segunda-feira, setembro 24, 2012

Fechar a porta

Há dias assim. Parece que uma fina cortina de nuvens baixas nos envolve a cabeça e deixa o corpo por sua conta.

Não é tristeza, não é nostalgia.

Não sei o que é. Não sei como se chama esse sentimento que nos vai tomando, sem sobressaltos mas inexoravelmente, quando encerramos um capítulo.

Não sei como chamar à percepção, tão nítida ao sair das nuvens baixas, de que haverá cada vez menos capítulos para ler.

Ainda que ela seja trazida por acontecimentos desejados, conquistados a pulso, e que se podem resumir como felizes, sei que ela vem quando, por exemplo, o último filho fecha a porta da casa; sei que se avoluma, mais tarde, quando somos nós mesmos que fechamos a porta da grande casa vazia.

4 comentários:

  1. Será essa nostalgia consequência deste outono que nos tomou por inteiro, querida amiga?
    Ou será porque, quando se trata de um filho, o corpo estremece?
    Fica o meu abraço, para que não se sinta só.:)

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    Respostas
    1. Foi só a casa grande que fechou a porta, e talvez o outono "fechando o verão", sim. Beijinho

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  2. A grande casa vazia deu lugar a outra. Não sendo esta tão grande em dimensão, está igualmente cheia, como a grande um dia esteve, de amor, gente e vida. E estará. Cada vez mais, quer-me parecer.
    Um beijo
    Rute

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