21 de março de 2012

Não é desespero, é estupidez

O DN noticia que a secretária-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), Bernadette Ségol, afirmou, sobre o incitamento à emigração jovem por parte do governo português, que o governo deve estar desesperado porque "é claro que se os jovens deixam os seus países, a sua força, as suas ideias e a sua capacidade para construir o futuro perdem-se".

Óbvio, não?
O que a senhora Ségol não sabe, porque não vive por cá, é que isto não é desespero, é estupidez, frieza, humilhação do povo que se governa, arruaça, delinquência.

Há um projeto político incendiário que chegou ao poder para impor a defesa da finança, do patronato e dos grandes interesses instalados, espezinhando, pelo caminho, toda uma população que nem pensa em defender-se, entregue que está ao seu ancestral fatalismo.

Morre de frio e de gripe, não vai ao hospital quando precisa, abandona a universidade, engrossa desde madrugada as filas dos centros de emprego, perde o trabalho e a casa, consegue um trabalho temporário com um salário de anedota, volta para casa dos pais, vende o ouro, pede ajuda às instituições de caridade para comer.

Tudo muda na sua vida, exceto esta imensa paciência portuguesa que parece não se esgotar nunca.
Por aqui, o velho lema “antes morrer de pé que viver vergado” vive-se ao contrário.
Passos e companhia sabem-no, e só por isso ousam uma afronta atrás da outra.


20 de março de 2012

O trabalho dá saúde

Os suíços fizeram mais um referendo.
A pergunta que nele se fazia era se queriam ter seis semanas de férias em vez de quatro.

A resposta foi NÃO.
Os suíços trabalham entre 45 a 50 horas semanais e um terço deles sofre de stresse no trabalho.

A passada utopia do futuro profetizava que os homens haveriam de trabalhar menos, ajudados pelas máquinas e que, com isso, seriam mais felizes.
A utopia, era utopia mesmo. Com as máquinas, cada vez um menor número de pessoas trabalha mais, deixando de fora uma grossa fatia de desempregados.

Quanto a serem mais felizes, não se sabe bem o que isso seria mas, pelo menos para os suíços, a felicidade não passa por mais tempo livre para si próprios, os seus hobbies, a sua família, o seu alívio do stresse.

Certamente muitos acharão louvável tal comportamento, e dirão que devíamos ser como eles, nós, os preguiçosos do sul.
Acontece que a maioria de nós ainda acha que há mais vida para além do trabalho.

Dou de barato que as seis semanas não seriam para gozar de seguida, e que melhorar as condições de trabalho seria mais eficiente na diminuição do cansaço.

Porém, recusar liminarmente mais tempo de férias num tecido social cansado parece-me mais uma aberração da sociedade que fomos criando, aquela em que muitos, cada vez mais, não sabem o que fazer com o seu tempo livre e, postos perante ele, também entram em stresse.

No país/lavandaria de dinheiro que é a Suíça, o povo quer é trabalhar muito.
Pois que continuem a contar as notas nos bancos, a bater o chocolate e a acertar os relógios.

Se o trabalho dá saúde, chegará o dia em que nem precisarão de férias nenhumas, e ficarão todos tão fresquinhos e viçosos como a Heidi e o avô lá no alto da montanha.

19 de março de 2012

Saudade





















Um cravo vermelho para o homem que me deixou há 26 anos e todos os dias me faz falta – MEU PAI.

17 de março de 2012

Potencialmente tóxico


Suponho que seja um novo e poderoso veneno. Vai estar à venda, engarrafado sob a forma de vinho, com o nome “Memórias de Salazar”.

Que ninguém diga que não foi avisado.

16 de março de 2012

Tiro ao Sócrates

A sensação que tenho é que o governo contratou uma empresa de marketing para nos entreter, sabe-se lá porquê (!)
Lá nessa empresa escolhida por adjudicação direta, reuniu-se o pessoal e fez-se o inevitável brainstorming.

Pensaram, pensaram e decidiram que o melhor e mais eficaz era chamar o Sócrates outra vez. Os jornalistas iam cair que nem patinhos.
Invadem então todo o “mercado”, esmiúçam, esmiúçam para nos dar circo.

Sai Sócrates sobre o Freeport – quantas vezes se pronunciou o seu nome na audiência? quantas?

Sai a licenciatura – os documentos estão quase, quase a ser entregues em tribunal. Quando?

Saem as contas da parentela em offshores – onde? quanto?

Sai uso de cartões de crédito pelos ministros de Sócrates – tinham? eh!, e usaram em despesas pessoais?

Vem Cavaco e dá uma ajuda pro bono à empresa de marketing  – Sócrates? nunca  houve ninguém tão desleal.

Retirando a cavacada, eu olho e penso com os meus botões – quem se mete com juízes ou magistrados, leva. Nunca é de mais lembrá-lo.
Ó deuses, eu só queria esquecer Sócrates, e o homem até ajudou; foi-se embora e ficou calado, mas eles não me deixam esquecer, aliás, não querem que eu esqueça.

O professor Marcelo bem me podia fazer um favorzinho lá numa das suas homilias dominicais, largando a sentença: parem com o tiro ao Sócrates!
Eu só quero esquecer. É pedir muito? Irra!

15 de março de 2012

Conheço um país II

Conheço um país, o nosso, em que o governo paga “rendas excessivas” às empresas de energia no valor de 4 mil milhões de euros. Foi dito pela troika que, para suportar os custos da eletricidade, havia que taxar as empresas produtoras e distribuidoras e não apenas os consumidores domésticos e as empresas. Que faz o governo? Despede o governante que acha que rendas de 4 mil milhões são excessivas assim nos mostrando, mais uma vez que a defesa e proteção dos grandes grupos económicos é para manter “custe o que (nos) custar”.

Nesse mesmo país, nos dias que correm, não se pode apresentar queixa em algumas esquadras da polícia porque não há como registá-las, visto que não há dinheiro para os tinteiros das impressoras. Nem para pequenos arranjos de centenas de viaturas. Nem para lhes mudar o óleo.

Acabou a tinta, sim, mas há cada vez mais “lata” para fazer tudo ao contrário do que se prometeu.

14 de março de 2012

Silêncio

Há dias, passou na RTP2 um filme com o nome “O meu amigo Michael ao trabalho”. Tratava-se de acompanhar a realização duma enorme tela de
Michael Biberstein, artista nascido na Suíça mas que vive em Portugal desde o final da década 1970.

Quando Michael entrava de manhã no ateliê sentava-se longamente diante da tela e observava o trabalho já feito.
O grande silêncio, a grande solidão do artista.
Do seu trabalho resultam telas que nos convidam também ao silêncio e onde, se nelas nos detivermos, podemos encontrar o sublime.

No Atual do Expresso de 3 de Março, Siza Vieira dizia:
"o nada, o aparente nada, às vezes é o mais importante, mas existe uma doença contemporânea muito grave que é o horror ao vazio.
O vazio, tal como o silêncio, provoca medo. Isso é algo de muito contemporâneo".

Rodeados que estamos de ruído visual e auditivo, escolhemos demasiadas vezes a fuga para a frente, para dentro dele, na esperança vã de fugir à grande solidão que a sociedade contemporânea toma por um grande mal, se não mesmo como um sinal de desadaptação.

Porém, a solidão, o vazio e o silêncio são as vias para a criação, o conhecimento de si, as descobertas, e o apaziguamento face a uma realidade cada vez mais dura.
Não se pode fugir do real, mas a forma como o encaramos e nos encaramos (e aos outros por arrasto) pode constituir mudança significativa.

Encontrar momentos de fuga do ruído, de todos os ruídos, ouvir o silêncio, morder o vazio, viver a solidão, continuam a ser actos decisivos e fundadores da nossa vivência para além dos ossos, dos músculos e das vísceras.
Seja isso o que for; a cada um, sua verdade. Ou dúvida.

Nota: na imagem, foto de tela de Michael Biberstein

13 de março de 2012

Guardemos um triplo para a avó do Mota Soares

Está agora ministro da Solidariedade e Segurança Social um moço simpático que gosta de Vespas e não foge das manifestações; enfim, um moço tão endiabrado como pode ser alguém que está no CDS desde o jardim-de-infância.

Dá pelo nome de Pedro Mota Soares.

O Pedro, para além da sua vocação assistencialista de que já deu provas, descobriu agora uma maneira de meter mais 10 000 idosos em lares sem gastar um tostão. Como? Ora, é simples – apertam-se um bocadinho.

Quarto onde estava um, passam a estar dois, e quartos onde havia dois, passam a estar três.

Tal e qual como um fabricante de salsichas poderia lembrar-se de nos dar um brinde metendo sete numa lata de seis.

A minha imaginação recusa-se a vislumbrar as noites passadas nos quartos com três idosos, um gemendo, outro tossindo, outro com insónias, ou, ou, ou…

Dir-me-ão que fazem companhia uns aos outro e se entreajudam. Pois!
Mas se o Pedro acha que é bom, e que criar assim 10 000 lugares é um avanço civilizacional, é porque é bom. Afinal, o ministro é ele.

Por isso espero que a sua avó ou avô, pais, tias e afins tenham à sua espera um quartinho triplo quando chegar a sua hora de entrarem para o lar, doce lar, para que possam provar a clarividência e bondade das políticas do seu iluminado descendente.

12 de março de 2012

Às malvas: Independência, República e Mortos

Já tínhamos percebido, estarrecidos, que o Papa também manda aqui no protetorado, mas, por mim, apesar de escandalizada, achei que aquilo era mais um assinar de cruz do que outra coisa. Puro engano.

Sua Santidade acha que o feriado de 15 de Agosto, que costumamos dedicar ao deus Sol, feiras, festarolas e arraiais, é mais importante que o de 1 de Novembro e, por isso, talvez se faça a troca.

Sua Santidade lá sabe aquilo que é melhor para a nossa alma.

Assim à primeira vista, eu diria que faz bem à alma de milhares de portugueses irem ao cemitério (no dia 1 de Novembro, por ser feriado, e não no dia 2 como marca o calendário) com as suas flores, vistosas ou campestres, aos molhos ou solitárias, modo de dizer aos seus mortos que ainda não foram esquecidos.

A Igreja portuguesa deve pensar como eu, mas Sua Santidade, que não é de cá e só nos visitou como um rei, com grande estilo e recursos, não sabe nem quer saber nada desta gente humilde que homenageia mortos.

Vai dai, se bem calhar, vai-se o dia que lhes dedicamos e fica o da tal Assunção que poucos sabem quem é. Por mim, não conheço essa nem nenhuma outra com o mesmo nome.

Apetece dizer - valham-nos Todos os Santos, mas parece que por agora, para os portugueses, nenhum está de serviço ou com disposição.

9 de março de 2012

Só não privatizam as mães porque já são privadas

O mundo, tal como o conheci, vai desaparecer muito mais depressa do que aquilo que eu imaginei. Só falo por mim, mas custo a dar conta a tanta mudança.

Segundo esta notícia, caminhamos para a privatização da polícia, tal como já está a acontecer noutros países (Reino Unido, por exemplo).

Ouvidos sobre o assunto, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), e um sociólogo do ISCTE acham a situação normal, desde que devidamente regulamentada.

Depois da polícia, se calhar, vamos privatizar as Forças Armadas e os tribunais e aí vai chiar mais fino. Esses terão potencial de grandes empresas, em que quem vai decidir é o acionista, como está bom de ver. E sobre o teor das decisões dos acionistas já temos vasta experiência.

Até somos capazes de imaginar, com uma imaginação doentia e tenebrosa, que um dia, com o passar do tempo, venderão o tribunal-empresa e a marinha-empresa aos chineses e angolanos ( brrrrrr, foi só um calafrio.)

Isto vai tão depressa que eu nem a galope consigo alcançar o alcance de tantas novidades.

Se calhar, a culpa nem é dos decisores, mas apenas da velocidade a que viajamos; segundo fiquei a saber outro dia num pequeno artigo do Expresso, se contarmos com todos os movimentos da terra e do cosmos, mesmo a dormir, estamos a viajar a 600 km por segundo.
Deve ser disso.

8 de março de 2012

8 de Março













Roubado a Joana Lopes no Facebook

Nós e a TAP

As reações ao não-corte de salários na TAP é o espelho quer do governo, quer da oposição, quer dos portugueses em geral.

O governo, cede mais uma vez a quem pode; os trabalhadores da TAP têm nas mãos, diariamente, milhões de euros, e isso confere-lhes um enorme poder negocial, quer para o melhor, quer para o pior. O governo cedeu.

Já aqui me insurgi com as frequentemente caprichosas e irrealistas reivindicações destes trabalhadores, mas não será hoje o caso.

Eles lutaram e ganharam. E nós, ou bem que somos contra todos os cortes salariais e devemos saudar esta vitória, ou nos refugiamos na estreita mesquinhez habitual e achamos que devemos nivelar tudo por baixo.

Aconteceu o mesmo com a nossa socialista oposição que pediu explicações pela voz de Basílio Horta, como quem diz – por que não batem também naqueles? são mais bonitos, é? ou há moralidade, ou comem todos!

Não estamos aqui a falar das exceções para banqueiros, gestores públicos amigalhaços ou de jovens assessores recém-empossados.
Estamos a falar de trabalhadores como nós, que lutaram e ganharam.

Por uma vez devíamos tomá-los como exemplo em vez de ficarmos ressentidos e invejosos.
Afinal, somos contra TODOS os cortes salariais. Ou não?


7 de março de 2012

Se calhar, devia ir

Os temas espiritualidade e esoterismo enchem prateleiras de livrarias. A procura é muita, os autores multiplicam-se, bem como as técnicas para alcançar os desejos de cada um.

A astrologia está em alta. Oiço até dizer que há gente importante que não toma decisões sem consultar o seu astrólogo, o que me leva a concluir que passou a ser tão imperioso ter astrólogo como ter médico, advogado ou personal trainer.
Tarot, cartas, búzios, números, pêndulos e outras miudezas mais, atraem milhões.

Eu, aqui sentada na cadeira, todos os dias recebo e-mails com propostas de cursos e workshops sobre o arquétipo de Peixes, a astrologia centrada no indivíduo, viagens da consciência, astrologia do relacionamento, a química dos elementos etc. E não são spam.

Sendo certo que a astrologia não me interessa nada, quando recebi a informação sobre a química dos elementos, dei comigo a pensar:
Se o meu signo é do elemento água, que tipo de água gostaria eu de ser?
Luso, Pedras, Carvalhelhos, Perrier, Evian?

Não, conclui que gostava mesmo era de ser água da torneira – completa mas com muitas impurezas.
Rematei este profundíssimo pensamento retirando a óbvia conclusão: a pensar assim, esta mulher não vai a lado nenhum.
Falta de ambição não vai com os dias de hoje.

Talvez, então, tenha chegado a hora de também eu fazer uma sessão de coaching, ou hélas!,  ir ao astrólogo.
Qualquer dia, menos hoje.


6 de março de 2012

Conversa para totós

O nosso primeiro-ministro vê os seus governados como um bando de totós a quem é necessário ensinar o básico, e fala com eles como um bom pai de Massamá fala com os filhos pré-púberes.

Vai daí, segundo o jornal Público, diz assim:


Interrogado sobre como é que os portugueses irão fazer férias, com que dinheiro, respondeu: “Fazendo uma boa aplicação dos recursos que têm, como é evidente. Quando há menos, tem de se gastar menos, quando há mais tem de se pensar em ficar com algum de lado para os tempos em que há menos. É isso que eu espero que os portugueses também possam fazer”.


Isto é o que ele espera. Por mim, espero que 850 000 desempregado montem uma tenda à porta dele e resolvam aí passar férias com tudo o que isso implica – banhos de sol, cozinhar o jantar, piquenicar ao almoço, lavar a loiça e usar regularmente os sanitários. E nada de inibições com os ruídos noturnos, porque férias são férias.
E que belas férias poderíamos proporcionar ao nosso primeiro-ministro.


5 de março de 2012

Demências

Hoje roubo posts que merecem ser lidos

Joana Lopes, Estranho modo de vida


Não é fácil imaginar a vida concreta de cerca de 500 mil pessoas que não trabalham porque tudo lhe é proporcionado gratuitamente e que ainda recebem cerca de 35.000 US$ / ano desde que nascem. Todas as tarefas são asseguradas por um milhão adicional de estrangeiros, bem pagos, mas que nunca adquirem a nacionalidade do país em que vivem, ou mesmo em que nascem: as segundas e terceiras gerações mantêm o «passaporte» dos seus ascendentes, o mesmo acontecendo às mulheres que casam com locais.
( continua)

Sérgi Lavos, Ladrões, corruptos, vigaristas

E enquanto vamos ficando todos mais pobres, há quem continue a não sentir os efeitos das medidas de austeridade, e até lucra com elas. A história divulgada esta semana é exemplar: uma das primeiras decisões do Governo depois de tomar posse foi introduzir portagens na ponte 25 de Abril durante o mês de Agosto, acabando com uma tradição antiga que beneficiava os lisboetas que não têm dinheiro para ir passar férias longe da cidade e apenas podem frequentar as praias da Costa da Caparica. A ideia seria aumentar a cobrança dos impostos pagos nas portagens mas sobretudo poupar na indemnização compensatória paga à Lusoponte pela quebra nas receitas, no valor de 4.4 milhões de euros. O problema é que a Lusoponte, cujo presidente é Joaquim Ferreira do Amaral, dirigente do PSD e antigo ministro das Obras Públicas que saiu directamente do executivo de Cavaco Silva para a administração desta empresa, exigiu ao Governo esses 4.4 milhões.
 ( continua)

2 de março de 2012

Sede nossa

O caso do entorneiro de cinco cervejas pelas costas da Merkel abaixo foi um sucesso. Não houve jornal ou televisão que não disponibilizasse o vídeo.

Em boa verdade, a senhora comportou-se com grande aprumo, reagindo como se estivesse habituada a tomar banho de cerveja, embora me pareça que aquela pele tão sedosa estará mais habituada a tomar banho em leite de burra como a Cleópatra.

Um “acidente” destes seria quase uma não-notícia, dada a ínfima reação da vítima, se não se desse o caso de lhe estarmos com uma tal “sede” que nem cinco cervejinhas são capazes de mitigar.

1 de março de 2012

Beatas e cocós

Segundo notícia do Expresso de 25 de Fevereiro 2012, a Câmara de Lisboa vai lançar uma campanha para uma cidade mais limpa, tendo como alvos a separação do lixo, as beatas, e os dejetos de cão.

Dá vontade de mandar tocar os sinos de todas as igrejas da capital num gesto de congratulação por tão luminosa ideia, que só peca por tardia.

Civismo é um conceito encarado muito restritamente pelos portugueses, e tem vindo a perder terreno desde que a estupidez e alarvidade tomaram conta das televisões.
Sem campanhas e ações concretas não chegaremos lá.

É bom mesmo que espalhem cinzeiros pelas portas de restaurantes e de serviços públicos porque, desde que só se pode fumar na rua, mesmo o fumador mais civilizado se vê frequentemente num excruciante dilema entre comer a beata ou deitá-la para o chão.

Quanto aos dejetos de cão, é outra história. Há por aí maravilhosos sanitários para cães que os donos nem veem. Os seus adorados animais fazem o cocó onde quiserem e fica lá, porque é tão bonito o que o meu cãozinho faz que todos devem poder apreciar.

Ai de quem manifeste incómodo com tão bela exposição – é logo mandado para todos os lados, e que o meu bichinho c*** onde quiser e tu, ó minha estúpida, não tens nada com isso, mete-te na tua vida.

Venham, então, de lá as campanhas (mais vale tarde que nunca) e, já agora, as coimas, porque sem elas continuaremos a caminhar pelas nossas ruas ao jeito de Paulo Portas a fazer slalom numa pista de Aspen.