quinta-feira, dezembro 04, 2014

Fechar a boca














 
 
 
 
 
 
 
Sócrates escreve cartas.

Sócrates não quer ser esquecido numa cela da prisão de Évora e está zangado, muito zangado.

Sócrates sente-se encurralado, começa a estar confuso, a disparar em todas as direcções, e começa a mostrar falta daquela frieza tão necessária quando se enfrenta um adversário poderoso mas difuso.

Esta sua última carta, enviada ao Diário de Notícias, mais parece um lamento/acusação. E é incoerente.
É que, ao perguntar “quem nos guarda dos guardas?”, por exemplo, está implicitamente, e talvez sem que o perceba, a assumir o falhanço da sua acção governativa.

Sócrates não é um preso comum; ele foi primeiro-ministro durante seis anos, e só deixou de o ser há três. Tudo aquilo de que acusa a justiça, sendo ou não verdadeiro, é também culpa sua e das políticas que desenvolveu para o sector.

Há pessoas que, mesmo quando tudo o aconselha, não conseguem fechar a boca.
Isto pode correr mal.

Sem comentários:

Publicar um comentário