30 de dezembro de 2014

Votos 2015


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Que a barcaça finalmente naufrague com toda a tralha que tem dentro.

Para todos os que por aqui passam desejo, exactamente, o mesmo que para mim própria.

Feliz 2015
 
 

23 de dezembro de 2014

Natal 2014


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Parece que é o tempo de sentir muito Amor no coração.

Mas, por que não no corpo todo?

FELIZ  NATAL.
 
Nota: Não me foi possível descobrir, com absoluta certeza, o nome do autor da foto

22 de dezembro de 2014

Eles na tv













 
 
Para as crianças deve ter sido assustador; para todos os outros foi apenas grotesco.
Dois bonecos, macho e fêmea, perfilados em cenário natalício, cumprindo uma formalidade, foi o que vi.
Actores canastrões sem talento, exibiam uma ferocidade controlada e impotente,  nunca conseguindo disfarçar o mal-estar que os tomou.
Assim vi Aníbal e Maria Cavaco Silva, a meio corpo, no mui difícil dia em que se sentiram obrigados a aparecer na tv para desejar Boas Festas a um país que, eles sabem, nutre por eles um profundo desprezo.
Faço parte desse país, como é óbvio.
Nota:Este episódio pícaro da vida portuguesa poder ser vista na página oficial da Presidência da República

 

17 de dezembro de 2014

A dois tempos















 
 
 
 
 
 
A imagem acima, colhida ao acaso, pertence a um primeiro tempo.

Nele, os portugueses usam as redes sociais para postar gatinhos, bebés, paisagens de sonho, arquitectura ora de sonho ora de pesadelo, anjinhos papudos e, sobretudo, “frases inspiradoras” de “pessoas inspiradoras” - Osho, Buda, Dalai Lama, Brian Weiss, Gandhi, Paulo Coelho, e autores desconhecidos dos quais a Chiado Editora tem um armazém cheio.

São pessoas que dizem coisas lindas sobre os enganos em que andamos enredados, a beleza da vida simples, as virtudes da clareza duma mente limpa, o desapego, e a importância do amor ao próximo; sobretudo isso, a importância do amor ao próximo.

Talvez por artes dum qualquer génio do mal, que também anda à solta nas redes sociais, esses mesmos portugueses, tão inspirados por seres inspiradores, num segundo tempo, mal se escreve a palavra “Sócrates”, dedicam-se ao comentário:

 
Qual preso, qual quê, já devia era estar morto. Morto? Devia estar a arder no inferno? No inferno? Nunca devia era ter nascido.

Não se sabe? É claro que sabe! Corrupto! Ladrão! Crápula!

Qual direito a defender-se, qual carapuça! Não tem direito a nada, nem sequer ao ar que respira! Na masmorra, na masmorra é que devia estar e para sempre. E ainda digo mais – tudo o que ele tem devia ser confiscado.

Inocente? Você está mas é maluca, sua socratista de me$&@!

“Senhor, abençoa nossa semana e abra nossos corações para o amor e a caridade”.

11 de dezembro de 2014

8 de dezembro de 2014

Beleza radical



















Dei por ela pela primeira vez no Bloco de Esquerda, depois vi-a a apoiar não sei o quê do Mário Soares e na 6ª feira vi-a no Expresso da Meia-Noite a fazer descarada campanha eleitoral por um tal partido ou movimento, nem sei, chamado “Juntos Podemos”. Falo de Joana Amaral Dias.

Este movimento/partido não sei o que propõe mas, pelo menos o nome vem com cheiro a castelhano, e a “assembleia cidadã” que convoca também me cheira a comida requentada. Posso estar de mal com os odores mas tudo nesta iniciativa política me cheira a oportunismo mal cozinhado.

Ao contrário, oportunismo muito bem cozinhado parece-me o da Joana.

Temendo que me chamem invejosa e maldizente, nem vou falar da sua postura de boneca arrogante e sabichona, (ó p’ra mim que estou aqui, que sou tão gira e tão inteligente). Não, não vou falar, até porque, na verdade, ela é gira e inteligente. Lamentavelmente, e usando o imenso tempo de antena posto ao seu dispor, coloca beleza, inteligência e feminilidade ao serviço da inconsequência política.

E o seu discurso radical não vai bem com tudo o resto. Quem poderá levá-la a sério?

Sempre acreditei que mais mulheres fazem falta na política, e que a podem fazer tão bem, ou melhor, que boa parte dos os homens.
O que me chateia é quando, como no exemplo exposto, a fazem igualmente mal.

Nota : o referido Expresso da Meia-Noite pode ser visto aqui.

4 de dezembro de 2014

Fechar a boca














 
 
 
 
 
 
 
Sócrates escreve cartas.

Sócrates não quer ser esquecido numa cela da prisão de Évora e está zangado, muito zangado.

Sócrates sente-se encurralado, começa a estar confuso, a disparar em todas as direcções, e começa a mostrar falta daquela frieza tão necessária quando se enfrenta um adversário poderoso mas difuso.

Esta sua última carta, enviada ao Diário de Notícias, mais parece um lamento/acusação. E é incoerente.
É que, ao perguntar “quem nos guarda dos guardas?”, por exemplo, está implicitamente, e talvez sem que o perceba, a assumir o falhanço da sua acção governativa.

Sócrates não é um preso comum; ele foi primeiro-ministro durante seis anos, e só deixou de o ser há três. Tudo aquilo de que acusa a justiça, sendo ou não verdadeiro, é também culpa sua e das políticas que desenvolveu para o sector.

Há pessoas que, mesmo quando tudo o aconselha, não conseguem fechar a boca.
Isto pode correr mal.

1 de dezembro de 2014

A longa marcha













 
 
António Costa é, finalmente, secretário-geral do PS.

Não foi pequena a caminhada, e respectiva dose de esforço, que António José Seguro lhe impôs para aqui chegar − quase meio ano nos separa das europeias que desencadearam o processo que ontem terminou.

Os termos ditados por Seguro foram à sua medida – grandiosos nos tempos, mesquinhos nos objetivos. Costa aceitou prazos absurdos, percorreu concelhias e distritais, debateu na televisão e encaixou ataques pessoais de baixo nível, mobilizou militantes e simpatizantes para as primárias que ganhou “sem espinhas”.

Depois, julgo que houve directas e, a uma semana do congresso, cai-lhe no colo a pior notícia possível − a prisão de José Sócrates. Se estremeceu, não demos por nada, antes aproveitou a situação para dar provas de grande acuidade política e capacidade de liderança.

Por fim, agarrou um congresso que ameaçava decorrer com o entusiasmo dum velório.

 O seu discurso de encerramento mostrou um líder forte a fazer uma inusitada viragem à esquerda.
Por uma (boa e inesperada) vez, foi um discurso que alguém como eu gosta de ouvir. Aguardemos então pela acção, que é o que, verdadeiramente, conta.

Em breve António Costa começará o circuito da carne assada, fazendo duas voltas ao país, enxotando o fantasma de Sócrates, que quererá assombrá-lo ao virar de cada esquina, e tentando passar uma mensagem que agrade à esquerda sem assustar o centro.

Habituado que está à “Quadratura do Círculo”, talvez consiga.
Se se fizer eleger primeiro-ministro, terá passado um ano e meio de grandes trabalhos.

Simpatizo sempre com gente que luta por objectivos no meio das muitas dificuldades que lhe vão sendo plantadas no caminho.

Hoje, António Costa merece o meu respeito.
Até agora, nesta caminhada, nada para ele foi fácil.