ele. Prevaricar e ter a respectiva consequência ajuda a formar uma personalidade saudável.
Porém, a educação moderna aceita a prevaricação sem consequência e assim criamos adultos tão malformados que se entregam ao copianço quando se preparam profissionalmente para decidir das nossas vidas.
Os seus superiores também não acham isso grave e optam por passar toda a gente com 10. O argumento usado – falta de tempo para repetir o exame (falta de tempo de quem?) mostra que o rigor e a ética também não fazem parte das suas preocupações.
Notícias destas dão-me calafrios na espinha.

15 de junho de 2011

"Viciado" em pornografia

O puritanismo dos americanos é bastante estranho para a maioria de nós, europeus. Entende-se por lá que os políticos devem ser bacteriologicamente puros, semideuses, e, caso se prove que não o são, têm assegurado um auto de fé com toda a nação a assistir.
Chegou agora a vez dum congressista do partido democrático, Anthony Weiner.
Constou que o senhor tem, desde há três anos, o hábito (vício?) de trocar mensagens eróticas na internet com seis mulheres, e isso foi suficiente para que vários congressistas do seu partido tenham já pedido a sua demissão, incluindo a imaculada líder da bancada, Nancy Pelosi.
Assim bem encostadinho à parede, o homem meteu férias e disse que ia procurar ajuda médica para tratar o “vício”da pornografia.
Obama viu-se obrigado a falar sobre o assunto classificando-o de “distracção” dos assuntos verdadeiramente importantes. E mais não disse.
Bom, é um primeiro passo, mas parece que nem Obama consegue dizer de caras aos seus compatriotas que têm que aprender a distinguir o que é público do que é privado, e que é um atentado às liberdades individuais, que tanto prezam quando lhes dá jeito, meterem-se no privado de cada um.
Com tanta exigência no que toca aos costumes dos políticos aquilo até parece um país em que ninguém espirra, ou tosse, ou tem caspa, ou mau hálito, sua dos pés, é adúltero ou promíscuo, ninguém bebe ou usa drogas, enfim, um país de gente completamente higiénica ou até mesmo asséptica.
O escrutínio exagerado, além de indecoroso, faz mal à política. Distrai.

14 de junho de 2011

Frágil e preciosa - a ciência

Segundo notícia do Expresso de 9 de Junho, o Manifesto pela Ciência em Portugal já foi assinado, em pouco tempo, por 1100 cientistas, empresários e gestores.
Com a mudança de governo, é natural que estes profissionais estejam preocupados. Em Portugal, cada governo gosta de fazer as suas experiências, de deitar fora o que vem de trás, seja bom ao mau, para deixar a sua marca da governação. Assim caminhamos aos solavancos, por vezes com um passo para a frente e dois para trás.
Com uma década de desenvolvimento anémico, a ciência foi uma excepção e é hoje, em Portugal, uma realidade preciosa mas de estrutura frágil. Somos bons nela, se nos forem dadas condições mínimas. Fixámos jovens e menos jovens cientistas portugueses e atraímos muitos estrangeiros. Em 2010, uma notícia do Público, há sensivelmente um ano, dava-nos conta de que Portugal publica por ano 7 000 artigos científicos (cerca de 20 por dia), com relevância internacional, e que o país registou na última década o maior crescimento europeu na área.
No artigo do Expresso, Benedita Rocha Vieira, vice-reitora da Faculdade de Medicina da Universidade de Paris, Descartes, afirma: “ A riqueza de um país depende do seu nível científico”. Parece óbvio mas, sê-lo-á para a dupla Passos/Portas?

13 de junho de 2011

TAP 2



Poderia alguém falar-nos verdade uma vez só que seja?


TAP trava greve com oferta de viagens


TAP. Acordo para fim da greve passa 200 tripulantes a efectivos




11 de junho de 2011

De volta às galinhas


De cada vez que Cavaco discursa eu sinto-me de volta à infância e ao sabor do óleo de fígado de bacalhau.
Ontem falou do regresso à agricultura, esquecendo demagogicamente que foi ele que a vendeu à Europa por dez simples moeda, e louvou a frugalidade e espírito de sacrifício do interior.
Quando eu era menina já ouvia estas coisas vindas de outra garganta e desconfio que, para ajudar a pagar o empréstimo externo, ainda havemos de o ver a criar galinhas nos jardins do palácio, como fazia o dono da outra garganta.
Porque hoje é sábado, mais possíveis e desagradáveis semelhanças não descascarei.
Mas elas existem.