30 de março de 2012

Não, eu não vi a entrevista do PM

A razão por que não vi a entrevista é simples - não era o meu dia de usar cilício.

Mas li as notícias, e fiquei a saber coisas e a pensar nelas.

1 - No final da década, 24 milhões de chineses não encontrarão mulher para acasalar. Bem feito, não as matem à nascença.

2 - Portugal já está a arder (333 fogos na 4ª feira) e parece que, para tristeza do governo, a culpa não é da greve geral nem dos manifestantes.
Assim fica mais difícil, porque polícias eles têm, bombeiros é que não.

3 - O Papa esteve meia hora com Fidel Castro. De que terão falado? De doenças, como todos os velhos, acho eu; das artroses, da próstata e assim…

São bichos espertos. Este artigo devia ser de leitura obrigatória para os nossos governantes. Nunca se sabe o que pode acontecer com os primatas que habitam a ponta ocidental da Europa, mesmo sendo menos inteligentes que os macacos capuchinhos.


29 de março de 2012

Boas notícias

No mesmo dia, li nos jornais online que quem come chocolate tem menos peso e que as pipocas são uma boa fonte de antioxidantes.

Depois de a sardinha e o azeite terem sido canonizados após excomunhão, fico ansiosamente à espero do estudo que me vai dizer que as trouxas-de-ovos e a encharcada diminuem o colesterol, e que o chouriço cura a miopia.
Como eu não duro para sempre, agradeço que se despachem a fazer os estudos e a pô-los cá fora, a ver se ainda aproveito alguma coisa.
Andem lá com isso, rapazes.


28 de março de 2012

Viegas em cima do muro

Há políticos com sorte. Talvez por terem boas relações nas redações dos jornais, têm sempre aquilo que se chama “boa imprensa”.
É o caso de Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura.

Desta vez, o Expresso foi entrevistá-lo e devem ter combinado qualquer coisa do género – O senhor Secretário põe-se em cima do muro e a gente não o empurra.

Assim foi; os jornalistas não empurraram e, diga-se em abono da verdade, Viegas também não caiu sozinho. Daí resultou uma entrevista frouxa e desinteressante, que não enche nem vaza. Apenas um assunto me despertou o sorriso e o temor em simultâneo.

Sob o signo das várias Rotas turísticas abordadas, Viegas parece ter particular carinho pela Rota das Judiarias, que vai desenvolver, com o “coração” em Belmonte.
Sabendo que o Secretário de Estado se converteu ao judaísmo, não estranho o seu entusiasmo.

Mas, no final de entrevista, ele afirma:
“A SEC vai colaborar com o Ministério da Economia nos investimentos que já estão previstos. Falo da construção de um hotel desenhado por Frank Gehry (arquiteto de origem judaica), que já está aprovado e espera-se a resposta dele para desenhar a primeira sinagoga da sua vida. Se for assim, imagine-se o que isso significará.”

Eu fico logo a imaginar charters de judeus para Belmonte, sorrio à fixação do PSD em Frank Gehry, mas tremo só de pensar quem lhe pagará a sinagoga e o hotel.

Nota: imagem retirado do Expresso de 24 Março 2012

27 de março de 2012

Para quem ontem desenhou uma linha

Para D.
“Provavelmente lembras-te da famosa afirmação do início de Anna Karénina, na qual Tolstói, envergando os trajes de uma serena divindade aldeã e debruçando-se sobre o nada cheio de bondosa tolerância e calma benevolência, declara lá do alto que todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, ao passo que as famílias infelizes o são cada uma à sua maneira. Com todo o respeito devido a Tolstói, quero dizer-te que é o contrário que é verdade: as pessoas infelizes estão profundamente mergulhadas num sofrimento de convenção, vivendo uma rotina estéril de acordo com um de cinco ou seis clichés de desgraça já gastos. Ao passo que a felicidade é uma porcelana rara e preciosa, uma espécie de jarrão chinês, e as poucas pessoas que a conquistam desenham-na linha a linha, moldando-a ao longo dos anos, cada uma delas à sua imagem e semelhança, cada uma segundo o seu caráter, de tal modo que não há duas felicidades iguais.”

Amos Oz
A Caixa Negra
(prémio femina)
Q. Quixote, 2ª edição, 2012


Nota: na imagem, Desenho habitado de Helena Almeida, roubado aqui

26 de março de 2012

Cidadania, isso?

Isto da cidadania não é só para exercer quando se trata dos cocós dos cães!” Li estas palavras no Facebook.
Concordo com elas, e como até já aqui escrevi sobre "Beatas e cocós", enfiei a carapuça. Por isso ouso ir um pouco mais além no tema e naquilo que, no Facebook, originou as palavras citadas – a carga policial no Chiado.

A cidadania, em meu entender, exerce-se todos os dias, a todas as horas, em qualquer local. É transversal a todos os atos da nossa vida quotidiana.
Tal como a política, está em tudo.

Porém, pede-se no Facebook a identificação do apelidado “Valentão do Chiado”, aquele polícia que, na foto muito divulgada, está a bater na fotojornalista, e entende-se isso como um ato de cidadania – identificá-lo e, na melhor das hipóteses, castigá-lo, na pior talvez linchá-lo à bastonada. Ora, aqui não concordo; não acho que isso seja um ato de cidadania.

Os jovens fotojornalistas que foram para o terreno e foram agredidos, deviam saber que a polícia de choque tem o nome com ela, e quando intervém é para limpar o local, está cega, só obedece à ordem que recebeu. São assim todas as forças militares e paramilitares, sempre o foram. Quando aparecem, é bom que se fuja, seja-se ou não jornalista, porque ali já não estão homens – apenas máquinas bestiais treinadas para bater.

Identificar um polícia como alvo a abater, como se ele fosse causa e símbolo de todos os males da nossa democracia, pode ser um alívio para a raiva que vamos contendo, mas nada tem de exercício de cidadania.
Faz parte das regras do bom jogo democrático que protestemos sempre contra a violência policial mas, por aqui, nunca vi uma boa discussão democrática e cidadã sobre se queremos ter, ou não, um corpo de intervenção, qual o papel que lhe atribuímos e quais as suas baias, já que o pagamos.
Pedir a cabeça dum polícia (ainda que sádico) não é exercício de cidadania, é pura expressão de raiva, talvez mesmo de impotência, mas não deixa de ter um perigoso cheirinho de apelo à justiça popular.
Não, não vou por aí.

Nota: foto retirada do Facebook

23 de março de 2012

A greve geral, parte 2


Percorro o Facebook e vejo que é dado grande destaque aos incidentes com a polícia no Chiado.

Aquilo que me apetece dizer é que o dia foi bom, porque todos tiveram o que queriam. O governo fala tanto em prevenir tumultos porque, de facto, os deseja. Mostrar quem manda e “partir a espinha aos sindicatos”, qual Thatcher sem malinha, é o seu intento.

A polícia de choque nasceu para “molhar a sopa” e sempre atuou nos mesmos moldes, aproveitando agora para se vingar de agravos vários.

Os sindicatos nada tiveram que ver com a pancadaria no Chiado, mas sempre houve, fora deles, quem se dedicasse à provocação à polícia. Ouso até dizer que alguns quase iam meter a cabecita debaixo do bastão, como quem diz: bate aqui, bate aqui, eu quero ser a vítima e tu o brutamontes.

Porém, longe (felizmente) vão os tempos em que a maioria fugia a sete pés da polícia de choque porque ser apanhado implicava ir para à Pide e não, como agora, mostrar o sangue às televisões.

Nesses tempos sombrios também se aprendia a não responder às provocações dos infiltrados, porque sempre os houve e haverá.

Em suma, todos tiveram o que queriam – governo, polícia, plataforma 15 de Outubro e até as televisões. Só o Arménio Carlos não ganhou a taluda.

Ontem foi uma tarde terrível para a democracia portuguesa (como li por aí)? Ora poupem-me. Nos últimos anos todos os dias têm sido terríveis para a democracia portuguesa, só que o de ontem foi mais animado.

Não são os bastões que nos lixam, são as políticas.


A greve geral

A greve geral é a bomba atómica dos trabalhadores. Como tal, deve ser usada com parcimónia e muito cuidado, acho eu.
Na passada 4ª feira escrevi aqui que, face às políticas desenvolvidas por este governo, a imensa paciência dos portugueses parece não se esgotar nunca.
Como seria de esperar, ainda não foi com esta greve geral que ela deu mostras de se estar a esgotar.
Foi mais um dia de greve dos transportes, algumas autarquias, alguns trabalhadores do setor público.

Sem negar a absoluta necessidade de exprimir revolta e oposição, parece-me que esta fórmula está esgotada, e que os sindicatos deviam pôr os seus jovens a pensar em novas formas de protesto, mais imaginativas e adequadas à realidade que vivemos, com tantos precários e trabalhadores por conta própria para quem aderir a uma greve é um ato suicidário.

Tenho pena, mas acho que se está a banalizar a poderosa arma que pode ser uma greve geral, tornando-a assim improdutiva e repetitiva.

Assemelha-se à nossa morte – no dia seguinte vamos a enterrar mas cá em cima tudo continuará exatamente igual.

21 de março de 2012

Não é desespero, é estupidez

O DN noticia que a secretária-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), Bernadette Ségol, afirmou, sobre o incitamento à emigração jovem por parte do governo português, que o governo deve estar desesperado porque "é claro que se os jovens deixam os seus países, a sua força, as suas ideias e a sua capacidade para construir o futuro perdem-se".

Óbvio, não?
O que a senhora Ségol não sabe, porque não vive por cá, é que isto não é desespero, é estupidez, frieza, humilhação do povo que se governa, arruaça, delinquência.

Há um projeto político incendiário que chegou ao poder para impor a defesa da finança, do patronato e dos grandes interesses instalados, espezinhando, pelo caminho, toda uma população que nem pensa em defender-se, entregue que está ao seu ancestral fatalismo.

Morre de frio e de gripe, não vai ao hospital quando precisa, abandona a universidade, engrossa desde madrugada as filas dos centros de emprego, perde o trabalho e a casa, consegue um trabalho temporário com um salário de anedota, volta para casa dos pais, vende o ouro, pede ajuda às instituições de caridade para comer.

Tudo muda na sua vida, exceto esta imensa paciência portuguesa que parece não se esgotar nunca.
Por aqui, o velho lema “antes morrer de pé que viver vergado” vive-se ao contrário.
Passos e companhia sabem-no, e só por isso ousam uma afronta atrás da outra.


20 de março de 2012

O trabalho dá saúde

Os suíços fizeram mais um referendo.
A pergunta que nele se fazia era se queriam ter seis semanas de férias em vez de quatro.

A resposta foi NÃO.
Os suíços trabalham entre 45 a 50 horas semanais e um terço deles sofre de stresse no trabalho.

A passada utopia do futuro profetizava que os homens haveriam de trabalhar menos, ajudados pelas máquinas e que, com isso, seriam mais felizes.
A utopia, era utopia mesmo. Com as máquinas, cada vez um menor número de pessoas trabalha mais, deixando de fora uma grossa fatia de desempregados.

Quanto a serem mais felizes, não se sabe bem o que isso seria mas, pelo menos para os suíços, a felicidade não passa por mais tempo livre para si próprios, os seus hobbies, a sua família, o seu alívio do stresse.

Certamente muitos acharão louvável tal comportamento, e dirão que devíamos ser como eles, nós, os preguiçosos do sul.
Acontece que a maioria de nós ainda acha que há mais vida para além do trabalho.

Dou de barato que as seis semanas não seriam para gozar de seguida, e que melhorar as condições de trabalho seria mais eficiente na diminuição do cansaço.

Porém, recusar liminarmente mais tempo de férias num tecido social cansado parece-me mais uma aberração da sociedade que fomos criando, aquela em que muitos, cada vez mais, não sabem o que fazer com o seu tempo livre e, postos perante ele, também entram em stresse.

No país/lavandaria de dinheiro que é a Suíça, o povo quer é trabalhar muito.
Pois que continuem a contar as notas nos bancos, a bater o chocolate e a acertar os relógios.

Se o trabalho dá saúde, chegará o dia em que nem precisarão de férias nenhumas, e ficarão todos tão fresquinhos e viçosos como a Heidi e o avô lá no alto da montanha.

19 de março de 2012

Saudade





















Um cravo vermelho para o homem que me deixou há 26 anos e todos os dias me faz falta – MEU PAI.

17 de março de 2012

Potencialmente tóxico


Suponho que seja um novo e poderoso veneno. Vai estar à venda, engarrafado sob a forma de vinho, com o nome “Memórias de Salazar”.

Que ninguém diga que não foi avisado.

16 de março de 2012

Tiro ao Sócrates

A sensação que tenho é que o governo contratou uma empresa de marketing para nos entreter, sabe-se lá porquê (!)
Lá nessa empresa escolhida por adjudicação direta, reuniu-se o pessoal e fez-se o inevitável brainstorming.

Pensaram, pensaram e decidiram que o melhor e mais eficaz era chamar o Sócrates outra vez. Os jornalistas iam cair que nem patinhos.
Invadem então todo o “mercado”, esmiúçam, esmiúçam para nos dar circo.

Sai Sócrates sobre o Freeport – quantas vezes se pronunciou o seu nome na audiência? quantas?

Sai a licenciatura – os documentos estão quase, quase a ser entregues em tribunal. Quando?

Saem as contas da parentela em offshores – onde? quanto?

Sai uso de cartões de crédito pelos ministros de Sócrates – tinham? eh!, e usaram em despesas pessoais?

Vem Cavaco e dá uma ajuda pro bono à empresa de marketing  – Sócrates? nunca  houve ninguém tão desleal.

Retirando a cavacada, eu olho e penso com os meus botões – quem se mete com juízes ou magistrados, leva. Nunca é de mais lembrá-lo.
Ó deuses, eu só queria esquecer Sócrates, e o homem até ajudou; foi-se embora e ficou calado, mas eles não me deixam esquecer, aliás, não querem que eu esqueça.

O professor Marcelo bem me podia fazer um favorzinho lá numa das suas homilias dominicais, largando a sentença: parem com o tiro ao Sócrates!
Eu só quero esquecer. É pedir muito? Irra!

15 de março de 2012

Conheço um país II

Conheço um país, o nosso, em que o governo paga “rendas excessivas” às empresas de energia no valor de 4 mil milhões de euros. Foi dito pela troika que, para suportar os custos da eletricidade, havia que taxar as empresas produtoras e distribuidoras e não apenas os consumidores domésticos e as empresas. Que faz o governo? Despede o governante que acha que rendas de 4 mil milhões são excessivas assim nos mostrando, mais uma vez que a defesa e proteção dos grandes grupos económicos é para manter “custe o que (nos) custar”.

Nesse mesmo país, nos dias que correm, não se pode apresentar queixa em algumas esquadras da polícia porque não há como registá-las, visto que não há dinheiro para os tinteiros das impressoras. Nem para pequenos arranjos de centenas de viaturas. Nem para lhes mudar o óleo.

Acabou a tinta, sim, mas há cada vez mais “lata” para fazer tudo ao contrário do que se prometeu.

14 de março de 2012

Silêncio

Há dias, passou na RTP2 um filme com o nome “O meu amigo Michael ao trabalho”. Tratava-se de acompanhar a realização duma enorme tela de
Michael Biberstein, artista nascido na Suíça mas que vive em Portugal desde o final da década 1970.

Quando Michael entrava de manhã no ateliê sentava-se longamente diante da tela e observava o trabalho já feito.
O grande silêncio, a grande solidão do artista.
Do seu trabalho resultam telas que nos convidam também ao silêncio e onde, se nelas nos detivermos, podemos encontrar o sublime.

No Atual do Expresso de 3 de Março, Siza Vieira dizia:
"o nada, o aparente nada, às vezes é o mais importante, mas existe uma doença contemporânea muito grave que é o horror ao vazio.
O vazio, tal como o silêncio, provoca medo. Isso é algo de muito contemporâneo".

Rodeados que estamos de ruído visual e auditivo, escolhemos demasiadas vezes a fuga para a frente, para dentro dele, na esperança vã de fugir à grande solidão que a sociedade contemporânea toma por um grande mal, se não mesmo como um sinal de desadaptação.

Porém, a solidão, o vazio e o silêncio são as vias para a criação, o conhecimento de si, as descobertas, e o apaziguamento face a uma realidade cada vez mais dura.
Não se pode fugir do real, mas a forma como o encaramos e nos encaramos (e aos outros por arrasto) pode constituir mudança significativa.

Encontrar momentos de fuga do ruído, de todos os ruídos, ouvir o silêncio, morder o vazio, viver a solidão, continuam a ser actos decisivos e fundadores da nossa vivência para além dos ossos, dos músculos e das vísceras.
Seja isso o que for; a cada um, sua verdade. Ou dúvida.

Nota: na imagem, foto de tela de Michael Biberstein

13 de março de 2012

Guardemos um triplo para a avó do Mota Soares

Está agora ministro da Solidariedade e Segurança Social um moço simpático que gosta de Vespas e não foge das manifestações; enfim, um moço tão endiabrado como pode ser alguém que está no CDS desde o jardim-de-infância.

Dá pelo nome de Pedro Mota Soares.

O Pedro, para além da sua vocação assistencialista de que já deu provas, descobriu agora uma maneira de meter mais 10 000 idosos em lares sem gastar um tostão. Como? Ora, é simples – apertam-se um bocadinho.

Quarto onde estava um, passam a estar dois, e quartos onde havia dois, passam a estar três.

Tal e qual como um fabricante de salsichas poderia lembrar-se de nos dar um brinde metendo sete numa lata de seis.

A minha imaginação recusa-se a vislumbrar as noites passadas nos quartos com três idosos, um gemendo, outro tossindo, outro com insónias, ou, ou, ou…

Dir-me-ão que fazem companhia uns aos outro e se entreajudam. Pois!
Mas se o Pedro acha que é bom, e que criar assim 10 000 lugares é um avanço civilizacional, é porque é bom. Afinal, o ministro é ele.

Por isso espero que a sua avó ou avô, pais, tias e afins tenham à sua espera um quartinho triplo quando chegar a sua hora de entrarem para o lar, doce lar, para que possam provar a clarividência e bondade das políticas do seu iluminado descendente.

12 de março de 2012

Às malvas: Independência, República e Mortos

Já tínhamos percebido, estarrecidos, que o Papa também manda aqui no protetorado, mas, por mim, apesar de escandalizada, achei que aquilo era mais um assinar de cruz do que outra coisa. Puro engano.

Sua Santidade acha que o feriado de 15 de Agosto, que costumamos dedicar ao deus Sol, feiras, festarolas e arraiais, é mais importante que o de 1 de Novembro e, por isso, talvez se faça a troca.

Sua Santidade lá sabe aquilo que é melhor para a nossa alma.

Assim à primeira vista, eu diria que faz bem à alma de milhares de portugueses irem ao cemitério (no dia 1 de Novembro, por ser feriado, e não no dia 2 como marca o calendário) com as suas flores, vistosas ou campestres, aos molhos ou solitárias, modo de dizer aos seus mortos que ainda não foram esquecidos.

A Igreja portuguesa deve pensar como eu, mas Sua Santidade, que não é de cá e só nos visitou como um rei, com grande estilo e recursos, não sabe nem quer saber nada desta gente humilde que homenageia mortos.

Vai dai, se bem calhar, vai-se o dia que lhes dedicamos e fica o da tal Assunção que poucos sabem quem é. Por mim, não conheço essa nem nenhuma outra com o mesmo nome.

Apetece dizer - valham-nos Todos os Santos, mas parece que por agora, para os portugueses, nenhum está de serviço ou com disposição.