terça-feira, agosto 30, 2011

Dear Steve e companhia

Eu sei que isto não interessa nada aos fervorosos adeptos de Steve Jobs e dos seus brinquedos, mas interessa-me a mim e, agora que tanto se falou dele, também eu quero lembrar algumas coisas.
É fácil fascinarmo-nos com os itudo (iPod, iPad, iPhone), mas convém não esquecer o que está por detrás deles e, lamentavelmente, não é só a criatividade do dear Steve. Se os podemos comprar relativamente baratos, dada a quantidade de habilidades que fazem, e assim encher os bolsos do Jobs e companhia, é porque centenas de milhar de chineses são escravizados nas fábricas da Foxconn.
Esta fábrica nasceu em Taiwan e é hoje a maior fabricante mundial de componentes electrónicos. Instalou-se na China em 1988 na cidade de Shenzhen. A 30 minutos desta cidade situa-se o grande complexo da fábrica onde trabalham 300 000 pessoas; não só trabalham mas também vivem, porque a fábrica oferece alojamento e outras “mordomias” como piscinas, por exemplo, que ninguém consegue usar porque é frequente cada operário ter um horário semanal de 80 horas. No ano passado, mais de uma dezena de jovens operários suicidaram-se e muitos outros o tentaram. As condições de trabalho nessas 80 horas são desumanas e de tal modo repetitivas que me fazem lembrar, segundo as descrições, os “Tempos Modernos” de Chaplin – não se consegue parar a mão quando se sai do trabalho.
Em consequência da onda de suicídios, foi ponderada a diminuição do número de horas de trabalho e um aumento do salário que, em média, é de 90 dólares por mês.
Claro que a Apple não é a única cliente, tem boas companheiras na HP e Sony, por exemplo.
Quando nos divertimos com os nossos brinquedos inventados pelo Steve e simultaneamente nos queixamos da vida, seria bom que nos lembrássemos que ainda vivemos na melhor parte do mundo mas que, se não tomarmos conta dela, há por aí muita gente com vontade de a transformar numa imensa China.
Ou talvez nem cheguemos a isso, visto que o multimilionário chinês dono da fábrica, planeia, nos próximos três anos, para reduzir custos com os trabalhadores, substituí-los por um milhão de robôs.

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