terça-feira, maio 10, 2011

Sim, eu gosto.

No Expresso de 7 de Maio, Henrique Raposo, um cronista de quem até já discordei aqui publica uma crónica (sem link), que começa assim:
O cinismo é a base da cultura pós-modernista, uma peçonha cool que nos anestesia há décadas. E este cinismo assenta numa ordem muito simples: é proibido acreditar.
Desta vez concordo com o cronista. Vem isto a propósito do filmezinho que corre na internet, feito para as Conferências do Estoril, sobre Portugal, e dirigido aos finlandeses.
É um filme interessante, sobre um país periférico e mediterrânico que é desconhecido, hoje em dia, da maior parte dos povos de outros países. O filme mostra, com acerto, simplicidade e humor, que nem sempre estivemos de mão estendida, que chegámos a dividir o mundo com a Espanha, que houve muita glórias passadas mas também algumas actuais e, no fim, aborda, para os finlandeses, uma das nossas melhores características – ainda somos generosos e solidários.
Devíamos ver um filme destes todos os dias, como quem toma um remédio, para ver se mudávamos este permanente estado de descrença e lástima miserabilista, em que sempre nos achamos piores que todo os outros, coisa que não passa pela cabeça de nenhum outro povo europeu. Espanhóis, franceses, britânicos, italianos e gregos, por exemplo, acham-se sempre o supra-sumo quer no passado quer no presente.
À nossa tendência natural para nos acharmos uns “coitadinhos”, junta-se uma miríade de comentadores, em todos os meios de comunicação social, apostados em nos enterrarem ainda mais, sempre reforçando o que vai mal. São também os cínicos de que fala Henrique Raposo, para quem é proibido acreditar, e insinuar, sequer, que se ama este país, é sinal de piroseira reaccionária. Eles são, em suma, aqueles que costumo dizer que só se sentem bem quando se sentem mal.
Gostei do filme, sim, e tanto me orgulho da era dos descobrimentos como do Serviço Nacional de Saúde, das marcas arquitectónicas de Portugal espalhados pelo mundo como dos dois Pritzker, de ter uma língua falada em 5 continentes como da Expo 98, de termos abolido a pena de morte e a escravatura bem cedo, como das grandes e pequenas invenções dos nossos cientistas actuais.
Era bom que todos tomássemos consciência do que realmente somos, nem mais nem menos, e que percebêssemos que este é apenas mais um dos maus momentos dos muitos que Portugal já viveu e ultrapassou.
Já agora, de caminho, devíamos enfiar os cínicos de serviço onde eles merecem estar.

1 comentário:

  1. Completamente de acordo!
    Mas que "chatice" de gente que só se sente bem(?)a "enterrar" tudo e todos!
    Não tenho mais paciência. Estou noutro "comprimento de onda" porque "vira o disco e toca o mesmo" já não se aguenta.
    Bravo D. Micas.

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