quinta-feira, julho 31, 2014

Olhando à volta











 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Encontrei e roubei esta imagem a um amigo do facebook porque, basicamente, com ela me identifiquei no que se refere à nova guerra israelo-palestiniana.

Este é um conflito mais velho do que eu, cresci com ele e envelheço com ele.

Novidades em 2014:

É a primeira vez que o acompanho nas redes sociais, e também não me lembro de alguma vez ter sentido tanto a sua dureza.

Os níveis de violência que chegam até nós são inauditos.

Vejo as notícias e dizem-me que 90% dos israelitas querem continuar a guerra até ao fim (não quero, sequer, imaginar o que entenderão eles por “até ao fim”); o Hamas, por seu lado, espumando da boca, nem aceita tréguas humanitárias para socorrer a sua gente.

Tento perceber o que será viver encurralado, sem lugar para onde fugir, e com as bombas a caírem em cima da minha família. É horror a mais.

Se é óbvio que ambos os povos têm lideranças que não os merecem (coisa que não acontece só a nós), isso também não me impede de ver a enorme desproporção de forças, o inenarrável sofrimento dum povo comparado com a normalidade tranquila do outro (também vi isso na mesma reportagem da televisão.)

A grande novidade em 2014 são as redes sociais, que tudo ampliam.

Por lá vejo gente histérica em defesa dos palestinianos, publicando imagens de todos os horrores sem saberem de onde realmente provêm, mas também gente a dizer-se não-alinhada, equidistante, que se entretém a tecer considerações sobre os “alinhados” com a Palestina −  em geral gente apalermada, incapaz de pensar, de seleccionar informação ou de decidir por si, segundo os seus doutos critérios.

O ruído provocado pelos primeiros não ajuda à ponderação, é certo, e também em nada ajuda a Palestina.

Aos segundos, fleumáticos sempre dispostos a insultar a inteligência dos outros, começo a dedicar muito desinteresse e pouca consideração; a estes, acabo por preferir um terceiro tipo − os assumidamente pró-Israel, opção que me parece mais limpa e corajosa. Mas o ruído de todos é infernal.

Quanto ao conflito, esse já acredito que perdurará para além de mim, com cortejos de horrores que doem cada vez mais.

 

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