30 de abril de 2012

Cronistas irritados

A decisão de Mário Soares e da Associação 25 de Abril de não participarem nas comemorações oficiais do dia 25 de Abril irritou profundamente comentaristas, cronistas e afins. Afinal, não foi só Ricardo Costa, foram quase todos.

Henrique Monteiro, no Expresso de 28/04/2012, lamenta que Vasco Lourenço tenha dito que “os eleitos já não representam o povo”. Bom, eu também acho que não é bem isso, mas todos conhecemos o jeito que Vasco Lourenço tem para se comportar com elefante em loja de porcelana. Os eleitos representam sempre o povo que os elegeu, podem é, uma vez eleitos, governar contra ele. É o que está a acontecer e era o que deveria ter sido dito, mas a Associação tem o direito de tomar as posições que entender.

Henrique Monteiro diz também que Sampaio esteve presente porque, esse sim, sabe distinguir “o essencial do acessório”.
Não tenho tanta certeza disso.

Ainda hoje acho, contra tudo e contra todos, que ele é o primeiro responsável pela situação em que nos encontramos.

Ao dar posse a Santana Lopes em 2004, seguindo as ordens de Barroso, fez o país cair nos braços de Sócrates no ano seguinte. Tudo poderia ter sido diferente (ou não, quem sabe?) mas esta decisão de Sampaio tem um peso enorme na história recente do país, e parece estar completamente esquecida. Sim, também Sampaio, aí, traiu a confiança de quem nele votou, dando agora ares de virgem impoluta. Na política portuguesa não há disso.

Quanto a Mário Soares, já aqui disse que “não dá ponto sem nó”. Depois de ter andado com Passos ao colo, infletiu o caminho e quis dar um recado qualquer. Qual? A quem? A resposta pode não ser, para já, óbvia, mas, mais cedo ou mais tarde perceberemos, porque Soares pode estar velho, mas parvo é que ele não está.
Azar o de comentaristas, cronistas e afins.


27 de abril de 2012

E Ricardo Costa analisou

Este vídeo do Expresso online, em que Ricardo Costa analisa a decisão de Mário Soares de não estar presente na AR para a cerimonio do 25 de Abril, pode ser visto como um vídeo humorístico.

Com ar sério e muito compenetrado de director de jornal, o “jovem” Ricardo analisa o caso como se Mário Soares estivesse no activo, pronto para disputar o poder. Considera que era sua obrigação estar presente que “ é um dos erros mais graves da sua carreira”; termina dizendo que “é um erro grave de que Mário Soares se vai, rapidamente, arrepender”.
Já estou mesmo a ver o nosso velho Mário todo arrependidinho.

O Ricardo deve estar a precisar de férias, ou então, ainda que mal pergunte:

Será que Ricardo Costa ainda não percebeu que Mário Soares, pelo seu passado e pela sua idade, conquistou o direito de fazer e dizer tudo o que bem lhe apetecer, sem cálculos eleitorais futuros e sem preocupações de saber se parece bem ou mal?

Será que Ricardo Costa ainda não percebeu que Mário Soares sabe mais de política a dormir uma soneca no sofá do que ele numa semana de vigília?

Será que ainda não percebeu que Mário Soares nunca se arrepende de “miudezas” destas (ou doutras)?

Será que Ricardo Costa ainda não percebeu que Mário Soares “ não dá ponto sem nó”?

Apesar do ar sério de Ricardo Costa, a acentuar a gravidade do acontecimento, quem não conseguiu ficar séria, fui eu: é que, vê-lo a dar um raspanete a Mário Soares, e a avisá-lo de que se vai arrepender, pareceu-me um sketch nonsense.

26 de abril de 2012

Rasgar a apólice chega?

Nunca fui simpatizante de seguros e seguradoras. Posso mesmo dizer que, nesse aspecto, sou ferozmente desconfiada, a ponto de sempre dizer que, à cautela, prefiro ser eu a fazer o mealheiro.

Quando em 1986 aderimos à então chamada CEE, pela primeira vez achei que não seria má ideia fazer aquele “seguro”, coisa mais do tipo mutualista em que os subscritores eram solidários entre si. Pensei também que, por via dessa solidariedade, talvez nos fossemos aproximando dum melhor padrão de vida que existia lá nos outros países subscritores.

Como toda a gente faz, não li as letras pequeninas da apólice.

Esta, afinal, não cobria riscos sísmicos (financeiros) nem inundações (mesmo que todos metessem água), o mutualismo só estava previsto na bonança, e caso o padrão de vida resvalasse para o tipo africano ficava implícito que cada um devia tratar de si.

Concluo, portanto, que a minha desconfiança em relação às seguradoras continua a ter razão de existir, e que é imperioso ler as letras pequeninas.

Muito gostaria de acabar com este seguro que, para além de não me “segurar”, nem sequer me deixa vender as pratas e o ouro dos antepassados para pagar as dívidas.
Como é que faço? Basta rasgar a apólice?


24 de abril de 2012

1 Maio 1958 - 24 Abril 2012















Com a minha admiração e profundo respeito.

A pior profissão do mundo – Rei

Apesar dos meios de comunicação social não largarem o apetecível “osso” que é a vida privada das figuras públicas (com ou sem a ajuda das mesmas), penso que nunca se foi tão longe como se foi agora com o rei de Espanha. Segundo esta notícia, o rei deixa de ter agenda privada, ou seja, esta passa também a ser pública. Se tirar uns dias de férias, se lhe apetecer ficar na cama, se for jantar fora, tudo será público pelo que, a hora do banho e do corte de cabelo também o devem ser, deduzo eu.
Não conheço nenhum chefe de Estado a quem tal coisa tenha sido imposta, ou que a tal estivesse disposto.

Valerá a pena ter uma monarquia cujo rei é tratado como um menor de idade que tem de suportar uma obstinada vigilância paterna por sucessivos actos de mau comportamento?

É certo que o Juan não é nenhum santo, tem lá os seus devaneios, os seus gostos secretos que a moral vigente não tolera, mas, no conjunto, não creio que seja pior que os outros políticos – mente, finge, é hipócrita, como todos.
Porém, sendo rei, parece que tem menos perdão e vai ser obrigado a deixar escrutinar toda a sua vida privada.

Há nesta decisão um travo amargo a castigo e humilhação. Se os espanhóis não querem mais a monarquia, deviam ter a coragem de se desfazer dela porque, mesmo não se apercebendo disso, ao humilhar o rei, e assumindo o papel de seu guarda prisional, é a si próprios que humilham e prendem.

Ao menos cá nesta republica(zinha) ao fim de cinco anos podemos dar um chuto no Cavaco e ficamo-nos nas tintas se caça elefantes ou baratas.

23 de abril de 2012

Ser solidário ou ser caridoso

A campanha Desperdício Zero arrancou com estrondo e polémica, com hino e o alto patrocínio da Presidência da República.
O hino, não é apenas infeliz, como li por aí; ele traduz o sentir dum movimento de cariz assistencialista.

“Sei que andas a passar fome mesmo estando a trabalhar, o que eu não aproveito, a ti dava-te jeito….” Tralalá, tralalá, tudo muito sentido e condoído.

Será normal estar a passar fome mesmo estando a trabalhar? Será normal dar o que me sobra em vez de partilhar o que tenho? Será normal que o Tim escreva uma coisa destas? Será normal que gente como Jorge Palma se ponha a cantar isto com trejeitos de grande artista de cabeça oca?

Será normal que já ninguém perceba a diferença entre assistencialismo, caridade e solidariedade?

Dar de comer a quem tem fome é imperioso, mas podemos fazê-lo sem estardalhaço, sem palco, e sem perder de vista que as pessoas não precisam de caridade, precisam de ser respeitadas nos seus mais básicos direitos como, por exemplo, trabalhar e poderem sustentar-se com o seu trabalho. É nisso que acredito – numa sociedade que se empenhe na dignidade de todos.

Desde 2010, em Lisboa, o alemão Hunter Halder pegou numa bicicleta, pôs um chapéu na cabeça, arranjou um saco amarelo e começou a fazer exactamente o mesmo trabalho que Desperdício Zero, só que quase anonimamente. Está agora instalado nas traseiras da igreja de Nª Sr.ª de Fátima em Lisboa; chamou Re-food à sua organização e merece todo o meu respeito.

Para mim, ele é solidário; os do hino são caridosos.
Acredito que o futuro pode contar com os solidários; quanto aos caridosos, pertencem a um passado de que me lembro bem, mas de que não tenho saudades.

Se isso faz de mim um “triste traste” como diz Pedro Rolo Duarte, prefiro sê-lo a sentir-me um traste alegrete que aplaude e não (se) interroga.
É-lhe difícil perceber esta outra maneira de pensar, Pedro Rolo Duarte?

É que não se trata de negar o mérito da ideia; trata-se de entender o “espírito” com que a “coisa” ficou. Se não é capaz de o entender, então, acho normal que lhe fique difícil “distinguir a estrada da beira estrada”.
A si, mas não a mim, que sou de esquerda e rio-me muito.

20 de abril de 2012

Ai, o amor

Os jornais noticiam que, no livro com a sua biografia a sair brevemente, Otelo Saraiva de Carvalho revela que tem duas famílias. Com uma (Filomena) vive de 2ª a 5ª feira, com a outra (Dina), vive de 6ª feira a domingo.
Atendendo às declarações que vem fazendo, isto, cá para mim, tem mais ar de “guarda partilhada”.
E, mesmo assim, parece uma missão impossível.

19 de abril de 2012

Toda a nudez será premiada

É comum ouvir dizer que os jovens de hoje não se interessam por política, mas interessam-se, e muito, por causas.
Em boa verdade, causas não faltam por aí – há-as para todos os gostos e temperamentos.

Acontece que, de há um tempo para cá, as pessoas, com larga vantagem numérica para as mulheres, deram para chamar a atenção para as suas causas, despindo-se.

Não tenho dúvidas de que o método é bom e chama realmente a atenção.
Só não sei é se é mesmo, mesmo, para as causas.


18 de abril de 2012

Uns “vizinhos” com sorte

Tomei conhecimento de que a comissão Europeia abriu um processo contra Portugal por causa das condições de vida de metade das nossa galinhas poedeiras.
Elas não têm o conforto exigido pela Europa, que determina que as gaiolas têm de prever para cada galinha, pelo menos 750 cm² de superfície da gaiola, um ninho, uma cama, poleiros e dispositivos adequados para desgastar as garras, que permitam às galinhas satisfazer as suas necessidades biológicas e comportamentais". Notícia aqui

Eu acho muitíssimo bem.
Entretanto, só por curiosidade, fui deitar uma olhadela, à socapa, a dois sem-abrigo que são muito cá do sítio, para verificar se as condições em que vivem são "capazes de satisfazer as suas necessidades biológicas e comportamentais".

Verifiquei que, quando deitados, ocupam mais de 750 cm2, porém, não vi cama e muito menos poleiro. Quanto ao “dispositivo adequado para desgastar as garras” também não me parece que exista, dado o estado em que as mesmas se encontravam.

Os meus dois “vizinhos” agradecem à Europa que só se preocupe com os animais. É que parece que teremos de abater as galinhas que não têm condições de vida decentes.
Sorte a deles, hem?

Posto isto, os amigos e defensores dos direitos dos animais podem chamar-me os nomes todos que quiserem.

17 de abril de 2012

Ó Júlio, já chega

Já disse aqui, a propósito de Pedro Rosa Mendes, que tenho, há muitos anos, o hábito de ir ouvindo o programa da manhã da Antena 1.

Não sei em que ano começou o programa de Júlio Machado Vaz, “O Amor É”, nem isso interessa; sei que dura há tantos anos que deve estar em competição com “O Preço Certo”.

Se durante muito tempo o ouvi com agrado e simpatia, confesso que agora já não o aguento.
O homem já deu várias vezes a volta a tudo o que podia dizer, e aquilo actualmente mais parece uma missa diária que apela à continuação do bocejo matinal.
Não se aguenta, seis dias por semana - programas curtos de 2ª a 6ª e programa de uma hora ao domingo.

Não sei o que leva a Antena 1 a manter o programa, mas se foi tão expedita a despachar o Rosa Mendes and friends, por mim não entendo um tal apego ao Júlio.
Por outro lado, o Júlio também não se enxerga, e não percebe que ele e aquele modelo já deram o que tinham a dar. É preciso saber partir, deixar o palco quando chega a hora, mas isso é ruptura muito difícil para a maioria dos egos.

Naqueles cinco minutos, seria bom ouvir vozes diferentes com assuntos diferentes. Seria bom ouvir, por exemplo, um escritor ou crítico recomendar um livro, um artista ou um curador escolher uma exposição, um cinéfilo entusiasmar-me com um filme, um melómano apontar-me um CD.

Júlio Machado Vaz e a RDP parecem o Carreras a Brightman no dueto Amigos para Siempre; porém, como quem paga essa amizade sou eu, tenho o direito de dizer que estão a abusar da minha paciência, e todas as manhãs me apetece dizer BASTA.

16 de abril de 2012

A escola do Nuno

Não se pode negar que o Ministro da Educação tem lá as suas ideias sobre a escola. Homem certamente saudoso do tempo feliz da sua infância nos longínquos anos 50/60 do século passado, imagina as maravilhas do regresso a essa escola. Por isso decide:

- Turmas de 30 alunos, e de 26 para o 1º ciclo.
Para se aproximar mais da escola do seu tempo podia até fazer turmas com as quatro classes, como antigamente acontecia lá na aldeia onde uns aprendiam e outros iam guardar porcos.

- Exames da 4ª classe.
Antigamente a 4ª classe era o fim da linha de estudos; agora ainda vão estudar mais oito ou dez anos mas é bom que se habituem a chumbar logo cedinho.

- Turmas de crânios e turmas de burros.
Aqui o ministro foge às regras do passado – os burros lá atrás e os espertos à frente; mas talvez esta seja uma nova forma de escola inclusiva, quem sabe.

- Fim das provas especiais para alunos especiais.
Esta é mesmo inclusiva. Não queremos cá estigmas, aqui é tudo igual (e desumano) como no tempo do senhor ministro.

E pronto, com umas poucas ideias bafientas se reforma o ensino do século XXI à luz do maravilhoso ensino de meados do século XX.

Se bem entendo, para o senhor ministro a vida não mudou nada, a sociedade não mudou nada, a escola (seu reflexo) não mudou nada, e o melhor mesmo é voltarmos aos saudosos anos 1950.
Ditosa pátria que tais ministros tem.


14 de abril de 2012

Corrente






















Vem da Ana Cristina esta é daquelas correntes que não pode mesmo ser quebrada! Camaradas Bloggers, obedecei ao que é pedido na imagem e sereis felizes. Se não para sempre, pelo menos durante uns tempitos.

Recebi-o assim de Joana Lopes e eu seja ceguinha se vou quebrar a corrente.





Sem título (cada um que escolha o seu)

13 de abril de 2012

Regresso à fisga

O léxico governamental português é pobrezinho. Resume-se, de facto, a três verbos – proibir, taxar, cortar.

O verbo proibir foi na 4ª feira conjugado, mais uma vez, na Assembleia da República, desta feita pelo Dr. Macedo que, depois de, há uns anos, muito usar o verbo taxar nas finanças, passou a usar os verbos proibir e cortar na saúde.

Este homem é o paradigma.
Decidiu o Macedo que vai proibir o fumo dentro de carros particulares que levem crianças; bom, eu há muito tempo que não tinha um ataque de riso tão convulsivo.

Estou a imaginar o polícia a abeirar-se do carro e dizer – cheira-me aqui a esturro, o senhor esteve a fumar com a criança no carro, eu senhor guarda, nada disso, pela sua saudinha, eu nem fumo.

Se o ridículo matasse, o ministro tinha saído da AR levado pelo INEM (se ele chegasse a tempo, claro), mas a fúria proibicionista é de tal ordem que nem deixa margem para pensar.
Uma campanha publicitária, tendo em vista quem ainda fuma no carro com crianças lá dentro, seria bem-vinda. Mas, qual o quê, eles gostam é de proibir e pronto.

Depois disto, fico à espera que me proíbam de fumar na minha própria casa. É só já o que falta.

Nessa altura, quando a ressuscitada polícia de costumes, alertada pelo pivete ou por denúncia de vizinho malvado, me bater à porta, não a receberei de caçadeira porque tenho horror a armas, mas uma boa fisga de caçar pardais vou ter na mão, de certeza. (Para a ter sempre à mão vou passar a usá-la no pé, como se vê na imagem).

E só espero ainda ter pontaria para lhe acertar nas nalgas.
Assim mesmo, bem à alentejana.


12 de abril de 2012

Uma agenda para a humilhação

Podemos dar quinhentos “abraços” à Maternidade Alfredo da Costa, podemos gritar e espernear, podemos provar por A+B+C+X+Y que é um erro fechá-la; porque é excelente, porque nela se investiu muito, porque é património emocional dos lisboetas, porque a sua existência nos dá segurança.
Ela vai fechar na mesma, porque o governo já decidiu.

Já tínhamos percebido, neste governo, uma agenda bem definida de protecção de grandes interesses, de empobrecimento colectivo, de precarização geradora de medo. Aos poucos, vamos descobrindo uma agenda escondida para a infelicidade geral.

Uma agenda para a humilhação, sem a ajuda da troika.

Se nós gostamos, se temos orgulho, se queremos, então o governo decide que é para acabar, fechar, destruir.

São as bastonadas no orgulho, na confiança e nos afectos colectivos que nos vão destruindo por dentro, fazendo perder o ânimo e a vontade de reivindicar um futuro.

Não se estranha, pois, a apatia generalizada, a indignação que definha, deixando em seu lugar apenas a uma “austera, apagada e vil tristeza” que por todo o lado se vai sentindo.

Nós não temos apenas um mau governo. O caso do fecho da Maternidade Alfredo da Costa prova que temos um governo macabro.

11 de abril de 2012

No comboio descendente

Que diz Seguro sobre o tratado orçamental que coloca a obrigatoriedade do défice em 0,5%? Que tem ali uns pozinho não sei de quê que quer juntar à receita mas que, com pozinhos ou sem pozinhos, ele vai dizer que SIM.


Quando imagino uma reunião do governo em que se fale da oposição/PS,  apetece-me logo cantar:

No comboio descendente
Vinha tudo a gargalhada
Uns por verem rir os outros
E os outros sem ser por nada

Quando imagino uma reunião da comissão política do PS, apetece-me logo cantar:

No comboio descendente
Mas que grande reinação
Uns dormindo outros com sono
E os outros nem sim nem não

Já não há bilhetes para o comboio descendente.

10 de abril de 2012

Nós não somos a Grécia

Em Janeiro tivemos a notícia de que, entre 2010 e 2011, desapareceram dos registos do fisco 111 000 crianças que estavam “a cargo” de muitas famílias portuguesas. O desaparecimento deu-se, precisamente, quando passou a ser obrigatório atribuir número de contribuinte aos menores para os pais os poderem declarar no IRS.


Na ilha de Zakynthos (Grécia), descobriu-se que dos 700 cegos declarados e que, como tal, recebiam subsídio, apenas 50 são de facto invisuais. (DN)

Não, é claro que nós não somos a Grécia.

Haverá muitas semelhanças no caminho que levamos mas as diferenças também são óbvias - por lá abundam os cegos, enquanto por cá o que não falta é olho vivo.

É apenas um detalhe na tragicomédia que nos é comum.