A partir da notícia União com termo certo
22 de outubro de 2011
21 de outubro de 2011
A rua desfila por "naipes"
Três dias depois da manifestação de 15 de Outubro, o PCP realizou também a sua “passeata do contra”, desta feita descendo o Chiado, tal como nas festas de fim de campanha eleitoral.
O PCP não gosta de misturas, nunca gostou, e se algo lhe parece ideologicamente não puro, dá um passo atrás e exorciza – arreda Satanás!
Por isso nunca dá o seu apoio ao que quer que seja que nasça fora da sua sede ou da da CGTP.
Com esta incapacidade de unir as esquerdas em Portugal, os nossos “revolucionários” instalaram-se a conversar no Facebook e, para os simples mortais, o inimigo transformou-se num vago “eles” – o governo, a troika, o patrão, o capital financeiro, as agências de rating, a Europa, em suma, o mundo.
Temos então a rua, num momento destes, a desfilar por “naipes”, sem estratégia, sem coesão, sem objectivo claro e palpável (ser só do contra não basta), o que nos faz parecer um bando de miúdos a brincar às guerras.
Se nada mudar, “eles” vão olhar e sorrir, passar-nos-ão a mãozinha pela cabeça com bonomia e pensarão – lindos meninos, é assim mesmo que os queremos.
20 de outubro de 2011
E assim foi
…Sempre defendi que Kadhafi não ia sair como os outros, antes iria matar os que fossem necessários para manter o poder; também sempre me pareceu que, por isso mesmo, tem muito mais possibilidades de morrer na rua, tipo Ceausescu.
Meia hora (de cada vez)
No dia em que se conheceu a obrigatoriedade de trabalhar mais meia hora por dia, o jovem quadro saiu da empresa, como é muito frequente, aliás, à 1 hora da manhã. No dia seguinte, dirigiu-se à secção de pessoal e disse com ironia:
- Ontem saí à 1 hora. Isto quer dizer que, a partir de agora, tenho que sair à 1h30?Há muitos anos que, para uma boa parte dos portugueses, não há hora de saída. O trabalho é muito e o pessoal é pouco; por isso, sai-se quando se pode ou não se aguenta mais.
Para os que ainda têm hora de saída, esta medida da meia hora diária a mais tem exactamente o mesmo objectivo – alcançar maior lucro com menos custos de trabalho, mas à custa do esforço e da vida pessoal do trabalhador.
Há 50 anos, nos campos alentejanos trabalhava-se de sol-a-sol; contra os latifundiários, contra a ditadura e pelo direito às 8 horas de trabalho, os rurais alentejanos travaram uma heróica luta. E ganharam.
Teremos que recomeçar tudo de novo?
19 de outubro de 2011
"Uma raiva a nascer nos dentes"
Na semana passada, coloquei aqui um post sobre a miserável crónica de Henrique Monteiro no Expresso. Como o mesmo jornal é capaz do melhor e do pior, é justo, hoje, aplaudir o comentário de Nicolau Santos ao OE, publicado no sábado passado. Um comentário que vem das entranhas dum homem e jornalista que não é ainda um cadáver adiado em nenhuma das duas circunstâncias. Como tenho jornal mas não tenho link, roubei-o à descarada do blogue da Joana Lopes que teve o trabalho. Ela não se importará, certamente.
Sr. primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes, como diria o Sérgio Godinho. V.Exa. dirá que está a fazer o que é preciso. Eu direi que V.Exa. faz o que disse que não faria, faz mais do que deveria e faz sempre contra os mesmos. V.Exa. disse que era um disparate a ideia de cativar o subsídio de Natal. Quando o fez por metade disse que iria vigorar apenas em 2011. Agora cativa a 100% os subsídios de férias e de Natal, como o fará até 2013. Lançou o imposto de solidariedade. Nada disto está no acordo com a troika. A lista de malfeitorias contra os trabalhadores por conta de outrem é extensa, mas V.Exa. diz que as medidas são suas, mas o défice não. É verdade que o défice não é seu, embora já leve quatro meses de manifesta dificuldade em o controlar. Mas as medidas são suas e do seu ministro das Finanças, um holograma do sr. Otmar Issing, que o incita a lançar uma terrível punição sobre este povo ignaro e gastador, obrigando-o a sorver até à última gota a cicuta que o há-de conduzir à redenção.
Não há alternativa? Há sempre alternativa mesmo com uma pistola encostada à cabeça. E o que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse, de forma incondicional, ao lado do povo que o elegeu e não dos credores que nos querem extrair até à última gota de sangue. O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse a lutar ferozmente nas instâncias internacionais para minimizar os sacrifícios que teremos inevitavelmente de suportar. O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele explicasse aos Césares que no conforto dos seus gabinetes decretam o sacrifício de povos centenários que Portugal cumprirá integralmente os seus compromissos — mas que precisa de mais tempo, melhores condições e mais algum dinheiro.
Mas V.Exa. e o seu ministro das Finanças comportam-se como diligentes diretores-gerais da troika; não têm a menor noção de como estão a destruir a delicada teia de relações que sustenta a nossa coesão social; não se preocupam com a emigração de milhares de quadros e estudantes altamente qualificados; e acreditam cegamente que a receita que tão mal está a provar na Grécia terá excelentes resultados por aqui. Não terá. Milhares de pessoas serão lançadas no desemprego e no desespero, o consumo recuará aos anos 70, o rendimento cairá 40%, o investimento vai evaporar-se e dentro de dois anos dir-nos-ão que não atingimos os resultados porque não aplicámos a receita na íntegra.
Senhor primeiro-ministro, talvez ainda possa arrepiar caminho. Até lá, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes.
Nicolau Santos, Expresso 15/10/2011
18 de outubro de 2011
Como eu vi o 15 de Outubro
Já toda a gente opinou sobre a manifestação de sábado passado. Estou atrasada, é certo, mas também lá estive e devo dizer que cheguei a casa triste, frustrada, muito longe do sentimento de sã plenitude que nos costuma abraçar depois de sermos apenas mais um na mole humana que afirma uma mesma ideia ou convicção.
Éramos muito? Sim, mas também éramos poucos, dada a gravidade do momento.
Quem ali estava era uma classe média-média, entre os 25 e os 60 anos, com um mínimo de formação política, que segue os acontecimentos, se preocupa, busca alternativas a esta política, escuta e pensa.
Estes, como já sabíamos, são poucos em Portugal, logo, éramos poucos.
Os outros estão fartos, há dez anos que ouvem falar em crise, já não se aguenta, e não vão crer antes de ver.
Quanto às guerrinhas partidárias que se esboçaram entretanto, nem comento porque apenas merecem todo o meu desprezo.
Daqui por seis meses, a gente conta outra vez.
Éramos muito? Sim, mas também éramos poucos, dada a gravidade do momento.
Quem ali estava era uma classe média-média, entre os 25 e os 60 anos, com um mínimo de formação política, que segue os acontecimentos, se preocupa, busca alternativas a esta política, escuta e pensa.
Estes, como já sabíamos, são poucos em Portugal, logo, éramos poucos.
Os outros estão fartos, há dez anos que ouvem falar em crise, já não se aguenta, e não vão crer antes de ver.
Quanto às guerrinhas partidárias que se esboçaram entretanto, nem comento porque apenas merecem todo o meu desprezo.
Daqui por seis meses, a gente conta outra vez.
17 de outubro de 2011
15 de outubro de 2011
14 de outubro de 2011
Relembrar o passado, desafiar o futuro
Contudo, no sofá, podemos agora ver duas excelentes séries que começaram a ser transmitidas na Fox Life na 2ª feira, uma com 5 e outra com 7 episódios, a saber:
Downton Abbey às 21h25
Mildred Pierce às 22h30 (ou será ao contrário?, não interessa, vem uma a seguir à outra).
Vê-las, ajuda a relembrar o quanto conquistámos no século XX e o quanto nos arriscamos a perder de novo.
13 de outubro de 2011
Conversa do casal Eixo ao almoço
- Chucrute, liebe.
- Que barulho é este lá fora, chéri?
- Não te preocupes, liebe, são apenas os piquenos mal-educados da vizinhança.
- Mas acho que há fogo na cozinha, chéri.
- Também me cheira a esturro, liebe.
- Chamamos os bombeiros, chéri?
- Podemos esperar, liebe.
- Adiamos, então, chéri?
- Adiamos. Vais ver que até o fogo espera por nós, liebe.
- Vamos tirar uma fotografia para verem que almoçámos juntos, chéri?
12 de outubro de 2011
Podia lá ser! Sem playoff?
Não poderíamos passar sem aqueles jogos em que uma trémula alma lusa aguenta a taquicardia, reza desde o primeiro minuto, canta o hino com voz embargada, rói as unhas, faz promessas ao santo de sua devoção, emudece no desastre e explode de orgulho pátrio na hora do golo salvador.
Isso, ninguém nos tira; nem mortos.
Playoff, aí vamos nós com os nossos santinhos, cachecóis, bandeiras e muita, muita "fezada".
11 de outubro de 2011
Sem esforço e sem trabalho, disse ele
Na sua crónica da última página do Expresso de sábado passado, Henrique Monteiro discorre sobre “O País que já foi rico”.“Quisemos viver bem mas nunca em função do nosso esforço e trabalho”.
E eu interrogo-me: estará falando de quem? da grande massa de portugueses que ganha, em média, 700 euros? dos patrões? dos governantes? ou de si próprio?
Como se limita a largar a sentença moral e vai embora, fiquei a pensar
como seria realmente bom se o cronista despendesse algum esforço e trabalho ao escrever as suas crónicas.
É que, para escrever banalidades e generalidades que não primam pelo rigor, já estou cá eu e mais as Selecções do Reader’s Digest.
10 de outubro de 2011
Uma mulher no seu labirinto
Declaração segunda: não tenho nenhum.
Declaração terceira: sou ambivalente em relação a Steve Jobs.
Pela blogosfera, Facebook e jornais, tenho lido belas e tocantes homenagens a Jobs após a sua morte. Reconheço o seu génio criativo, fascino-me com os seus iqualquercoisa (gosto de todos) mas não me consigo desligar do outro lado de ver.
Já aqui escrevi sobre uma parte do outro lado; contudo, o pior mesmo, é que eu acho que ele encarnava a essência do capitalismo nonsense em que alegremente nos enredámos.
O que esse capitalismo sabe fazer de melhor para sobreviver, é criar em nós necessidades que nem sabíamos que tínhamos; inventa constantemente, manda fabricar a custo irrisório – pagando o mínimo a quem, em desespero de causa, faz qualquer coisa para sobreviver, e vende depois a preços tentadores.
Para nosso deleite, existem batalhões de escravos, meninas de dedos fininhos mas já quase cegas por trabalharem em tudo o que é micro, lixo e mais lixo no planeta. Em boa verdade, por mais voltas que dê, continuo a achar que não precisamos da maioria dos iqualquercoisa para nada. Eles apenas nos fazem felizes.
Sem deixar de reconhecer o génio inventivo de Steve Jobs, creio que, ao contrário de muitos outros, não trouxe um extraordinário benefício para a humanidade; trouxe, maioritariamente, felicidade efémera para a parte rica do planeta onde se transformou num ícone. Será isso despiciendo? Não dirá isso tudo sobre nós?
Um dia decidirei se vou continuar eternamente às voltas no labirinto ou se opto pela velha lapalissada – as coisas são como são.
Há ainda uma terceira hipótese: se o Steve for bem sucedido no seu projecto iGod, quem sabe se eu, finalmente, não serei tocada pelos dois – Steve and God.
8 de outubro de 2011
Coisas boas V (eh!eh!eh!)
A antiga governadora do Alaska, Sarah Palin, anunciou na quarta-feira que não será candidata às eleições presidenciais dos Estados Unidos, uma decisão que diz ter tomado após "muitas orações" e "estudo".
Notícia aqui
7 de outubro de 2011
Umas mentes brilhantes
Já não é só um bom aluno, é, verdadeiramente, “Uma Mente Brilhante”, daquelas muito esquizofrénicas mas capazes de dar uma abada a qualquer professor das reputadas escolas de negócios - FMI, BCE, FEEF ou até da suprema Escola de Chicago.
Valham-nos os santos protectores dos estudantes, (ao que sei, mas talvez mal), Santa Catarina de Alexandria e Santo Expedito.
Não sei porquê, levo mais fé no último.
6 de outubro de 2011
Querido comendador
Em Maio de 2007, em Nova Iorque, a leiloeira Christie’s vendeu uma enorme tela de Mark Rothko por 53,5 milhões de euros.
Tinha sido comprada em 1960 por David Rockefeller, que na altura pagou por ela 7350 euros. Houve, portanto, um lucro descomunal em 47 anos de posse da tela.
Na mesma semana realizou-se em Portugal uma Assembleia Geral do BCP, da qual o velho Jardim Gonçalves saiu claramente derrotado.
À saída da Assembleia, as televisões mostraram um homem vestido de preto, punho erguido e ar de vitória. Era Joe Berardo.
Os jornalistas perguntaram-lhe:
- Amanhã vai comprar mais acções?
- Claro que vou, amanhã compro mais.
Não comprou. Mas as acções subiram 20% e ele acordou 50 milhões de euros mais rico.
Este português milionário, amante das artes e patriota, fez de tudo para que a sua colecção de arte ficasse em Portugal, pois ficaria destroçado se tivesse que a levar para França. Com o seu espírito de “mecenas”, conseguiu que o governo de Sócrates lhe desse, para começar, o centro de exposições do CCB para que ele nos empreste a colecção por 10 anos. Durante esses 10 anos o Estado vai pensando se quer comprar, com o dinheiro de todos nós, pela módica quantia de 316 milhões de euros (não há cá descontos), visto ser esse o valor atribuído à colecção pela leiloeira Christie’s.
Foi este o negócio conseguido pelo nosso milionário amante de arte.
O que fez Rockfeller com os seus 53,5 milhões? Doou-os para obras de caridade.
Parece que o Rockfeller é meio apalermado e tem muito a aprender sobre negócios cá com o nosso milionário/mecenas/tugo-madeirense.
Junho 2007
5 de outubro de 2011
Estranheza
33ºC em Lisboa e cheira-me a castanhas assadas.
Alguma coisa não está a bater certa.
Serei eu, as castanhas, o vendedor ou o anticiclone dos Açores?
4 de outubro de 2011
Woody está de volta
Comédia romântica, sim, mas de mestre.
E mais não digo porque anda toda a gente por aí a contar a história, estragando a “festa” a quem ainda não viu. Tão mau como dizer quem é o assassino a quem ainda vai a meio do policial.
3 de outubro de 2011
Semear um peixe
No dia seguinte, à chegada, a educadora perguntou
- Então Chico, enterraste o peixe?
- Não, semeei-o.
Fartinha de que me enterrem o futuro, fui à procura de quem o semeasse, e encontrei – na 6ª feira passada na Gulbenkian na conferência” Economia Portuguesa: uma Economia com Futuro”, e nas ruas de Lisboa na manifestação sindical de sábado.
1 de outubro de 2011
Pequeno apontamento
Esta semana, Judite Sousa vestiu-se e penteou-se de freira Opus Dei e foi conversar com o seu “Papa”.
A homilia seguiu o cânone, para tranquilidade dos fiéis.
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