23 de novembro de 2021

O Centro de Vacinação do Moedas

Primeira iniciativa visível de Carlos Moedas, a que o faz encher o peito e sorrir contentinho: um grande Centro de Vacinação, o MAIOR, segundo diz.

A comodidade dos lisboetas, sobretudo dos pobres e velhos, é uma cena que não lhe assiste. Vamos todos para o pavilhão 4 da Feira de Lisboa, lá para os cus de Judas.

Mas é o MAIOR, caraças! Vocês nunca estão contentes?


28 de outubro de 2021

O mal menor

 Toda a gente que se interessa por política sabe que, na actual conjuntura, depois de derrubado o governo, nada melhor do que ele poderá vir para os portugueses; só pior.

Pergunto-me: se eu fui capaz de escolher, tantas vezes, o mal menor, quando fui votar, os partidos de esquerda não podem fazer o mesmo por mim?

Deixassem-no bem claro, acarinhassem todas as lutas futuras de quem exige resolução de velhos problemas, mas poupassem-nos a governos de Rio ou Rangel, Chicão ou Nuno Melo, Cotrim, Ventura e companhia.

Não o fizeram, terão certamente os seus motivos.

Eu também tenho os meus, mas para não perdoar.

27 de outubro de 2021

Dia de votação do OE

A certa altura da tarde, liguei a RTP Play, no PC, para ver e ouvir o que faltava do debate do Orçamento.

Apareceu-me o Ventura, de gesto largo e sorriso alarve. Como ainda não tinha ligado as colunas, deixei-as ficar sem som.

De segui, aparece a Inês Sousa-Real do PAN. Liguei o som.

Segue-se a Cecília Meireles e eu desliguei o som.

Vem logo a seguir João Oliveira. Liguei o som.

Sobe a Catarina Martins e eu vou para desligar o som, mas opto por desligar a RTP Play.

Precisamos de novos protagonistas.

Agora escuto o silêncio, adequado companheiro da minha tristeza neste dia 27 de Outubro 2021.

26 de outubro de 2021

Lido

 "A história da oposição dos homens à emancipação das mulheres é porventura mais interessante do que a história dessa emancipação."

Virginia Woolf

Um Quarto Só Seu

Penguin Clássicos (ed. Bolso)

25 de outubro de 2021

Ghosting

Reflexão de Pedro Mexia, no seu artigo do Expresso, que é também minha há muitos anos.

Eu não encontrei respostas. E creio que ele também não.

"O desaparecimento abrupto e sem explicações numa relação amorosa é inaceitável, embora se compreenda no contexto de contactos epidérmicos ou fugazes, menos dados à empatia. E o desaparecimento entre amigos? Pode um amigo desaparecer? Podemos desaparecer a um amigo? A amizade é uma coisa que desaparece? Haverá um protocolo que não seja o confronto? Há sequer protocolos adequados ao fim de uma amizade? E o que quer dizer amizade?"

Aqui, o artigo

24 de outubro de 2021

O masculino neutro?

Dizem que o uso do masculino neutro na linguagem é uma forma de excluir as mulheres.

Quero inocentar o masculino neutro.

A mim, o que sempre me fez sentir excluída foi a invisibilidade e a complacência.

23 de outubro de 2021

Se

Se PCP e BE não deixarem passar o Orçamento de Estado, se o governo cair, se houver eleições, os partidos de esquerda que não contem com o meu voto, nem, certamente, com o de muitas outras pessoas como eu porque, ao contrário do que eles pensam:

- o óptimo é inimigo do bom

- um Orçamento de Estado não é um programa de governo

- o programa de governo que ganhou as eleições (e em que não votei) foi o do PS

- o governo actual é melhor do que um governo do PSD e amigos, seja o do Rio seja o do Rangel.

Se PCP e Bloco fizerem cair o governo, ao contrário do que pensam, nas eleições levarão uma banhada, e talvez depois a esquerda precise de uma década para se levantar, ou talvez não se levante mais.

Não terão o meu voto. Nenhum deles.

20 de outubro de 2021

O regresso do Zé Carioca


Li isto há muito tempo. Como estava entre os livros do Kobo para download gratuito, descarreguei. Ontem, peguei-lhe e,  sem desprimor para o português do Brasil, e até admitindo que a tradução é fraca, a sensação que tenho é que estou lendo ou ouvindo alguma historinha do Zé Carioca.

Sem drama, mas não se aguenta.

17 de outubro de 2021

3 Livros

 


Três magníficos.
Natalia Ginzburg fala-nos da sua família, integrada no tempo que vai correndo em Itália e no mundo. Com ela percebemos o que já sabíamos sem saber que sabíamos, isto é, que todas as famílias têm o seu linguajar próprio, o seu léxico familiar. Foi contemporânea de Pavese com quem trabalhou na célebre editora Einaudi e dele, a certa altura do livro, e a propósito da sua vida e do seu suicídio, traça um belo e lúcido perfil.
Sobre os outros dois livros, ocorre-me dizer que se pode escrever sobre a dureza da vida com gentileza e sensibilidade (Pavese), ou pode-se agarrar nos cabelos do leitor e atirá-lo contra a parede (Toni Morrison).
Da leitura de todos se sai mais vivo.

13 de outubro de 2021

Diabe que @s carregue

Eu, que tenho da velhice uma visão tenebrosa, às vezes dou comigo a pensar que nem me importo de já não ser assim tão nova.

É que  as aprendizagens e adaptações que são agora pedidas aos mais novos, tornariam, no meu caso,  qualquer interacção com outros numa espécie de caminhada sobre pregos. E eu não estudei para faquir.

Vem isto a propósito da nova linguagem que as questões de género, centrais nos nossos dias, trouxeram acoplada nas suas costas (largas).

Para dar um exemplo: vi no Twitter uma pessoa a pedir para ser chamada apenas de Jo e só com uso de “pronomes neutros” (dixit).

Escreveu “eu própri” e várias pessoas responderam ao pedido chamando-lhe linde e queride.

Ora, eu não sei falar isto. Nem vou aprender.

Ouvi dizer que, nas universidades, se o professor não respeitar a escolha de género do aluno, ou até, o que é pior, a sua não escolha (quando alguém diz que o seu género é neutro, isto é, nem homem nem mulher), pode muito facilmente ser admoestado ou mesmo corrido. Assim sendo, respeitar a escolha de género implica, por vezes, deixar de falar, com essa pessoa, o português corrente, e à mais pequena escorregadela está lixad@.

Fico tão aparvalhada com estas coisas, sinto que já não sou daqui, e dou comigo a pensar - oh cum cagarague, este é mesmo um tempo de camandre.

Pardon my french.

12 de outubro de 2021

Uma gargalhada e um ensinamento

 Gargalhada:

Armando Vara tem estado preso porque recebeu vinte e cinco mil euros (25000€) e mais sete mil (7000€) em prendas (onde devem caber os robalos, suponho).

Rendeiro, Salgado, Vale e Azevedo, entre outros, desviaram milhões e estão a viver bem e livres

Ensinamento:

Se queres roubar, rouba muito, porque pouco dá cadeia.

11 de outubro de 2021

Coisas de miúdos


 E diz o Francisco

- Nuno, deixa o miúdo em paz. O Telmo é mais pequeno, é meu amigo, e anda triste. 

E diz o Nuno

- Quero lá saber, não gosto de fracotes. Gosto de betos abrutalhados como eu.

Foto do Público

10 de outubro de 2021

Polónia

Palácio e lago Lubomirski em Varsóvia


Quando estive na Polónia ainda eu era assim, e os polacos um bocado toscos e ingénuos.

Daí para cá... tchiiii, o que mudámos

Agora, diz a Polónia para a Europa:

- Na minha casa mando eu, mas vocês pagam as contas, certo?!

Ai que inveja! Como ficaram espertos!

8 de outubro de 2021

Delete, claro

 


Foi o que fiz em 1 de Janeiro e o que o mundo inteiro precisaria de fazer.
Uma grande capa.

5 de outubro de 2021

Está reaberto o estaminé

 Reabriu sem comentários, explicações ou publicidade


(...caminhar pelas ruas fora) pode ser uma maneira de induzir o sonhar acordado, a subjectividade e a imaginação, uma espécie de dueto entre as solicitações e interrupções do mundo exterior e o fluxo de imagens e desejos (e medos) do mundo interior.
Por vezes, pensar é uma actividade de ar livre. E física.

Rebecca Solnit
"As Coisas que os Homens me Explicam", conjunto de ensaios sobre as questões do feminismo e da situação das mulheres.

A autora, "inventou" a palavra mansplain, escolhida como palavra do ano em 2013, para a situação em que os homens explicam às mulheres coisas que elas sabem e eles não sabem.
Quem, sendo mulher, não viveu já esta situação?

30 de setembro de 2015

Vou andando












 








Vou pôr-me a caminho da minha assembleia de voto.

Vou expectante, mortinha por saber, finalmente, o que resolvem os portugueses depois destes quatro anos em que foram tratados abaixo de cão.

Pessoalmente, e em termos políticos, vivi quatro anos e meio de indignação, às vezes repulsa, às vezes medo, muito azedume, e náusea persistente.

No domingo, será encerrado este ciclo; ou não, porque, usando uma boa lapalissada, direi que ou o governo ganha, ou o governo perde.

Ingénua, talvez, ainda acredito que, ao contrário do que as sondagens nos querem fazer crer, os portugueses talvez não tenham gostado assim tanto de ser sodomizados à bruta.

Por isso, ponho as minhas fichas na derrota da coligação. PaFfffffffff!

A ser assim, e se o PS ganhar, espero que não tenha maioria absoluta, e que seja obrigado a negociar. Depois de Sócrates, passei a achar que a maioria absoluta é um mal absoluto.

Porém, no caso de o absurdo se concretizar, isto é, caso a coligação vença, por convicção ou falta de comparência dos cidadãos, a minha decisão está tomada: vou virar-me do avesso.

Não terei mais angústias com o desmantelar da escola pública, do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social e dos apoios aos mais pobres. Não me preocuparei mais com a Justiça e as suas descaradas injustiças, os negócios e as negociatas, a emigração, a precariedade, as desigualdades, a mão-de-obra barata, as senhoras e senhores da assistência.

Pedro, Paulo, seus mentores e seguidores, aproveitarão para concluir a enorme transformação do país que já encetaram, e a mim nada me resta se não admitir que, às vezes, é preciso deixar que se “albarde o burro à vontade do dono”.

Se o voto dos portugueses apontar claramente para uma preferência pelos colégios privados, os seguros de saúde, os fundos de pensões privados, os pobrezinhos mas honestos, a caridade, o assistencialismo, as remessas de francos suíços e o tratamento ao pontapé, eu terei votado vencida.
Mas não há drama.

Fiz um muito pessoal ponto da situação e constatei que: eu já estou mais para lá do que para cá, os meus filhos já se foram embora, netos não tenho (mas se os vier a ter, talvez sejam noruegueses, ou suíços, ou japoneses, sei lá). Então, por que raio deveria continuar a sofrer, querendo preservar para o futuro o que a maioria de nós quer deitar pela borda fora?
Nááá, não o farei.

Quererá isto dizer que passei de resistente a desistente? Não será bonito, mas é bem possível, admito.

Se o PS ganhar, como espero e desejo, fico contente por uma noite, e depois recomeça a porrada, porque sei que o fundamental não mudará. Mas, ao menos, mudam as moscas, e chegámos tão fundo que com isso já me alegro.

Não votarei útil. Porque não quero, mas, diga-se em abono da verdade, e feitas as contas, também não é preciso.

E fico mesmo piursa quando me dizem que, sendo de esquerda, se não votar PS estou a desperdiçar o voto. (Que me lembre, o autor desta “descoberta”, Manuel Alegre, não considerou um desperdício os votos da esquerda nele próprio quando se candidatou e perdeu).

Para a pata que os pôs mais a democracia deles.

O meu voto não é uma “utilidade”. É um direito e um dever, qualquer coisa mais do domínio do imaterial. Viver de “utilidades” é uma grande chatice. E cansa.

Cansada também, confesso, estou das guerras entre bolchebiques, mencheviques, do renegado Kautsky, do renegado Trotsky, e do mais que já esqueci.

No domingo, votarei no programa e nas pessoas em que me apetece votar, mas não vou revelar quais são por três razões fundamentais:

- apesar de, nas redes sociais, ser tudo às escâncaras, este atávico secretismo sobre o voto dá-me frisson.

- o sentido do meu voto não interessa nem ao Menino Jesus.

- não tenho seguidores e não espero convencer ninguém, e também não vou matar a curiosidade aos curiosos.

No meio de tanta incerteza no domingo, votarei, como sempre, com uma enorme alegria e um desmedido sentimento de gratidão − pelos Capitães de Abril, pois claro.

 
PS: este blogue termina aqui.

Durou, de modo desigual, desde antes da queda de Sócrates, até às novas eleições quatro anos e meio depois − os anos de chumbo.

Não o vou encerrar porque me parece de todo desnecessário − uma vez na internet, sempre na internet, dizem.

A quem por aqui me visitou, o meu obrigada. Aos outros bloggers que, por causa deste, conheci, reitero que foi um prazer.

Para todos, bom domingo, boas escolhas, dias felizes e até à vista.
Vou andando.