Desde que o coiso tomou posse, todos os dias há novidades, geralmente boas para quem gosta de filmes de terror.
Hoje é esta.
🤮
Parece que os humanos foram muito responsáveis pela extinção dos mamutes - comiam a carne e usavam a pele para fazer abrigos. Às vezes, a história repete-se. Quem dera!
Os dias não estão monótonos, apenas assustadores.
A televisão da cozinha está ligada.
Netanyahu foi dar um passeio à Hungria.
A abominação é mútua
"Nós ouvimos Pete Hegseth, J.D. Vance e Trump a dizer que nós, os europeus, somos patéticos e achamos que eles foram apanhados a faltar-nos ao respeito. Mas por que carga de algodão-doce é que aquelas três bestas hão-de gostar mais de nós do que nós gostamos deles?
Visão - O Governo caíu em câmara lenta
Expresso - o Governo caíu em horário nobre
Euzinha - o governo caiu sem compostura.
O linguajar dos comunistas nas redes sociais, a propósito da inqualificável cena na Casa Branca entre Trump, Vance e Zelensky, é tão assuador que dou comigo, estarrecida a pensar.
- E eu que já os olhei com respeito...!!! Chiça!
Sentei-me. Abri o email.
A Fnac hoje dá 20% de desconto aos seus aderentes.
Fui ao site e procurei um livro muito, muito recente. Havia.
Escolhi "compra rápida" e entrega gratuita em casa.
Fui informada de que, se pagasse até à 16 horas receberia a encomenda ainda hoje entre as 18h e as 22h.
Escolhi pagar imediatamente com PayPal.
Em 5 minutos, recebi a informação, escolhi e paguei um livro, e vou recebê-lo daqui a pouco em casa.
Tudo sem levantar o rabo do sofá.
A próxima geração já nascerá sentada.
No dia em que, ao acordar, eu consiga não ouvir as notícias, serei feliz e estúpida.
Ou felizmente estúpida.
Ou estupidamente feliz.
Elegante, frágil, limpa, perfumada, airosa, leve - retrato da Europa no primeiro quarto de século do terceiro milénio, e tudo o que ela não precisava de ser agora, quando de todos lados nos soam botas da tropa e nos cheira a medo.
O Capuchinho Vermelho vai alegre pela floresta.
À coca estão, não um, mas dois lobos maus.
Uma história que já vimos e lemos em outros tempos e lugares – uma ama “doce” que acaba por matar as crianças que lhe foram confiadas.
A leitura vale a pena pelo ritmo narrativo que a autora impõe, e pelo domínio da escrita.
As personagens são bem desenhadas e nelas vivem muitos problemas do nosso tempo. Porém, Leila Slimani nunca cede à emoção fácil, à análise psicológica de pacotilha, à vitimização de uma ou à culpabilização de outros.
É a vida, simplesmente, mesmo nos seus episódios mais dolorosos ou assustadores.
..."É cruel, mas nunca sádico, o modo de escrita de Diop. É visceral. É a marca de um grande escritor que sabe o poder da linguagem para deixar na sombra o que é preciso que fique na sombra. “A história escondida tem de estar lá sem lá estar, tem de deixar-se adivinhar como um vestido cingido amarelo cor de açafrão deixa adivinhar as belas formas de uma rapariga. Tem de transparecer”, lê-se nesta história que sai da cabeça de um soldado que, depois de ser considerado um herói, é enviado para a retaguarda porque os colegas, brancos e negros, só conseguem ver nele a morte. Toda a beleza aqui é a da literatura.”
Isabel Lucas
Nov. 2021, Público