31 de dezembro de 2013

Ano Novo




No próximo ano talvez fiquemos sem a TAP.
Felizmente, os governantes/vendedores nunca conseguirão vender a cidade de Lisboa.

Neste vídeo vê-se a aproximação à pista e a serena aterragem dum Airbus A330 da TAP, filmadas pelo comandante, no aeroporto de Lisboa.

A cidade anoitece e apetece, à luz dum crepúsculo tão transparente e leve quanto tranquilo.

Soberbas imagens para, com elas, aqui deixar o desejo de um Bom Ano 2014 para todos nós.

30 de dezembro de 2013

Pangloss









 
 
 
Quem passou pela baixa lisboeta no fim de semana anterior ao Natal encontrou, nas ruas, uma multidão maior do que na maioria parte das manifestações.
Oiço agora que os hotéis na Serra da Estrela estão esgotados para o final do ano.
Concluo que, uma grossa fatia da classe média urbana não empobreceu.
Ainda bem. Não defendo o empobrecimento.

Devido à greve, as ruas de Lisboa estão cheias de lixo do que se comeu, do que se bebeu, do que se comprou e do que se ofereceu.
Não foi assim tão pouco, pelo que vejo.
Ainda bem, dado que não defendo o empobrecimento.

Os cantoneiros da Câmara de Lisboa fazem greve durante cinco dias, seguida de outros tantos com greve às horas extraordinárias.
Devem ganhar muito bem, para aguentarem tantos dias de greve.
Como não defendo o empobrecimento, volto a dizer, ainda bem para eles.

O pessoal anti-Costa (António) aproveita para nele malhar, culpando-o da estrumeira em que vivemos, mas nunca diz o que acha que ele devia fazer – ignorar a lei da greve e contratar substitutos, ou ceder à exigência dos cantoneiros que recusam a restruturação do serviço.

Pessoalmente, parece-me que ele está fazendo tudo bem, exactamente porque defendo a democracia e as suas leis – uns fazem greve, e os outros respeitam-na.

Pelo seu lado, a tal classe média que comeu, bebeu, comprou e ofereceu, não está disposta a guardar lixo no apartamento durante 10 dias, e larga-o na rua.
Cada um trata de si, como de costume. So what?

Olho à volta e decido, por uma vez, pensar como Pangloss: “as coisas não podem ser de outra forma” ou “tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”.
E assim pretendo terminar o ano.

27 de dezembro de 2013

Uma história com moral


 

 
 
 
 
 
 
 

 
 
Esta é a crónica que Miguel Esteves Cardoso assina hoje no Público.
A meu ver, a escrita está cada vez mais pobre, quando não com português “macarrónico” – efeito duma escrita que se faz da mão para a boca − mas a história é boa e bem adequada à época.
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Eis uma história que aconteceu. Aconteceu numa pequena loja japonesa em Paris. A dona – uma senhora gentil a quem aconteceu a história que nos contou – deu por falta de dois pacotes de chá Gyokuro, caríssimo, logo no dia em que chegaram.

Um mês depois apareceu na loja um cliente antigo, dono de um restaurante, a quem tinha sido dado o privilégio de levar o que precisava e pagar só três meses depois, depois de ter recebido as contas das pessoas que lá iam almoçar e jantar. Tratava-se de um empréstimo generoso: só pagava o que vendia depois de ter vendido, por quatro vezes o custo, aquilo que tinha comprado.

O dono do restaurante lucrou tanto com o roubo como com o crédito. Sendo um indivíduo ladrão mas honrado, voltou à loja para confessar que tinha roubado o chá e com o dinheiro, o valor exato do que tinha roubado. A dona da loja começou a chorar.

Nunca tinha pensado que aquela pessoa, tão amiga (conhecia e simpatizava com todas as dificuldades da família dela), era capaz de roubá-la. Recusou o pagamento. E disse-lhe: “O senhor roubou a minha alma e a minha confiança em si. E isso não pode ser pago em dinheiro. Eu perdi um cliente de quem gostava. Não há dinheiro que pague o que eu perdi”.

O marido e sócio da senhora, quando soube da recusa dela, compreendeu-a mas disse: “Tu és muito dura”.

Mas não foi dura: foi justa. E foi leal à amizade que o cliente quebrou. A confiança é um tesouro. E os tesouros roubados deixam de sê-lo.

23 de dezembro de 2013

Boas Festas



















Para os que gostam e para os que não gostam.
Para os crentes e para os não crentes.
Para os solitários e para os sociáveis.
Para os saudáveis e para os menos saudáveis.
Para os optimistas e para os menos optimistas.
Para os felizes e para os não felizes.
Para os resistentes e para os desistentes.
Para os que têm meios e para os que ficaram sem meios.
Para os que conheço e para os que invento.
Para os amigos reais e para os virtuais.
Para este, aquele, e toda a gente que por aqui passe
ou me encontre ao virar da “nuvem”…

Boas Festas

20 de dezembro de 2013

Palavras - Sublime


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Sublimeadj. unif. – transcendente, grandioso, magnífico, admirável, elevação de pensamento e beleza de expressão.
Dicionário Porto Editora
 
…divino, celeste, sobrenatural, superior, insigne…
Dicionário de sinónimos e antónimos Houaiss
 

 

19 de dezembro de 2013

A importância de se chamar Gato Fedorento









 
 
Espanta-me que, seis dias passados sobre uma porcaria dum programa humorístico, o país continue a discutir se o mesmo foi bom ou mau, por que razão não teve graça, ou será que teve mas poucos a viram, porque entrou o jornalista Rodrigues Guedes de Carvalho na farsa, mas terá sido uma farsa ou será tudo um mero golpe de marketing para o que virá a seguir, poderá um jornalista espirrar, tossir ou ter caspa e ainda assim continuar jornalista, poderá um jornalista do DN escrever sobre um seu colega da SIC pondo as coisas no seu lugar ou terá alguma coisa mais em vista, foi aquilo um sketch corajoso por se querer dar um banano no Paulo Portas e por chamar bandidos aos governantes ou, pelo contrário, sublimou os desejos reais de violência e ajudou à manutenção da paz social podre fazendo um frete ao governo?

Estas e outras questões, perguntas e conspirações continuam a ser discutidas nas redes sociais, tantos dias depois, como se se tratasse de algum acordão do Tribunal Constitucional, pr’aí, ou quiçá duma decisão irrevogável do do banano.

Uma pessoa quase se esquece que aquilo foi um programa de humor. Apenas.
Eu até acho que as redes sociais são, hoje em dia, o recreio dos adultos, mas, ó gente, há dias em que aquilo lá no Facebook já não me parece o pátio do recreio – parece-me mais o pátio dum manicómio.

18 de dezembro de 2013

Da falta de luz e do excesso de lata










Há um blogue no Expresso online, chamado Luz e Lata, alinhavado por uma senhora chamada Fátima Pinheiro, que me deixa muito perplexa, para não dizer mesmo desorientada.
Quanto à Luz, a Fátima deve-se ter esquecido de pagar a conta; já no que toca à Lata é, de facto, desmedida.

Devo confessar que, chegada ao fim da leitura, não percebi nada do que ela quis dizer -  se é que a Fátima quis dizer alguma coisa, porque desconfio que se fica apenas pelo gozo adolescente de juntar palavras e ver o efeito que fazem assim alinhadinhas, numa espécie de onanismo espiritual.

Deixo aqui o link, para apreciação na íntegra, do inenarrável post de segunda-feira, intitulado ” Há quem goste das segundas”, embora não resista a transcrever o seu final:

Hoje é 2ª feira, gosto dela, decidi querê-la. É a primeira. E ela é primeiro, convém lembrar-me.

MA-RA-VI-LHA!, clamo eu.
Mais maravilhoso, porém, é o comentário ao texto deixado por um leitor chamado LastMonk, que escreveu assim:

“Este blogue devia chamar-se: "Como eu enfrento a Menopausa e o Divórcio, com a ajuda de Cristo, seus discípulos e meia dúzia de filósofos, a Bimby e mil e uma maneiras de me ocupar, não vá ter, Cruz Credo, uns minutos para passar comigo mesma.”

E ainda dizem que as caixas de comentários dos jornais são meras caixas de esgoto. Pelo menos neste caso, o esgoto está fora da caixa.
 
 
 


 

17 de dezembro de 2013

De novo a interpretação











 
 
O humor em Portugal quase sempre foi curto e grosso, isto é, com muito recurso ao palavrão e ao sexo; o sarcasmo, mas sobretudo a ironia fina, nunca fizeram o nosso género.

O caso mais recente em que tal se verificou foi o da entrevista que Rodrigo Guedes de Carvalho deu a uma sua colega depois da exibição do programa dos Gato Fedorento.

Nessa entrevista, ele lamenta, com ar sério, a sua participação naquela “parvoíce” e diz que “foi atraído para uma armadilha”.

Rodrigo Guedes de Carvalho revela ser, ao contrário da colega que o entrevista, um excelente actor, respondendo assim a quem o atacou por, supostamente, um jornalista não poder entrar naquelas brincadeiras.

Contudo, parece ter sido entendido à letra por uma enormidade de pessoas inteligentes.

O programa certamente foi preparado durante semanas; o Rodrigo tinha na mão as “deixas” escritas; a SIC é um canal nacional cheio de profissionais onde as coisas não vão para o ar ao acaso.

Seria, então, crível que a SIC deixasse que um seu pivô fosse atraído para uma armadilha? E seria também crível que mandasse, logo de seguida, alguém fazer-lhe uma entrevista risonha como acto de contrição?

Não. O único “pecado” de Rodrigo Guedes de Carvalho foi ser convincente, e usar demasiada ironia e subtileza para um país que, cheio de pressa, só vê metade, só ouve metade, só lê metade, e logo tira as suas conclusões.
Que são sempre por inteiro.

A entrevista pode ser vista aqui.

16 de dezembro de 2013

Alegria no coração


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esta é uma semana que começo com verdadeiro alívio e alegria no coração – Nelson Mandela já foi enterrado e o museu do Ronaldo já foi inaugurado.
Vou, então, comprar o bacalhau.  

13 de dezembro de 2013

Uma biografia em 654 caracteres



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nasceu sob o signo do Sagitário.
À entrada da adolescência foi para casa aprender a ser doméstica.

Aos 20, casou e teve filhos.
Aos 40, viveu duramente a guerra colonial na pessoa do filho, e as lutas estudantis na pessoa da filha.

Na sua década dos 50 ficou viúva.

Na sua década dos 60 ajudou a educar netos.
Lá para o fim dos seus 70, teve telemóvel e aprendeu a enviar SMS aos netos. Também decidiu mudar de casa. E mudou.

Já nos 80 mexeu, pela primeira vez, num computador, e rapidamente se ligou à internet – lê notícias, fala com filhos, netos e amigos distantes pelo Skype, envia emails à sua médica de família a pedir receitas, visita os lugares onde a família vai ou foi, consulta o extracto bancário.

É uma resistente, é minha mãe, e faz hoje 87 anos.
Ah, ah, morram de inveja!
Parabéns, MÃE.

12 de dezembro de 2013

Artistas


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ontem, Manoel de Oliveira completou 105 anos de vida.
Diz ele que, como prenda de anos, queria financiamento para um novo filme orçado em 350000 euros.

Assumindo-me muito politicamente incorreta, acho que Manoel de Oliveira não terá o dinheiro, até porque não o há mas, se houvesse, defendo que também não o devia ter.

Cento e cinco anos são cento e cinco anos são cento e cinco anos.

Não vamos ser hipócritas, vamos antes assumir que com tão provecta idade ninguém está em pleno gozo das suas capacidades; ao contrário, está num processo evidente e acelerado de declínio e perda.
A sua vida de trabalho cumpriu-se, e cumpriu-se bem.

O reconhecimento internacional que teve está a ter continuidade em vários jovens cineastas portugueses, e são eles que agora precisam dos apoios de que Oliveira já bastamente usufruiu.

No fim de contas, talvez ninguém os venha a ter, nem velhos nem novos, por as suas consciências não lhes permitirem aceitar o novo regulamento de apoio ao cinema que, nas palavras de António Pinto Ribeiro no Ípsilon de 6 de Dezembro nos coloca à beira “de um racismo cultural onde tudo o que não for “bom português” – na representação nacionalista dos autores e dos governantes responsáveis por esta norma – não pode ser apoiado. Porquê? Por não ser reconhecido como cinema português”.

Este regulamento, segundo o mesmo autor, e no mesmo artigo de opinião, excluiria muitos dos filmes do próprio Manuel de Oliveira.

O título do artigo a que me refiro é “Normas para filmar, vigiar e punir”, e do que li pareceu-me que o que se perfila no horizonte é, tão-só, tenebroso.
No cinema, como em tudo o resto, afinal.

 
Ontem também tivemos notícia da morte do pintor Nadir Afonso, aos 93 anos.
Se Manoel de Oliveira diz "Eu penso que no país há uma grande indiferença pelo que já realizei. Tanto faz que o meu cinema exista ou não exista", que terá pensado Nadir ao longo da sua vida de trabalho?

11 de dezembro de 2013

A corrupção explicada às criancinhas













 
 
“Existe um núcleo duro da advocacia instalada nos grandes escritórios que é chamado para fazer as leis. Depois editam livros sobre essas leis que criaram. A seguir vendem formação relativamente à mesma legislação. Por fim atendem clientes sobre a aplicação dessa lei. São eles os primeiros a encontrar os buraquinhos da lei que eles próprios criaram, por negligência ou dolosamente. Tem que haver um revisitamento do regime das incompatibilidades do exercício de cargos públicos, em nome de um Estado de direito verdadeiramente democrático. O facto de não haver exclusividade dos deputados é um problema, porque de manhã ele pode atender um cliente na função de advogado e à tarde fazer uma lei que o favoreça.”

Elina Fraga, nova bastonária da Ordem dos Advogados, em entrevista ao Público em 7/12/2013

Vontade de perguntar: e então, Elina, que fará com esta sua (tão pouco recomendável) gente?

10 de dezembro de 2013

Mulherada


 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
Estava eu a folhear a Revista do Expresso para enxotar o sono quando vejo esta foto da Kate Moss.
Kate tem 39 anos, festejou 25 de carreia e é agora a coelhinha da capa do 60º aniversário da Playboy.

Há um século, esta miúda seria, para não dizer mais, muito sénior, talvez fosse avó e talvez viesse a morrer em breve de tifo ou de bexigas; ou ainda de parto.
Em 2013, continua linda, rica, invejada e copiada.

Para esta mulher, como para muitas outras, o processo de envelhecimento, que vai começar a notar-se em breve, será duro ou, em alternativa, será duríssimo.
A terapêutica contra a dureza da coisa também, em geral, não varia muito – antidepressivos ou operações plásticas que a farão parecer a prima feia da Kate Moss. Ou ambas.

Felizmente os milagres existem e há mulheres que em vez de envelhecerem, rejuvenescem.
É o caso da tia Filipa Vacondeus que encontrei num anúncio algumas páginas à frente na mesma revista.
Eu posso jurar que quando eu era nova a tia Filipa já era velha; agora eu sou velha e a tia Filipa está em óptimo estado. É ver:

 
 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
Não sei como o conseguiu mas, se calhar, de tantas porcarias deitar na sopa, acabou por produzir o elixir da juventude.

Conclusão: vale a pena folhear a Revista do Expresso porque acabamos por ter pensamentos assim profundos que, por momentos, nos tiram da frivolidade dos dias a discutir se o Cavaco, afinal, foi contra ou a favor da libertação do Mandela.

 

  

9 de dezembro de 2013

Voto sim, voto não











 
 
Parece que, em 1987, na ONU, Portugal votou sim e não à libertação de Mandela, tudo no mesmo dia.
Singularidades da política à portuguesa.

Na sexta-feira passada, o povo de esquerda (eu incluída) afadigou-se nas redes sociais a dar pancada no Cavaco, porque era ele o primeiro-ministro quando Portugal votou contra Mandela, ao lado de Reagan e da Thatcher.
Alguém se lembrou desta efeméride de há 26 anos e pô-la em circulação.

Foi tal o sururu que Cavaco teve que vir justificar-se.
Argumentou o homem que apoiar a luta de libertação com recurso a armas, isso é que não podia ser!, como se as colónias portuguesas tivessem alcançado a independência com cravos na botoeira, digo eu.

Contudo, sobre o assunto, a coisa mais extraordinária que li vinha no Expresso, e dizia: “os votos de Portugal na ONU nunca passam pelo gabinete do primeiro-ministro, a responsabilidade é sempre do ministro dos Negócios Estrangeiros, ouvido o director-geral de política” do Ministério.” Quem profere tal afirmação é Martins da Cruz, assessor diplomático de Cavaco à época.

Mas então as decisões sobre as nossas votações na ONU, parte da nossa política externa, ficam-se ao nível do director-geral?
Cavaco quando se justificou nunca disse que não tinha nada que ver com o assunto. Será Martins da Cruz mentiroso ou foi o jornalista que não percebeu peva? Estou confusa com isto, muito confusa.

Mas duma coisa tenho eu a certeza − se alguém quiser pedir desculpa ao Cavaco por acusações injustas, pois que peça; por mim, não farei tal coisa, pelo menos antes que ele me peça desculpa a mim por tudo o que não anda a fazer e mais o que tem andado a fazer.

Além disso, é absolutamente certo que Portugal votou sim, mas também votou não à libertação de Mandela, ao lado dos dois maiores energúmenos políticos da época.

Se se tivesse tirado uma fotografia seria tão memorável como a das Lajes.
Ainda bem que, dessa vez, o fotógrafo não estava lá.
Para vergonha já basta assim.

6 de dezembro de 2013

Madiba


















Já todos disseram tudo.
Venho só deixar as minhas homenagens, Madiba.

Animais e cavalgaduras











 
Pertenço ao grupo dos que acham que, por mais profunda que seja a crise, e por mais negro que seja o tempo que vivemos, não devemos desistir de dar uma boa gargalhada, de gozar o sol numa esplanada, de estar com os amigos, de gritar golo, de saborear um pastel de Belém, nem de tantos outros pequenos nadas de que se faz a vida.

Da mesma maneira, no campo legislativo, nem só do Orçamento de Estado vive o Parlamento.

Porém, ó meus amigos, estes parlamentares ofendem-me com a sua escandalosa falta de sentido de oportunidade.
Li ontem que, depois da Cristas querer decidir quantos cães e gatos cada português poderia ter, vem agora o PS, que mais aprece um espectro, coitado, a querer legislar sobre o castigo que os portugueses merecem se maltratarem animais.

Para ambos os casos o país tem legislação, que tem servido, desde os anos de 1990, mas parece que, agora que isto está calmo e o país está sem problemas, os partidos “do arco da Governação” decidiram apurar legislativamente as questões do reino animal quantificando tudo.

Por acaso também li a notícia do lado, que também quantificava, e que dizia que um em cada quatro portugueses está em risco de pobreza − 25%, ou seja, 2700000 (dois milhões e setecentos mil).

Nada era referido sobre legislação a apresentar para resolver este problema ou punir quem maltrata as pessoas.
Pensava que não, mas há dias em que estas cavalgaduras ainda me conseguem indignar.

5 de dezembro de 2013

Palavras - Brete




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

Imagem Street View Photography, Facebook


 
Brete, s. m. − cilada, engano, logro, enleio, ludíbrio, armadilha

Dicionário de Sinónimos, Porto Editora

 

3 de dezembro de 2013

Os extravagantes caprichos da pluma







 
 
 
Eu sou fã de Clara Ferreira Alves.
Ela tem lá os seus defeitos, que serão muitos, certamente, e eu tenho os meus, que não serão menos.
Mas ela sabe escrever. E sabe pensar.

Porém, nas últimas semanas tem-me deixado preocupada.

Há quinze dias escreveu sobre “O tal 1%” que é dono do mundo, sendo que o próprio mundo o não conhece.
Quando cheguei ao fim da página, achei que a única coisa sensata a fazer era ir à cozinha cortar os pulsos com a faca do pão.

Se o quadro é deveras negro, a CFA pintou-o de luto carregado, qual viúva disposta a nunca mais “refazer a sua vida”; sem futuro, portanto. Tudo morto.
Já de faca na mão, lembrei-me que o futuro não é meu, nem dela – é das gerações mais novas, e serão elas a escolher o rosto do tempo por vir.
Acabei por não cortar os pulsos, como é público e notório.

Esta semana, a cronista resolve entoar loas ao casal Eanes.

É lá com ela, se lhe apetece entrar no coro dos que já acham que fazer os mínimos é o mesmo que ganhar a medalha de ouro (falo dessa coisa simples que é continuar a ser honesto mesmo estando na política).

O incompreensível nesta crónica, é que a Clara, duma penada, e à boa maneira estalinista − que não lhe assenta nada bem, apaga do currículo do general a criação, e o seu total envolvimento, com PRD (Partido Renovador Democrático).

É certo que ele pouco deu a cara pelo partido, mas, por acaso, isso foi bonito? Ou meritório? Ou deve ser esquecido?

Perguntas que não interessam a ninguém.
Nem à Clara Ferreira Alves, que até se costumava interessar.

2 de dezembro de 2013

Bicho ruim




Nestes conturbados tempos, há dois crimes de lesa–pátria que ninguém deve ousar cometer, muito menos nas redes sociais.

Um, é não se derreter com as megalómanas e apologéticas obras de Joana Vasconcelos; o outro é não carregar o andor de Nossa Senhora dos Pobrezinhos, ou seja, Santa Isabel Jonet.

Quem a tal se abalançar, leva logo pelas trombas com os rótulos de esquerda entre aspas, mesquinho, ressabiado, bem pensante, enfim, tudo aquilo que os genuínos guardadores da verdade acham que têm o direito de chamar aos bichos ruins, comuns criminosos de lesa-senhoras.

Quanto à Joaninha, espero que continue por muitos anos a sacar dinheiro às empresas e apoio ao Estado. Sabe viver, e não me pede nem sequer que goste do seu trabalho, ao contrário dos seus apaniguados. Aprecio isso. Força Joana.

Santa Isabel vem, duas vezes por ano, pedir comida para os pobres. Claro que alguém tem que os alimentar, e temos que ser nós. Se as empresas os despedem, se os troikos acham que o salário mínimo por aqui é sumptuário, e se o Estado acha que os nossos enormes impostos não podem servir para amparar quem tem fome, vamos fazer o quê? Temos que ser nós, é claro que temos que ser nós.

Não carrego o andor da santa, não gosto nadinha dela, mas é óbvio que também dei para aquele peditório. Temos que ser nós, é claro que temos que ser nós. Qual é a dúvida?

Procurei também não pensar nos ganhos extra dos supermercados este fim de semana, nem no IVA que a Maria Luís Albuquerque arrecadou à contra dos famélicos da nossa terra. Meti a viola no saco, e mais o arroz, o óleo e as salsichas, e fiz o que tinha a fazer.

No Facebook encontrei a imagem lá de cima e roubei-a. Ontem foi dia da Restauração da Independência e a mim só me apetecia fazer o que aqueles fizeram há 373 anos – defenestrar, defenestrar, defenestrar.
Mas isso é porque eu sou um bicho ruim.

Nota: imagem roubada no FB à Adriana Bebiano.

29 de novembro de 2013

Estranha relação




A canção “In my secret life” pertence ao CD “Ten New Songs” de Leonard Cohen, publicado em 2001.

Ouvi-o dezenas de vezes nessa altura.

Hoje, ao ouvi-la de novo, pensei que já passaram 12 anos e disse de mim para comigo um velho lugar-comum: parece que foi ontem.
Amanhã, sobre o mesmo assunto, posso pensar noutro lugar-comum: caramba, foi há tanto tempo…, foi há uma eternidade.

Certo é que, com ou sem lugares-comuns, parece cada vez mais estranha a relação que hoje, todos nós, novos e velhos, mantemos com o tempo – ora passa a correr, ora nunca mais passa.


No meu caso, quem sempre me tira as dúvidas e me diz a verdade sobre o tempo é o espelho, e…pronto, bom fim-de-semana, que já é sexta-feira.
É gozá-lo porque, logo de seguida, vem aí uma semana que, se calhar, é das que nunca mais passa.