17 de outubro de 2021

3 Livros

 


Três magníficos.
Natalia Ginzburg fala-nos da sua família, integrada no tempo que vai correndo em Itália e no mundo. Com ela percebemos o que já sabíamos sem saber que sabíamos, isto é, que todas as famílias têm o seu linguajar próprio, o seu léxico familiar. Foi contemporânea de Pavese com quem trabalhou na célebre editora Einaudi e dele, a certa altura do livro, e a propósito da sua vida e do seu suicídio, traça um belo e lúcido perfil.
Sobre os outros dois livros, ocorre-me dizer que se pode escrever sobre a dureza da vida com gentileza e sensibilidade (Pavese), ou pode-se agarrar nos cabelos do leitor e atirá-lo contra a parede (Toni Morrison).
Da leitura de todos se sai mais vivo.

13 de outubro de 2021

Diabe que @s carregue

Eu, que tenho da velhice uma visão tenebrosa, às vezes dou comigo a pensar que nem me importo de já não ser assim tão nova.

É que  as aprendizagens e adaptações que são agora pedidas aos mais novos, tornariam, no meu caso,  qualquer interacção com outros numa espécie de caminhada sobre pregos. E eu não estudei para faquir.

Vem isto a propósito da nova linguagem que as questões de género, centrais nos nossos dias, trouxeram acoplada nas suas costas (largas).

Para dar um exemplo: vi no Twitter uma pessoa a pedir para ser chamada apenas de Jo e só com uso de “pronomes neutros” (dixit).

Escreveu “eu própri” e várias pessoas responderam ao pedido chamando-lhe linde e queride.

Ora, eu não sei falar isto. Nem vou aprender.

Ouvi dizer que, nas universidades, se o professor não respeitar a escolha de género do aluno, ou até, o que é pior, a sua não escolha (quando alguém diz que o seu género é neutro, isto é, nem homem nem mulher), pode muito facilmente ser admoestado ou mesmo corrido. Assim sendo, respeitar a escolha de género implica, por vezes, deixar de falar, com essa pessoa, o português corrente, e à mais pequena escorregadela está lixad@.

Fico tão aparvalhada com estas coisas, sinto que já não sou daqui, e dou comigo a pensar - oh cum cagarague, este é mesmo um tempo de camandre.

Pardon my french.

12 de outubro de 2021

Uma gargalhada e um ensinamento

 Gargalhada:

Armando Vara tem estado preso porque recebeu vinte e cinco mil euros (25000€) e mais sete mil (7000€) em prendas (onde devem caber os robalos, suponho).

Rendeiro, Salgado, Vale e Azevedo, entre outros, desviaram milhões e estão a viver bem e livres

Ensinamento:

Se queres roubar, rouba muito, porque pouco dá cadeia.

11 de outubro de 2021

Coisas de miúdos


 E diz o Francisco

- Nuno, deixa o miúdo em paz. O Telmo é mais pequeno, é meu amigo, e anda triste. 

E diz o Nuno

- Quero lá saber, não gosto de fracotes. Gosto de betos abrutalhados como eu.

Foto do Público

10 de outubro de 2021

Polónia

Palácio e lago Lubomirski em Varsóvia


Quando estive na Polónia ainda eu era assim, e os polacos um bocado toscos e ingénuos.

Daí para cá... tchiiii, o que mudámos

Agora, diz a Polónia para a Europa:

- Na minha casa mando eu, mas vocês pagam as contas, certo?!

Ai que inveja! Como ficaram espertos!

8 de outubro de 2021

Delete, claro

 


Foi o que fiz em 1 de Janeiro e o que o mundo inteiro precisaria de fazer.
Uma grande capa.

5 de outubro de 2021

Está reaberto o estaminé

 Reabriu sem comentários, explicações ou publicidade


(...caminhar pelas ruas fora) pode ser uma maneira de induzir o sonhar acordado, a subjectividade e a imaginação, uma espécie de dueto entre as solicitações e interrupções do mundo exterior e o fluxo de imagens e desejos (e medos) do mundo interior.
Por vezes, pensar é uma actividade de ar livre. E física.

Rebecca Solnit
"As Coisas que os Homens me Explicam", conjunto de ensaios sobre as questões do feminismo e da situação das mulheres.

A autora, "inventou" a palavra mansplain, escolhida como palavra do ano em 2013, para a situação em que os homens explicam às mulheres coisas que elas sabem e eles não sabem.
Quem, sendo mulher, não viveu já esta situação?

30 de setembro de 2015

Vou andando












 








Vou pôr-me a caminho da minha assembleia de voto.

Vou expectante, mortinha por saber, finalmente, o que resolvem os portugueses depois destes quatro anos em que foram tratados abaixo de cão.

Pessoalmente, e em termos políticos, vivi quatro anos e meio de indignação, às vezes repulsa, às vezes medo, muito azedume, e náusea persistente.

No domingo, será encerrado este ciclo; ou não, porque, usando uma boa lapalissada, direi que ou o governo ganha, ou o governo perde.

Ingénua, talvez, ainda acredito que, ao contrário do que as sondagens nos querem fazer crer, os portugueses talvez não tenham gostado assim tanto de ser sodomizados à bruta.

Por isso, ponho as minhas fichas na derrota da coligação. PaFfffffffff!

A ser assim, e se o PS ganhar, espero que não tenha maioria absoluta, e que seja obrigado a negociar. Depois de Sócrates, passei a achar que a maioria absoluta é um mal absoluto.

Porém, no caso de o absurdo se concretizar, isto é, caso a coligação vença, por convicção ou falta de comparência dos cidadãos, a minha decisão está tomada: vou virar-me do avesso.

Não terei mais angústias com o desmantelar da escola pública, do Serviço Nacional de Saúde, da Segurança Social e dos apoios aos mais pobres. Não me preocuparei mais com a Justiça e as suas descaradas injustiças, os negócios e as negociatas, a emigração, a precariedade, as desigualdades, a mão-de-obra barata, as senhoras e senhores da assistência.

Pedro, Paulo, seus mentores e seguidores, aproveitarão para concluir a enorme transformação do país que já encetaram, e a mim nada me resta se não admitir que, às vezes, é preciso deixar que se “albarde o burro à vontade do dono”.

Se o voto dos portugueses apontar claramente para uma preferência pelos colégios privados, os seguros de saúde, os fundos de pensões privados, os pobrezinhos mas honestos, a caridade, o assistencialismo, as remessas de francos suíços e o tratamento ao pontapé, eu terei votado vencida.
Mas não há drama.

Fiz um muito pessoal ponto da situação e constatei que: eu já estou mais para lá do que para cá, os meus filhos já se foram embora, netos não tenho (mas se os vier a ter, talvez sejam noruegueses, ou suíços, ou japoneses, sei lá). Então, por que raio deveria continuar a sofrer, querendo preservar para o futuro o que a maioria de nós quer deitar pela borda fora?
Nááá, não o farei.

Quererá isto dizer que passei de resistente a desistente? Não será bonito, mas é bem possível, admito.

Se o PS ganhar, como espero e desejo, fico contente por uma noite, e depois recomeça a porrada, porque sei que o fundamental não mudará. Mas, ao menos, mudam as moscas, e chegámos tão fundo que com isso já me alegro.

Não votarei útil. Porque não quero, mas, diga-se em abono da verdade, e feitas as contas, também não é preciso.

E fico mesmo piursa quando me dizem que, sendo de esquerda, se não votar PS estou a desperdiçar o voto. (Que me lembre, o autor desta “descoberta”, Manuel Alegre, não considerou um desperdício os votos da esquerda nele próprio quando se candidatou e perdeu).

Para a pata que os pôs mais a democracia deles.

O meu voto não é uma “utilidade”. É um direito e um dever, qualquer coisa mais do domínio do imaterial. Viver de “utilidades” é uma grande chatice. E cansa.

Cansada também, confesso, estou das guerras entre bolchebiques, mencheviques, do renegado Kautsky, do renegado Trotsky, e do mais que já esqueci.

No domingo, votarei no programa e nas pessoas em que me apetece votar, mas não vou revelar quais são por três razões fundamentais:

- apesar de, nas redes sociais, ser tudo às escâncaras, este atávico secretismo sobre o voto dá-me frisson.

- o sentido do meu voto não interessa nem ao Menino Jesus.

- não tenho seguidores e não espero convencer ninguém, e também não vou matar a curiosidade aos curiosos.

No meio de tanta incerteza no domingo, votarei, como sempre, com uma enorme alegria e um desmedido sentimento de gratidão − pelos Capitães de Abril, pois claro.

 
PS: este blogue termina aqui.

Durou, de modo desigual, desde antes da queda de Sócrates, até às novas eleições quatro anos e meio depois − os anos de chumbo.

Não o vou encerrar porque me parece de todo desnecessário − uma vez na internet, sempre na internet, dizem.

A quem por aqui me visitou, o meu obrigada. Aos outros bloggers que, por causa deste, conheci, reitero que foi um prazer.

Para todos, bom domingo, boas escolhas, dias felizes e até à vista.
Vou andando.

 

4 de julho de 2015

Daqui, do meu “Olimpo”











Aqui sentada no meu tranquilo “Olimpo”, não vou dizer − “se eu fosse grega” fazia isto ou fazia aquilo.

Não vou, mas também não vou negar que com este longo processo, que está longe do fim, ora me inquieto ora me regozijo, ora deprimo ora barafusto, ora acalmo ora confio, ora desconfio. Tem sido cansativo, às vezes quase desesperante, mas sempre nos pôs o sangue a correr nas veias, e isso é bom, muito bom.

Aqui sentada no meu tranquilo “Olimpo”, tenho testemunhado uma das maiores, se não a maior e mais escandalosa campanha de desinformação a que já assisti.

Aqui sentada no meu tranquilo “Olimpo”, e à aproximação de domingo, ser-me-ia muito fácil escrever OXI, OXI, OXI (o Não grego), quase como se os gregos tivessem o dever de votar Não, e com esse seu acto de rebeldia ou desespero devessem resgatar, não só a sua honra, mas sobretudo a nossa.

A quantidade de anos já vividos, porém, permite-me saber, antes de mais, que é preciso estar “nos sapatos” dos outros para perceber a verdadeira dimensão dos problemas que os afligem.

Por isso acho que OXI não pode ser uma bandeira de que nos apropriamos alegremente nas redes sociais.

Se eu fosse grega, sei lá o que faria.
Se eu fosse grega, sei lá em que situação me encontraria.
Se eu fosse grega, sei lá como avaliaria as consequências para o futuro do meu país em geral e da minha família em particular.

Aqui sentada no meu tranquilo “Olimpo”, é verdade que também eu desejo que os gregos se decidam pelo Não. Que digam BASTA.

Contudo, se amanhã eles não o puderem fazer, eu entendo. E respeito.
É isso. Seja o que for que aconteça, eu respeito

PS: OXI, OXI, OXI.

24 de junho de 2015

Do lado certo do betão










 
 
 
 
 
 
Poucos anos depois de eu nascer, a Europa do pós-guerra acordou um dia com a construção de um muro em Berlim.

O mundo ocidental chamou-lhe “Muro da Vergonha”.

Com ele cresci e vivi até 1989, data em que o muro foi derrubado pelos povos de leste e todos, no leste e no oeste, achámos que iríamos viver tempos de paz, liberdade e prosperidade.

Não foi o que aconteceu, como muito bem sabemos hoje, mas a minha mais recente perplexidade resulta da tomada de conhecimento da construção de novos muros: a Hungria constrói um muro de 175 quilómetro de comprimento por quatro de altura, ao longo da sua fronteira com a Sérvia, para impedir a entrada de clandestinos, e a Bulgária constrói uma cerca ao longo de toda a linha fronteiriça com a Turquia, junto à cidade búlgara de Lesovo, para impedir a entrada de refugiados. O primeiro trecho, com cerca de 32 quilómetros, ficou concluído em Setembro.” (aqui e aqui)

Afinal, na Europa, e segundo percebo:

a) os muros só são da vergonha se construídos por comunistas;
 
b) também não é vergonha nenhuma os pobres enxotarem os miseráveis;

c) os muros, para estes povos tantos anos subjugados por um, até são, afinal, uma forma expedita de resolver problemas, desde que consigam ficar do lado certo do betão

4 de junho de 2015

Aprender latim


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando li esta notícia sobre oferta de aulas de latim e grego no ensino preparatório, o meu coração, que é um bicho esquisito, encheu-se de alegria nas aurículas e de tristezas nos ventrículos.

Alegria, pela extraordinária oportunidade que é dada aos miúdos de hoje de começarem a aprender as línguas mortas antes da vivas e de, com essa fantástica ferramenta virem, quiçá, a perceber porque passou toda a gente a escrever espetador, ótimo ou Egito, por exemplo.

Cá por mim, acho esta escrita tão obtusa que me parece que terá raízes num esquecido decreto, sobre normas de ortografia, publicado por Calígula que, como toda a gente sabe, não batia bem da bola e fumava coisas de pouca qualidade.
Mas a aprendizagem do latim vai ajudar os miúdos a perceber, tenho a certeza, como a tenho sobre a visão de futuro de Nuno Crato.

A tristeza que me inundou os ventrículos advém de eu própria não ter tido tamanha oportunidade quando era pequenina.

É que eu só estudei latim aos 15 e 16 anos e, sendo certinho que não me lembro de nada, posso dizer que gostei muito – não tanto do latim em si, mas desse tempo das cerejas em que eu aprendia (pouco) latim, mas muito sobre…julgo que era química.

21 de maio de 2015

Exposição de João Queiroz


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A (este Artista) + C (este Curador) = EI (Exposição Imperdível)

Aguarelas de João Queiroz. Curadoria de Bruno Marchand

Inaugura no sábado, 23, às 17h, na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa.

10 de maio de 2015

Phoenix









 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Vale a pena ver o filme Phoenix.

Segundo crítico do jornal i “uma história que joga com a culpa, a traição, os traumas e a adaptação a uma vida a ajustar contas com a guerra e as marcas do nazismo. “Phoenix” é a história de amor de um casal, interrompida pelos horrores da II Guerra Mundial e pelas certezas e juras perdidas.
Poderá o amor ser o alento para lhes sobreviver ou terá ele próprio sucumbido à luta para manter a própria vida? Poderá a identidade permanecer a mesma depois de tudo isso?”

Vi neste filme belo, sóbrio e tocante, sem deixar de ser duro e intenso, duas Phoenix – a heroína, a judia Nelly Lenz, mas também a própria Alemanha que, renascendo das cinzas, forçosamente se reinventam.

1 de maio de 2015

1 de Maio 1974










 
 
 
 
 
 
 
Roubei esta imagem de 1 de Maio 1974 no Facebook. Tal como a dona da foto, eu também lá estava, mas não tenho uma única fotografia. Só memória.

Os meus pais vieram de Évora passar esse dia comigo, até porque ainda não nos tínhamos visto desde o dia 25 de Abril.

A viagem que fizeram, na camioneta da Setubalense, entre Évora e Lisboa, era coisa para durar 3 horas ou 3 horas e meia, com paragens em Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Pegões e Setúbal, tudo entrepostos em se carregava e descarregava muita bagagem, acomodada no tejadilho do veículo.

Esperei-os no fim da carreira, isto é, na Praça de Espanha, no sítio onde veio a existir o primeiro Teatro Aberto, e foi ali mesmo que demos início aos festejos – primeiro os íntimos e depois os colectivos.

Sobre a manifestação, nada a acrescentar. Quem a viveu, viveu, quem não a viveu…temos pena.

Éramos, então, todos anti-fascistas, amigos e amigas, camaradas e companheiros, o futuro era nosso e “fascismo nunca mais”.

Não conseguimos, como muitíssimos outros, entrar no estádio do INATEl, mas isso não teve nenhuma importância porque “o povo unido nunca mais será vencido”.

Como se sabe, o povo começou a desunir-se logo no dia seguinte, sendo isso a coisa mais natural do mundo. Eu é que ainda não o sabia.

Porque esse era também o tempo em que “eu era feliz e ninguém estava morto”.

20 de março de 2015

O pau











 
 
 
Há um novo brinquedo no mercado – o pau de selfie.

A chegada desta nova geringonça vai acabar com mais um antigo e divertido ritual do turista – escolhia-se um asiático, turista como nós, com a máquina fotográfica ao pescoço, e pedia-se-lhe: would you, please, take us a picture?

Ele (a) sorria, ou não, respondia sure, a gente fazia pose e, no fim, despedíamo-nos todos com simpatia, como o engenheiro Sousa Veloso no tempo do TV Rural.

Aquela foto, tirada pelo asiático criteriosamente escolhido, era a prova provada, e com grande probabilidade a única, de que tínhamos estado mesmo lá, e juntos.

A partir de agora, basta sacar o tal pau de dentro da mochila, e disparar.

A posteridade deduzirá, talvez, que esta foi a época de ouro das relações, porque os casais em férias surgirão, em milhares de fotografias, juntinhos e risonhos.

E pronto, e assim se acabou também com a interacção fotográfica com turistas asiáticos.

Só nos últimos anos já vi desaparecer tanta gente, tantas ideias, tantos costumes, tantas profissões, tantos modos de fazer que às vezes penso que vivo mas é num buraco negro – num daqueles com muita massa, que tudo sugam e tudo fazem desaparecer.
Medo!

15 de março de 2015

O rei vai nu









Não posso negar que a visão de Varoufakis na varanda foi, para mim, o equivalente a um murro no estômago.

Nas redes sociais, a esquerda, maioritariamente, remeteu-se a um silêncio de sepulcro. Alguns, poucos, trataram de usar a velha argumentação – um marxista não precisa de ser pobre, um marxista pode ser um bon vivant, um marxista pode gostar, e comprar, as coisas boas e caras da vida.

Por mim, acrescento ainda que um marxista do século XXI tem também direito a gostar de reportagens pirosas, a ter os seus dez minutos de fama, a fazer o seu marketing pessoal (e o da sua mulher), a ser vaidoso e a fazer parvoíces.

São direitos inalienáveis das pessoas, de esquerda ou de direita, mas, neste caso, e como argumento de defesa, acho fraquito. E faz sorrir.

Olho aquelas foleiríssimas imagens e pergunto-me: se Varoufakis decidisse viver como um franciscano isso adiantava alguma coisa aos gregos e à Europa?
 
Não! Nada, nadinha!

Exibir uma vida boa numa reportagem fútil e pirosa faz mal aos gregos à Europa?

Neste momento histórico, faz!

Não porque ele não tenha direito a uma vida boa, mas porque passa uma mensagem de futilidade e falta de concentração que em nada contribui para aumentar a credibilidade do ministro. Nem fomenta o respeito dos adversários com quem está a ter duras negociações sobre o futuro do seu país.

As nuvens adensam-se. Não vou negar que já achei esdrúxula a ideia de pôr estudantes, donas de casa e turistas a fazer de fiscais das finanças mas, ainda assim, dei o benefício da dúvida. Esta rosada reportagem, porém, foi como levar com um inopinado par de cornos.

Além do mais, almocinhos na varanda com brinde para a fotografia da revista sempre foram alvo de chacota e desprezo por parte da esquerda.

Doeu. E fez medo. Entre outros, fez nascer o medo de que Varoufakis seja apenas mais um flop em vez de ser, finalmente, alguém de quem nos possamos orgulhar.

Neste episódio, a maioria calou-se, alguns optaram por dizer que o fato do rei é lindo e que ele tem todo o direito de usar o que lhe apetecer.

A mim, porém, parece-me apenas que o rei vai nu.

 

PS: acabo de ler aqui que Varoufakis já se arrependeu de ter feito a reportagem. Uma boa lição para os seus defensores lusos.

 

13 de março de 2015

Mais uma escandaleira, é o que é.





 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esta notícia - PS pagou a Costa em 2007 para ser assessor político - que desde ontem está em todos os jornais, que me aparece no Facebook post sim, post não, e que, de facto ninguém lê para além do título, deixa-me muito revoltada.

Como se pode admitir que um partido, neste caso o PS, tenha pedido a um dos seus, por acaso, ao tempo, um ministro, que deixasse o lugar e se candidatasse à Câmara da capital do país sem o advertir imediatamente de que, entretanto, até ser eleito (ou não) teria que viver na indigência por uns dois meses?

O PS devia ter deixado o António Costa sem trabalho, sem dinheiro, sem camisa, e em jejum.

Só assim evitaria que, daí a oito anos, um qualquer estarola se lembrasse de fazer, sobre o tema, uma não-notícia induzida por um título idiota.

Além do mais, o que é que o PS tem que contratar um dos seus para assessor político?
Isso é imperdoável nepotismo!

Devia era ter contratado, p’raí, sei lá… o Nuno Melo.
Isso sim, era decente.
 

26 de fevereiro de 2015

António Costa, largue o osso














 
 
 
 
 
Caro António Costa, estou em vias de perder a paciência consigo.

Para começo de conversa tenho que lhe confessar que fui daquelas que muito se insurgiram contra a inépcia do seu colega Seguro, e que achei que o senhor poderia fazer melhor oposição.

Perplexa, após cinco meses de exercício do cargo, não percebi ainda qual a grande diferença entre ambos. E não serei a única, julgo.

Desde que se tornou secretário-geral do PS, o senhor, quando não está calado, está a pôr velas à Senhora da Asneira.

Só nos últimos tempos, houve a história do 1 euro para aterrar em Lisboa, do aumento das taxas na factura da água, da proibição de circulação de veículos antigos, do perdão de taxas ao Benfica, tudo decisões polémicas, tomadas no âmbito da sua actividade autárquica.

Deixe que lhe pergunte: por que não larga a Câmara?

É que esta, não só lhe rouba tempo para a política nacional, como o obriga a tomar medidas às vezes impopulares, às vezes incompreensíveis, às vezes apenas parvas, mas que são aproveitadas contra si, e sem contemplações, pela corja que está no poder.

O grande tiro no pé, porém, foi dado agora no discurso que fez para chinês ouvir.

Eu sei que o senhor não queria dizer que o país está melhor, sei que não o disse, que usou a palavra “diferente”, mas toda a gente percebe que, se quer vender um produto e diz que ele é diferente, só pode ser para melhor.

O que lhe aconteceu neste infeliz momento, e que talvez venha a acontecer noutros, resulta, parece-me, da falta de preparação; daquela preparação que o senhor não está a fazer, talvez por falta de tempo.

Ao contrário, o malandreco do Nuno Melo, mais os seus amigalhaços, têm muito tempo, e estarão sempre à coca para o entalar, não duvide.

Insisto: por que não deixa a Câmara para o fresco Medina e não se dedica a estudar os dossiês, a treinar reações rápidas e eficazes, a preparar os discursos e os improvisos?

Vai-me falar no Jorge Sampaio? Vai-me dizer que ele fez o mesmo e que foi eleito Presidente da República? Bom, a verdade é que, para além de isso ter sido há vinte anos, num tempo bem diferente, portanto, o senhor também não é o Jorge Sampaio. Bem longe disso, aliás.

Sinto, na sua actuação política, uma desconcertante ligeireza, e uma ausência de percepção de como estamos todos à beira do colapso nervoso.

Sugiro-lhe que deixe para lá o Alfredo Barroso, que apenas aproveitou o momento para sair do PS − não se perde grande coisa, e amanhã já ninguém se lembra, não se preocupe comigo que já perdi a paciência consigo, mas tente, ao menos, respeitar os milhares de portugueses que, em Setembro, saíram de casa para o apoiar, preparando-se condignamente.

O caminho, para si, e até às eleições, estará sempre pejado de cascas de banana, mas se largar “o osso” da Câmara evitará uma enormidade delas, vai ver.

Não acredito que siga o meu conselho, mas será pena.

Curiosidade: este é o milésimo post deste blog.