31 de janeiro de 2012

Não te entendo, moço.

O rapaz que há uns meses aceitou um trabalho temporário como Secretário-geral do PS e que dá pelo nome de António José Seguro, tem o condão de me pôr a desconfiar da minha própria literacia.

Primeiro foi aquela história da “abstenção violenta” do PS na votação do Orçamento de Estado.
Corri dicionários, enciclopédias, prontuários, gramáticas e até fui ao Ciberdúvidas  para tentar perceber o sentido de tão arrevesada locução. Nada.

Ainda mal refeita deste trauma, eis que me aparece de novo Seguro com afirmações sobre as negociações da dívida da Madeira que cito:

"É um acordo entre familiares do PSD, que aplica àquela região autónoma a mesma receita do Continente, isto é, empobrecer", disse o líder socialista, acrescentando que a Madeira "vai ser duplamente prejudicada" com esta opção.” (daqui)

Ora, é sabido que há famílias muito desavindas ou até, para ser moderna, disfuncionais, mas o mais normal é haver entreajuda entre familiares. Com esta frase, a gente pensa que ele vai dizer que houve favorecimento mas, qual quê, a seguir diz que a Madeira "vai ser duplamente prejudicada".

Se isto se transpusesse para num cartoon, eu apresentar-me-ia, certamente, com os olhos revirados e um balão de fala cheio de pontos de interrogação.

Não consigo entender o rapaz, mas isso não é grave, é só iliteracia minha. Grave mesmo é que me parece que ele também não se entende a si próprio.

30 de janeiro de 2012

“Proposta Indecente” -2 (sequela europeia)

Desde sábado de manhãzinha, quando ouvi a notícia - Segundo o "Financial Times", a Alemanha quer que a Grécia abdique da soberania sobre as decisões orçamentais, transferindo-a para um 'comissário do Orçamento' da Zona Euro. Esta seria uma condição para que Atenas receba um segundo resgate (aqui), os meus cinco sentidos perderam a tramontana

Primeiro achei que não estava a ouvir bem, depois comecei a deitar chispas pelos olhos e fumo pelo nariz, depois a escoicinhar com os membros que a natureza me deu, e a espumar pela boca e, finalmente, a usar linguagem de carroceiro.

Lembrei-me do filme dos anos 1990 “Proposta Indecente”. Nele, um casal em apuros financeiros recebe uma proposta, por parte dum milionário, para passar uma noite com a mulher a troco de um milhão de dólares. O bom do Robert Redford só queria ir para a cama com a Demi Moore umas horas, mas ousar propor tal negócio só porque os outros estavam falidos já era uma proposta indecente.

Como eramos cândidos e puritanos nos anos noventa.

Neste “filme”, a Alemanha é o prestamista que pretende instalar-se em casa do devedor grego para controlar toda a vida doméstica, do quarto á sala, passando pela cozinha, casa de banho e visitando o quarto da empregada, se não mesmo o da patroa. De caminho, se as coisas não correrem a seu gosto, vai levando as pratas - herança da avó, o cordão de ouro da tia Constantina e algumas notas de euro ou dólar que por lá encontre escondidas numa gaveta.

Entendo que, se o prestamista não quer emprestar, está no seu direito; não pode é dizer – empresto na condição de me meter na tua cama.

Esta é uma proposta dum senhor medieval que não é só indecente; é também obscena, prepotente, e, sim ouso dizê-lo, protofascista.


27 de janeiro de 2012

Pedro Rosa Mendes

Eu ouvi a tão falada crónica do Pedro Rosa Mendes logo quando ela foi transmitida. Ouvia sempre; não só ele mas também a Raquel Freire, a Rita Matos, o Gonçalo Cadilhe e o António Granado.

É hora de estar a fazer isto e aquilo, e vou ouvindo. Naquele dia, salvo erro 18 de Janeiro, parei com o isto e aquilo e fiquei a ouvir. O que ele dizia era tão certeiro e desassombrado, tão corajoso e sem tibiezas, que era preciso prestar a devida atenção.

Quando acabou, a intuição disse-me que aquele homem tinha acabado de pôr o seu emprego em risco porque se recusava a ser a voz do dono, coisa já tão rara na comunicação social em Portugal.

Tenho a certeza que Pedro Rosa Mendes não é ingénuo, e sabia isso tão bem como eu. Mesmo assim, recusou a autocensura, chamou os bois pelos nomes, e optou por correr riscos.

Eu, ganhei o dia. Num país triste, amarfanhado e medroso como hoje é o nosso, encontrar pela manhã a voz da dignidade e da coragem que, implicitamente, ousa mandar para o sítio certo o Miguel Relvas e companhia, corresponde, literalmente, a ganhar o dia.

E este post hoje mais não é que o meu obrigada e a minha homenagem a um jornalista sem medo – Pedro Rosa Mendes.


Nota: deixo aqui o link para a sua crónica, esperando que ainda não tenha sido retirada.

26 de janeiro de 2012

Pergunta muito ignorante

Outro dia, encontrei no Facebook este desabafo:

Isto de ser poupado em tempos de crise e de roubos vários, coincidentes com o inverno, não tem piadinha nenhuma.
Ele é o fechar a torneira no duche e sair de lá com quase tanto frio como se entrou, ele é o ter apenas um aquecedor ligado em vez de vários mais o AC, e andar por casa com tanta roupa como na rua, ele é o usar a água fria para lavar a loiça e ficar com as mãos que nem cubos de gelo...

Quem isto escreveu é uma mulher de 35 anos, licenciada, que vive sozinha e trabalha há mais de dez anos na mesma empresa.
Este é um bom retrato do famoso, desejado, e ativamente procurado pelo governo, “empobrecimento” dos portugueses.

A classe média, que tão laboriosamente fomos construindo ao longo de 40 anos, está agora a passar frio para ver se não passa fome e se consegue pagar as suas contas no fim do mês. Algo de muito semelhante vai acontecendo noutros países da Europa.

Sendo a dita classe média a coluna vertebral das sociedades modernas, a que sustenta o consumo, e através dele o sistema capitalista que, por sua vez, precisa de produzir sempre mais para se manter, a pergunta muito ignorante é esta: o capitalismo tem tendências suicidas ou é apenas moderadamente bipolar?

25 de janeiro de 2012

Proença, o português

O editorial do Expresso de sábado passado coloca uma questão que eu também já tinha aflorado aqui.

Escreve, a dado passo, o editorialista:
Fica-se a perceber o que o país, o Governo, os patrões e a UGT ganham com este acordo (Concertação Social); mas não se percebe o que ganham os trabalhadores.
E conclui que não ganham nada, só perdem, e muito.

Era essa a pergunta que eu gostava que a CGTP tivesse feito ao maralhal que lá estava – o que têm para a troca?
Era preciso obriga-los a dizer que não tinham cromos nenhuns mas queriam a coleção toda, e dada.

Contudo, no meio desta desgraça, houve uma parte muita divertida: o argumento dado por João Proença para justificar a sua assinatura – é que, se não assinasse, podia ser pior.
Tão português!

Teve um acidente e partiu uma perna? Ora, teve muita sorte, porque podia ter morrido.
Por cá é sempre assim, com a graça de Deus.

24 de janeiro de 2012

Eu sem hackers

O blogue Aventar tomou a iniciativa de fazer um concurso de blogues distribuídos por categorias muito diversas.
A primeira fase, entre 13 e 21 de Janeiro, estava aberta a todos os blogues e cada pessoa só podia votar uma vez.

Eu tinha ouvido falar recentemente do concurso de blogues da TVI e dizia-se que havia hackers que mandavam milhares de votos para os blogues que queriam. Enfim, tudo muito à moda do ciberespaço.
Resolvi inscrever o meu blogue na categoria dos nascidos em 2011, ciente de que não haveria hacker que me apanhasse, para ver por dentro como estas brincadeiras funcionam.

Não informei ninguém de tão destemido ato, nem família, nem amigos, e nem sequer coloquei no meu blogue a informação sobre o concurso que o próprio Aventar disponibilizava.

Então, foi assim:
Na categoria em que me inscrevi foram apurados 1865 votos, distribuídos por 36 blogues.
No meu blogue, vindas de http://aventar.eu/blogs-do-ano-2011/, houve 72 entradas. Dessas, apenas 3 leram mais do que um post.
No final tive 10 votos.

Ora, contas redondas, pode dizer-se que, dos 1865 votantes, 72 por aqui entraram e saíram como o sol pela vidraça, os hackers não me apanharam, e ainda houve 10 leitores, tão estimados como desconhecidos, que tiveram a pachorra de ir lá pôr o seu voto.
Aqui lhes deixo os meus agradecimentos por terem achado graça a este blogue-bebé.

E agora vou ali ver se aprendo alguma coisa com o mais votado que, para vosso conhecimento, e nesta categoria, é:
Standard's e People, Pá
Sete jovens com “profiles” onde não consigo entrar sem e-mail e password e que mostram como nos devemos empenhar nas coisas em que nos metemos. Parabéns para eles.

23 de janeiro de 2012

Vacas sagradas, não tenho

Os meus amigos comunistas que me desculpem mas, para mim, o PCP não é, como é para eles, uma vaca sagrada.
Aliás, não tenho vacas sagradas, porque não sou crente nem indiana.
Dou-lhes, porém, todo o direito de não gostarem daquilo que escrevo e penso, esperando que me deem também o direito de continuar a pensar e a escrever livremente.

E o facto é que o PCP deixa-me, frequentemente, como é que hei-de dizer, talvez perplexa ou consternada.

Só para falar dos últimos dias, por exemplo, fiquei, vá lá, perplexa com o envio de votos de pesar ao povo da Coreia do Norte pela morte dum tirano não eleito, que o mata à fome, e que se dizia comunista.
Fiquei também, vá lá, consternada, por logo de seguida ter votado contra um simples voto de pesar pela morte de Vacklav Havel. É que nem uma abstençãozinha, foi logo contra. Deduzo que para o PCP o homem já devia ter morrido há muito tempo, com o raio que o parta.

Também, vá lá, me deixa perplexa e consternada, que o PCP entenda sempre que o que não é de sua iniciativa não presta. No caso recente do pedido de fiscalização sucessiva do OE, o PCP nem sequer teria deputados suficientes para o fazer sozinho, pelo que, demarcando-se da iniciativa a pretexto de minudências textuais, acabou por, objetivamente, facilitar a passeata triunfal do governo no seu ataque a tudo o que mexe e trabalha.

Duvido que seja isso que os eleitores do PCP pretendem quando nele votam. É que, para o povaréu votante que sofre na pele as bacoradas dos políticos, são mais as coisas que nos unem do que aquelas que nos separam.

Estou tão farta de ouvir as esquerdas a gritar “a minha via é melhor que a tua” como de ouvir os crentes a dizer “o meu Deus é melhor que o teu”.
Se calha é por isso que continuo sem via e sem fé.
Mas cá me aguento. Parece que há mais vida para além das vias. E da fé.
E da fé nas vias. E das vias de fé.

Nota: imagem de uma escultura (múltiplo) do escultor Jorge Vieira.

21 de janeiro de 2012

Sábado com W. Benjamin


Ser feliz é poder tomar consciência de si sem apanhar um susto.




Walter Benjamin
“Imagens de Pensamento”
Assírio e Alvim, 2004

20 de janeiro de 2012

A resposta é sempre NÃO

A CGTP bateu com a porta, bem cedo, nas reuniões da Concertação Social.

Eu gostava que ela tivesse ficado mais um pouco e que tivesse perguntado aos patrões o que davam aos trabalhadores em troca do tanto que lhes vão tirar. Concertação deve ser um “toma lá, dá cá”, não?

Depois, podia bater com a porta e vir dizer-nos o que eles tinham respondido. Eu gostava.

O PCP não quis juntar-se aos deputados do PS e do BE para pedir a fiscalização sucessiva do OE por “discordância fundamental” em relação a “alguns dos fundamentos” apresentados no documento. E acrescenta que “O corte é inconstitucional seja feito a todos os trabalhadores, seja feito apenas aos do sector público”. (Público)

Já sabíamos, mas isso é motivo para recusar liminarmente uma ação unitária?

O povo de esquerda que me desculpe mas, neste caso, purismo em excesso tem o mesmo efeito do colaboracionismo. E desmoraliza muito.

19 de janeiro de 2012

É amanhã



Concertação Social

Foi assim




Imagem retirada dum blogue Católico tradicional, Antimodernista e Antiprogressista

" Conversas n' A Catedral"

Levei anos a resistir à leitura de algum livro de Mário Vargas Llosa.
Certo é que podemos gostar do artista e não do homem (ou mulher) e vice-versa. Neste caso, quase tudo me desagradava no homem: o seu ar de galã sul-americano, a sua arrogância intelectual, o programa neoliberal com que se apresentou às eleições para presidente do Peru em 1990

Finalmente decidi-me pelo “Conversas n’ A Catedral”, um calhamaço de 630 páginas, e não me arrependi, embora no início tenha tido a sensação de que o autor estava a dizer-me: leitora, tu és burra, vou-te provar que és burra, vais desistir desta minha magnífica obra.

Abusando claramente dos seus vastos recursos estilísticos, usa desnorteantes diálogos intercalados (cada linha uma pessoa, um assunto, um tempo), discurso indireto livre e solilóquios em simultâneo; contudo, este desbragamento estilístico vai-se moderando, e no final ficamos com a sensação que este é um dos grandes romances do século xx.

Em “Conversas n’ A Catedral”, conta-se a história de Santiago Zavala,
que viveu a ditadura de Manuel Odría entre 1948 a 1956 no Peru, e traça-se um vasto retrato do país nessa época.
Logo na primeira página, Llosa escreve:

Ele era como o Peru, Zavalita, a certa altura, tinha-se fodido. Pensa: em que altura?

Com uma pequena alteração geográfica, esta é a pergunta que muitos de nós, portugueses, estamos a fazer neste momento.


18 de janeiro de 2012

Regresso ao futuro

Na semana passada, pedi aqui que me mandassem os herdeiros de Catroga, Cardona e companhia porque estava farta de tão “egrégios avós”.

Mal sabia eu que os ministérios estão povoados de talentosa juventude nos cargos de assessores, adjuntos e especialista, todos com menos de 30 anos e vários Especialistas entre os 24 e os 25 anos, todos com ordenados jeitositos.

Recebi esta fascinante lista por email, e confesso que não tive pachorra para ir confirmar, mas confio no remetente. Aqui a deixo hoje para quem quiser tomar conhecimento e, como eu, se alegrar – está-se a formar uma nova vaga de políticos que, com tais professores, só pode deixar-nos tranquilos quanto ao futuro da gestão da coisa pública. E da democracia.


MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL (2)

Cargo: Assessora
Nome: Ana Miguel Marques Neves dos Santos
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Adjunto
Nome: João Miguel Saraiva Annes
Idade:28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.183,63 €


MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS (1)


Cargo: Adjunto
Nome: Filipe Fernandes
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.633,82 €


MINISTÉRIO DAS FINANÇAS (4)


Cargo: Adjunto
Nome: Carlos Correia de Oliveira Vaz de Almeida
Idade: 26 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Assessor
Nome: Bruno Miguel Ribeiro Escada
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.854 €


Cargo: Assessor
Nome: Filipe Gil França Abreu
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.854 €


Cargo: Adjunto
Nome: Nelson Rodrigo Rocha Gomes
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA (2)


Cargo: Assessor
Nome: Jorge Afonso Moutinho Garcez Nogueira
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Assessor
Nome: André Manuel Santos Rodrigues Barbosa
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.364,50 €


MINISTRO ADJUNTO E DOS ASSUNTOS PARLAMENTARES (5)


Cargo: Especialista
Nome: Diogo Rolo Mendonça Noivo
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Adjunto
Nome: Ademar Vala Marques
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Especialista
Nome: Tatiana Filipa Abreu Lopes Canas da Silva Canas
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Especialista
Nome: Rita Ferreira Roquete Teles Branco Chaves
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3069,33 €


Cargo: Especialista
Nome: André Tiago Pardal da Silva
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


MINISTÉRIO DA ECONOMIA (8)


Cargo: Adjunta
Nome: Cláudia de Moura Alves Saavedra Pinto
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago Lebres Moutinho
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Cristóvão Baptista
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Tiago José de Oliveira Bolhão Páscoa
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: André Filipe Abreu Regateiro
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Ana da Conceição Gracias Duarte
Idade: 25 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: David Emanuel de Carvalho Figueiredo Martins
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: João Miguel Folgado Verol Marques
Idade: 24 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,34 €


MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (3)


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Joana Maria Enes da Silva Malheiro Novo
Idade: 25 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Especialista/Assessor
Nome: Antero Silva
Idade: 27 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


Cargo: Especialista
Nome: Tiago de Melo Sousa Martins Cartaxo
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,33 €


MINISTÉRIO DA SAÚDE (1)


Cargo: Adjunto
Nome: Tiago Menezes Moutinho Macieirinha
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 3.069,37 €


MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DA CIÊNCIA (2)


Cargo: Assessoria Técnica
Nome: Ana Isabel Barreira de Figueiredo
Idade: 29 anos
Vencimento Mensal Bruto: 2.198,80 €


Cargo: Assessor
Nome: Ricardo Morgado
Idade: 24
Vencimento Mensal Bruto: 2.505,46 €


SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA (1)


Cargo: Colaboradora/Especialista
Nome: Filipa Martins
Idade: 28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 1.950,00

17 de janeiro de 2012

O B perdido

Há dias, a Standard & Poor’s fez uma nova aparição no tapete vermelho e, qual diva caprichosa e birrenta, atirou-se ao Euro por onde o apanhasse.
Dizem que tinha as costas aquecidas pelo dólar e pela libra mas eu acho que aquilo é tudo mau-feitio.

À pobre da França tirou um A e a nós tirou-nos um B.

Acho mal. O triplo B sempre foi muito cá de casa. Quando eu era pequena, a minha tia Idalina tinha a mania de me pegar na mão para ir à loja do senhor Coelho; nunca percebi se era para não se sentir sozinha ou para não parecer sozinha mas, para o caso, tanto fazia, porque era as duas coisas.

Quer pedisse tecido para um vestido, pano para um lençol ou mesmo fita de nastro ou colchetes, sempre ia dizendo – Já sabe, quero os três Bês. O senhor Coelho respondia com sorriso reverente: A D. Idalina já sabe que nesta loja é tudo Bom, Bonito e Barato.

E foi assim que eu fiz a minha iniciação ao triplo B.

Num instante, vem aquela diva enlouquecida e tira-nos um B sem, ainda por cima, dizer qual. Eu desconfio que seja o de Barato porque a vida está cada vez mais pela hora da morte.
Mas agora fiquei a pensar – e se for o Bom? E se for o Bonito?
Uma bruxa, é o que ela é, aquela S&P. Uma bruxa.

16 de janeiro de 2012

Há coisas fantásticas, não há?





Esta “coisa” aqui nem percebo o que seja mas teve grande visibilidade há uns dias.



Esta “coisa” é um casal que chamou à sua filha Lyonce Viiktórya.Vai ter outra e também teve boa visibilidade há uns dias.





Esta “coisa” é um Ministro da Economia que descobriu que um pastel de nata pode fazer mais pelo seu país do que ele próprio.Teve a visibilidade que uma grande descoberta merece.


Esta “coisa” é a última sondagem da Eurosondagem que mostra que PSD subiu mais que a oposição – 0,4 contra 0,3 do PS. Não sei que visibilidade teve mas lá que é de morrer a rir, lá isso é.
Há coisas fantásticas, não há?

13 de janeiro de 2012

Feios, Porcos e Maus

Todos os dias há notícias desagradáveis, sobre pessoas desagradáveis, que dizem e fazem coisas desagradáveis, num país cada vez mais desagradável.

Não sei porquê, estou sempre a lembrar-me do título dum filme de 1978, de Ettore Scola – “FEIOS, PORCOS e MAUS”.

Passa-se numa barraca mas também se podia passar na alta-roda da política ou negócios, mantendo a mensagem.

Miséria moral, egoísmo, mentira, promiscuidade, traição, ganância, estupidez são os ingredientes de que se lambuzam os vilões que moram na barraca, ou não.
Por aí vamos.

12 de janeiro de 2012

Entidade Reguladora do Fumo

Agora já assentou a poeira, mas isto começa sempre da mesma maneira: primeiro vem a notícia, depois o sururu, depois o desmentido e, daí a um tempinho, a confirmação.

A doutora Fátima Reis dedicou o melhor do seu tempo e boa vontade a mais um estudo sobre os malefícios do tabaco, estudo esse que pagámos através da Direcção-Geral de Saúde.

Entre muitas conclusões feitas em folhas de Excel com percentagens e coisas que se escrevem ug/m3 e que eu não sei o que querem dizer, tirou uma (conclusão, claro, nunca uma passa) de se lhe tirar o chapéu - a proibição deve estender-se às áreas circundantes de bares, restaurantes, cafés e discotecas. "Basta estar uma pessoa a fumar do lado de fora, junto à porta de um bar, para aumentar o nível de exposição ao fumo de quem está no interior". (Público)

Ainda vamos assistir à criação da Entidade Reguladora do Fumo, que nos vai regular o estacionamento, como o dos carros – proibido estacionar a menos de cinco metros da curva, ou da porta.

11 de janeiro de 2012

Mandem-me os herdeiros

A dança das cadeiras, aqui no protetorado, é muito sui generis. Nunca ninguém fica de fora, porque as cadeiras chegam para todos. Basta ser amigo, ter feito um favor, pertencer ao “arco da governação” e, de certeza, não ficará de fora, sem cadeira, a fazer beicinho com cara de estúpido.

O conjunto de amigos da cadeira começa agora a tomar a forma de gerontocracia, porque os anos não passam só por mim, passam também por eles e eu conheço-os há muiiiiiiiitos anos.
Cardona, Braga Catroga, Pinho, Pinto e Rocha são nossos velhos conhecidos.
Outros amigos, mais distintos, dançam noutro torneio – os das fundações, que também é um baile de prestígio e mando. É o caso dos Vilar e Santos Silva.

Acontece que todos estão a ficar entradotes, e começam a formar uma brigada do reumático que em breve vai precisar de ajuda para correr para a cadeira.
Como estas festarolas fazem parte da nossa maneira de estar, estão para ficar, pelo que sugiro que adotemos a linha norte-coreana da sucessão dos herdeiros.

Venham de lá os filhos Catrogas, Cardonas, Pintos, Pinhos, Rochas, Vilares e Silvas porque, pelo menos, mudam as caras (esperando que tenham saído mais ao outro progenitor) e pode atá acontecer que algum tenha um olhar um bocadinho mais modernaço e desempoeirado sobre o mundo e o país.

Abdiquem senhores, e mandem-me os vossos herdeiros. Se preciso for, por mim, chamar-lhes-ei Génios dos Génios de qualquer coisa, daquilo que os senhores quiserem, como o Kim Jong-un, e até juro solenemente que nem falarei de questões morais, ou políticas, ou de estarem a gozar com a minha cara.
É só que estou mesmo fartinha de tão egrégios avós – os senhores.

9 de janeiro de 2012

Bendita Aspirina

Começo a semana estafadinha, até passei os últimos dias a aspirina, de tanto me azucrinarem a cabeça com o Alexandre Soares dos Santos e a Maçonaria.

Se bem percebi, mas não tenho a certeza porque tenho os neurónios em água, o Alexandre emigrou, ou pelo menos uma parte dele, como o governo recomenda. Foi em busca duma vida melhor. E então? É só mais um e parece que já lá tem os amigos à espera. A maleta era Louis Vuitton, decerto, e não foi “a salto”, logo, é um emigrante que só nos honra.
O que me chateia no homem é que tem a mania de se armar em puro, mas não será por isso que vou deixar de escolher os meus nabos na sua mercearia. Porquê tanto alarido se é tudo legal, legalíssimo? E não é esse um dos maiores encantos da Europa atual, construir trapalhadas giríssimas e legalíssimas?

Quanto à Maçonaria, aí é que não percebo mesmo nada, a não ser que há lojas de toda a espécie. Fiquei até a pensar em escrever uma carta à tal Maçonaria a sugerir-lhe que abrisse uma loja de retrosaria aqui para os meus lados.
Dava-me jeito, de vez em quando um fecho, uns botões, ou umas linhas de alinhavar, sei lá.

Parece que o negócio vai bem mas se puder ficar melhor, como o do Alexandre, só me reforça a vaga ideia que tenho dela - que faz pela vida, que se mete por todas as janelas de oportunidade que encontre entreabertas, e que o uso do avental estimula o empreendedorismo dos homens.
Ah, gosto tanto desta palavra, ainda bem que a pude escrever.
E agora vou tomar outra aspirina, a ver se aguento.

6 de janeiro de 2012

O Deus da Carnificina

Quatro excelentes atores (Jodie Foster (soberba), Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly) dão o melhor do seu talento a um realizador (Roman Polanski) que, com mestria, põe em filme uma peça de teatro de Yasmina Reza.

O Deus da Carnificina é um filme sobre nós, gente vulgar do século XXI, cheios do politicamente correto, neuróticos, com uma fina camada de verniz.

Esta pode estalar a qualquer instante, ela, no fundo, tem imensa vontade de estalar porque se transformou numa prisão da personalidade de cada um.

E então é ver cada um como de facto é, mas também cumplicidades de casal, cumplicidades femininas, cumplicidades masculinas e todos contra todos.

Em cada uma destas pessoas há um pouco de nós mesmos e no seu pequeno conjunto está toda a sociedade ocidental que construímos.

Tão perturbador como divertido.

5 de janeiro de 2012

Em terras de Bártok e Márai

Os acontecimentos, hoje em dia, sucedem-se tão vertiginosamente que é fácil esquecer o que aconteceu no ano passado, quanto mais há uma dúzia de anos.
Por acaso, não esqueci a eleição dum tal Haider, em 2000, na Áustria.

Era a extrema-direita a chegar ao poder, por via duma coligação, no coração da Europa. A UE reagiu, atabalhoadamente mas reagiu, e impôs uma coisa chamada “sanções diplomáticas”. A coligação ainda durou quatro ou cinco anos, o homem foi moderando o discurso e em 2008 teve um fim triste mas bem à maneira do playboy que era. E a crise passou com argumentos do tipo – estão a ver? a democracia tudo absorve no seu seio e acaba por vencer, o que é, obviamente, falso.

Houve, contudo, sururu, indignação e necessidade de tomar posição.

Agora, a Hungria aprovou uma nova Constituição que parece empurra-la para uma via absolutamente tenebrosa e ninguém dá mostras de se incomodar com isso. Sugiro a leitura do artigo  Hungria já não é "república" e pede a bênção de Deus (também ali em cima à direita)

A União Europeia, enredada entre o deve e o haver, manda às malvas os princípios e nada diz, nem quer saber.
É lamentável mas, se os nossos líderes não querem saber, nós, cidadãos europeus, DEVEMOS QUERER SABER.

É urgente, ao menos, tomar conhecimento; e se assinamos tantas petições a favor de oprimidos em países longínquos, porque não nos incomodamos com o que se passa dentro de portas?

4 de janeiro de 2012

Choque

Já em várias ocasiões tive vontade de falar do rapaz. Ou talvez fosse apenas vontade de lhe dar ânimo. O que acontece é que, de cada vez que o vejo, fico tão envergonhada, mas tão envergonhada, que até parece que é alguma coisa comigo.

Felizmente descobri que há quem aborde o assunto muito melhor do que eu alguma vez conseguiria.
E aqui fica, com a devida vénia.

http://osecretariochocado.wordpress.com/

3 de janeiro de 2012

Conselhos para mentecaptos

Nos últimos tempos, as publicações portuguesas, mesmo as que se pretendem mais sérias, têm-se dedicado a ensinar os seus leitores a poupar.

É a crise, é a crise, e lá vai disto.

Você tem a certeza que já leu todos os livros que tem em casa? Dê uma volta pela estante e vai ver que não precisa de comprar nada este ano.
E para que vai ao cinema? Não tem filmes com fartura na televisão? E não tem o vídeo on demand?

Está a pensar que precisa de roupa? Ora vá lá dar uma voltinha ao roupeiro e depois diga se não temos razão quando afirmamos que tem roupa até de mais. E se precisar de dar uns pontinhos para ajeitar alguma coisita isso só lhe fará bem.

A torneira pinga? Nem pense em chamar o canalizador, faça você mesmo, bricolage faz bem à saúde e no fim vai ver como se sente realizado.

Mania de almoçar fora? Acabe com isso já; há lancheiras lindas para as senhoras, e para os senhores a patroa certamente lhe fará uma sandocha com alface e tomate e pepino e ovo cozido, só coisas saudáveis, que o senhor meterá no bolso e ninguém dá por nada.

Pensarão que os portugueses são 10 milhões de mentecaptos que precisam que lhes ensinem a poupar porque viveram sempre no maior desafogo?
E se todos decidissem, de repente, viver como monges budistas quantos milhares de postos de trabalho a mais se iriam perder?
Leio estas coisas e parece que inicio uma viagem no tempo que só pára nas Modas e Bordados do tempo da minha avó.

Nota: por mais que me esforce por "engolir" o Acordo Ortográfico não consigo escrever para em vez de pára como se verifica no fim do post.

2 de janeiro de 2012

Primeiras impressões de 2012

Cheguei ontem e chamaram-me 2012.
Pelo mundo fora receberam-me das mais diversas maneiras, aliás, como sempre fizeram com os meus antepassados: júbilo, alívio, alegria real ou simulada, indiferença ou desesperança.

Quando cheguei a Portugal percebi logo que a maioria dos portugueses me encara como às vezes as famílias o fazem com um dos seus mais novos – este é menos inteligente, este vai dar chatices.
Com as crianças, essas profecias geralmente cumprem-se porque assim se vai criando o “caldinho” para que se cumpram.
Comigo, é bem possível que venha a acontecer o mesmo, ainda não sei, ainda não decidi.

É certo que as televisões se esforçaram por mostrar só os “crentes” ou, se calhar, só os crentes estavam a festejar, mas sinto no ar todo um clima de desconfiança em relação a mim. Reparei que à meia-noite só nasceu uma criança e filha duma guineense, imigrante, portanto.

As cidades também estavam particularmente escuras – poucos as iluminaram para o Natal ou para me receber a mim. O senhor presidente da Câmara da capital, esse então, embarcou alegremente no empobrecimento do partido que não é o seu, e nada de iluminações ou festarolas; coitado, não percebeu, ao contrário de outros, que as pessoas teriam agradecido um pouco de normalidade.

As minhas primeiras impressões não são boas, não, mas ainda não sei o que vou fazer com estes portugueses que elegeram Coelhos e Relvas; não sei se os castigue ou se considere que para castigo já basta assim.
Ainda não sei, ainda não decidi.