19 de setembro de 2013

Nem lá vou












Com a aproximação das eleições, quaisquer eleições, ouve-se cada vez mais a frase: “nem lá vou”, frequentemente seguida de “são todos iguais”.

Mais ou menos com a mesma filosofia de base, há sempre algumas freguesias que resolvem boicotar as eleições esperando assim alcançar objectivos que vêm reivindicando.

São acções e afirmações que mostram o quanto essas pessoas pensam que ir votar é um favor que fazem aos políticos, e que só lho fazem se lhes apetecer ou se eles o merecerem.

Esta pesporrência, este entendimento enviesado do acto eleitoral ao fim de 40 anos a exercê-lo, tem tanto de triste como de eloquente sobre o estado em que ainda estamos.

A estes bravos eu só peço uma coisa: façam o que prometem, e não vão votar, por favor, nem agora nem nunca.

Fiquem em casa, vão à bola, à pesca, ao jardim zoológico ou mesmo ao outro sítio (que a gente não pode estar aqui a enumerar tudo), mas não vão votar. É que eu, como tantos outros, que me esforcei por aprender a” ler” a democracia estou fartinha de pagar, com língua de palmo, as vossas asneiras de analfabetos políticos que só sabem assinar de cruz.

Mas esta cruz, por favor, não! Deixem que eu faço.
Sim, porque eu vou. Lá.

17 de setembro de 2013

Todas iguais, todas diferentes

















 
Pertenço à enorme multidão de mulheres portuguesas que tem Maria como primeiro nome.

Os pais e padrinhos da minha geração foram, talvez, dos que mais abusaram dessa escolha, mas dantes todas éramos Maria e mais qualquer coisa – Isabel, Antónia, Luísa, Lourdes, Carmo, João, José, Lúcia, Etelvina, Amélia, Conceição, Fátima, Teresa, Manuela, Deolinda, e por aí.

Era por esse segundo nome que éramos chamadas, e era ele que nos distinguia − olá Isabel, olha a Antónia, viste a Luísa? chama a Lourdes, convidei a Carmo, foi a João que me disse, fui com a Zé, a Lúcia cortou o cabelo, a Etelvina teve um rapaz, a Amélia foi promovida, há que tempos não vejo a Conceição, tens falado com a Fátima?, tenho saudades da Teresa, que é feito da Manuela? e da Deolinda?

De há um tempo para cá, contudo, não sei o que deu às mulheres Marias; subitamente, e sem aviso prévio, começaram todas a renegara o seu segundo nome assumindo exclusivamente Maria, seguido do apelido.

Episódio um pouco caricato, um destes dias fui apresentada, em simultâneo, a duas Maria Matos. Perguntei se aquilo lhes tinha acontecido logo à nascença ou se o “acidente” só se dera mais tarde; disseram que foi coisa tardia porque uma nasceu Maria João Matos, a outra Maria do Rosário Matos, e em diferentes famílias.

Se eu ligar para a empresa delas e pedir para falar com a Maria Matos vão-me perguntar “qual delas?” e eu talvez tenha que responder “a dos dentes tortos”. Convenhamos que não é uma grande conversa.

Só uma perguntinha que não pretende ofender:
− Estas modas são um bocadinho aparvalhadas, não são?

Maria de Jesus Lourinho

16 de setembro de 2013

A cena do ódio




















Satan Met a Lady,William Dieterle, 1936


Anda por aí agora muito discurso sobre o ódio.
Explicita e implicitamente, este é sempre considerado um sentimento indigno e impróprio.

Eu, que não sou “zen”, acho que o ódio, como o amor e a paixão, tem potencial para gerar energias capazes de mudar o mundo.
Acho até que o ódio, quando dirigido contra alvo que o mereça, pode mudar o mundo para muito melhor.

O amor é lindo, a paixão também, da compaixão nem se fala, mas, por mim, também sou capaz de me envolver numa relação séria com um sadio e bem estruturado ódio.

Só não gosto mesmo do ódio ao morto. Quando o destinatário do meu ódio morre, sinto-me defraudada; é como passar no exame administrativamente, ou ganhar o jogo por falta de comparência do adversário. Que graça é que isso tem?

No fundo, para odiar bem, exige-se o mesmo que para tudo o mais nesta vida - ou a gente se empenha, ou não vale a pena.

E pronto. Há muito tempo que não fazia aqui uma reflexão filosófica de tanta qualidade e tão mentirosa.
Há dias assim – inspirados.

 

 

13 de setembro de 2013

Formulação de desejo para esta sexta-feira 13












 
 
 
Hoje é sexta-feira, dia 13, do ano 2013.

Eu não acredito em bruxas, mas, por acaso, gostava que hoje todas elas juntassem os seus poderes para fazerem desaparecer, inteirinho, o governo da República Portuguesa.

Se sobrassem ainda uns pozinhos mágicos, podiam levar também para o inferno o residente da república

Teríamos assim um Bruxedo de Salvação Nacional.

Isso, sim, era uma união que valia a pena, e uma pitada de internacionalismo na acção podia até fazer tudo ainda mais bonito.

Elas que venham. A gente agradece.

12 de setembro de 2013

O tempo e a escola

Uma amiga da blogosfera contava ontem da emoção de ir hoje deixar o filho na escola pela primeira vez.

Como me lembro bem desses nossos emocionantes e emotivos dias.
Os catraios já não eram “meninos da mamã”, tinham feito todo o tirocínio de infantário e pré-primária, mas escola é escola, caramba!

E lá íamos, de mãos dadas, os calções limpíssimos, a risca do cabelo impecável e os olhos brilhantes, eles; eu, de coração ora apertadinho, ora ufano, ora aos saltos de canguru.

Os quatro anos da primária ainda levam algum tempo a passar, mas daí para a frente é uma cavalgada louca até à candidatura à universidade.

Depois, bom depois mais pareceu uma corrida de fórmula 1 – entre cursos de cinco anos, InterRails e Erasmus, primeiros trabalhos, mestrados, doutoramentos e MBA, até parece que entrámos num túnel do tempo que nos suga e nos leva às cambalhotas.

E os netos? Ah, esses ainda não chegaram, mas vão chegar, para começar tudo outra vez.
Poça, e como é que tudo isso já aconteceu se eu ainda me sinto tão nova?

11 de setembro de 2013

Portugueses que me fazem bem II - Trulé


















Portugueses premiados no maior festival de marionetes.

"A S.A. Marionetas - Teatro & Bonecos e a Trulé foram distinguidas no Wayang World Puppet Carnival, na Indonésia."


 O Trulé vive em Évora, a minha terra, e os seus bonecos nascem na alma e crescem nas mãos do Manuel Dias.

São bonecos de invejável inteligência, sensibilidade, humor e ternura, capazes de nos fazem rir e chorar, às vezes ao mesmo tempo.

Manuel Dias, Joana Dias e Gertrudes Pastor − portugueses que nos fazem bem.


10 de setembro de 2013

Questões intemporais

“Lembras-te”, disse um dia Arvid a Markel, “lembras-te do que é que o Balzac chamava aos jornais? Ces lupanars de la pensée. Esses bordéis do mundo pensante.
“Humm”, disse Markel. “O velho demónio disse mesmo isso?”
“Disse.”
“A sério que disse “pensante”? Isso é absolutamente delicioso! Seja como for, ele era um romântico incurável”

Depois, Markel acrescentou:
“Meu caro Arvid, tu escreves sobre música, e sobre o que te der na veneta. De que te queixas? Eu tenho de lidar com todo o lixo e iniquidade e não me queixo. Faço o que posso e tento impedir que saiam disparates e cretinices, mas quando vejo que não há nada a fazer deixo passar…Tu nunca és obrigado a escrever nada que não queiras, e eu também não. Contudo, como editor adjunto, e às vezes como diretor de edição, sou obrigado a deixar passar, muito contra vontade, “falsas notícias que confundem o público”. Tu não tens de fazer isso. Tu escreves simplesmente sobre música, ou o que quer que seja, e depois vais buscar o ordenado. Portanto, de que te queixas?”

“Também não me estava a queixar” disse Arvid. “Só que não consigo deixar de pensar, sempre que recebo o salário, que sem essas “falsas notícias que confundem o público” não haveria dinheiro para me pagarem”

“Oh, meu cordeirinho inocente”, disse Markel. “Tu não és só um moralista. És um supermoralista. “Falsas notícias”. Santo Deus, as falsas notícias são inevitáveis. Uma vez mais, temos pela frente a pergunta de Pilatos: “O que é a verdade?”

 
O Jogo Sério” (1912)
Hjalmar Söderberg (1869-1941)
Ed. Relógio D’Água

9 de setembro de 2013

Atendíveis, pois claro

No seu artigo de sexta-feira passada no Público, José Manuel Fernandes disseca longamente o chumbo do Tribunal Constitucional quanto à “requalificação” dos funcionários públicos.

Há uma chamada na página em que se pode ler:
Os juízes chegam ao ponto de dizer que as razões orçamentais não são atendíveis, como se o Palácio Ratton fosse a nova Casa da Moeda”.

Eu, que nunca tinha pensado nisso, percebo agora que as razões orçamentais têm mesmo que ser atendíveis pelo TC.

Não as constitucionais, como eu erradamente pensava até sexta-feira passada, mas as orçamentais, como ensina o Fernandes.

Assim, depois de JMF me ter derramado luz sobre este assunto, posso afirmar que, hoje, até já me parece que podíamos dispensar o Secretário de Estado do Orçamento e substituí-lo pelo Tribunal Constitucional, (13 marmanjos e marmanjas vestidos de preto que andam pelo Ratton com quase nada para fazer, e que ainda por cima gozam férias e tudo).

Este homem, o Fernandes, é que é um génio, mas está visto que o país continua a desperdiçar talentos.
Devia emigrar!

4 de setembro de 2013

“O Bloco já não é bom como o milho”, sentença do Henrique

A discussão sobre o piropo, iniciada no Bloco de Esquerda e que na semana passada tomou de assalto as redes sociais, proporcionou, a quem a acompanhou, a leitura de muita parvoíce, é certo, mas também a constatação duma capacidade argumentativa, por parte de inúmeros anónimos, capaz de fazer inveja a muitos deputados, demais políticos e comentadores.

Sabe-se que há o inocente piropo do tipo galanteio, o piropo ordinário que é realmente uma agressão à mulher, e o piropo geralmente ordinário com que eles e elas, hoje em dia, se “mimam” uns aos outros de igual para igual. Tudo isto se pode discutir, sim, e em qualquer altura, mesmo se temos problemas mais prementes por estes dias.

Tudo isto também dá pano para mangas, e o Henrique Raposo tem tanto direito a gastar deste “pano” como todos os outros, mas podia contribuir para a discussão com alguma ideia que se aproveitasse, se fosse capaz, claro.

Não foi, como de costume, e voltou a barricar-se na piadola de rapazola alarve e na preguiça mental, servindo-se do assunto apenas para mandar mais uns coices de macho latino ao Bloco de Esquerda sobre as gajas” boas como o milho” que este tinha mas já não tem.

E termina sentenciando: “buço por buço, prefiro o da Odete Santos”.
Eu podia aqui escrever que “buço por buço”, prefiro o da mãezinha dele, que deve ser uma santa senhora. Mas não digo, não digo, não digo.

Só me pergunto por que será que o BE, que até tem fraca expressão eleitoral e nunca chegará ao poder, incomoda tanto esta gente? Terão medo de quê?

Francamente não sei o que me deu na 2ª feira para me pôr a ler a crónica online do rapaz, coisa que raramente faço, mas devo aqui confessar uma coisa:
Eu, que sou de esquerda, costumo apreciar um gajo de direita que saiba argumentar. Acho isso sexy, pronto.

No caso do Raposo, porém, a sua escrita nem um saco lacrimal estimula.



2 de setembro de 2013

A senhora NÃ

Alguém podia fazer um grande favor a Ana Avoila, a nós todos, e à língua portuguesa: era explicar à senhora que, em português, não existe a palavra NÃ, só a palavra NÃO.

Ela anda há anos a dizer, aos microfones das rádios e televisões, que o governo NÃ pode fazer isto ou aquilo, e eu já não aguento mais ouvi-la.

Primeiro, porque é óbvio que o governo pode tudo, e depois porque detesto gente que, podendo não o ser, opta por ser bruta.

Ana Avoila vive rodeada de gente que não diz NÃ, mas ela insiste, não dá por nada.

De caminho, esse mesmo alguém podia dizer ao Cristiano Ronaldo que não se anda CA bola, mas sim COM a bola.
São coisinhas tão elementares que só gente burra não consegue mesmo assimilar, ainda mais se frequenta, todos os dias, os círculos do poder e do dinheiro.

29 de agosto de 2013

Trabalhar para aquecer


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hoje encontrei na minha caixa de correio o papelinho que aqui deixo reproduzido.
Como se pode verificar, os portugueses preparam-se para, no próximo inverno, diminuírem os seus gastos de energia − trabalharão apenas para aquecer.

27 de agosto de 2013

Consumidos pelo ódio

Desde domingo que padeço duma persistente náusea.

Chegada a casa depois de um tão simples quanto excelente almoço em excelente companhia e em paisagem privilegiada, ligo o computador e tomo conhecimento de que António Borges morreu.

Nada de particular tinha a dizer na sua morte.

Era antes de mais, e sobretudo naquela hora, um homem como qualquer outro, isto é, marido, pai, avô e talvez ainda filho de alguém que, inevitavelmente estava sofrendo uma perda.

Para além disso, era um homem que, sobre sociedade e política pensava o oposto do que eu penso, dizia-o, e desse conjunto de pensamentos e palavras nascia uma figura que me era muito antipática.

Contudo, o poder de que alguma vez dispôs para nos fazer mal não lhe caiu do céu, nem foi usurpado, antes lhe foi outorgado por aqueles a quem nós próprios confiámos o poder.

A dita náusea, porém, nasceu e cresceu à medida que fui lendo o que se publicava nas redes sociais.

Cheguei a ler agradecimentos ao cancro, vi evocar o castigo divino, e vi também desferir violentos ataques sobre quem, não lamentando a morte do homem, ousou, porém, insurgir-se contra tanta intolerância e ódio.

Como é feio de ver este meu povo de esquerda que, impotente para sacudir as cangas que periodicamente lhe põem ao pescoço, se acoita no ódio e se  alivia  chafurdando num sórdido e generalizado rancor.

Um homem e um político que defende o que António Borges defendeu é, para mim, um homem desprezível, sem sombra de dúvida.

Mas, e daí? Temos mesmo de ser iguais a ele?

 

24 de agosto de 2013

Notícias do Verão VIII - O Fogo

















 
 
Da esquerda para a direita:
Exaustão, Derrota, Dor.
Imagem da 1ª página do Expresso de 24 Agosto 2013

António Pinho Vargas escreveu hoje, sobre o assunto, um post no Facebook em que fala de "falhanço colectivo"; esta pode ser a sua imagem.

23 de agosto de 2013

Notícias do Verão VII - O Mar

















 
 
 
Fernando Calhau - 1948/2002
Mar III A (Remake)
DVD video, DVCAM video, Mini-DVD video, Super 8 video and Mini DV video  IM9

Artista representado na exposição do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian comemorativa dos 30 anos do CAM – “Sob o Signo de Amadeo”.
Até 19 Janeiro 2014

“Avançou até um local onde a água lhe dava um pouco acima da cintura e esperou, com os braços erguidos e as mãos enclavinhadas na nuca, que os círculos na água se dissolvessem e o seu corpo de dezoito anos se refletisse na suave ondulação.
Depois mergulhou, deu algumas braçadas e pôs-se a flutuar sobre as profundezas cor de esmeralda.”

O Jogo Sério
Hjalmar Söderberg (1869-1941)
Ed: Relógio d’Água

22 de agosto de 2013

Notícias do Verão VI
















 
 
 
 
"Nunca ninguém, através de fotografias, descobriu a fealdade. Mas houve muito quem, através de fotografias, tenha descoberto a beleza. O que leva as pessoas a fotografar, com excepção das situações em que a câmara é utilizada para documentar ou para registar ritos sociais, é a procura da beleza.
...
Não há ninguém que diga: “Que coisa feia! Tenho que lhe tirar uma fotografia.” E mesmo que alguém o dissesse tudo o que isso significava era "Acho aquela coisa feia [...] bonita.”

Susan Sontag
Ensaios sobre fotografia

20 de agosto de 2013

Notícias do Verão V


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Verdade é que a qualidade desses acontecimentos era tal, que não se podia rememorá-los falando. Nem mesmo pensando com palavras. Só parando um instante e sentindo de novo.”

19 de agosto de 2013

Notícias do Verão IV


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A comédia é um género difícil, parece-me.

Para a fazer bem, é muito conveniente que nunca o pé fuja para a chinela, que nunca do humor se passe à caricatura a traço grosso, e que nunca se abuse dos estereótipos.

Por outro lado, convém que tudo se “cozinhe "com uma boa dose de inteligência, bom gosto e sensibilidade.

A comédia é um género muito difícil, eu acho.

16 de agosto de 2013

Notícias do Verão III


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"Era muito cedo para fazer a mala, mas prosseguiu, mesmo assim.
O nosso lar é o lugar onde têm de nos acolher, queiram ou não, disse o poeta, ou disse o pai de Marian, parafraseando o poeta, e o nosso lar é também o lugar de onde estamos sempre mortinhos por nos pôr a milhas."

Don DeLillo, “Submundo”

Imagem  daqui

14 de agosto de 2013

Notícias do Verão II


 
Olhou-o aflita:

- Olhe, a coisa de que eu mais gosto no mundo… eu sinto aqui dentro, assim se abrindo…Quase, quase posso dizer o que é mas não posso…
- Tente explicar, disse ele de sobrancelhas franzidas.
- É como uma coisa que vai ser…É como…
- É como?...inclinou-se ele, exigindo sério.
- É como uma vontade de respirar muito, mas também o medo…Não sei…Não sei, quase dói. É tudo…É tudo.
 
Clarice Lispector, “Perto do Coração Selvagem”

13 de agosto de 2013

Notícias do Verão I



















A tecnologia tornou possível uma crescente difusão da mentalidade que vê o mundo como um conjunto de potenciais fotografias.

Susan Sontag,  Ensaios sobre fotografia

12 de agosto de 2013

Sem Lomba

Informa-me o jornal que se acabaram os briefings do Lomba.

Ou melhor, foram descontinuados, que é a maneira de conjugar o verbo acabar na era dPC.

Voltará a haver?

Humm, se houver briefings já não serão do Lomba, serão de outra coisa qualquer.

E eu que, verdadeiramente, nunca cheguei a prestar atenção.

Moral da história: temos que estar sempre atentos, porque os briefings hoje quase que fecham antes de abrir.

 

 

9 de agosto de 2013

A culpa é do Sócrates


Magnífico Montenegro (MM) veio hoje, já usando uma estival camisa azul-bebé, desencasacado e desengravatado, perguntar se o PS aceitaria os swaps que “seu Jorge” quis vender, porque um actual conselheiro de Seguro, que também o foi de Sócrates, até se interessou pelo assunto nesse tempo.

Não vou jurar que a pergunta foi exactamente esta, porque eu tinha apanhado sol, estava a partir tomates e o azul-bebé enterneceu-me, mas acho que foi.

Quem quiser certificar-se e tiver paciência pode ir aqui.

Confesso que achei que tinha perdido algum capítulo da novela, porque o episódio estava difícil de perceber, mas também me pareceu que não teria muita importância porque no fim disto, e depois de tudinho bem visto e revisto, acho que ainda vamos chegar a uma inevitável conclusão − a culpa de “seu Jorge” trabalhar no CITIBANDO e fazer propostas desonestas aos governos foi, é, e será sempre, única e exclusivamente, do Sócrates.

Grande salada (a que eu fiz, claro).

8 de agosto de 2013

A mão por trás do arbusto


A minha interpretação sobre o mais famoso papel dos últimos dias não coincide com a dos meus amigos que reputo de inteligentes e que costumo ler.

Acham eles que o papel com o nome de “seu Jorge” foi posto cá fora pelo gabinete DESTE primeiro-ministro. Não é a minha interpretação. Também ouvi ontem a SIC e José Gomes Ferreira deu uma plausível razão para as diferenças no papel que não interessam para esta história.

Sabemos que o CITIBANDO tentou vender uns produtos marados ao governo de José Sócrates e que este os recusou.

O que a SIC diz em comunicado é:

“O documento a que a SIC teve acesso veio da residência oficial do primeiro-ministro e aquele que o Ministério das Finanças divulgou veio do IGCP”

Isto quererá obrigatoriamente dizer que foi o gabinete de Passos que meteu os pés pelas mãos?

Não acredito. Acredito, sim, que não é só Paulo Portas que faz milhares de fotocópias quando sai do governo, e que a vingança de Sócrates pode tardar, mas não falha.

E funciona assim a modos que como “a mão por trás do arbusto”; porém, se Sócrates, ou alguém por ele, conseguir tirar o sono à quadrilha nem que seja por uma ou duas noites, eu já agradeço (mas não esqueço).

A propósito, o Tozé deve estar a banhos, não?

7 de agosto de 2013

A ajudinha de “seu Jorge”


Desde que percebi que ninguém ia parar este governo, legitimamente eleito com base num chorrilho de mentiras, e que já era impossível salvar o que eu pensava que devia mesmo ser salvo, passei a defender o que antes abominava – o velho quanto pior, melhor!
 
É bom mesmo que tudo apodreça o mais depressa possível, porque quando já não se aguentar o fedor alguma coisa vai ter que acontecer.
 
Este último caso de “seu Jorge” tem dado uma boa ajuda. Primeiro “seu Jorge” negou, depois não se lembrou, finalmente lembrou mas disse que fumou mas não inalou, depois o Lomba disse que ia investigá-lo até ao fim do dia (vergonha, chiça), depois o dia todo não chegou, depois veio a madrugada e os documentos forjados, depois lá pelas onze da manhã “seu Jorge” demite-se “de consciência limpa” e farto de injustiças no tratamento. Diz, em comunicado, que a sua “disponibilidade para servir o país sempre foi total” e a gente acredita, porque percebemos que tanto lhe quis vender swaps tóxicos como lhe quis guardar o tesouro.
 
O homem faz qualquer coisa pelo país, mas como o país é ingrato, “seu Jorge” lá vai agora de requitó para o Citibank, para a Parpública ou para o raio que o parta, e a Albuquerque, que também não mente, Deus a livre, mas fica com o pescoço encarnado de raiva, terá que arranjar outro patriota para guardião do tesouro.
 
Deve ser isto a podridão da política de que falava o Machete, que está, aceleradamente, a tomar conta de todo o espaço vital da sociedade.
 
Como já disse, acho isso bom, porque quando já não se aguentar o cheiro vai ter que se limpar a casa.
Acontece que, depois de dois anos nisto acho que o país inteiro está viciado em” casos” e podridão.
Ainda estará disponível para tentar viver limpo? Pergunto-me.

 

5 de agosto de 2013

Um Putin alentejano e fofinho

Um amigo do Facebook “levantou-me esta lebre” que, de tão inacreditável, me levou à necessidade de ver para crer.

E que vi eu? Isto:
Rondão Almeida é presidente da Câmara de Elvas, pelo PS, desde 1994.
Praticamente, toda a obra feita naquela terra e no concelho leva o seu nome.

Na impossibilidade de se candidatar este ano, escolhe para o substituir o seu vice-presidente, entra ele próprio na lista em 3º lugar e ainda encabeça a lista para a Assembleia Municipal.

Tudo legal, pelos vistos, tudo muito fixe e tudo com o apoio do PS.

Nem sei por que raio me fui lembrar de Putin e Medvedev mais a sua dança de cadeiras lá na longínqua Rússia – ora agora presides tu, ora agora presido eu.

Pensamentos estapafúrdios, os meus. E tão ruins. E imperdoáveis.
Ah, se não fosse o PS a moralizar estas candidaturas autárquicas nem sei que seria de nós.

2 de agosto de 2013

Serão só dificuldades de aprendizagem ou será mesmo burrice?














daqui

Ao fim de dois anos governados por uma incompetente comissão liquidatária do PSD, se houvesse hoje eleições os portugueses deixariam o PSD a três míseros pontinhos do PS.

Alguém que arranje umas explicações para os miúdos lá no Rato porque eles estão com sérias dificuldades em assimilar a matéria.
Ainda chumbam.