Shuggie Bain, de
Douglas Stuart, foi o vencedor do Booker Prize 2020.
Numa Glasgow fria,
húmida e atravessada pela miséria criada pela política económica
e social de Margaret Thatcher nos anos 1980 e 1990, por via do
encerramento das minas de carvão, assistimos à abjecta degradação
da classe trabalhadora.
Este é o cenário
da vida duma família desestruturada, centrada numa mulher muito
bonita e bem educada, mãe de três filhos de dois casamentos, que se
vai afundando no álcool no bairro triste, pobre, e que vive de
magras senhas da segurança social.
É a história de
amor de um filho “diferente” pela sua mãe, do seu sofrimento
infantil, das suas tentativas para a salvar, numa completa inversão
de papéis entre cuidador e cuidado.
Shuggie não salva a
mãe, mas também não se perde a si próprio.
Verdadeiramente
tocante e chocante, um episódio perto do final: Shuggie, agora com
15 anos, parece, finalmente, ter encontrado uma amiga, coisa que
nunca tinha tido.
Encontra-se com ela
na parte central da cidade onde ela espera encontrar a mãe,
alcoólica e prostituta para, na rua, e com a protecção de um
casaco, lhe mudar a roupa interior.
Escrita realista,
com pequenos desvios temporais, de fácil mas agradável leitura.