5 de julho de 2012

Tempo de cortar a relva

A perseguição a José Sócrates começou com o “caso” da sua licenciatura.
Como a vingança se serve fria, o poderoso ministro Relvas começa agora a provar do mesmo veneno.

Para começar, aqui na parvónia, não se pode ser político sem uma licenciatura, e por isso, se ela não existe, arranja-se; basta ter connections.

Levantada a questão, aí está de novo o manto de silêncio e secretismo que cobre as nossas instituições. As pautas são públicas, mas a Universidade Lusófona, quando questionada sobre o percurso académico do ministro, nada diz. Segredo, mais um segredo.

Tenho para mim que Sócrates e Relvas não fizeram cursos, pediram-nos aos amigos que foram arranjando nos meios políticos e empresarias.

Não serão os únicos neste país de “compadres”, mas lástima mesmo
é verificar, todos os dias, que este modo tão português  de estar na vida, com base no desenrascanço e no expediente, invadiu o topo da hierarquia política.

Para concluir a composição do ramalhete, falta apenas acrescentar que, segundo o jornal i, Feliciano Barreiras Duarte, actual secretário de Estado de Relvas, “era professor do curso de Relvas na Lusófona” e, enquanto deputado, foi coordenador dos deputados do PSD na Comissão Parlamentar de Ética Sociedade e Cultura. Tal qual o Rodrigues dos gravadores.

Ele há coincidências, oh!, se há!


4 de julho de 2012

Eu vou

Inauguração da exposição de Pedro Casqueiro.

"Tríptico", de Pedro Casqueiro | Exposição | Chiado 8 | Curadoria: Bruno Marchand | Até 31 de agosto
Entrada Gratuita
Inauguração: 6 de julho, às 22h

Imagem "Augenblick" (pormenor), 200


Uma questão de vistas

No Expresso de sábado passado li esta frase:

“A Grécia está no olho do furacão da crise das dívidas soberanas mas um problema numa vista afastou o PM da cimeira”.

Apeteceu-me logo perguntar ao jornalista João Dias, que assina o artigo, como vai de vistas. É melhor a da sala ou a do quarto? E o serviço de pratos é Vista Alegre? E que me diz dos de vistas curtas que por aí andam? E dos que fazem vista grossa? E dos que só pensam em fazer vista?

Bem vistas as coisas, o jornalista não deu nenhum pontapé na língua, limitou-se a usar o termo popular, mas fez-me lembrar a tia Ermelinda lá da aldeia, sempre a lacrimejar por causa dum problema numa “vista”.

Ela diz sempre assim, talvez porque tenha medo que a palavra olho ofenda, e todos sabemos porquê; acontece que ela nunca foi à escola e por isso não sabe que não há confusão possível – “aquele”, o tal que a faz temer a confusão e a ofensa, tem outro nome, e o órgão da visão, o que tem retina, chama-se OLHO.
Era desse que padecia o PM grego.

Ora, um jornalista do Expresso não deve escrever como fala a tia Ermelinda, acho eu, é o meu ponto de vista.
E será que o Expresso já não tem revisor, ou ele é dos que só dá uma vista de olhos? Ou terá vista cansada?

Eu gosto muito da tia Ermelinda mas, quando leio o jornal, caramba, gostava mesmo que chamassem olho ao OLHO.
Até à vista.

3 de julho de 2012

Bons sem bola II

A Antena 1, no seu programa matinal e diário “Antena Aberta”, com participação dos ouvintes, tratou ontem o tema - Em tempo de crise qual é a importância da prestação do Rendimento Social de Inserção?

Como habitualmente, as opiniões foram diversas, e sabemos como a direita se tem empenhado, ao longo dos anos, a denegrir esta prestação social, chegando ao ponto de dizer que convida à preguiça.
Lá mais para o fim do programa foi possível ouvir alguém dizer mais ou menos isto:

Antes de mais, quero agradecer à sociedade em geral porque durante algum tempo beneficiei do Rendimento Social de Inserção; hoje estou a trabalhar, com todos os meus descontos em ordem, e estou a retribuir para quem precisa; e isso enche-me de orgulho”.

O nome deste excelente português (sem bola) é Carlos Gonçalves, e vive no Pinhal Novo.
Um exemplo de dignidade, brio e consciência cívica.


2 de julho de 2012

Anne Sinclair

Somos mulheres que, com toda a probabilidade, pouco ou nada teremos em comum; também quase nada sei dela, porém, respeito-a. Talvez até a admire um pouco.

Refiro-me a Anne Sinclair, mulher de Dominique Strauss-Khan há mais de vinte anos.

Se meio mundo sabia das “fragilidades” de Khan, era óbvio que Sinclair também saberia, mas a vida e entendimentos dum casal, por mais estranhos que possam parecer, só aos próprios dizem respeito.

Sinclair deixou isso bem claro ao fazer tudo o que pôde para ajudar o marido no processo de Nova Iorque.

A revista Closer anunciou agora que o casal está em processo de divórcio e que Anne Sinclair expulsou o marido de casa. A resposta não se fez esperar e o casal anunciou que vai processar a revista por “atentado à vida privada”.
Questionados sobre a hipotética separação, nada responderam.(notícia aqui).

Inteligente, bonita, rica, Anne Sinclair amou um homem “complicado”; provavelmente também foi amada por ele, e foi apenas isso que o mundo pôde ver. Haverá sempre quem especule sobre a sua vida privada e quem sobre ela teça juízos morais, mas não porque Anne Sinclair para tal tenha dado algum pretexto.

Assim se prova que as figuras públicas também podem, se quiserem, salvaguardar a sua vida privada. O seu silêncio diz uma coisa muito simples – a nossa vida não é da vossa conta.


1 de julho de 2012

Bons sem bola
















Dulce Félix ganhou a medalha de ouro na corrida
dos 10 mil metros nos Europeus de Atletismo em Helsínquia.

28 de junho de 2012

Todos contra todos


António Mega Ferreira foi contratado pele Câmara Municipal de Lisboa para fazer um trabalho sobre os museus da cidade.

Segundo Catarina Vaz Pinto, vereadora com o pelouro da cultura, pede-se “um programa criativo, uma estratégia”, elaborada por “alguém que esteja habituado a pensar a cultura e a cidade”.

Como seria de esperar, esta decisão camarária levantou polémica; como é óbvio também, arranjou-se trabalho para um amigo que tinha caído no desemprego.

Contudo, num tempo normal, ninguém teria dado por nada ou até se acharia positivo, porque o trabalho encomendado é necessário e Mega Ferreira é capaz de o fazer bem.

Num tempo desesperadamente anormal como o que estamos a viver, com todas as sensibilidades à flor da pele, tudo parece resumir-se ao favor ao amigo, e gastar com a cultura passa a ser um “desperdício” – mensagem subliminar que o governo se tem encarregado de transmitir.

E assim vamos ficando, todos contra todos.
Casa onde não há pão…

27 de junho de 2012

Aljubarrota revisitada

Hoje não vou escrever nada. Prescrevi-me repouso absoluto. À noite teremos a batalha de Aljubarrota parte II, e eu preciso de estar em boa condição física para a refrega. Não estou disposta a ter descolamentos de retina como o Samaras nem desmaios ou dores de estômago como Rapanos, o seu putativo ministro das finanças.

Com o stress não se brinca, que ele é pai e mãe de muita desgraça por aí; na Grécia então, é uma razia, como se está ver.

Se me der para isso, faço uma soneca prévia e talvez consiga sonhar com o Paulo Bento em vestes de Nuno Álvares Pereira e a usar a técnica do quadrado futebolístico para levar de vencida a cavalaria castelhana.

Se fosse possível encomendar sonhos, para mim reservaria o papel da Brites, a tal, a Padeira; não que eu queira matar espanhóis, mas acho que agarrar numa pá e começar a dar pancadaria em tudo o que mexe deve dar um gozo do caraças, além de evitar ataques de nervos e descolamentos de retina.

Até amanhã, então.

26 de junho de 2012

Foi como um relâmpago na mente

Venho agradecer, senhor primeiro-ministro. Pela primeira vez num ano do seu mandato, e com as suas palavras, eu tive uma iluminação. Até me apeteceu aplaudir, assobiar, cabriolar, dar graças, eu sei lá, tal foi o impacto revelador em mim.
A propósito da moção de censura do PCP o senhor disse:

“Moção de censura do PCP é contra o mundo e a realidade" (lido aqui)

Foi então que eu percebi como estava desejosa de que alguém fizesse uma moção de censura ao estado do mundo e à realidade. Ela aí está. Eu nem tinha percebido, e estou certa que o PCP também não, mas era isso mesmo que eu queria.
Há-de concordar que o mundo está num estado que merece censura e que esta realidade é tão feia que nos empurra para os braços duma perigosa fantasia.

Eu percebi o subtexto − é óbvio que o senhor acha que a moção não serve para nada, e até pode ter razão, mas, deixe-me perguntar-lhe: então e na vida a gente só faz o que serve para alguma coisa? É que, a ser assim, é melhor o senhor precaver-se, visto já ter dado sobejas provas de que não nos serve para nada; apertou-nos o garrote o mais que pôde e, mesmo assim, não vai conseguir cumprir o défice que os seus amigos lhe impuseram.

Diria mais, o senhor não serve nem a nós nem aos seus amigos (esses, os troikos), logo, se não serve para nada, é como a moção de censura do PCP tal como o senhor a entende – uma perfeita inutilidade.

25 de junho de 2012

Cristiano Ronaldo

Esta é uma velha embirração, caturrice, talvez, mas sempre achei que a Cristiano Ronaldo falta quase tudo, excepto habilidade nos pés.

Para desespero das massas apreciadoras do futebol, dos que acham que ele é o melhor jogador do mundo para além de qualquer dúvida razoável, e também dos simples portugueses que se sentam a ver um jogo da selecção do seu país, o Ronaldo parecia estar em divórcio litigioso com a baliza.

Não faltaram explicações de alto gabarito psicológico para tanto falhanço, se calhar todas boas, mas o facto é que o homem não marcava golos.

Na noite do jogo com a República Checa vi, num canal de notícias e já um pouco para o fim da noite, imagens em câmara lentíssima de todas as expressões faciais do jogador nos segundos após o golo que marcou.

O grito libertador, a comoção, quase as lágrimas, a alegria pura de menino, o orgulho, o expurgar dum feitiço mau, o alívio do fim da dor, sofrimento e frustração de muitos dias, a realização pessoal do homem, o esforço, o gosto por satisfazer também os outros, tudo passou, em breves instantes, na cara daquele rapaz.

Por breves instantes também, senti empatia, e lamentei que por perto nunca tenha tido ninguém que soubesse puxar pelo que terá de melhor, excluindo os pés, claro.


22 de junho de 2012

Já é verão





…mas continuamos à espera de dias de verdadeiro sol. Numa boa companhia.

Bom fim de semana.



21 de junho de 2012

A ambição da "rainha Joana"

Joana Vasconcelos inaugurou a sua exposição em Versalhes bem acompanhada pelos meios de comunicação social, e até levou “à pendura” um ministro e um presidente de Câmara.

Correu tudo bem. Ela é a “rainha Joana”, escandalizou os ultraconservadores como se esperava, agradou aos “progressistas” como também se esperava, tralalá e tralalá.

Acontece que Joana Vasconcelos viu um dos seus mais conhecidos trabalhos -  Noiva, feito de tampões - ser vetado pela directora do palácio e com isso ficou “mais do que decepcionada”.

Curto e grosso, eu diria que, para mim, artista que aceita censura ao seu trabalho e fica só mais que decepcionado, não é artista, não é nada.
Será, quanto muito, um artesão competente e ambicioso que procura satisfazer o cliente, receber o dinheiro e partir para outra.

Os devotos da” rainha” (que não é santa) ” Joana”, que me perdoem estas picuinhices.

20 de junho de 2012

A "lebre"

Quando o Dr. Medina Carreira começou a aparecer na televisão era um senhor de idade com um aspecto um pouco amarrotado.

Lá foi ganhando um lugar confortável com as suas profecias da desgraça e afirmações populista que a direita (e não só) aplaudia entusiasmada. “Medina carreiradas”, chamou-lhe Daniel Oliveira. Eu sempre o achei a fazer papel de “lebre”.
Esse lugar rendeu bastante, e agora temos um doutor bem-posto, com fato de bom corte, camisa e gravata a condizer.

Não sei se estará já com medo de que os cortes também lhe batam à porta, veio ontem dizer que é tempo de acabar com “a política dos cortes”.
Não sei se estará com medo de ser assaltado, mas lembrou-se também de dizer que o Estado Social é o “último reduto de alguma ordem social”. É por isso que com “machadadas”, com um “corte aqui e acolá” chegaremos a 2015 ou 2020 numa situação de “enorme precariedade [social]”. (aqui )

Apesar do medo que parece já lhe ter tocado com indelével mão, ainda assim, afirma: “a soberania do Estado hoje é inexistente” e portanto “não vale a pena pregar contra o neoliberalismo”.

Aprendamos, então, com o Medina Carreira:
1 – Soberania perdida jamais será recuperada.
2 – O neoliberalismo é uma inevitabilidade para todo o sempre. Ámen.

Mudará de ideias quando lhe tirarem o fato novo e a gravata? Ou se lhe roubarem o relógio?
Vou esperar para ver porque me parece que, em breve, até Medina Carreira entrará também no role dos descartáveis por se ter alcançado o objetivo pretendido.
As “lebres” sempre se abatem.

19 de junho de 2012

Imperdoável

A fina camada de verniz que foi cobrindo a sociedade portuguesa nos últimos anos, é, em muitos pontos, tão fina que só levou uma demão, e mesmo essa, muito, muito aguada. Por isso estala por quase nada.

A violenta desagregação do tecido social a que estamos a assistir não é “um quase nada”; é grave, sulcada de golpes profundos, feia e assustadora, mas, mesmo assim, não é desculpa para aquilo a que assistimos.

Os homens portugueses desataram a matar as suas mulheres como quem mata mosquitos incómodos e persistentes.

Só na semana passada, em cinco dias, duas mulheres morreram e outras duas ficaram em perigo de vida.

Estalado o fino verniz, por isto ou por aquilo, eis-nos confrontados com o esplendor da bestialidade masculina, mais o seu cortejo de tiros e facadas, disfarçada de paixão, vida sem esperança, amores canalhas, desemprego ou desnorte.

Tudo mentira. Trata-se apenas de pequenos tiranos de opereta, mas com a arma carregada, que se sentem donos das suas mulheres e autorizados a dispor das suas vidas.

Nada neste mundo, nenhuma desgraça pessoal ou social, pode justificar o assassínio das mulheres. Esta prática apenas sinaliza uma sociedade troglodita e machista - dum machismo desprezível, repugnante, e IMPERDOÁVEL.

18 de junho de 2012

Um magazine chamado Diário de Notícias


Na página de entrada do DN online de hoje podem ler-se títulos assim:


'Ex' de Rui Patrício processa mãe de Liliana Aguiar.

Ex-mulher de Djaló defende o futebolista.

Nova namorada de Baía é nutricionista na RTP1.

Tânia Ribas de Oliveira está grávida do primeiro filho.

Veja o bolo de anos do filho de Ronaldo.


Já ninguém precisa de dizer que leu no dentista ou no cabeleireiro.
Está tudo no Diário de Notícias, o grande jornal português que escolheu a fofoca.
Lástima.

Esquecimentos

David Cameron esqueceu-se da filha mais velha num pub.
Obama esqueceu-se de pagar o almoço.
A ERC esqueceu-se do relatório Relvas.
Gaspar esqueceu-se do que ouviu no Eurogrupo.
44% dos franceses esqueceram-se que havia eleições.
Os gregos esqueceram-se da fantasia.
A Europa continuará a esquecer-se de si mesma.

Porcaria de notícias que li nos últimos dias.

15 de junho de 2012

O cansaço da tartaruga Bibi

Viveram juntas 115 anos mas já não se podem ver

Segundo esta notícia, é o que se passa com um casal de tartarugas que vive num jardim zoológico da Austrália.

115 anos é obra, e por isso acho mal que as queiram reconciliar à força com afrodisíacos e terapia de casal. Se a Bibi quer a separação e a sua liberdade há tanto tempo perdida, ora essa, é um direito que lhe assiste.

Pensando bem, acho que elas só se aguentaram tanto tempo porque não falam; o dom da palavra, tão precioso para os humanos, pode, no casamento, mantê-lo ou dar-lhe a estocada mortal.
Os psicólogos aconselham diálogo, mas, cá para mim, o silêncio das tartarugas foi fundamental para a longevidade da relação, porque uma tartaruga nunca tem que engolir o que disse no “diálogo”.

Contudo, Bibi, depois de tantos anos, também não é preciso andar à dentada na carapaça do Poldi.
Não sei como é aí pela Austrália mas, por cá, o divórcio é fácil, enquanto os cuidados de saúde estão cada vez mais difíceis de obter.

Por isso, Bibi, aqui te deixo um conselho de amiga: vai com calma menina, procura um bom advogado e continua calada. Se calhar ainda vais a tempo de recomeçar a tua vida. Felicidades para ti.

14 de junho de 2012

Ele só fica se valer a pena

O carnaval futebolístico voltou em força.
Centenas de horas de emissões de rádio e televisão, quilómetros de folhas de jornal, dezenas de repórteres no local para noticiarem cada bocejo do Ronaldo e companhia.

Estamos, apesar de tudo e felizmente, longe dos paranoicos tempos de Scolari, com o seu cortejo de santinhos e o seu estranho sentido de Pátria.

Porém, vindas das mais altas esferas, continuamos a ver estupidezes embrulhadas em celofane verde e rubro.

É esse o caso do inenarrável anúncio da Galp Energia em que um rapazinho lê uma espécie de discurso aos jogadores, no qual afirma, entre muitas outras “pérolas”, que, no futuro, só fica em Portugal se valer a pena. Depreende-se, então, que isso está nos pés daqueles homens, e que ele próprio não é para aí chamado.

É tudo mau demais naquele anúncio.

Num excelente artigo do Expresso de 9 de Junho, Fernando Madrinha responde-lhe à letra não deixando nada por dizer.
Nem sequer deixa de referir aquela lamentável cena em Belém, com a qual ninguém ousou bulir – Cristiano Ronaldo a tratar o Presidente por “você” e a terminar o convite com um singelo “tá?”.
Tanta gente na Federação e ninguém que ensine o trivial das boas maneiras ao capitão?

E não, ó senhores da Galp, eu não me sinto (nem nunca me senti) representada por um grupo de toscos ricos que apenas sabem jogar à bola, e mesmo isso…tem dias.
O pior do nacionalismo e mau gosto chegou a este anúncio e parou.

Posto isto, pode até nem parecer, mas eu também torço pela selecção de futebol.
Isso! Futebol, apenas futebol.


13 de junho de 2012

Divertido e assustador

Redacção - Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Vale a pena ler este divertido e assustador texto da escritora Teolinda Gersão para sabermos de que falamos quando falamos do ensino da Língua Portuguesa.

12 de junho de 2012

Quanto mais te baixas

Quando a Irlanda ouviu sobre as condições do empréstimo à Espanha, logo pôs o dedo no ar e disse “Também quero”.
Por aqui o primeiro-ministro continua a dizer que não sabe de nada, não precisamos de nada, e está-se bem.

Pena ele não ter sido criado por uma boa mãe alentejana que cedo lhe ensinasse que “quanto mais uma pessoa se baixa mais lhe aparece o cu”.

A imagem é de Gui Castro Felga

11 de junho de 2012

Google e pulgas

Ontem, quando acabei de enviar um e-mail da minha conta gmail, deu-me nas vistas num pequeno anúncio à direita, só texto, que dizia – Elimine as pulgas. Bioactivação, a derradeira novidade no controlo das pulgas; seguia-se o link.

Logo por baixo, estava um outro que anunciava Mudança Internacional, Orçamento Mudanças Internacionais / Transportes Marítimos e Aéreos.
O anúncio das pulgas, sobretudo, deixou-me a pensar por que raio me apareceria aquilo.

Olhei de novo e vi que por cima deles dizia: Porquê estes anúncios? Sentindo que ali estaria a resposta à minha perplexidade, abri o link que me informava: Estes anúncios baseiam-se nos e-mails da sua caixa de correio.

Cruzes, credo, como é que isso pode ser?
Não tendo animais domésticos, e sendo uma alentejana asseada como (quase) todas, como é que eu enviei ou recebi e-mails que levassem o Google a deduzir que eu preciso de controlar pulgas?

Pela internet podem-me chegar chatos, e às vezes chegam, mas pulgas…jamais!

Quanto às Mudanças Internacionais, confesso que também nunca pensei em “emalar a trouxa e zarpar”, embora às vezes apeteça.

Está-me a parecer que o Google anda a enganar o freguês mas, mesmo assim, deixou-me em pulgas para tentar perceber o que terei escrito que o levou a pensar que preciso de ajuda para lidar com…pulgas.

8 de junho de 2012

Lamber etiquetas e colar

Hoje em dia, é pecado:
- Ser de esquerda e não passar fome.
- Ter uma linha de pensamento estruturada mas independente dos partidos.
- Ter princípios bem definidos e defendê-los sempre.

Quem se encaixar neste perfil está tramado. Vêm de lá os guardiões do livre pensamento, ou os militantes apaixonados, e começam a distribuir as suas etiquetas predilectas:
Os primeiros gritam - FORMATADO! Os segundos escarnecem - ESQUERDA CAVIAR! Esta ordem é, porém, arbitrária, e até pode acontecer que todos gritem tudo e ainda mais.

Para estes espécimes, quem fizer exatamente o mesmo sendo de direita, é apenas coerente.

Os que tenho mais dificuldade em entender são os do pensamento livre. Este, geralmente, é tão livre, mas tão livre, que nenhum fio condutor o consegue segurar.
Com as ilimitadas e brilhantes ideias atadas num nó górdio, acabam a escrever umas coisas e o seu contrário, continuando sempre, e afanosamente, a colar etiquetas na testa dos outros; desde que esses outros assumam posições de esquerda, claro.
Mas afinal, se virmos bem, lamber etiquetas e colar é um passatempo tão bom como qualquer outro.

7 de junho de 2012

Para quem vem chegando

Vieste um dia com o teu sorriso franco e leal, mas tímido, e eu gostei.
Anos passados, preparas-te para levar uma das minhas joias, e eu estou pronta para a deixar ir.

Não te faço um empréstimo, nem uma doação, antes te passo o testemunho, porque filhos são joias, sim, mas não são nossas; a vida apenas os pôs à nossa guarda, por breves instantes e, talvez, por acaso.

Cumpram-se então as leis da natureza, que ordenam que a energia nova substitua a que se foi perdendo.

Passo-te o testemunho com satisfação, por perceber que, ao encontrar o outro, e no percurso, cada um se encontrou um pouco mais.
Passo-te o testemunho com grande paz, por saber que cada um não estará só na longa estrada por percorrer.
Passo-te o testemunho também com alguma vaidade, porque as escolhas dos nossos filhos também refletem um pouco daquilo que somos, e no grande jogo de espelhos que vivemos os meus olhos gostam do que vêem.

Sei que cuidarás bem do que agora te passo; não porque ache que essa seja a tua missão, nada disso, mas porque como diz o Caetano, “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida.”

Cá te esperamos, neste clã às vezes um tanto tresloucado, pouco tímido, mas franco e leal como o teu sorriso.


6 de junho de 2012

O nosso homem da maratona

Eu oiço muito pouco do que diz o ministro Gaspar. Dá-me sono, e a “ficha” solta-se sem aviso. Não tem importância, porque depois os telejornais dizem-me mil vezes o que eu não ouvi, e tudo fica bem quando acaba bem.

Victor Gaspar parece-me um corredor da maratona, disposto a correr muito e durante muito tempo (já lá vai um ano) só para nos trazer más notícias.

Porém, há qualquer coisa de anómalo num ministro que vem, pressuroso, como na semana passada aconteceu, prever que, se agora o desemprego é grande, para o ano será pior, como quem diz - esperem para ver se não acreditam em mim.

Isto é esquisito, e é tal a correria que, às vezes, apetece-me dizer-lhe que pare um bocadinho, descanse e nos deixe descansar a nós.

É que temo que lhe aconteça o mesmo que ao guerreiro ateniense que correu 42 quilómetros para dar a boa-nova da victória sobre os persas e caiu mortinho à chegada.

Claro que haveria sempre uma diferença; o ateniense ainda conseguiu, antes de morrer, dizer “Vencemos”, coisa que, desgraçadamente, nunca ouviremos ao Gaspar.

5 de junho de 2012

Eu fui

Há na nossa vida um período, quase um hiato temporal, com o seu quê de estranho mas muito saboroso.
Quem tiver a sorte de lá chegar, viverá o tempo em que os filhos são adultos e independentes, mas ainda são jovens; esse jovens, por sua vez, olham para nós e, mais por actos do que por palavras, dizem-nos – tu ainda és jovem.
Por isso fomos, juntos, para aquilo que, seja qual for a forma assumida, pode unir e conciliar até o que parece de todo inconciliável – a música.
Neste caso era, especificamente, o rock já património de pelo menos duas gerações, o rock de Bruce Springsteen - trabalhador forte e incansável, amigo e companheiro de dias de glória ou queda, verdadeira força da natureza.
Cantar em coro, assobiar, beber uma cerveja, comer uma fartura, dançar, bater o pé, sincronizar o corpo ou levantar o punho num grito, de tudo isso se faz um concerto.
Dizem que estavam oitenta mil; eu digo que éramos oitenta mil e seis.
Nós éramos seis e, por todos os lados, cercavam-nos, para aí, uns oitenta mil.
Glory night.

4 de junho de 2012

Borges e Sachs e FMI e etc.

As histórias sobre António Borges que vieram a lume recentemente são várias e com narrativas também variadas.

Tentando separar factos de interpretação e de teorias da conspiração, apurei que, na verdade, António Borges ganhou, em 2011, enquanto esteve ao serviço do FMI, 225 mil euros livres de impostos.

Não tenho nada contra quem ganha bem; costumo até advogar que políticos e polícias, por exemplo, deviam ser bem pagos para serem menos permeáveis às tentações.

Acontece que, trabalhar para alguns organismos internacionais transforma as pessoas numa espécie de deuses que não se regem pelas regras dos outros mortais e, por isso, estão isentos de imposto - caso de Borges e Lagarde.

Acresce a isto que a arrogância que o poder do lugar lhes traz os torna execráveis, deixando-lhes “o coração ao pé da boca”, livres para dizerem tudo que lhes der na real gana.
Lagarde está-se nas tintas para as crianças gregas e Borges acha indispensável baixar salários em Portugal.

Quem ganha 225 mil euros por ano não faz a menor ideia do que seja viver o mesmo período de tempo com 6 ou 7 mil euros, mas também não quer saber, não pára para pensar, não quer imaginar, não quer pôr-se no lugar de, e muito menos quer saber se as suas palavras ofendem os mais fracos do seu país.

Por mim, também não quero saber se Borges é competente. Sobre isso há muitas dúvidas, e há até quem diga e escreva que foi despedido do FMI por incompetência. Além disso, a competência pela competência não me interessa nada; o que me interessa é a ideologia que o competente vai pôr em prática.

Também não quero discutir as suas ligações à máfia do Goldman Sachs, mas essas ligações deixam-me muito intranquila quando sei que tem em mãos o dossiê das privatizações que vão deixar o meu país mais pobre e permitem muitas negociatas.

Posso decidir enfiar a cabeça na areia e não querer saber de nada disto, mas um sujeito de 63 anos que não tem, ao menos, pudor nas palavras usadas, merece toda a minha desconfiança e antipatia.

1 de junho de 2012

Cosmópolis

Li, há poucos meses, a novela Cosmopólis, de Don DeLillo, sem fazer a menor ideia de que, com base nela, Cronenberg estava a fazer um filme; porém, agora que o filme chegou, não fico espantada.

Quando percebi que Cosmópolis foi escrita em 2000, antes da queda das torres de Nova Iorque e muito antes da crise financeira global – dois marcos importantes da contemporaneidade - impressionou-me a capacidade visionária de Don Delillo sobre a nossa sociedade e o desastre anunciado.

Não é um livro macio ou afável, antes um livro que incomoda mas também fascina. A um ritmo alucinante, a escrita leva-nos numa cavalgada demente por Manhattan, na pele dum jovem milionário que a atravessa dentro duma limusina.

O retrato quase grotesco do dia de Eric Packer numa cidade de que a loucura se apossou, fascina e ofende, provoca sorrisos de ironia e arrepios de medo.
Excesso, poder, ganância, desconstrução e apocalipse social, tecnologia, individualismo e efemeridade são manejados por DeLillo com enorme mestria neste livro.

Não posso estar mais de acordo com Salman Rushdie quando ele diz que DeLillo é o “poeta da nossa desumanização”.
Um livro que se recomenda (muito) para ler, e agora um filme que estou mortinha por ver.


Cosmópolis
Don DeLillo
Relógio d’Água, 2003


31 de maio de 2012

Resumo

Numa homenagem tardia a Fernando Lopes, que ele próprio decerto dispensaria, podemos resumir a conversa de Passos Coelho ontem no Parlamento sobre o tema das secretas com um simples frase:

 NÓS POR CÁ, TODOS BEM

É suposto podermos ficar descansados, não é?
Então porque é que não estou?

30 de maio de 2012

Um mix

Christine Lagarde está tão preocupada com as crianças do Niger como eu o estou com as da Quinta do Lago, e a tirada demagógica pró-África contra os gregos saiu-lhe mal.

Fico a olhar para aquilo e instala-se-me uma estranheza; aquela conversa  não é nem de macho nem de fêmea.

Christine Lagarde, como Margaret Tatcher, Golda Meir, Indira Gandhi ou Angela Merkel, tudo mulheres que chegaram ao topo na política, pertence a um género híbrido – cabeça de homem em corpo de mulher (preferências sexuais não cabem nesta observação, obviamente).

De Golda Meir, David Bem-Gurion chegou a dizer: “é o único homem do meu gabinete”.

As referidas senhoras só chegaram onde chegaram porque os homens as DEIXARAM chegar lá, cientes de que, uma vez no lugar, conseguem ser mais duras do que eles próprios.

Elas não são Mulheres na política, são um mix desagradável que, que eu tenha dado por isso, nunca trouxe ao mundo nada de realmente inovador ou, sequer, diferente.

29 de maio de 2012

O pior de nós

Por estes dias, um dos homens que mais vezes cruza o ecrã da minha televisão é o ex-espião Jorge Silva Carvalho.

Corpo avantajado e passada a condizer, coberto de fato completo “sem pregas no peito nem rugas no colarinho”, ele passa e olha fugazmente a câmara. Não sorri, mas também não está sério, antes dá um ar de homem sem angústias existenciais e senhor do seu (muito pequeno) mundo que, no entanto, parece entender como o mundo todo.

Quando ele olha a câmara de relance, aquele olhar faz tocar as minhas campainhas que alertam para “perigo”.

Ao longo dos seus 46 anos de vida, patita aqui patita ali, foi trepando na hierarquia do poder até se instalar no lugar que achou confortável – o lugar de toda a informação, que pode ser dada ou vendida, conforme a ocasião e o objectivo a alcançar.
Sem a menor noção do valor do Estado numa sociedade democrática, frio e calculista, exercitou a conjugação reflexa do verbo servir enquanto pôde, e o mais que pôde.

Não esteve, certamente, sozinho; usufruiu de muitas cumplicidades por parte daqueles que também almejavam o seu quinhão de poder e dinheiro num país minado por espertalhaços que medraram nas berças e desembarcaram na capital.

Ambicioso, venal, sem escrúpulos, este espião que veio do quente (Moçambique), e também gosta de usar avental maçónico, personifica exemplarmente o que de pior há em nós.


28 de maio de 2012

Ladeira da Boa-Morte




Numa das estradas de acesso à minha cidade há um troço chamado Ladeira da Boa-Morte

Não sei por que raio de associação só penso nisso desde que ouvi a troika dizer que “Portugal vai no bom caminho”.

25 de maio de 2012

Merkel com dores nos pés

Frau Merkel nasceu, cresceu e tornou-se adulta na ex-RDA, e isso não acontece impunemente. A minha geração também nasceu, cresceu e tornou-se adulta sob uma ditadura.

Porém, a minha geração lutou contra a ditadura, o que não me lembro de ter acontecido com a dela. Enquanto por aqui se organizaram lutas colectivas que abanaram o regime, a dissidência da Merkel limitou-se, segundo li há tempo numa entrevista, a conseguir não integrar a Stasi argumentando que era incapaz de guardar um segredo.
Mulherzinha esperta!

A sua fixação no défice zero, e na “casa arrumada” fazem-me pensar que o que ela acharia mesmo bom era um plano quinquenal para a Europa, controlado por ela mesma, com atribuição de medalhas, não ao trabalhador do ano, mas ao país do ano.
Aos alemães vendeu a receita das contas certas e castigo para quem o não conseguir, sem mais explicações, e eles compraram. Passaram todos até a dizer em coro que o óleo de fígado de bacalhau da chanceler era um muito bom óleo de fígado de bacalhau.

Agora que o discurso na Europa está a mudar, ainda que muito ligeiramente, e a senhora percebeu que vai ter que vender um produto um pouco diferente ao seu povo, começa a sentir um apertozito nos calos e precisa de “descalçar a bota”.

Segundo o JN, Merkel já ontem afirmou em Berlim:
“…a fragilidade de países parceiros do euro acabará por concorrer para a fragilidade da Alemanha. Citada pela Bloomberg, Angela Merkel disse, em Berlim, que a Alemanha só pode ser forte se os seus vizinhos estiverem bem.” (notícia aqui)

Ainda a ouviremos dizer muitas outras coisas, e não sei se vai conseguir “descalçar a bota”, mas lá que ela está com dores nos pés, lá isso está.
O que, não sei porquê, me provoca uma inusitada alegria.

24 de maio de 2012

O pensamento estratégico do Magnífico Reitor

A escola, e sobretudo a Universidade, para além de nos transmitir saberes teóricos, técnicos ou práticos sobre várias matérias, dá-nos, sobretudo, ferramentas para continuarmos a aprender ao longo da vida se assim o quisermos.
Todo o ensino, mas o universitário ainda mais, deve transformar a “massa mais ou menos bruta” que lá chega em seres com capacidade de raciocínio, pensamento estruturado, capacidade de análise das questões profissionais ou sociais que iremos encontrar pela vida fora.
Por via disso, a universidade deve formar seres pensantes e, também por via disso, seres livres, com capacidade de intervenção e decisão. É assim que se criam sociedades avançadas e prósperas.
E os professores que nos marcam, os que constituem um verdadeiro ganho no nosso percurso académico, são exatamente aqueles que são capazes de nos estimular o pensamento e que incitam à participação e opinião.
Sabemos que as universidades estão longe de ser aquilo que deviam ser, mas fiquei estarrecida com o apelo ao silêncio por parte do Reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos.
Disse ele:
"Acho que se estivéssemos seis meses todos calados, não criássemos mais problemas do que os que já existem e deixássemos as coisas correr, daqui a seis meses, trabalhando, veríamos que as coisas até evoluíram melhor do que o que pensámos". (notícia aqui)
Quem pensa que o silêncio é melhor que o debate de ideias, que o conformismo é melhor que a mobilização, que deixar correr resolve os problemas, não pode ser Reitor duma grande Universidade.
Não tenho por hábito pedir a demissão de ninguém, nem é agora que o vou fazer, mas apetece-me dizer:
Ó gente da Invicta, deixar esse homem no lugar nem parece coisa vossa mas, para começar, e com gentileza, podiam sussurrar-lhe ao ouvido o que está escrito na imagem ali de cima - Sólo los besos nos taparán la boca.


23 de maio de 2012

Já nem cínicos podem ser























Quem não frequenta as redes sociais provavelmente não viu este anúncio que por lá circula abundantemente e merece ser conhecido.
Ele é o retrato perfeito do desastre de país que é o nosso.

Pede-se arquiteto(a), que fale e escreva línguas, com viatura própria, muita disponibilidade, desenho 3D e Auto Cad, horário de trabalho de 10 horas por dia.
Oferece-se emprego por 6 meses, com o estímulo do governo, e um ordenado de 500 euros.

Para mim, é escravatura, para Passos Coelho deve ser uma oportunidade.
Melhor pagar para trabalhar do que não trabalhar de todo, certo?

Aos nossos governantes e empregadores assenta-lhe que nem um luva a frase: “Quando alguém deixa de usar a consciência, já nem sequer cínico pode ser.”

(“Bilhar às Nove e Meia”

Heinrich Böll)


22 de maio de 2012

Imprensa

Quem ontem à tarde passasse da leitura do Público online para o ionline tinha motivos para tentar lembrar-se do que bebera ao almoço.

O Público titulava ao cimo da página Peso dos impostos cobrados em Portugal em 2010 abaixo da média europeia; já o i dava destaque ao título

Portugal tem taxas máximas de IRS, IRC e IVA acima da média europeia

Desfeita a dúvida do almoço, verifiquei que o Público começa o artigo, e valoriza os dados de 2010, só começando a apresentar os dados de 2012 lá para meio do mesmo, sendo estes (2012) os únicos referidos pelo i.

Fui leitora do Público desde o primeiro número e durante muitos anos até que desisti dele. Não foi por acaso nem porque sim, foi porque o jornal deixou de corresponder às minhas expectativas e era frequente eu não entender os seus critérios editoriais, como ontem não percebi. Passei a comprá-lo apenas à 6ª feira e por causa o suplemento Ípsilon, mas também esse creio que tem os dias contados.

Aquilo está cheio de gente que faz música que não conheço nem vou conhecer, e parece cada vez mais direccionado para uma faixa etária que não é a minha, mas que também não compra o jornal. Critérios editoriais que continuo a não perceber.

Mas, a propósito destes, o que eu gostava mesmo muito de perceber um dia era o que se passou entre o ministro Relvas, a jornalista Maria José Oliveira e a direcção do jornal.
Gostava, mas acho que não vou ter sorte nenhuma.


21 de maio de 2012

Tralalá é já aqui

Os últimos dias foram, mais uma vez, alucinantes
Depois das confissões de grandes lavagens de negócios sujos, o querido Duarte Lima volta ao remanso do lar. Durma bem na sua caminha, rico.

Ainda me assustei com as histórias das Secretas mas passou-me depressa; se o governo não acha grave é porque, certamente, o não é, e eu também gosto de dormir descansada na minha caminha.

Além disso, aqui tudo passa depressa e a gente esquece; mesmo quando leva muitos anos, tudo acaba em bem.
Parabéns Isaltino.

Depois, o ministro Relvas pediu desculpa do que, afinal, diz que não fez.
Quanto aos SMS que Jorge Silva Carvalho lhe enviou, parece que “fumou mas não inalou”. Tudo má-vontade contra o ministro, como de costume.

Ainda veio o coiso do Álvaro, mas a isso nem liguei; mero lapsus linguae de alguém que anda estafadinho de tanto trabalhar para a economia e emprego. Tenham dó do Álvaro.

Entretanto, li o muito publicitado livro Viagem a Tralalá de Wladimir Kaminer. Levezinho mas muito agradável, coisa a que me sinto com direito de vez em quando. E por mais que o Wladimir queira dizer-me que o avião de Josef Beuys caiu em Tralalá, na Crimeia, eu continuo a achar que Tralalá é aqui mesmo.


18 de maio de 2012

A produtividade explicada às crianças nem-nem

Hoje, por conta das coisas que me aconteceram, e influenciada pelos recentes sucessos editoriais, apeteceu-me escrever, não um livro, mas umas palavrinhas sob o título “A produtividade explicada às crianças nem-nem, ou seja, nem de direita nem de esquerda”
Amiguinhos, isto por aqui funciona mais ou menos assim:

Se mandarmos fazer uma chave, é muito raro que ela rode na fechadura; geralmente temos que voltar à loja para dar “uma afinadela”,

Se chamarmos um operário ou técnico a casa, não falha que nos peça qualquer coisa; pode ser o martelo, o escadote ou a chave inglesa, e se não tivermos ele vai buscar e só volta quando deus quiser.

Quando chega a altura do IRS há um monte de telefonemas que é preciso fazer porque ninguém enviou os papéis que a lei diz que tem que enviar. Quando vamos buscar qualquer coisa no dia aprazado é muito raro que esteja pronta. Venha amanhã, pode ser?

Quando vamos a uma repartição pública, nunca vamos só uma vez porque falta sempre qualquer documento ou oficiozinho.

Se pretendermos contactar fulano ou sicrano ele está sempre em reunião; isso exige vários telefonemas mas alguma vez ele há-de atender.

Se se precisar preencher um formulário na internet, o servidor está sempre demasiado ocupado.

Daí, quando perguntamos a alguém “como está?” a resposta é, só pode ser, “vamos andando”. E podem acreditar que andamos mesmo muito.
Como vêem, amiguinhos, os números da produtividade que nos mostram são muito mentirosos, porque nós não paramos e andamos sempre cansados.
Sei que é assim, mas sobre as causas disto tudo nada digo porque só tenho umas desconfianças que podem nem ser verdadeiras, e eu não Minto, não Engano, não Ludibrio.

Quê, não sabem o que é “ludibrio”?
Meus queridos, perguntem ao avô porque o vosso pai deve estar em reunião e eu agora tenho que ir “afinar” a chave.