17 de maio de 2011
Correcção
Sérgio Lavos limitou-se a transcrever e apoiar o post a que me refiro anteriormente, sendo este da autoria de Luís Januário
Disse puritanismo?
Sejamos claros – não sabemos, de facto, se é culpado do crime de que é acusado.
Mas sejamos também lógicos – não é a primeira vez que sofre esta acusação; é fumo a mais para não haver fogo nenhum. No caso de ser culpado, pergunta-se: o que leva um homem com o seu poder e estatuto a comportar-se como um marginal, deitando a perder o seu nome, família e futuro profissional?
Não me parece que haja nele apenas um sentimento de impunidade trazido pelo poder; ele sabe que o mundo, e sobretudo os EUA, hoje não fecha os olhos a estas situações (é só ver o caso de Roman Polanski), o que, diga-se, não desculpa o modo absolutamente repulsivo como se tratam por lá os presos, roubando-lhes toda a dignidade mesmo antes de serem julgados, como se todos fossem assassinos prontos para mais um acto tresloucado.
Neste caso como noutros, acredito, sim, numa distorção da personalidade que empurra constantemente para o abismo, retirando satisfação do perigo, da própria violação e do ilícito.
Porém, se o violador comum não tem grandes possibilidades de perceber a urgência de tratar o seu distúrbio, o mesmo não se passará, certamente, com Dominique Strauss-Kahn.
Homem do mundo, inteligente, já muito maduro, com meios financeiros, se não se tratou foi porque não quis. Salvaguardando sempre a possibilidade de estar, de facto, inocente.
Sérgio Lavos escrevia ontem no Arrastão: “o puritanismo hipócrita exulta”. É pena que não perceba que não se trata da vida íntima de cada um, como no caso Clinton, e com a qual nada temos. A existir culpa, trata-se de crime, e dos piores, do ponto de vista feminino. É uma coisa que não deve passar despercebida a um homem de esquerda.
16 de maio de 2011
Gostos simples
A crónica de Luís Filipe Borges no Sol online de 9 de Maio intitula-se Dulinesca, tal como o livro de Enrique Vila-Matas que também eu ando a ler.
Foi o título que me chamou a atenção. A certa altura, o cronista faz algumas piadas sobre as razões porque não acompanhou a transmissão televisiva do casamento real britânico.
As piadas não são nem de bom gosto nem verdadeiramente têm piada; prendem-se com a urgência do corte de unhas dos pés, de limpar a caixa do gato ou de contar carros encarnados. Quanto ao humor, estamos conversados.
Acrescenta, de seguida, que o mundo deve estar louco para tantos milhões ficarem a ver aquilo e diz “Somos, definitivamente, uma sociedade anestesiada por décadas de futilidade e entretém vazio.”
É verdade, mas não se aplica aqui.
Sempre me lembro de, quando era jovem, todas as mulheres da vizinhança irem para o adro da igreja para ver a noiva (e o resto, claro), quando se casava alguém que conheciam. Muitas entravam na igreja e, mesmo ficando ao fundo, assistiam a toda a cerimónia e festejavam a saída dos noivos como os convidados.
A realidade que permanece até hoje é que o povo sempre gostou de festa, pompa e ostentação de riqueza.
Porque pensará Luís Filipe Borges que, por exemplo, a Igreja Católica mantém a sua liturgia quase inalterada em 2000 anos?
Simplesmente porque o rito, a grandeza, o cerimonial, a pompa e circunstância, sempre atraíram e fascinaram. E assim continua, malgrado alguns jovens ainda não terem percebido isso e acharem que desdenhar dos gostos simples de gente simples é cool.
14 de maio de 2011
13 de maio de 2011
País macho
Relação do Porto absolveu psiquiatra com argumentos muito polémicos.
O Tribunal da Relação do Porto absolveu o psiquiatra João Villas Boas do crime de violação contra uma paciente sua, grávida de 34 semanas, que estava a ter acompanhamento devido à gravidez.
Segundo a maioria de juízes, os actos sexuais dados como provados no julgamento de primeira instância não foram suficientemente violentos. Agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituíram actos susceptíveis de ser enquadrados como violentos.
DN online
Segundo a maioria de juízes, os actos sexuais dados como provados no julgamento de primeira instância não foram suficientemente violentos. Agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituíram actos susceptíveis de ser enquadrados como violentos.
DN online
Velha e matreira
Eu costumava achar que a Europa era a melhor parte do mundo para se viver, apesar de lhe reconhecer manhas de velha senhora interesseira e manipuladora.
Começo agora a achar que a senhora perdeu toda a vergonha, e, para além de se esforçar por desunir a família e ficar sentada a ver a casa arder, tornou-se ainda mais exímia e refinada na arte da duplicidade. Parece já não ser uma senhora mas apenas uma velha meretriz a soldo. É só ler esta notícia do ionline
Sanções da UE à Síria excluem presidente.
A lista dos nomes do regime sírio que serão alvos de sanções pela União Europeia foi ontem divulgada, em Bruxelas, e exclui o presidente do país, Bashar al-Assad. Sob condição de anonimato, um diplomata disse à AFP que "não há consenso sobre se Assad virá a ser incluído" na lista, composta por 13 nomes de nomes importantes do regime sírio, entre elas um irmão e um primo do líder sírio.
(continua)
Mulheres na China
O Público de dia 6 de Maio, no seu caderno P2, trazia um interessante artigo sobre Xinram, jornalista chinesa, e o seu livro Mensagem de uma Mãe Desconhecida (Bertrand), em que tenta responder a uma pergunta simples (ou talvez não), feita por si e por milhões de outras mulheres chinesas – “Porque é que a minha mãe não me quis?”.
Há na China uma prática milenar de as famílias preferirem ter filhos rapazes a ter raparigas, agravada pela política de filho único. A prática de matar as raparigas à nascença, ou enviá-las para orfanatos, continua a existir sobretudo no meio rural.
Conta Xinram que nas cozinhas rurais ainda existe um balde com tampa formado por duas partes, que os proprietários dizem que é para o lixo, mas não é bem assim. “Quando nascem as raparigas, serve para encher de água quente na parte de baixo e tapa-se com a outra parte. As parteiras põem-nas logo ali em água. Se for um rapaz, não se tapa, serve para o primeiro banho. É uma peça de mobiliário que continua ali.”
A jornalista chinesa conta ainda que, quando actualmente as mulheres, por via da industrialização, vão para as cidades e verificam que lá as famílias conservam as filhas e as tratam bem, sentem uma enorme dor. Uma dor tão grande como a das raparigas que já não foram mortas mas foram abandonadas, e que lhe perguntam “porque é que a minha mãe não me quis?”
11 de maio de 2011
Café Portugal
Quando eu era bem menina, havia na minha terra um grande café chamado Café Portugal. Parava por lá um sujeito, todo o dia e toda a noite sentado na mesma mesa, por quem o meu pai nutria uma óbvia antipatia. Um dia, mais crescidota, perguntei-lhe porque não gostava daquele senhor. Explicou-me que era um agiota, e explicou o que isso era, ou seja, que era um senhor que vivia de emprestar dinheiro a quem tinha dificuldades com juros usurários (também explicou o que isso era).
Ontem, quando percebi que taxa de juro vamos ter de pagar à Europa pelo EMPRÉSTIMO que nos faz, percebi que também ela veio para se sentar à mesa do café Portugal.
10 de maio de 2011
Sim, eu gosto.
O cinismo é a base da cultura pós-modernista, uma peçonha cool que nos anestesia há décadas. E este cinismo assenta numa ordem muito simples: é proibido acreditar.
Desta vez concordo com o cronista. Vem isto a propósito do filmezinho que corre na internet, feito para as Conferências do Estoril, sobre Portugal, e dirigido aos finlandeses.
É um filme interessante, sobre um país periférico e mediterrânico que é desconhecido, hoje em dia, da maior parte dos povos de outros países. O filme mostra, com acerto, simplicidade e humor, que nem sempre estivemos de mão estendida, que chegámos a dividir o mundo com a Espanha, que houve muita glórias passadas mas também algumas actuais e, no fim, aborda, para os finlandeses, uma das nossas melhores características – ainda somos generosos e solidários.
Devíamos ver um filme destes todos os dias, como quem toma um remédio, para ver se mudávamos este permanente estado de descrença e lástima miserabilista, em que sempre nos achamos piores que todo os outros, coisa que não passa pela cabeça de nenhum outro povo europeu. Espanhóis, franceses, britânicos, italianos e gregos, por exemplo, acham-se sempre o supra-sumo quer no passado quer no presente.
À nossa tendência natural para nos acharmos uns “coitadinhos”, junta-se uma miríade de comentadores, em todos os meios de comunicação social, apostados em nos enterrarem ainda mais, sempre reforçando o que vai mal. São também os cínicos de que fala Henrique Raposo, para quem é proibido acreditar, e insinuar, sequer, que se ama este país, é sinal de piroseira reaccionária. Eles são, em suma, aqueles que costumo dizer que só se sentem bem quando se sentem mal.
Gostei do filme, sim, e tanto me orgulho da era dos descobrimentos como do Serviço Nacional de Saúde, das marcas arquitectónicas de Portugal espalhados pelo mundo como dos dois Pritzker, de ter uma língua falada em 5 continentes como da Expo 98, de termos abolido a pena de morte e a escravatura bem cedo, como das grandes e pequenas invenções dos nossos cientistas actuais.
Era bom que todos tomássemos consciência do que realmente somos, nem mais nem menos, e que percebêssemos que este é apenas mais um dos maus momentos dos muitos que Portugal já viveu e ultrapassou.
Já agora, de caminho, devíamos enfiar os cínicos de serviço onde eles merecem estar.
9 de maio de 2011
7 de maio de 2011
Bertolt Brecht
O que tem fome e te rouba
O último pedaço de pão chama-lo teu inimigo
Mas não saltas ao pescoço
Do teu ladrão que nunca teve fome
6 de maio de 2011
O intelectual e os macacos
Esta frase é pura bruteza, mas, não contente com ela, acrescenta ainda algumas alarvidades sobre os humanos que para ele são símios.
É patético, como patética é a velhice precoce de muitos intelectuais na casa dos 60 ou 70, cheios de nostalgia pela literatura que já não há, pela escrita que já não é, pelos “valores” que já foram.
Passam o tempo dizer que ninguém lê e ninguém escreve, o que é absolutamente falso; se ninguém lesse não se publicavam tantos livros e nem se vivia da literatura, como me parece ser o caso de Lhosa. Quanto à escrita, há 15 anos atrás, por exemplo, ninguém escrevia, só se telefonava. O email, o SMS, o Facebook, o Twitter, trouxeram a escrita de volta à nossa vida em todas as idades e em todas as línguas.
Escreve-se de maneira diferente? Sem dúvida. A língua é algo vivo, seja escrita ou falada, vai mudando com o tempo e com os seus utilizadores.
Estes filhos dum deus maior não são só patéticos, são também snobes. Repetem mil vezes que dantes é que se escrevia bem, e eu digo que dantes ALGUNS, e apenas ALGUNS, escreviam bem; os outros todos não escreviam nada porque nem sequer foram à escola. Agarrados aos seus privilégios de intelectuais julgam que os outros pensam como macacos apenas porque têm a ousadia de pensar como quiserem (ou de não pensarem de todo).
Choram o fim da boa literatura e da boa escrita, engolidas pela rede e pelo digital mas não reparam, talvez porque só olham para o umbigo, que continua a haver muito boa escrita feita por gente com metade da idade deles.
Também não repararam que a rádio não matou os livros nem os jornais, a televisão não matou a rádio e a internet não matou a televisão. Ao contrário, de todos nos fomos apropriando com grande proveito. Com estes meios, o conhecimento (mas não a cultura) está ao alcance de qualquer um, o que parece desagradar-lhes.
Sempre haverá literatura, e pintura, e escultura, arte em geral e música, embora com formas diferentes, porque isso faz parte do património humano. Sempre haverá quem escreva bem e haverá muitos mais que escreverão mal mas, felizmente, ao menos escrevem. E não são macacos. São apenas pessoas que os intelectuais desprezam.
Um intelectual devia ser alguém estimulante mas, demasiadas vezes, não o é. A arrogância e mania da superioridade colam-se-lhes à pele como uma indumentária que lhes fica tão mal que às vezes até parecem palhaços. Mas nunca macacos.
5 de maio de 2011
Sr. Luís, sou eu outra vez!
Permita-me discordar, ainda que só em parte, do imaculado perfil do ministro das finanças, Teixeira dos Santos, que traça no seu post de ontem.
Eu também acho que ele deve ser um bom homem e técnico competente mas a bondade, quando é em demasia, faz mal à saúde.
Acho que sim, foi um bom ministro enquanto o mundo não se espalhou ao comprido porque, quando tal aconteceu, ele espalhou-se também.
Dizem-me que a culpa foi de Sócrates, e eu acredito, mas também acho que há limites para a lealdade, sobretudo quando a lealdade a um só homem conduz directamente à deslealdade para com 10 milhões. Eu sei que não se entra e sai do governo como do McDonal’s, mas também me parece que nenhum primeiro-ministro pode, em qualquer momento, atar um seu ministro ao pé da ministerial cadeira contra a vontade deste.
Quando Teixeira dos Santos disse que, se os juros chegassem aos 7%, devíamos pedir ajuda externa e Sócrates decidiu o contrário, devia ter saído. A sua saída daria força e convicção às suas palavras. Não teria razão naquela hora, mas tê-la-ia mais tarde.
Sócrates achou que podia ficar na história com resistente e vencedor, Teixeira sabia que isso não era possível porque é um homem lúcido e inteligente. Sócrates não quis perceber que não manda nada e nada pode contra os mercados e agências de rating; Teixeira sabia tudo isso e daí eu não entender como tal homem se permitiu ser cúmplice no apodrecer da situação. Devia ter batido com a porta para derrubar de vez o estúpido e demagógico “ não será necessária a ajuda externa”.
A lealdade dum homem não pode sobrepor-se à sua consciência e a carranca posta ao lado do primeiro-ministro não chega, não é bonita nem delicada, nem o vai livrar de apreciações negativas durante muitos anos, coisa que, no seu conjunto, talvez não mereça.
É pena, é muita pena, porque como diria Flannery O’ Connor , “Um Bom Homem é Difícil de Encontrar”.
Vou indo, mestre barbeiro, com o habitual respeito e amizade. Da próxima vou ver se ainda tenho uns trocos para o cabelo.
4 de maio de 2011
Aquilo ontem foi esquisito, não foi?
A conferência de imprensa de José Sócrates ontem foi um bocadinho estranha: os jornalistas não podiam fazer perguntas, os fotógrafos não podiam fotografar e o Ministro das Finanças… não se podia mexer.
Realeza
Ao sair de Buckingham, para um fim-de-semana privado com o príncipe William, a duquesa de Cambrige, Kate Middleton, elegeu um modelo azulda marca 'low cost' Zara, que também está à venda em Portugal por €50
Por quanto tempo ficará a jovem Kate assim com hábitos de burguesinha?
É que, se seguir o exemplo de Letizia de Espanha, os britânicos irão pagar bem caro o seu “aperfeiçoamento”.
Como se vê na foto, Letizia mais parece uma prima afastada daquela que conhecemos há uns anos. Acho até que o Filipe ao acordar, ainda estremunhado, de vez em quando deve pensar “quem é esta?”
Os espanhóis, tão donos do seu nariz, continuam a pagar o nariz de Letízia e outras coisitas mais, enquanto a taxa de desemprego sobe para 21,3% e o país já tem quase 5 milhões de desempregados. O número de famílias com todos seus membros desempregados é de 1.386.000.
Mas Letizia vai passar de patinho feio bem vestido a ícone da beleza latina.
Espanhol paga.
DN online 3 de Maio
Por quanto tempo ficará a jovem Kate assim com hábitos de burguesinha?
É que, se seguir o exemplo de Letizia de Espanha, os britânicos irão pagar bem caro o seu “aperfeiçoamento”.
Como se vê na foto, Letizia mais parece uma prima afastada daquela que conhecemos há uns anos. Acho até que o Filipe ao acordar, ainda estremunhado, de vez em quando deve pensar “quem é esta?”
Os espanhóis, tão donos do seu nariz, continuam a pagar o nariz de Letízia e outras coisitas mais, enquanto a taxa de desemprego sobe para 21,3% e o país já tem quase 5 milhões de desempregados. O número de famílias com todos seus membros desempregados é de 1.386.000.
Mas Letizia vai passar de patinho feio bem vestido a ícone da beleza latina.
Espanhol paga.
3 de maio de 2011
A "Linha de Montagem" de Miguel Palma
Ao entrar na nave central do Centro de Arte Moderna de Gulbenkian instala-se em nós, momentaneamente, a dúvida sobre se estaremos a entrar numa exposição ou num museu de ciência. Poderá também dar-se o caso de ser uma fábrica de brinquedos, ou uma sala para exercícios de brainstorming criativo.
Pela luz, cor e movimento, intuimos um espaço festivo; pelo persistente ruído de fábricas e motores sentimo-lo um pouco ameaçador. Esta ambivalência, porém, não tolhe, antes estimula, a vontade de entrar e participar na “brincadeira”
Esta “brincadeira” é uma exposição de grande fôlego, em boa hora trazida a um CAM tantas vezes mortiço nos anos recentes.
Com mais de cem peças expostas, a criatividade tomou conta do sítio, transformando-o, como se lê na publicação que acompanha a exposição, em “várias linhas de montagem compostas por elementos que tanto podem ser reais como virtuais, orgânicos como mecânicos, ecológicos como poluidores, desenhados e criados de raiz ou simplesmente reciclados. Invenção manual e ready-made unidos como elos da mesma corrente”.
É todo o mundo em que vivemos que ali está representado, por vezes com ironia, por vezes com ternura, por vezes com dureza, mas sempre com enorme atenção e sentido crítico.
Uns após outro, estes “brinquedos”, entre a arquitectura e a escultura , o Meccano e o artístico, a natureza e a invenção do homem, fascinam e atraem, convidando a que nos demoremos com cada um deles.
Uma grande exposição que vale a pena ver. Será bom levar as crianças (não demasiado pequenas) e os jovens. Eles lá estavam, tão entrosados nos objectos como os adultos.
Sai-se feliz desta experiência.
2 de maio de 2011
Bin Laden está morto
Parece que sim, que está morto, mas ainda não vi nenhuma imagem do cadáver, coisa que os media adoram mostrar até à náusea.
Na televisão, o Presidente do Parlamento Europeu dizia enfaticamente - "acordámos hoje num mundo mais seguro". Não sei se é estúpido, ingénuo ou demagogo, ou tudo junto.
A morte de Bin Laden não resolve nenhum dos nossos problemas, nem sequer o da segurança contra o terrorismo.
Apenas prova que, entre os homens, e qualquer que seja a cultura, civilização ou religião, "quem com ferro mata, com ferro morre".
Porém, também eu não lamento a sua morte.
Na televisão, o Presidente do Parlamento Europeu dizia enfaticamente - "acordámos hoje num mundo mais seguro". Não sei se é estúpido, ingénuo ou demagogo, ou tudo junto.
A morte de Bin Laden não resolve nenhum dos nossos problemas, nem sequer o da segurança contra o terrorismo.
Apenas prova que, entre os homens, e qualquer que seja a cultura, civilização ou religião, "quem com ferro mata, com ferro morre".
Porém, também eu não lamento a sua morte.
Afiando as facas
Editores há muitos e autores ainda mais, além de que não pretendo aqui discutir o mérito ou demérito da sua actividade editorial e autoral.
Tornou-se conhecido sobretudo pela via televisiva e, sem desprimor, tem sabido tratar da sua vida.
Tem também um blogue muito visitado A Origem das Espécies, e foi agora convidado por Passos Coelho para cabeça de lista por Bragança.
No dia 16 de Abril colocou no blogue um post magnífico em que justifica a sua decisão de aceitar o convite do PSD (será que alguém lhe pediu que se justificasse?), com o título Os dias que correm. Aí se pode ler todo um programa de governação e de (boas) intenções, que também se pode resumir na frase que escreveu sobre a necessidade de “procurar novos caminhos para a nossa vida”.
É um texto bonito que qualquer cidadão medianamente sensato poderia subscrever nos “dias que correm”
No dia 27 de Abril, coloca outro post com o título Os dogmas e a Santíssima Trindade
Desta vez começa por nos remeter para outro post de outro blogue - Dogmas para o próximo líder do PSD que é assim a modos que uma receita contra a democracia, e um conjunto de conselhos para que Passos se comporte como um ditador de opereta de século XXI. No essencial a mensagem recomenda – não dialogue, não fale à imprensa (nem aos portugueses, certamente, a menos que voltemos às conversas em família do Caetano, digo eu), despreze, despreze muito e finalmente “A espada será a sua arma. Prometa-nos a espada e venha depressa. “
Então e não é que o Francisco José Viegas fica encantado com aquilo? Diz que é oportuno e de grande utilidade, que a política é uma coisa feia e que não serve para dar alegria aos portugueses.
Termina escrevendo, e cito:
Quando ofereceram o poder ao Mestre de Avis, explicaram-lhe: prometa o que não pode, ofereça o que não tem e perdoe a quem não o ofendeu. Aprendam. Aprendamos.
Fiquei apalermada, o que não é nada de novo, mas é que eu que até já tinha lamentado não morar em Bragança para botar o voto no homem que escreveu aquela primeira lindeza, e, afinal, ele vem-me dizer que tem que aprender a enganar o povo e a exercitar o ódio e a espada.
Parece que FJV, para político de primeira vez, está até muito adiantado nos estudos e vai aprender depressa.
Foi preciso vir o Passos para tirar o génio da lâmpada. Ele há coisas...
1 de maio de 2011
Ódio no feminino
Assim é Manuela Ferreira Leite. “Casou” com Passos Coelho (que abomina) para ir a Barcelos dizer:
“Passos Coelho vai desculpar-me, mas eu não ando à procura de um outro primeiro-ministro, ando à procura que o engenheiro Sócrates saia de primeiro-ministro e ele só sairá de primeiro-ministro no dia em que o PSD tiver mais votos que o PS”.
“Nem tranquila fico se ele ficar na oposição” (aqui)
Olhe, rica, eu acho que isso ainda lhe vai fazer mal à saúde. Além disso, um bocadinho mais de elegância na expressão do ódio só lhe ficava bem e dizia melhor com os seus tailleurs.
O conselho é gratuito mas difícil de seguir porque, sei bem, o ódio no feminino é muito mais violento e indomável do que no masculino.
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