sexta-feira, maio 13, 2011

Mulheres na China

O Público de dia 6 de Maio, no seu caderno P2, trazia um interessante artigo sobre Xinram, jornalista chinesa, e o seu livro Mensagem de uma Mãe Desconhecida (Bertrand), em que tenta responder a uma pergunta simples (ou talvez não), feita por si e por milhões de outras mulheres chinesas – “Porque é que a minha mãe não me quis?”.
Há na China uma prática milenar de as famílias preferirem ter filhos rapazes a ter raparigas, agravada pela política de filho único. A prática de matar as raparigas à nascença, ou enviá-las para orfanatos, continua a existir sobretudo no meio rural.
Conta Xinram que nas cozinhas rurais ainda existe um balde com tampa formado por duas partes, que os proprietários dizem que é para o lixo, mas não é bem assim. “Quando nascem as raparigas, serve para encher de água quente na parte de baixo e tapa-se com a outra parte. As parteiras põem-nas logo ali em água. Se for um rapaz, não se tapa, serve para o primeiro banho. É uma peça de mobiliário que continua ali.”
A jornalista chinesa conta ainda que, quando actualmente as mulheres, por via da industrialização, vão para as cidades e verificam que lá as famílias conservam as filhas e as tratam bem, sentem uma enorme dor. Uma dor tão grande como a das raparigas que já não foram mortas mas foram abandonadas, e que lhe perguntam “porque é que a minha mãe não me quis?”

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