31 de janeiro de 2011

O mundo árabe acorda



A coisa lá tá preta
A coisa aqui tá negra

por lá há muita esperança
por aqui só desconfiança
por lá busca-se um futuro
por aqui cada um busca o seu "furo"
por lá grita-se por liberdade
por aqui não há vontade
lá estão prontos para crescer
aqui nem sabemos o que de fazer…

moral da estória – dos fracos não reza a História

29 de janeiro de 2011

Pais e filhos



A minha amiga e vizinha Alice, hoje de manhã, não estava com o seu belo sorriso nem com a sua habitual energia.
Olhou-me e disse:” fomos acordados pelo treinador de natação do Manuel às 8 da manhã, a perguntar se ele não ia comparecer. Nós já não controlamos as agendas dos nossos filhos. Ficámos todos a dormir até às 10 horas.”
Notava-se a vontade de aceitar a sua falha. Estava, ao menos, feliz por ter dormido um pouco mais? Não, havia um fundo de culpa na sua expressão resignada.
É esta a vertigem da vida dos pais do século XXI, com a necessidade que sentem de proporcionar aos filhos o maior número possível de aprendizagens e exploração do se potencial, daí resultando, no fim, um enorme cansaço para si próprios. Não há tempo para pausas. Cada hora tem o seu calendário, o seu estímulo, a sua tarefa. Cada hora terá que ser produtiva.
Há 20 anos era normal, quando os pais queriam castigar uma criança ou um jovem, mandá-lo para o quarto.
Muito mais importante que a temporária e punitiva marginalização, era suposto que o silêncio do quarto trouxesse alguma acalmia e, até, alguma ponderação sobre os seus actos, a justiça ou injustiça do castigo.
Talvez o jovem pegasse num livro e com ele partisse para outras realidades, que, com um pouco de sorte na escolha, o ajudassem a confortar-se consigo e os seus anseios, a esboçar objectivos e a alargar a visão do seu pequeno mundo doméstico ou escolar.
Tudo isso passou. De há muito os quartos de crianças e jovens estão apetrechados com computador e internet, televisão, aparelhagem de som, consolas de jogos, DVD etc.
Não mais o silêncio redentor quebrado apenas pelas falas das personagens do livro, não mais a imaginação à solta pela mão dum narrador de peripécias ou ambientes.
Como escreve de Michel Crépu num texto intitulado “Esse vício ainda impune”, publicado pela Gradiva,” a tribo chama por ele (o rapazinho) sem parar, na lição de judo ou de viola, no clube de teatro e até na biblioteca! A experiência da solidão, do olhar fixado na janela por cima dos telhados, a experiência dessa tão estranha e doce tristeza que se esconde no fundo de cada livro como uma luz feita de sombras, essa experiência fundamental que é, afinal, a iniciação ao mundo e à finitude, essa experiência é quase impossível, proibida, até.”
Este pequeno excerto, apesar de, em meu entender, ser profundamente verdadeiro, parece conter um lamento pela perda dos “gloriosos” tempos passados. Essa nostalgia não partilho, porque sempre entendi, e continuo a entender, que a forma de viver, com o passar dos anos, nunca é nem melhor nem pior, é apenas diferente.
Mas é tão diferente que, admito, tenho dificuldade em imaginar como serão os adultos agora crianças. Oxalá, no fim, os exauridos pais possam dizer para si mesmos – valeu a pena.
E aqui deixo a minha homenagem a todas as Alice deste país.

28 de janeiro de 2011

Criancinhas, caixões e gritaria


Vai por aí grande gritaria sobre o financiamento dos colégios privados.
Fazem-se manifestações de muito mau gosto na defesa destas “parcerias público-privadas” que, como muitas outras,nos têm arruinado.
Assim, sem filosofias, o que me apetece dizer é:
Defendo e defendei sempre a escola pública.
Nada tenho contra os colégios privados.
O Estado deve assegurar igualdade de oportunidades para todos.
Quem quiser mais do que isso deve pagá-lo.
O Estado gasta mais com uma turma do ensino privado do que com uma turma do ensino público.
O Estado financia colégios em locais onde há oferta pública suficiente.
O Estado fechou, nos últimos anos, inúmeras escolas públicas, numa tentativa de rentabilizar os recursos existentes.
A minha “liberdade de escolha” com o dinheiro do Estado é infinita.
O poder da Igreja está à vista.
O Estado deve rever estes contratos de associação, SIM

27 de janeiro de 2011

O Sistema



O sistema é, como sabemos, um magno, e de largo espectro, problema em Portugal.
Se não gostamos da governação, é o sistema.
Se temos assuntos a resolver no banco e ficamos demasiado tempo à espera, foi o sistema.
Se perdemos meio dia nas finanças, é o sistema.
Desta vez, o sistema intrometeu-se nas eleições e foi um aqui d’el rei.
Mais uma vez se pediu a cabeça do ministro, coisa que, por sistema, fazemos sempre, (poderíamos, talvez, dizer desta vez, que foi um aqui d’el ministro!). O ministro não se demitiu mas demitiram-se o director-geral e adjunto da Administração Interna
Em 2005 havia 1 milhão de portugueses com cartão do cidadão, onde não figura o número de eleitor (e devia figurar); em 2011 são 5 milhões.
Destes 5 milhões, certamente uma ínfima parte, teve problemas com o sistema para votar.
Claro está que o SISTEMA não funcionou mas, segundo li, houve “entre as 14:00 e as 16:30 horas, picos contínuos de acessos simultâneos, na ordem dos 22 mil por segundo”
Ora bom, assim não há sistema que aguente.
Não seria bonito se os cidadãos eleitores, como desde tempos imemoriais foi recomendado, consultassem atempadamente os cadernos eleitorais na sua freguesia para saberem se estão recenseados, qual o seu nº de eleitor e a secção de voto?
Não, fica mais fácil encher o peito de ar frente às câmaras de televisão e vociferar contra o Estado que deve fazer tudo, tudo, tudo por nós, enquanto nós ficamos aqui só a protestar contra o Sistema, seja lá isso o que for.

26 de janeiro de 2011

Assinar ou não






Podemos ter dúvidas sobre o resultado da nossa assinatura mas, perante a monstruoside, eu assinei e assinarei. Sempre.

https://secure.avaaz.org/en/stop_corrective_rape/?cl=921012076&v=8246

"A Vida dos Outros" e o pensamento de Henrique Raposo


Henrique Raposo é um jovem, e muito vivo, colunista do Expresso, que todas as semanas opina na coluna da direita da página 37 do semanário.
Na edição de 21 de Janeiro, atenta, com grande lucidez, na “direita gay” e na “esquerda snob” que, diz, não gostam de Cavaco Silva. A primeira não gosta porque só lhe interessam os assuntos gay, e a segunda não gosta porque não perdoa que alguém possa ser Presidente tendo nascido em Boliqueime.
O pensamento é elaborado e ajuda-nos a meditar nestas magnas questões, embora eu, assim de repente, não me lembrar de ninguém que em Portugal não gostasse de Ramalho Eanes por ele ter sido eleito Presidente sendo natural de Alcains.
A última parte da coluna, dedica-a ao filme “A Vida dos Outros” (filme alemão de 2006, vencedor do Óscar para melhor filme estrangeiro em 2007), num bota-abaixo de fino recorte. Termina dizendo: «“Portanto, esqueçam o “Toy Story”: “A Vida dos Outros” é filme ideal para as criancinhas.”»
Acontece que este belo filme não pode, de facto, agradar a quem tem um olho vivo e outro cínico, com os quais só consegue fazer análises ideologicamente pré-formatadas.
Viver em ditadura, coisa que o colunista nunca provou, exige um grande jogo de cintura; que o diga o nosso Presidente reeleito, que, no período do Estado Novo, ao preencher uma qualquer declaração que lhe era exigida para trabalhar para o Estado, achou prudente acrescentar que não se dava com a mulher do sogro, coisa que nunca lhe foi perguntada.
Na Alemanha de Leste, em Portugal e em tantos outros locais do mundo por onde as ditaduras (de todos os tipos) deixaram um rasto de morte, medo e sombra, muitos foram colaboracionistas por convicção, outros por mera questão de sobrevivência.
As pessoas não podem mudar? Claro que podem, e um agente da Stasi também pode mudar, ainda mais quando é já tão evidente que o regime falhou.
Se não acreditarmos nisso, como vamos classificar um Frederik de Klerk e a sua mudança na África do Sul ou, em termos mais caseiros, Adriano Moreira, para só citar dois duma lista interminável?
Para além do mais, Henrique Raposo não conseguiu perceber que o filme é também sobre as contradições do ser humano, a solidão e a omnipresente vigilância sobre todos nós (mesmo nos regimes democráticos).
Um conselho, com amizade, ao Henrique Raposo: continue a ver “Toy Story”.


25 de janeiro de 2011

Pensamentos desconexos



Título de 1ª página hoje no Público

“Patrões querem pôr trabalhadores a pagar fundo de despedimentos”

Eu não li a notícia, mas lembrei-me logo daqueles filmes sobre a 2ª guerra mundial, sobre a barbárie de todas as guerras, e também dos filmes americanos em que bandidos muito bandidos obrigam as suas vítimas a cavar a própria sepultura antes de serem executadas.
Certamente só os insondáveis labirintos da mente humana podem desencadear pensamentos destes tão sem sentido.
Parvoíces…!

24 de janeiro de 2011

Palavras

“Na perspectiva do homem moderno, as pessoas de antigamente tinham menos liberdade. As possibilidades de escolha eram menores, mas a responsabilidade era, sem dúvida, muito maior. Nem sequer lhes ocorria que pudessem descartar-se dos deveres a seu cargo, da fidelidade ao lugar que a vida parecia ter-lhes outorgado.
Era notável o valor que as pessoas davam às palavras. Nunca eram armas para justificar factos. Hoje todas as interpretações são válidas e as palavras servem mais para nos descartarmos dos nossos actos do que para responder por eles.”

Resistir, Ernesto Sabato, Dom Quixote, 2005

Vem isto a propósito do teor do discurso de vitória de Cavaco Silva na noite de domingo. Durante a campanha não respondeu a nenhuma questão incómoda e no final, qual virgem ofendida, esperneia, ataca tudo e todos e esquece-se, pela primeira vez na história das eleições presidenciais, de cumprimentar os candidatos derrotados.
Fui-me deitar um bocadinho angustiada, não sei porquê.



Está-se


Eu reflecti,tu reflectiste,ele reflectiu, etc., etc., etc.
O chamado dia de reflexão eleitoral, ou seja, o sábado anterior a cada acto eleitoral, é hoje motivo de chacota para a generalidade dos portugueses.
Quando foi criada a legislação eleitoral para a democracia, em 1974, tinham sentido algumas restrições.
Éramos um país sem eleições livres há décadas, com experiência anterior de eleições falsificadas, um grande número de analfabetos e muito medo nas costas.
Era, pois, natural que o legislador tomasse precauções para garantir eleições realmente livres e o voto em consciência.
Passados 36 anos, já fomos a votos muitas, muitas vezes. O país mudou muitíssimo e a democracia está consolidada no nosso espírito, embora, como sabemos, ela não seja um dado adquirido para todo o sempre. Ao contrário, é um bem frágil de que devemos cuidar.
Face à nova realidade do que somos, parece que o dia de reflexão, com tudo o que ele implica, ou a proibição de propaganda eleitoral a menos de 500 metros das assembleias de voto são regras já um pouco ridículas.
Apesar de os ouvidos agradecerem o silêncio depois de tantos dias de campanha, parecemos um país de mentecaptos que, coitadinhos, se deixam influenciar por uma sondagem que saia ao sábado mas não por uma que saia à 6ª, ou que mudaremos o sentido do voto no último instante se depararmos com um cartaz de outro candidato no caminho para a mesa de voto.
Há arcaísmos na legislação portuguesa que mostram bem como, para nós, é difícil vencer a inércia.
Enfim, “está-se”!

22 de janeiro de 2011

Queridos, queridos Magistrados


No ionline de hoje pode ler-se um artigo sobre a proposta de alteração do Estatuto dos Magistrados cujo título é:
Magistrados. Governo cede em tudo e PSD aceita Estatuto
Um novo aditamento à proposta de substituição sobre o Estatuto garantiu a viabilização da discussão do diploma.


Eu juro que li o artigo e não percebi nada do que andam a discutir mas, a certa altura, escreve-se que “o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), António Martins, elogiou o "sentido de responsabilidade" da oposição. Também o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), pela voz de João Palma, elogiou o "grande sentido de Estado e de responsabilidade" dos grupos parlamentares responsáveis pela aprovação da proposta.”
E então, sim, percebi...que podemos temer o pior.

Os "Muros de Abrigo" de Ana Vieira (e outras coisas mais)



No Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, pode ver-se até fim de Março uma exposição retrospectiva de Ana Vieira (Coimbra, 1940) composta por obras que vão dos finais dos anos 1960 até à actualidade.
A tradicional pintura bidimensional nunca foi o objecto de trabalho da artista, antes a criação de peças em suportes variados.
O que me encanta na obra de Ana Vieira é o jogo de mostra/esconde, o vazio (ou a ausência), às vezes o som, a necessidade que o espectador sente de activar todos os sentidos, de olhar com o corpo todo.
Se em trabalhos mais antigos o nosso olhar se depara com finos tecidos, telas ou biombos que “escondem” o que está para lá deles, criando alguma teatralidade que parece querer deixar-nos na plateia, nesta exposição somos convidados a atravessar um corredor branco ao longo da nave, como se Ana Vieira, finalmente, abrisse a porta e nos dissesse – entrem e participem no meu trabalho.
A exposição é muito boa e merece ser vista.
Enquanto a visitei não pude deixar de evocar alguns trabalhos de outras artistas portuguesas mais ou menos da mesma geração – Helena Almeida e Lourdes Castro.
Infelizmente para elas, não emigraram, pelo menos o tempo suficiente para terem o reconhecimento público no estrangeiro que as faria entrar em ombros em Portugal; também não sabem, nem querem saber, nada de marketing.
Não se chamam Vieira da Silva, Paula Rego ou Joana Vasconcelos, únicos nomes de mulheres artistas que os portugueses conhecem. É pena, porque elas mereciam mais do que lhe soubemos dar.
De lamentar nesta visita, apenas a ausência de uma simples folha de sala que ajude o espectador a situar a obra duma vida no contexto da arte contemporânea portuguesa.
Existe no balcão uma publicação minúscula que custa €1,5. Se a isso juntarmos €4 de entrada, gastaremos ali €5,5 duma assentada; pode dizer-se que a Gulbenkian está cara
e não é para todos. Mas alguma vez o foi?

21 de janeiro de 2011

Vale tudo


Candidato fala aos "servidores" do Estado.
Cavaco alerta para o aumento das taxas de juros com segunda volta.
Cavaco alertou para as consequências de uma segunda volta, que seria "desviar as atenções do essencial". E o "essencial" é que iria causar "uma contracção do crédito e uma subida das taxas de juros com as consequências para as famílias e as empresas".
Público online de 20 de Janeiro


Esta bela tirada do candidato, para além de dar uma excelente ideia do seu entendimento do que é viver em democracia e do seu pensamento político, traz-me à memória um livro do filósofo francês Luc Ferry, intitulado "Famílias, amo-vos" (Círculo de Leitores/Temas e Debates, 2008).
Quase no início, ele escreve:
"Comecemos por uma constatação banal: o medo tornou-se, como já se terão apercebido, uma das paixões dominantes das sociedades democráticas. Para dizer a verdade, temos medo de tudo: da velocidade, do álcool, do sexo, do tabaco, da costeleta de vitela, das deslocalizações, das ONG, do efeito de estufa, dos frangos, dos micro.ondas, do dumping social, da precariedade, de Turquia, do Presidente americano, da extrema-direita, das periferias, da mundialização, para mencionar apenas algumas."

Em Portugal, e pela mão de Cavaco Silva, acrescentámos ontem dois novos medos à nossa vida - o medo de votarmos em quem queremos com medo dos mercados.
Eis uma boa contribuição portuguesa para a esquizofrenia do medo e do calculismo que tomou conta da nossa velha Europa.





20 de janeiro de 2011

Drama nas Presidenciais






Por estes dias, na campanha eleitoral, Fernando Nobre diz que tem estado a ser ameaçado.
Em Coimbra foi peremptório e dixit:
“Dêem-me um tiro na cabeça, porque sem um tiro na cabeça eu vou para Belém”
Será que eu já estou a viver na Sicília (ou em Juárez) e não dei por nada?
Há a velha frase/brincadeira que pergunta – “estás bem, ou vais para Belém?”
Eu acho que no caso dele, nem uma coisa nem outra.

VIVA MÉXICO

“O texto escrito implica, entre o autor e o respectivo leitor, a promessa de um sentido”
George Steiner, O Silêncio dos Livros, Gradiva

Este livro não contém uma promessa vã.



Recomenda-se:
Para quem gosta de ler.
Para quem gosta de viajar, nem que seja no sofá.
Para quem gosta de ler e viajar em 1ª classe

Alexandra Lucas Coelho pega-nos pela mão e leva-nos através dum México de Frida Kahlo, de paisagens e cores exuberantes, de gente que vive minuto a minuto no medo de uma bala perdida em Juárez, de emigrantes, de pobres, de emigrantes muito pobres, intelectuais, gente comum e solidária, homens e mulheres que nunca perdem a fé, sobretudo na Virgem de Guadalupe

19 de janeiro de 2011

Portugal pequenino



Há um novo estudo (e são tantos, ultimamente) denominado “As Escolhas dos Portugueses e o Projecto Farol”, que tem como promotores Belmiro de Azevedo, Daniel Proença de Carvalho, Jorge Marrão, António Pinho Cardão, José Maria Brandão e Manuel Alves Monteiro As conclusões, resultantes de um inquérito a 1002 pessoas realizado pela consultora Gf, são surpreendentes.
Entre muitos “mimos” e inúmeras contradições, a conclusão, para mim, mais chocante, foi esta:
Quase metade (46 por cento) dos portugueses considera que as actuais condições económicas e sociais são piores do que há 40 anos
Todos os povos têm a memória curta, não é só o português, mas é preciso fazer algumas perguntas, entre muitas outras possíveis:
 Antes do 25 de Abril, ou há 40 anos, como se quiser:
  • Quantos portugueses tinham carro, e televisão, e frigorífico, e telefone, e habitação própria, e saneamento básico, e electricidade, e água canalizada?
  • Quantos podiam pagar o médico ou a conta da farmácia quando estavam doentes?
  • Quantos podiam estudar tanto quanto quisessem?
  • Quantos iam regularmente ao restaurante?
  • Quantos tinham férias pagas ou, sequer, férias?
  • Quantos viajavam de férias para o estrangeiro?

Quem não viveu a época, que pergunte.
Quem a viveu, que recorde.
Ficar calado quando se ouvem estas barbaridades é crime de lesa-democracia.

Uma exposição para não perder


 
Bruno Pacheco no Chiado 8, até 11 de Março 2011

18 de janeiro de 2011

Vamos lá ver um pouco melhor


Segundo um trabalho que o Diário de Notícias” tem vindo a publicar e que vale a pena, ao menos, espreitar aqui, (Grande Investigação DN), Portugal tem 13 740 organismos públicos. Desses, só 1724 apresentam contas e apenas 418 são fiscalizados.
Escorre dinheiro por todas as frinchas dos ministérios para tudo o que se possa imaginar.
Só para estudos e pareceres, nos últimos sete anos gastaram-se 507 milhões de euros.
Foi no tempo de Cavaco primeiro-ministro que este “monstro” mais engordou, mas Sócrates primeiro-ministro também não deixa os seus créditos por mãos alheias e nos últimos três anos deu luz verde a 88 fundações (mais do que uma a cada quinzena), tudo suportado por nós, obviamente.
Os números podem deixar-nos embasbacados mas a notícia, em si, não é grande novidade.
Parece que uma boa parte do país vive a meter a mão no bolso do estado.
Então, se assim é, e se me é permitido perguntar, porque é que só os que recebem subsídio de desemprego, subsídio social de inserção ou o sector cultural são ampla e sistematicamente apelidados de subsídiodependentes?

16 de janeiro de 2011

Gourmet sim, mas...



Como se não fosse nada de muito importante, de vez em quando vamos ouvindo falar do aumento do preço dos alimentos a nível global.
Para já, nada que nos possa inquietar muito mas, no futuro mais ou menos próximo, não sabemos como será.
Nos anos de1990, Cavaco Silva vendeu a agricultura portuguesa em Bruxelas por um punhado de moedas e o resultado aí está – enorme dependência do exterior também para a alimentação. Talvez um dia tenhamos que voltar a cultivar a muita terra disponível em Portugal e isso não é, necessariamente, uma má notícia.
A verdadeira boa notícia disto tudo é que o preço dos alimentos sobe, sobretudo, porque há mais gente no mundo que COME TODOS OS DIAS.


15 de janeiro de 2011

A Fábrica de Milagres


O Papa João Paulo II vai ser beatificado no dia 1 de Maio, anunciou o Vaticano.
O “certificado” do milagre de uma cura já foi passado por Bento XVI. Aguarda-se agora um segundo milagre para ascender a santo.
Devo informar que sou suspeita porque nunca gostei de João Paulo II. Politicamente engajado desde o início, explorou nos últimos anos até à náusea a imagem do velhinho muito doente que ainda tem que ir trabalhar. Sei que com isso emocionou muitas almas piedosas mas, se não queremos isso para os nossos velhos, por que haveríamos de o exigir do Papa?
Para um suspeito e não-crente, esta podia ser só mais uma notícia parva que vem lá das bandas do Vaticano, porém, é quase ofensivo para qualquer ser pensante que a Igreja Católica fabrique “milagres” a seu bel-prazer apenas para condecorar os que melhor a serviram fomentando uma crendice risível e acéfala.
Ao que parece, uma freira francesa curou-se da doença de Parkinson por ter pedido a ajuda de João Paulo II. E pronto, temos Beato. Agora precisamos de segundo milagre para subir a parada. Talvez algum menino africano se livre de morrer de sarampo se se lembrar de pedir ajuda ao Beato e, aí, teremos Santo.
Respeito muito a obra social da Igreja Católica, a fé dos outros, os verdadeiros crentes (tenho até um pouco de inveja deles) mas episódios destes tiram-me do sério.
Ao contrário, eles fazem tudo isto sem se rirem.