28 de julho de 2011

Estamos cansados, ó bilionários!

Os 25 mais ricos de Portugal aumentaram fortunas para 17,4 mil milhões

Estamos cansados de ler sempre as mesmas notícias.
Estamos cansados de vós, ó bilionários, não por serem ricos, mas porque a vossa riqueza não produz nem redistribui riqueza.
Estamos cansados de 10 anos de crise enquanto vocês engordam.
Estamos cansados de impostos, enquanto vocês engordam.
Estamos cansados de “cortes”, enquanto vocês engordam.
Estamos cansados de aumentos, enquanto vocês engordam.
Estamos cansados de taxas, enquanto vocês engordam.
Estamos cansados de carregar a culpa, enquanto vocês engordam.
Estamos cansados. Estamos cansados. Estamos cansados.
Mas, povos cansados também fazem história. É só ler a História.

27 de julho de 2011

Olhando os outros

Elas chegavam impreterivelmente às 18h30. Todos os dias.
Iguais. Apenas separadas por trinta anos de vida vivida, ou por viver.
As cadeiras de praia e a sombrinha previamente alugadas lá estavam à espera,
paralelas mas ligeiramente oblíquas em relação ao mar. Procuravam o sentido do sol, uma um pouco atrás da outra.
O ritual começava então.
Dos enormes sacos saiam duas toalhas rigorosamente iguais, com riscas azuis e amarelas, que eram estendidas nas cadeiras e presas na parte superior da lona com gestos precisos e domésticos. Os sacos eram colocados nos assentos e tapados com a parte restante da toalha. A filha tirava rapidamente a “saída de praia”, calçava os sapatos de plástico, alinhava com o elástico o cabelo já alinhado, e dirigia-se para a beira da água. Para lá e para cá, trinta passos de cada vez. Tinha a posição corporal do atleta nos momentos de concentração antes da prova que preparou durante todo o ano. Cabeça ligeiramente flectida, passos certos e cadenciados, a suave palmada na coxa, como que para descontrair a mão, ou afugentar o medo de falhar.
Contudo, o seu corpo não tinha nada de atlético. Miúdo e magro, razoavelmente moldado no biquíni discreto.
De vez em quando permitia-se sair da concentração e, com um olhar furtivo, averiguava o estado de preparação de sua mãe para o banho de mar.
Esta, tomava o seu tempo. Despia a bata, colocava o boné verde, calçava uns ténis, punha batom protector, arrumava e tornava a arrumar. Quando terminava, com inequívoco sinal de maior minúcia materna, quebrava a sintonia recolhendo os cantos da toalha sob o saco, como quem faz a cama.
Finalmente pronta.
A filha prontamente acorria, dava-lhe um esvoaçante mas terno beijo no ombro, pegava-lhe na mão e caminhavam assim, durante muito tempo, por dentro do mar chão e prata do entardecer.
Nunca vi a mãe beijar a filha.

26 de julho de 2011

Bom apetite!

Podem homens inteligentes, subitamente, transformar-se em adoradores de nabos?
Podem. É só ver a devoção com que alguns, na disputa eleitoral do PS, se entregaram ao TÓ ZÉ. E que felizes ficaram!
Aqui deixo, para todos, sinceros votos de boa digestão do tubérculo que tanto apreciam.

25 de julho de 2011

Trilhos (ou o amor aos livros)

No meu caso, não há maneira mais rápida de fazer amigos que encontrar alguém que ame os livros; será assunto encerrado se amarmos os mesmos livros.
Começamos por os referir, depois trocamo-los, e por fim comentamo-los com aquele sorriso largo e cúmplice de puro deleite partilhado.
Recentemente, uma amiga assim ofereceu-me um livro que já me tinha emprestado há uns bons anos. Não foi um livro igual àquele, não, foi o mesmo livro, aquele cujas páginas eu já tinha percorrido bem envolvida na escrita, na aventura, na “moral da história”.
Pego-lhe, manuseio-o já bem usado, cheiro-o, acho que o acaricio até, olho de novo as palavras manuscritas de fresco e, nesse exacto momento, sou feliz.
Tem por título Trilhos – No deserto australiano com quatro camelos e um cão.
A autora é Robyn Davidson, foi escrito em 1980 e publicado em Portugal pela Quetzal em 1999.
Sobre ele Doris Lessing escreveu:
“Um livro forte e estimulante escrito por uma jovem e original escritora (…). Este livro figurará entre os melhores livros de exploração e viagem e, como eles, é um testemunho de auto-descoberta e auto-avaliação”.
É isso mesmo.
Talvez ainda se encontre por aí, não é certo, mas agora eu tenho-o.
A Paula ofereceu-mo.

24 de julho de 2011

Coisa ruim

Saí daqui há uma semana e parece que, entretanto, coisa ruim tomou conta da situação.
A Europa, como diria o Gedeão, "faz que anda mas não anda, parece de brincadeira"
Morreu Amy Winehouse.
Morreu Lucian Freud.
O atentado de Oslo matou quase 100 pessoas.
Portugal não escapou ao desastre e o PS acaba de eleger para secretário-geral António José Seguro.
Livra !

13 de julho de 2011

A TMN e as suas manigâncias

Há cerca de um ano comprei uma pen de banda larga da TMN.
As condições obrigavam-me a fazer um carregamento de 10 euros a cada seis meses.
Em contacto telefónico, feito por mim e por outros motivos, vim a saber que as regras mudaram e que agora é obrigatório o carregamento de 10 euros mas a cada 3 MESES.
Eu acho que isto tem um nome feio mas, como toda a gente sabe qual é nem vale a pena escrevê-lo.
Vale a pena é confirmar que a PT (e a sua TMN) é mesmo LIXO.

Um país às avessas

Eu nem sou admiradora do pensamento do João César das Neves mas este artigo de opinião que publicou no dia 11 de Julho no DN, e que transcrevo, tem muito de verdadeiro e mostra bem um país às avessas

Há dias um pobre pediu-me esmola. Depois, encorajado pela minha generosidade e esperançoso na minha gravata, perguntou se eu fazia o favor de entregar uma carta ao senhor ministro. Perguntei-lhe qual ministro e ele, depois de pensar um pouco, acabou por dizer que era ao ministro que o andava a ajudar. O texto é este:
"Senhor ministro, queria pedir-lhe uma grande ajuda: veja lá se deixa de me ajudar. Não me conhece, mas tenho 72 anos, fui pobre e trabalhei toda a vida. Vivia até há uns meses num lar com a minha magra reforma. Tudo ia quase bem, até o senhor me querer ajudar.
Há dois anos vierem uns inspectores ao lar. Disseram que eram de uma coisa chamada Azai. Não sei o que seja. O que sei é que destruíram a marmelada oferecida pelos vizinhos e levaram frangos e doces dados como esmola. Até os pastelinhos da senhora Francisca, de que eu gostava tanto, foram deitados fora. Falei com um deles, e ele disse-me que tudo era para nosso bem, porque aqueles produtos, que não estavam devidamente embalados, etiquetados e refrigerados, podiam criar graves problemas sanitários e alimentares. Não percebi nada e perguntei-lhe se achava bem roubar a comida dos pobres. Ele ficou calado e acabou por dizer que seguia ordens. Fiquei então a saber que a culpa era sua e decidi escrever-lhe. Nessa noite todos nós ali passámos fome, felizmente sem problemas sanitários e alimentares graves.
Ah! É verdade. Os tais fiscais exigiram obras caras na cozinha e noutros locais. O senhor director falou em fechar tudo e pôr-nos na rua, mas lá conseguiu uns dinheiritos e tudo voltou ao normal. Como os inspectores não regressaram e os vizinhos continuaram a dar-nos marmelada, frangos e até, de vez em quando, os belos pastéis da tia Francisca, esqueci-me de lhe escrever. Até há seis meses, quando destruíram tudo.
Estes não eram da Azai. Como lhe queria escrever, procurei saber tudo certinho. Disseram-me que vinham do Instituto da Segurança Social. Descobriram que estava tudo mal no lar. O gabinete da direcção tinha menos de 12 m2 e na instalação sanitária do refeitório faltava a bancada com dois lavatórios apoiados sobre poleias e sanita com apoios laterais. Os homens andaram com fitas métricas em todas as janelas e portas e abanaram a cabeça muitas vezes. Havia também um problema qualquer com o sabonete, que devia ser líquido

12 de julho de 2011

Dublinesca

Há livros que compramos sem entusiasmo, vá-se lá saber porquê. Pegamos-lhes também sem entusiasmo e, quando assim é, muito raramente eles nos conseguem agarrar.
Foi o que me aconteceu com Dublinesca de Enrique Vila-Matas, lido durante um ror de tempo mais por teimosia do que por cumplicidade.
Ele é considerado o grande autor contemporâneo espanhol (ou catalão), e esta já é a segunda vez que faço o esforço para gostar dos seus livros, mas agora acho que já chega.
O resumo do livro apresentado pelo editor está por toda a parte para quem quiser ter uma ideia sobre o seu conteúdo, e nem vale a pena falar dele aqui, mas vale a pena relembrar algumas frases proferidas pelo autor numa entrevista concedida a José Riço Direitinho no ípsilon  de 23/02/2011..

"a situação actual da literatura não poderia ser mais lamentável".
“O Auster decidiu que esse passado em comum nos unia. Creio que decidiu isso porque tinha vontade de encontrar um motivo razoável para começar a ser meu amigo.”
“O curioso é que no final do meu romance a pobre literatura acaba por estar mais viva do que nunca, como se o seu funeral em Dublin - ou o meu romance - a tivessem trazido de novo à vida, a tivessem ressuscitado.”
Ora aí está um homem/escritor contente consigo e que se tem em alta consideração; pois se até o Paul Auster quis à força encontrar um motivo para ser seu amigo e se o seu romance ressuscitou a literatura...

E acrescenta também:
"Não sabemos se a literatura está em crise, mas a crise do juízo literário salta à vista."
Não tenho dúvidas – é esse o mal de que padeço.

11 de julho de 2011

E agora, Tristane

Dominique Strauss-Kahn tem o seu assunto quase arrumado lá nas Américas, embora, para o comum dos mortais, todas as dúvidas sejam legítimas, qualquer que seja o resultado final, dada a enormidade de meios utilizados pelas partes.
Posto isto, eis que lhe aparece uma tal Tristane Banon, apresentando queixa em França por tentativa de violação em 2003, ou seja, há 8 anos.
Dá que pensar o que pode levar uma mulher, com as condições dela, a denunciar o caso apenas 8 anos depois, e como é que ela vai provar, ao fim de todo este tempo, a acusação que faz.
Diz Tristane que avançou com o processo por “não suportar ver as imagens de Dominique Strauss-Kahn a comer tranquilamente, com amigos, em restaurantes de luxo de Nova Iorque.” 
E nos outros oito anos ele levou vida de monge tibetano?
Diz também que foi aconselhada a calar-se mas, há 8 anos, Tristane já era uma mulher com meios para, em seu nome e em nome de outras mulheres com menos meios, apresentar queixa dum crime grave como é a tentativa de violação.
Acobardou-se, no caso de estar a falar verdade, mas na vida há um tempo para tudo.
DSK não é “flor que se cheire”, já o sabemos, mas esta queixa parece-me fora de prazo e desconfio que, num país misógino e machista como a França é, Tristane vai sair-se mal e terminará arrasada.
Quanto a DSK, provavelmente não será presidente de França nem qualquer outra coisa que valha a pena, mas vai continuar por aí a viver muito confortavelmente e a ser o velho baboso que já todos sabemos que é.
Teorias da conspiração? Neste caso não me convencem.

8 de julho de 2011

Lição prática sobre isto de ser LIXO

O país, finalmente, indignou-se por o classificarem como lixo. Por mim, já ando indignada desde aqui
Convém, contudo, juntar ao sentimento de ofensa algum conhecimento sobre os efeitos práticos da coisa.
Aqui fica uma liçãozinha que transcrevo dum artigo do Público de hoje, 8 de Julho:

A RTP assumiu ontem ao Público que foi obrigada a renegociar o pagamento da dívida devido às decisões anteriores da Moody’s que em Abril já tinha cortado a notação financeira da empresa. Esta renegociação fez disparar os empréstimos que a empresa terá de pagar já este ano, de 47,5 para 208 milhões de euros.
O credor é o DEPFA Bank, com sede na Irlanda.

O negócio do lixo é bom, por isso há tantos sucateiros.
Mas estes, nem um saco de robalos nos oferecem.

As saídas nocturnas de Passos Coelho

No dia em que, de manhã, levou um murro no estômago, à noite Passos Coelho foi ao teatro com a mulher e algumas filhas.
A escolha recaiu sobre "VIP Manicure - A Crise", com Maria Rueff e Ana Bola, no Casino de Lisboa. (Notícia e foto daqui)
Ainda pensei que, para uma primeira aparição, o Francisco José Viegas lhe recomendasse uma ida ao Teatro Nacional D. Maria, ou ao Teatro Camões para ver a Companhia Nacional de Bailado, ou mesmo ao Festival Ao Largo do S. Carlos que é mais levezinho mas muito agradável. Caramba, sempre são todos pagos por ele com o dinheiro que lhe entregamos, mas, pelos vistos o Francisco José Viegas estava distraído, ou não risca nada p’ra aí, e o príncipe de Massamá ficou-se com a manicure.
Parece que se riram muito. Oxalá não lhe tenha piorado a dor no estômago. Cruzes!

7 de julho de 2011

Choque e pavor

Tenho aprendido muito de economia nos últimos tempos; sobretudo palavras. Cá em casa é tudo mais para o lado da microeconomia, mas o país inteiro viu-se obrigado a aprender macroeconomia por via dos doutos economistas que nos enchem os écrans á hora da sopa, do café ou até do “digestivo”.
Rating, default, alavancagem, dívida soberana, eurobonds, são termos que entraram na nossa vida e se tornaram tão normais de ouvir ou dizer como pepino, amigdalite, virose ou “bica”
Segundo as agências de rating, há muito que nos aproximávamos do “lixo” mas agora  já está. Tudo LIXO. (Cá na minha rua, o carro do lixo só leva lixo doméstico 3 vezes por semana mas na rua do rating deve passar 7 dias na semana e fazer horas extraordinérias.)
Os queridos políticos e comentadores impingiram-nos, atempada e prolongadamente, que mudar para um governo de direita, aumentar impostos, impor mais sacrifícios, cortar direitos a quem trabalha e a TSU para os patrões, iria ajudar muito a que as ditas agências tivessem calminha. Isso era o que eles nos diziam porque era o que, de facto, queriam fazer, mas sabiam muito bem que a coisa não ia parar. Pois se até eu sabia! Sabiam que somos apenas amendoins para macaco e o que está em curso, há muito tempo, é o ataque ao euro e à UE. As vozes dos que hoje nos comandam nunca se fizeram ouvir quando esta brincadeira começou. Mas ouvem-se agora que já estão no poder.
Nunca antes ouvi Faria de Oliveira dizer que a descida do rating é “imoral e insultuosa” ou Mira Amaral proclamar que a decisão de descer o rating é “infeliz e terrorista” e, se não fossemos nós a pagar as favas, até seria divertido ver aquelas duas marionetas do sistema, Passos Coelho e o chefe da claque dos patrões a dizerem, os dois na mesma manhã, que levaram um murro no estômago.
Eles ficaram à rasca mas o principal, ou seja, as medidas draconianas que eles queriam, estão garantidas. Já chegaram umas e o resto vem a caminho, sempre para aplacar a ira dos mercados.
São assim as lutas pelo poder e pelo capital. A direita portuguesa lutou e ganhou. As agências de rating, verdadeira infantaria dos mercados, continuam a luta pelos seus clientes lá no assento etéreo onde quer que eles se assentem.
Operação "Choque e Pavor" foi o que ontem provaram governantes e empresários.
Nós? bom, para nós esse já é o estado natural.

6 de julho de 2011

Danos colaterais

Quem lê este blogue, já percebeu que tenho pouco apreço por Fernando Nobre e que ele consegue até bulir-me com os nervos.
Volto e ele, mas espero que seja a última vez.
Há cerca de dois anos, numa tarde tórrida de verão, suportei estoicamente o calor e fui até uma livraria de província para assistir ao lançamento dum dos seus livros, com a presença do autor.
Foi a primeira grande desilusão. Não ouvi falar de mais nada que não fosse o número de universidades pelas quais era doutor honoris causa e das suas "boas"origens familiares.
Quando anunciou a candidatura à Presidência da República pensei que raio teria passado pela cabeça do homem. A campanha foi o que se sabe, ficando-me a ideia duma cabeça cheia de nada, frases feitas e populistas, e uma consciência de si muito para além da realidade.
O episódio da candidatura pelo PSD mostrou um homem com práticas muito distantes dos princípios que nos quis fazer acreditar que eram os seus, e também com uma grande sede de poder e protagonismo.
Abandonou agora o lugar de deputado, o que se compreende à luz do seu passado recente, mas, se optasse por ficar, ainda poderia redimir-se um pouco, tentando ser no Parlamento uma voz independente em defesa dos mais desprotegidos, como prometeu na campanha presidencial.
Diz que volta para a acção humanitária, onde se sente mais útil, e eu acho que nunca devia ter de lá saído.
Contudo, a AMI está inexoravelmente ligada a Fernando Nobre, e vice-versa, o que a fará ressentir-se da actuação pública do seu presidente.
Acredito que o homem faz o lugar, e não o contrário. Ora, atendendo ao conhecimento que agora temos de Fernando Nobre, e depois de conhecer o organigrama da AMI, julgo que não serei a única a, de futuro, pensar muito bem a quem entrego aquilo que puder dar.
Será, contudo, uma pena que seja a AMI a sofrer os danos colaterais.

5 de julho de 2011

Anestesia geral

A 5 de Junho, os portugueses foram a votos apenas com vontade de mudar as pessoas. Já sabiam aquilo que comentadores e jornalistas parecem não saber ainda, visto mostrarem-se tão indignados com os últimos anúncios governamentais – que os políticos mentem em campanha, que mal tomam posse fazem exactamente o contrário do que disseram, que as contas são sempre mais alarmantes do que eles pensavam e que a culpa toda é de quem governou antes.
A este saber popular acresce uma campanha de muitos meses, antes das eleições, feita por economistas e comentadores em estereofonia, determinados em meterem-nos na cabeça que o caminho era só um – o dos sacrifícios.
A coisa foi tão bem feita que conduziu a uma enorme anestesia geral do tipo “porradão na cabeça” de que todos padecemos agora.
A juntar a isso, é verão; às vezes está calor, pensamos em férias, sol, praia, sesta e outras coisas próprias da época. Queremos partir por uns dias e “semear” o corpo moído na areia.
Havemos de acordar da anestesia geral com dor de cabeça lá para Setembro. Até lá, bebe-se uma cerveja e comem-se uns tremoços; depois? ora, depois logo se vê.

4 de julho de 2011

Good night and good luck


Vida portuguesa(Guedes, Moniz, Bairrão e etc.)

Era uma vez um senhor, chamado Bernardo Bairrão, que era administrador duma TV onde também trabalhava um casal de nome Moniz/Guedes. Eram próximos, muito próximos. A senhora Guedes tinha um programa de má-língua à sexta-feira onde dizia tudo e mais um par de botas do primeiro-ministro (o outro, o anterior). Digo isto porque me contaram; eu nunca vi porque tenho por norma nunca me aproximar duma boa peixeirada (cobardia minha).
No ano passado, não sei como, nem porquê, nem quem mandou, mas sei que a senhora Guedes foi despedida e acabou-se o palanque da má-língua. O extremoso marido saiu também daquela TV mas o senhor Bernardo lá continuou, impávido e sereno, sentado na mesa da administração, assistindo (talvez até participando) da saída do mega-casal. Suponho que o super-mega-casal não gostou. Com a chegada dum novo governo, o senhor administrador Bernardo B. foi convidado para secretário de estado do ministério das polícias e fogos e cheias e bombeiros e essas coisas todas, e aceitou. O casal ressentido parece que espreitou a oportunidade e insinuou, junto de quem de direito, algo mais nebuloso sobre o passado do ex-amigo. Resultado – o senhor Bernardo foi desconvidado.
A senhora Guedes, que tinha ficado desempregada, apressou-se a anunciar que ia para a outra TV, mas nunca mais ia. A outra TV manteve-a em banho-maria desde Novembro a ver em que paravam as modas e agora, com a chegada dum novo governo, argumentando com “uma alteração de contexto”, desconvidou-a. Acho normal. De facto, para que quer um homem na sua TV uma senhora a dizer mal do seu partido e do seu governo? Ainda se lá estivesse o outro, podia continuar a peixeirada.
Resumindo: em vez de uma desempregada, ficámos com dois.
Resumindo mais: a traição e a vingança fazem parte do código genético da humanidade.
Resumindo mais ainda: histórias assim, de tão banais, não são histórias não são nada.

Nota: estas instrutivas informações foram todas colhidas no Expresso de 2 de Julho.

1 de julho de 2011

Uma imagem vale mais que mil palavras


Esta imagem de satélite foi roubada ao blogue A Terceira Noite por a considerar tão impressionante. Integra, a preto e branco e com muito má qualidade, o livro A Longa Noite de um Povo, A vida na Coreia do Norte da jornalista Barbara Demick, e mostra a região da Coreia do Norte mergulhada na escuridão, ao lado da Coreia do Sul e do Japão imersos em luz (talvez até demasiada).
Apesar de a leitura do livro ainda estar no começo, parece ser um bom documento sobre um país de que, afinal, sabemos tão pouco.

A Longa Noite de um Povo
A vida na Coreia do Norte
Barbara Demick
Temas e Debates/Círculo de Leitores

O livro foi vencedor do prémio Samuel Johnson 2010, a mais importante distinção britânica para a não-ficção.