25 de agosto de 2011

Sumário




- A Madeira está falida, de propósito, para a gente pagar. lol
- O Relvas contratou um feroz comunista do blog 5Dias.net e este aceitou para ganhar dinheiro mas afinal vai perder dinheiro. Os bloggers andam todos à porrada, ou melhor, ao insulto, por causa disso. lol
- TGV outra vez? Sim, não, talvez, quem sabe? lol
- Amorim diz que não é rico, é trabalhador. lol
- Passos não tem conta bancária. E só tem um utilitário. lol
- Mário Crespo foi convidado para Washington mas afinal não foi convidado. lol
- Seguro desapareceu para parte incerta e o PS nem oferece alvíssaras. lol
- Notícia mesmo séria: o Miguel Bombarda fechou.

24 de agosto de 2011

Já sei onde é que a Moody's desembarcou

Acho que já percebi porque é que a Moody’s nos classificou como lixo. É que eles, à chegada, desembarcaram no terminal rodoviário de Sete Rios.
O espaço foi inaugurado, como provisório, claro, em 2004 e desde aí ninguém mais lhe ligou peva.
Quem é que, até aqui, viajava de autocarro? Os pobres, claro, e para esses, geralmente feios, porcos e, às vezes até maus, qualquer coisa serve.
Tudo parece intocado naquele local, excepto pelo tempo. Papeleiras e cinzeiros, ao fim de 7 anos a servir mais de 7000 pessoas por dia, apresentam-se coxas do reumático, com muitas manchas na pele, queimaduras de primeiro grau e problemas sérios de coluna. Lá para o fim do dia o lixo é tanto que elas se recusam a engolir mais e os cinzeiros, vítimas de transeuntes apressados, fumegam como chaminés de siderurgia. Ao mesmo tempo, os ecrãs de chegadas e partidas podem  entrar em descontrolo emocional sendo possível ver que um autocarro com chegada prevista para as 19h45 às 17h30 já CHEGOU.
O linóleo do chão do bar foi entregue a um pintor revivalista da Op art e, o dito bar, apesar de amplo, apresenta apenas quatro raquíticas mesas altas onde ninguém se pode sentar, não vão os estafados passageiros pensar que estão nas Docas. Na casa de banho das senhoras, o dito pintor Op também fez o seu trabalho no linóleo; além disso, cada torneira tem seu estilo, mas em comum têm o facto de todas pingarem sem interrupção. No tecto, falta um painel, pelo que, enquanto se espera na cordata fila, podemos admirar os píncaros do imóvel; quanto aos autoclismos, trabalham por turnos.
Fantástica mesmo é a sala de entrada. Muito ampla e luminosa, serve as bilheteiras e os WC, e não serve para mais nada, visto que não há um único lugar para sentar; com aquele tamanho suponho que não se pode sentar mas pode-se andar de patins. Passageiro está cansado e carregado? pois sente-se na rua, desfrutando a clemência deste clima, ou bem juntinho aos autocarros a respirar o fumo dos escapes. Mas, mesmo aí, atenção, nada de puxar do cigarrito que não se quer cá a estação poluída.
Ó senhores da gestão daquela coisa, sabemos que para pobre “bacalhau basta”, mas eu tenho a certeza que a Moody’s entrou por ali, ou não nos teria classificado como LIXO.
E eles podem voltar.

23 de agosto de 2011

O óbvio e o menos óbvio

Ao fim de 37 anos de democracia, o voto dos portugueses tornou-se mais ou menos previsível a cada acto eleitoral.
Quando, no dia 5 de Junho foram mais uma vez chamados a votar, a sua vontade de mudança era tão grande que, previsivelmente, a maioria optou pelos partidos que, com toda a certeza, garantiriam essa mudança; outros, incapazes de pôr a cruz em partidos com que não se identificam, mas desejosos de mudança e estabilidade, escolheram o voto em branco, conscientes de que o resultado seria o mesmo. Esqueceram esses que também na mudança os fins não justificam os meios, e que a estabilidade pode ter um alto preço ou não se traduzir em nada mais que uma paz social muito podre.
Mas mudar era imperioso; porém, os portugueses não perceberam, julgo que até hoje, que o PSD de Passos não tinha nada que ver com o velho PSD, esse sim, seu velho conhecido. Pois se até o velho professor Marcelo, tão perspicaz e inteligente, continua a comentar o governo como se ele fosse constituído pelo velho PSD…
Com o país ainda de férias, só mais lá para a frente a maioria será confrontada com as (poucas) medidas já em vigor e as (muitas mais) que aí vêm. A título de exemplo vale a pena referir que, hoje, 5 euros não dão para mais que duas viagens ida e volta de Metro.
Este governo, eleito com o voto desesperado dos portugueses, vai destruir o que levámos 37 anos a construir.
Com a sua fúria de ser mais duro e rápido (mas sempre com os mesmos) que a troika, vai levar os portugueses à penúria e a um passado que as novas gerações desconhecem.
Quem dera estar enganada, mas acho que é só esperar para ver.
 



22 de agosto de 2011

João Penalva no CAM

“Trabalhos com texto e imagem” é o nome da exposição antológica de João Penalva que o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian exibe até 9 de Outubro de 2011.
Constituída por fotografias, vídeos, textos, pinturas, esculturas e instalação, nela vamos descobrindo as múltiplas facetas dum artista a quem nenhuma forma de expressão é estranha. Bailarino, pintor, actor, escritor, tradutor, gráfico, curador, cineasta, fotógrafo, poderia ter sido também escritor, porque aqui encontramos também um bom narrador e contador de histórias (reais ou imaginadas), que até nos podem fazer rir: eu ri, e ouvi um jovem que estava por perto dar umas boas gargalhadas.
Porém, visitar esta exposição que ocupa todo o CAM, excepto a Galeria -1, exige tempo, muito tempo, porque não se trata apenas de ver, mas também de ler.
Ouso por isso dizer que o tamanho desta exposição é quase um absurdo.
Por mim, estive lá duas horas e só vi uma parte. Com muita pena minha, que gostaria de ter visto mais, as pernas disseram-me para ir embora, e eu fui. Pelas minhas contas, para ver e ler tudo, precisaria de lá voltar ainda umas três vezes. A quatro euros cada vez…é fazer as contas, como dizia o outro.
Quem quiser ficar-se por uma única visita, dependendo da sua condição física e do número de vezes que vai ao ginásio, pode ficar com um visão maior ou menor do excelente trabalho dum dos nossos  mais internacionalizados artistas.
O catálogo que acompanha a exposição não desmerece; com abundantes reproduções, tem textos em português, inglês e dinamarquês de Rachel Withers, Bruno Marchand e João Nisa (cinema).
Preço, 40 euros.
Enfim, luxos.




20 de agosto de 2011

Um bom conselho

Não recomendo o deserto ao viajante que já tem o deserto dentro de si. Não há pior encontro. Para sobreviver emocionalmente ao deserto é necessário um grande cantil emocional de interesses, afectos, curiosidades e planos de futuro. Se vamos frágeis e vazios de significado para esse encontro, podemos não aguentar.
Gonçalo Cadilhe, Expresso, Única, 13/08/2011
                                                       

19 de agosto de 2011

Vestido novo

O blogue tem, a partir de hoje, um vestido novo, sujeito a novos acertos.
Espero que gostem!

Lisboa na Rua


Uma boa iniciativa que os lisboetas acolhem com agrado e boa participação. Imagens de ontem ao fim da tarde no Largo S. Carlos com a Orquestra Jazz de Matosinhos.
Aproveitemos.




18 de agosto de 2011

Ó Mourinho

 

Mourinho é um português de sucesso; Mourinho é um dos portugueses mais conhecidos no mundo; Mourinho ajuda a levantar o ego de muito português injustiçado, mas Mourinho está cada vez mais arruaceiro. Ó Mourinho, tem lá calma, pá, que para pior já basta assim e tudo o que a gente não precisa agora é de ver um português a levar um puxão de orelha dum espanhol depois de lhe teres metido o dedo no olho.
Haja paciência! E, já agora, maneiras







17 de agosto de 2011

Ana Vidigal – “the brain is deeper than the sea”.

Pode-se gostar de arte e de visitar exposições, mas ouvir os artistas visuais a falar do seu trabalho é, à partida e garantidamente, uma experiência que vale a pena ter.
O Museu do Chiado, que no primeiro semestre deste ano aumentou em 63% o número de visitantes em relação ao mesmo período do ano passado (nem tudo são más notícias), tem a decorrer um programa a que chamou “Outros Olhares, Novos Projectos”. Convidou vários artista para que cada um escolha uma obra do museu e produza outra para com ela dialogar.
Neste momento, o olhar e o projecto são de Ana Vidigal, que escolheu o quadro de José Malhoa, “Praia das Maçãs”. Colocou-o em confronto com grandes impressões a jacto de tinta de páginas do seu próprio álbum de fotografias da infância passada na mesma praia, e feito pela sua mãe. Na adolescência, Ana Vidigal retirou as fotos e distribuiu-as pelos amigos, pelo que agora vemos apenas as palavras escritas pela mãe, legendando as imagens, e os cantos que seguravam as fotografias. No texto que acompanha exposição, escrito pela artista, lê-se:


“Mostrar o vazio. Mostrar aos outros que o cérebro, a memória e o que cada um inventa para a sua própria “história” é muito mais profundo que o mar. Ver está muito para além do (nosso) olhar.”


Tudo isto e muito mais explicou Ana Vidigal numa conversa com os visitantes, na sua maneira simples, despretensiosa, directa, fluida, por vezes irónica. E, sendo a ironia um traço característico de Ana Vidigal, não se estranha o subtítulo por ela escolhido (projecto ana/malhoa) que primeiro se estranha e depois diverte. A exposição completa-se com uma fotografia actual do local pintado por José Malhoa e com a frase do poema de Emily Dickinson “the brain is deeper than the sea”. Uma vez que não há anúncio de mais conversas destas, quem visitar a exposição precisa absolutamente de ler o texto citado, escrito pela artista, e que se encontra disponível à entrada do espaço expositivo.

14 de agosto de 2011

Domingo com Tejo e tudo

Ao contrário de muitos, não me incomoda que o comércio da Baixa e Chiado esteja fechado ao domingo, sobretudo se for verão. Comércio aberto convida ao consumo, atrai para si mesmo e distrai de tantas outras coisas que, na pressa dos dias, nem notamos.
Domingo de verão na baixa de Lisboa é dia vazio de autóctones, a não ser os que vão para a missa na igreja dos Mártires, e as ruas são deixadas aos turistas. Há-os de todas as idades mas geralmente são jovens, com as suas mochilas, calções, saias largas, sandálias em pés sujos, guias na mão, fotos por tudo e por nada, risos de tudo e de nada, e linguajar em múltiplas modulações.
Os bancos á sombra das árvores no largo do S. Carlos convidam a sentar, e o convite é aceite; subitamente reparo, e pela primeira vez VEJO, a horrível escultura que se perfila diante da bela e harmoniosa fachada neoclássica do Teatro S. Carlos, junto ao prédio em que nasceu Fernando Pessoa.
Olhei-a de todos os lados, girei para a direita, para a esquerda, fui pelas costas e subi pela frente, e não mudei de opinião – horrível.
Então, investiguei
O seu autor é Jean-Michel Folon, artista belga já falecido; foi comprada pela autarquia lisboeta em 2001, andou por aí, até que em 2008 foi colocada onde agora esbarrei com ela. A coisa não é má, é péssima - uma figura de homem em bronze, hirta, com os braços atrás das costas e um livro enfiado na cabeça (e em vez dela). Na capa do livro está escrito Pessoa, e na contracapa Lisboa. O conjunto é assustador. Virei costas e continuei o caminho pela Rua Serpa Pinto abaixo, donde logo vislumbrei o rio com o seu azul limpo, puro, luminoso e mediterrânico.
Nesse exacto momento, perdoei a todos os Folon deste mundo.

11 de agosto de 2011

Nem preto, nem branco

A blogosfera e os jornais estão cheios de comentários sobre os acontecimentos de Londres. Para uns, os jovens devem ser desculpados porque a culpa é do “sistema”; para outros, são pura e simplesmente uns criminosos, desordeiros e ladrões.
Como se sabe, nada é só preto ou só branco e por isso eles são criminosos, desordeiros e ladrões, sim, mas o “sistema” também tem a sua dose de culpa.
Alguns serão toda a vida apenas criminosos, desordeiros e ladrões, porque essa é a sua natureza, e há disso em todo o mundo, outros serão apenas fruto dum multiculturalismo falhado, dum capitalismo de casino e sem vergonha, de políticas em que o futuro e a esperança não entram.
Por isso repito: a Europa deve estar preocupada com a selvajaria mas também com a raiva que nidificou no seu seio. E se não pode, de todo, viver sem os emigrantes (e as suas 2ª e 3ª gerações) tem que cuidar deles como dos seus.
O que aconteceu em Londres foi aterrador, com muitos protagonistas destituídos de quaisquer normas de conduta ou cidadania mas, por todo o mundo, jovens com causa saem à rua e enfrentam o poder, como está a acontecer no Chile ou em Israel.
Sim, o futuro já não é o que costumava ser e a insegurança e falta de perspectivas generalizadas só podem tornar cada vez mais frequentes cenas como as que vimos em Londres, pregados à cadeira em frente ao televisor.

9 de agosto de 2011

O elevador

O elevador do hotel da praia é uma espécie de Arca de Noé dos tempos modernos.
“Sobe que sobe, desce que desce”, sempre carregando gente no seu bojo, mas também tralhas, aromas e estados de alma
Pela manhã, o elevador transporta restos de sono e sonhos vestidos de calção, t-shirt e sandálias. Geralmente não tem cheiro, mas pode pairar no ar um subtil aroma a sabonete.
Ao longo do dia carrega homens, mulheres, velhos, novos, crianças de todos os tamanhos, mas também sacos de praia a abarrotar de “coisas”, toalhas, sombrinhas, cadeiras, colchões, carrinhos de bebé, cadeiras de rodas, baldes, pás, chapéus. Enfeita-se então de fato de banho ou biquíni, saída de praia, óculos de sol e chinela no pé. Cheira a sal e sol, protector solar e suor.
Leva sempre muitos, apertadinhos uns contra os outros; quase se pode apalpar a claustrofobia, o mal-estar ansioso, o desagrado pela excessiva proximidade de corpos estranhos, a sufocante ausência de espaço vital, o cansaço e o silêncio.
Ao pôr-do-sol o elevador desce já lavado; jovens de cabelo ainda molhado, senhoras bem penteadas (como o conseguirão?).
No ar misturam-se aromas de todas as águas-de-colónia da moda, e veste-se com vontade de parecer bem.
De noite, volta a subir e a cheirar de novo a sono e sonhos, mas também a sexo, álcool, erva, azia e escaldão.
Por umas horas, descansa.
Para logo recomeçar o seu interminável “sobe que sobe, desce que desce”.

8 de agosto de 2011

Estado-providência

O Estado-providência, em suma, nasceu dum consenso transpartidário do século xx. Foi implementado, na maioria dos casos, por liberais ou conservadores que haviam entrado na vida pública muito antes de 1914, e para quem o fornecimento público de serviços médicos universais, pensões de velhice, subsídios de desemprego e doença, educação gratuita, transportes públicos subsidiados, e outros pré-requisitos de uma ordem civil estável, representavam não o primeiro estádio do socialismo do século xx mas o culminar do liberalismo reformista do fim do século xx.
…os Estados-providência “socialistas” do século xx construíram-se não como uma guarda avançada da revolução igualitária, mas para proporcionar uma barreira contra o regresso do passado: contra a depressão económica e o seu resultado político polarizador na política desesperada, tanto do fascismo como do comunismo. Os Estados-providência eram portanto Estados profilácticos. Foram concebidos de forma muito consciente para responder ao anseio generalizado de segurança e estabilidade…
Graças a meio século de prosperidade e segurança, no Ocidente esquecemos os traumas políticos e sociais da insegurança em massa. E assim nos esquecemos do porquê de herdarmos esses Estados-providência, e o que os justificou.
Retirado de:
O Século XX Esquecido
Lugares e Memórias
Tony Judt, Tradução de Marcelo Felix, Edições 70, LDA., 2010

Está na hora de recordar ou aprender, digo eu, agora que tudo aponta para um regresso ao passado. O Estado-providência não foi uma boa invenção de políticos dados à caridade e que os estados hoje já não podem suportar; foi terapêutica profiláctica contra males, para nós inimagináveis, mas que nos espreitam de novo.

5 de agosto de 2011

E Pitta anima a silly season

Conhecido bloguista foi a Roma passar uns diazitos e comemorar 1 ano de casamento.
À chegada aqui à parvónia (ou será que reporta ainda de Roma? pelo menos ameaça com um continua), num post a que chama Férias Romanas 1, faz o relato pormenorizado de hotéis, cafés, esplanadas, preço de chá e bolo, dá nota a restaurantes numa escala de zero a vinte, escolhe a geladaria da sua preferência, analisa a “canalização” das empregadas da casa de chá achando-a em pior estado que a das freiras que viu no Vaticano e vai por aí fora até ao já anunciado jantar comemorativo. Termina nesse ponto para, segundo ele, “evitar provocar urticária à matilha soixante-huitard.”
Ó Eduardo, eu se calhar pertenço à matilha, mas olhe que urticária provoca-me o Sol, que é uma Estrela.
Posts destes mandam-me directa para o Kompensan.

Escalas do Levante

Quando me apetece um livro que me agarre desde a primeira frase e me envolta até ao fim, posso escolher vários autores, mas um valor seguro que nunca me desilude é Amin Maalouf.
Grande escritor e superlativo contador de histórias, libanês por nascimento e francês por adopção, faz como nenhum a ligação histórica e cultural do oriente/ocidente. As suas personagens corajosas, às vezes trágicas, são carregadas de humanidade e em todas podemos encontrar um pouco de nós
Neste livro, na página 170, encontrei uma frase do personagem principal que sabe bem ler nos tempos que vivemos – Mesmo quando não se vê luz ao fundo do túnel, é preciso continuar a acreditar que há uma luz, e que ela surgirá.
Quem não gosta duma boa história, ainda por cima bem contada?
Recomenda-se:
Escalas do Levante
Amin Maalouf
Difel

4 de agosto de 2011

Refugiados 2

Ouvi ontem dizer num telejornal que, actualmente, existem no mundo 44 milhões de refugiados.
O número é brutal mas António Guterres, Alto-comissário da ONU para os Refugiados, disse que este estava a ser um bom ano porque os países vizinhos dos emissores de refugiados (países árabes, sobretudo) estavam de fronteiras abertas e com boa colaboração, ao contrário da Europa.
Acrescentar o quê? Já aqui escrevi sobre isso e os Anders Breivik deste nosso velho continente mostram como é forte a nossa tendência para escolhermos os caminhos das trevas já bastas vezes trilhados.

3 de agosto de 2011

Dúvidas climáticas

Desde 2006, quando Al Gore apresentou Uma Verdade Inconveniente sobre as alterações climáticas, a paranóia tem vindo em crescendo na retórica, e quase exclusivamente na retórica.
Não duvido que podíamos ser muito melhores zeladores desta casa que a todos aloja e que se chama planeta Terra, mas parece-me que muitos vão ganhando bom dinheiro com a questão ecológica que se transformou, por um lado em medo (mais um medo), por outro em moda, e por outro ainda em negócio rentável.
Sempre me pareceu que o Homem, nos seus infinitos sonhos de grandeza, se considera muito mais importante do que aquilo que de facto é, talvez por ter sido tão marcada por Carl Sagan, que foi a primeira pessoa a dizer-me que nada mais somos que pó de estrela.
A revista Única do Expresso desta semana traz um interessante entrevista com Luís Carlos Molión, climatologista brasileiro, que vai bem mais longe que eu no seu cepticismo. Afirma ele que os responsáveis pelas alterações climáticas (que não são de agora, mas de sempre), são os oceanos e o sol, e que a terra vai arrefecer nos próximos 20 anos.
Quando lhe é perguntado se não há influência da actividade humana nas alterações climáticas da Terra responde que não, porque apenas 7% da superfície da Terra é manipulada pelo homem, e este apenas modifica o ambiente local em que vive.
Eu prefiro ter dúvidas a ter medo, detesto fundamentalistas de qualquer causa e penso – talvez Molión não tenha razão mas, e se tiver?
Bom, se tiver ninguém lha dará. Os negócios iniciados devem continuar, tal como o medo, não muito palpável mas já bem instalado, que sempre torna os homens mais pacíficos e acomodados.

2 de agosto de 2011

Liberdade

Quando se pretende vender alguma coisa com o artigo O em vez de UM, geralmente é conversa manifestamente exagerada.
Vem isto a propósito do romance Liberdade de Jonathan Franzen, lançado com grande estrondo em Abril deste ano. Quando em 2001 li Correcções do mesmo autor, achei que era um bom romance mas nunca mais ouvi falar em Franzen. Percebo agora que levou nove anos a publicar de novo e talvez com a pretensão de escrever O grande romance americano do século XXI.
Conseguiu-o mas apenas em tamanho; quase 700 páginas com a vida duma família americana na era Bush. Se tivesse menos 300 páginas não se teria perdido nada, ouso até pensar que seria mais difícil de realizar e mais estimulante para o leitor.
Lê-se com agrado mas está longe de ser um livro que nos fique na memória por muito tempo. Quanto a mim, também não cumpre o objectivo de Franzen em tocar o que, numa entrevista ao jornal brasileiro O Globo, classifica como o leitor ideal - alguém que “anda por aí sentindo que todo mundo parece saber o que fazer, menos ele, que todos estão seguros enquanto ele está cheio de conflitos, e que ninguém parece incomodado com as coisas que o incomodam”.
Um leitor assim sabe, mesmo sem ser cínico, que os finais felizes como o que o autor escolheu geralmente só acontecem nos filmes de domingo à tarde.
Mas, mesmo assim, vale a pena ler.

Ed. D. Quixote, 2011

1 de agosto de 2011

Ponham os olhos no Viola e metam a viola no saco

Deu-me a curiosidade para ir espreitar aqui as nomeações do governo para a Secretaria de Estado da Cultura.
Ao todo são 10 nomeações, menos que para a Caixa Geral de Depósitos, o que se percebe – cultura é cultura, Dinheiro é Dinheiro e não há cá comparações possíveis.
Foram nomeados:
3 Secretárias
2 Especialistas jurídicas
4 Colaborador/Especialista
1 Motorista
Tudo mais ou menos normal, se não se desse o caso de um colaborador/especialista ganhar 474,12€ e os outros três ganharem todos um pouco mais de 3000€.
Será especialista de quê, para ganhar tão mal, coitado? Se calhar do sabonete a usar nos WC.
Em compensação temos um motorista que deve ter abandonado a Fórmula 1 para conduzir o Viegas; é que o rapaz, de 21 anos, vai ganhar, como ordenado-base obviamente, 1866,73€.
Chama-se André Viola e é um exemplo para toda essa juventude que para aí anda a dizer que está à rasca. Vá, meninos, ponham os olhos no Viola que certamente foi à luta, não se acomodou, foi criativo e empreendedor, e por isso teve o justo prémio.
Ah, houvesse muitos Violas neste país e nem teríamos cá troikas nem coisas dessas com nomes esquisitos.