10 de dezembro de 2013

Mulherada


 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
Estava eu a folhear a Revista do Expresso para enxotar o sono quando vejo esta foto da Kate Moss.
Kate tem 39 anos, festejou 25 de carreia e é agora a coelhinha da capa do 60º aniversário da Playboy.

Há um século, esta miúda seria, para não dizer mais, muito sénior, talvez fosse avó e talvez viesse a morrer em breve de tifo ou de bexigas; ou ainda de parto.
Em 2013, continua linda, rica, invejada e copiada.

Para esta mulher, como para muitas outras, o processo de envelhecimento, que vai começar a notar-se em breve, será duro ou, em alternativa, será duríssimo.
A terapêutica contra a dureza da coisa também, em geral, não varia muito – antidepressivos ou operações plásticas que a farão parecer a prima feia da Kate Moss. Ou ambas.

Felizmente os milagres existem e há mulheres que em vez de envelhecerem, rejuvenescem.
É o caso da tia Filipa Vacondeus que encontrei num anúncio algumas páginas à frente na mesma revista.
Eu posso jurar que quando eu era nova a tia Filipa já era velha; agora eu sou velha e a tia Filipa está em óptimo estado. É ver:

 
 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
Não sei como o conseguiu mas, se calhar, de tantas porcarias deitar na sopa, acabou por produzir o elixir da juventude.

Conclusão: vale a pena folhear a Revista do Expresso porque acabamos por ter pensamentos assim profundos que, por momentos, nos tiram da frivolidade dos dias a discutir se o Cavaco, afinal, foi contra ou a favor da libertação do Mandela.

 

  

9 de dezembro de 2013

Voto sim, voto não











 
 
Parece que, em 1987, na ONU, Portugal votou sim e não à libertação de Mandela, tudo no mesmo dia.
Singularidades da política à portuguesa.

Na sexta-feira passada, o povo de esquerda (eu incluída) afadigou-se nas redes sociais a dar pancada no Cavaco, porque era ele o primeiro-ministro quando Portugal votou contra Mandela, ao lado de Reagan e da Thatcher.
Alguém se lembrou desta efeméride de há 26 anos e pô-la em circulação.

Foi tal o sururu que Cavaco teve que vir justificar-se.
Argumentou o homem que apoiar a luta de libertação com recurso a armas, isso é que não podia ser!, como se as colónias portuguesas tivessem alcançado a independência com cravos na botoeira, digo eu.

Contudo, sobre o assunto, a coisa mais extraordinária que li vinha no Expresso, e dizia: “os votos de Portugal na ONU nunca passam pelo gabinete do primeiro-ministro, a responsabilidade é sempre do ministro dos Negócios Estrangeiros, ouvido o director-geral de política” do Ministério.” Quem profere tal afirmação é Martins da Cruz, assessor diplomático de Cavaco à época.

Mas então as decisões sobre as nossas votações na ONU, parte da nossa política externa, ficam-se ao nível do director-geral?
Cavaco quando se justificou nunca disse que não tinha nada que ver com o assunto. Será Martins da Cruz mentiroso ou foi o jornalista que não percebeu peva? Estou confusa com isto, muito confusa.

Mas duma coisa tenho eu a certeza − se alguém quiser pedir desculpa ao Cavaco por acusações injustas, pois que peça; por mim, não farei tal coisa, pelo menos antes que ele me peça desculpa a mim por tudo o que não anda a fazer e mais o que tem andado a fazer.

Além disso, é absolutamente certo que Portugal votou sim, mas também votou não à libertação de Mandela, ao lado dos dois maiores energúmenos políticos da época.

Se se tivesse tirado uma fotografia seria tão memorável como a das Lajes.
Ainda bem que, dessa vez, o fotógrafo não estava lá.
Para vergonha já basta assim.

6 de dezembro de 2013

Madiba


















Já todos disseram tudo.
Venho só deixar as minhas homenagens, Madiba.

Animais e cavalgaduras











 
Pertenço ao grupo dos que acham que, por mais profunda que seja a crise, e por mais negro que seja o tempo que vivemos, não devemos desistir de dar uma boa gargalhada, de gozar o sol numa esplanada, de estar com os amigos, de gritar golo, de saborear um pastel de Belém, nem de tantos outros pequenos nadas de que se faz a vida.

Da mesma maneira, no campo legislativo, nem só do Orçamento de Estado vive o Parlamento.

Porém, ó meus amigos, estes parlamentares ofendem-me com a sua escandalosa falta de sentido de oportunidade.
Li ontem que, depois da Cristas querer decidir quantos cães e gatos cada português poderia ter, vem agora o PS, que mais aprece um espectro, coitado, a querer legislar sobre o castigo que os portugueses merecem se maltratarem animais.

Para ambos os casos o país tem legislação, que tem servido, desde os anos de 1990, mas parece que, agora que isto está calmo e o país está sem problemas, os partidos “do arco da Governação” decidiram apurar legislativamente as questões do reino animal quantificando tudo.

Por acaso também li a notícia do lado, que também quantificava, e que dizia que um em cada quatro portugueses está em risco de pobreza − 25%, ou seja, 2700000 (dois milhões e setecentos mil).

Nada era referido sobre legislação a apresentar para resolver este problema ou punir quem maltrata as pessoas.
Pensava que não, mas há dias em que estas cavalgaduras ainda me conseguem indignar.

5 de dezembro de 2013

Palavras - Brete




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

Imagem Street View Photography, Facebook


 
Brete, s. m. − cilada, engano, logro, enleio, ludíbrio, armadilha

Dicionário de Sinónimos, Porto Editora

 

3 de dezembro de 2013

Os extravagantes caprichos da pluma







 
 
 
Eu sou fã de Clara Ferreira Alves.
Ela tem lá os seus defeitos, que serão muitos, certamente, e eu tenho os meus, que não serão menos.
Mas ela sabe escrever. E sabe pensar.

Porém, nas últimas semanas tem-me deixado preocupada.

Há quinze dias escreveu sobre “O tal 1%” que é dono do mundo, sendo que o próprio mundo o não conhece.
Quando cheguei ao fim da página, achei que a única coisa sensata a fazer era ir à cozinha cortar os pulsos com a faca do pão.

Se o quadro é deveras negro, a CFA pintou-o de luto carregado, qual viúva disposta a nunca mais “refazer a sua vida”; sem futuro, portanto. Tudo morto.
Já de faca na mão, lembrei-me que o futuro não é meu, nem dela – é das gerações mais novas, e serão elas a escolher o rosto do tempo por vir.
Acabei por não cortar os pulsos, como é público e notório.

Esta semana, a cronista resolve entoar loas ao casal Eanes.

É lá com ela, se lhe apetece entrar no coro dos que já acham que fazer os mínimos é o mesmo que ganhar a medalha de ouro (falo dessa coisa simples que é continuar a ser honesto mesmo estando na política).

O incompreensível nesta crónica, é que a Clara, duma penada, e à boa maneira estalinista − que não lhe assenta nada bem, apaga do currículo do general a criação, e o seu total envolvimento, com PRD (Partido Renovador Democrático).

É certo que ele pouco deu a cara pelo partido, mas, por acaso, isso foi bonito? Ou meritório? Ou deve ser esquecido?

Perguntas que não interessam a ninguém.
Nem à Clara Ferreira Alves, que até se costumava interessar.

2 de dezembro de 2013

Bicho ruim




Nestes conturbados tempos, há dois crimes de lesa–pátria que ninguém deve ousar cometer, muito menos nas redes sociais.

Um, é não se derreter com as megalómanas e apologéticas obras de Joana Vasconcelos; o outro é não carregar o andor de Nossa Senhora dos Pobrezinhos, ou seja, Santa Isabel Jonet.

Quem a tal se abalançar, leva logo pelas trombas com os rótulos de esquerda entre aspas, mesquinho, ressabiado, bem pensante, enfim, tudo aquilo que os genuínos guardadores da verdade acham que têm o direito de chamar aos bichos ruins, comuns criminosos de lesa-senhoras.

Quanto à Joaninha, espero que continue por muitos anos a sacar dinheiro às empresas e apoio ao Estado. Sabe viver, e não me pede nem sequer que goste do seu trabalho, ao contrário dos seus apaniguados. Aprecio isso. Força Joana.

Santa Isabel vem, duas vezes por ano, pedir comida para os pobres. Claro que alguém tem que os alimentar, e temos que ser nós. Se as empresas os despedem, se os troikos acham que o salário mínimo por aqui é sumptuário, e se o Estado acha que os nossos enormes impostos não podem servir para amparar quem tem fome, vamos fazer o quê? Temos que ser nós, é claro que temos que ser nós.

Não carrego o andor da santa, não gosto nadinha dela, mas é óbvio que também dei para aquele peditório. Temos que ser nós, é claro que temos que ser nós. Qual é a dúvida?

Procurei também não pensar nos ganhos extra dos supermercados este fim de semana, nem no IVA que a Maria Luís Albuquerque arrecadou à contra dos famélicos da nossa terra. Meti a viola no saco, e mais o arroz, o óleo e as salsichas, e fiz o que tinha a fazer.

No Facebook encontrei a imagem lá de cima e roubei-a. Ontem foi dia da Restauração da Independência e a mim só me apetecia fazer o que aqueles fizeram há 373 anos – defenestrar, defenestrar, defenestrar.
Mas isso é porque eu sou um bicho ruim.

Nota: imagem roubada no FB à Adriana Bebiano.

29 de novembro de 2013

Estranha relação




A canção “In my secret life” pertence ao CD “Ten New Songs” de Leonard Cohen, publicado em 2001.

Ouvi-o dezenas de vezes nessa altura.

Hoje, ao ouvi-la de novo, pensei que já passaram 12 anos e disse de mim para comigo um velho lugar-comum: parece que foi ontem.
Amanhã, sobre o mesmo assunto, posso pensar noutro lugar-comum: caramba, foi há tanto tempo…, foi há uma eternidade.

Certo é que, com ou sem lugares-comuns, parece cada vez mais estranha a relação que hoje, todos nós, novos e velhos, mantemos com o tempo – ora passa a correr, ora nunca mais passa.


No meu caso, quem sempre me tira as dúvidas e me diz a verdade sobre o tempo é o espelho, e…pronto, bom fim-de-semana, que já é sexta-feira.
É gozá-lo porque, logo de seguida, vem aí uma semana que, se calhar, é das que nunca mais passa.
 
 
 
  

28 de novembro de 2013

Mulherzinha estúpida














É Assunção Esteves.

Há dias, com ar beato e hipócrita, declarava às televisões, após a manifestação das polícias, “alegria", e disse ter “orgulho por o Parlamento ser o ponto de destino das manifestações”, ou ainda: “eu quero dizer é que o Parlamento tem orgulho em ser a casa, a porta, a que todos batem".

Olhei para ela e vi uma beata falsa.
Ontem disse que as manifestações no Parlamento são uma “ofensa à democracia” e considera-as “um crime público”.

Além de beata falsa também já me parece uma barata tonta – parva, incompetente e pouco esperta.
Ser-lhe-á assim tão difícil encontrar um discurso coerente que lhe sirva para todos os dias da semana?
 

Entregues à bicharada, é o que é. Sem ofensa para os animais, claro.

27 de novembro de 2013

Nada


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não percebo o alarido que houve com esta notícia de há uma semana.

Acho absolutamente normal que o Secretário de Estado da Cultura necessite de três adjuntos, sete técnicos especialistas, duas secretárias pessoais, um chefe de gabinete, dez técnicos administrativos, três técnicos auxiliares e três motoristas, para fazer NADA.

Acho mesmo que é o pessoal mínimo para tanto Nada.
Por isso acho também normal que tenha contratado um novo assessor, para o ajudar a fazer um pouco mais de Nada.

Gosto de ver as pessoas a progredirem na vida, como o tal Mestre João Filipe Vintém Póvoas, de 24 anos, o contratado.
Este pobre, só tinha um Vintém, já nem os três tinha, mas agora passa a ter todos os meses uns 3069 euros. 

Criticar isto é ser invejoso; e isso é feio, muito feio.

O senhor Secretário de Estado da Cultura, perante tanta inveja, veio pedir que o deixássemos gerir os seus recursos humanos.
Ó senhor Secretário, por quem sois. Nós, portugueses não só o deixamos gerir os SEUS recursos humanos como o deixamos gerir o NOSSO dinheiro.

Dizem que o senhor se preparou a vida inteira para ocupar este lugar; então não havíamos de querer que fosse feliz nele?
Veja se precisa de mais alguém para o ajudar. Nós já estamos por tudo, de tal modo que já nem saímos da posição dos patinhos na canção infantil − “…cabeça para baixo/rabinho para o ar” − lembra-se?

E isto também é cultura a preservar.
Txiii, quanto NADA para fazer!

26 de novembro de 2013

Declaração de amor














 
 
 
 
O meu. Por Amos Oz, escritor israelita, natural de Jerusalém, nove anos mais velho que o Estado de Israel, 74 anos de idade, 30 a viver num kibbutz, muitos outros em Arad, às portas do deserto, agora em Telavive; também combatente nas guerras de 1967 e 1973, activista pela paz e defensor da existência de dois Estados – Israel e Palestina.

Li a entrevista que deu ao Expresso desta semana, palavra a palavra, frase a frase, como quem saboreia um pitéu raro.
Amos Oz é, também ele, um ser raro, dotado de inteligência, ponderação, sensatez, brilho intelectual, sabedoria e modéstia em doses sumptuosas.

Perguntam-lhe no fim da entrevista: Pode a escrita ser um fardo?
 
Totalmente. É um trabalho duro. Se escrevo um romance com 55 mil palavras, tenho o mesmo número de decisões a tomar. Cada palavra é uma luta.
 
Quem escreve alguma coisa sabe que assim é.
No caso de Amos Oz é uma luta sempre ganha, e que nunca deixei de lhe agradecer no final de cada livro.
Raça de homem que me fascina.

Nota: Já aqui  falei sobre um dos seus melhores livros

 

25 de novembro de 2013

É hoje

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 




 

O  Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres.

E este ano já morreram 33.

Ser do contra











 
 
Várias organizações, entre as quais o movimento Não Apaguem a Memória, vão realizar, no dia 7 de Dezembro, uma sessão comemorativa do 40º aniversário do III Congresso da Oposição Democrática realizado em Aveiro a 7 de Abril de 1973.

Caracterizado por uma brutal carga policial, e congregando sectores ideológicos democráticos muito variados, aquele foi um importante momento na luta contra a ditadura.

Uma frase proferida por Pacheco Pereira na reunião das esquerdas em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social, salvaguardando todas as enormes distâncias, lembrou-me esse momento de 1973, quando os portugueses se dividiam em duas grandes categorias – “da situação” e “do contra”.

Nesse “contra” cabia tudo − socialistas, comunistas, maoístas, católicos progressistas, sociais-democratas, democratas cristãos, trotskistas e o que mais houvesse.

Hoje, deixando de lado a política partidária com as suas querelas, mas também com as suas justas e indispensáveis diferenças, os cidadãos comuns agrupam-se, cada vez mais, como em 1973 – há os “da situação” e os “do contra”. 

Daí fazer, para mim, todo o sentido a frase de Pacheco Pereira:

“Neste momento, o que nos deve unir não é aquilo que defendemos, mas aquilo a que nos opomos".

Uma pequena e certeira frase que contém a real dimensão do retrocesso político e democrático português verificado em apenas dois anos e meio.

 

22 de novembro de 2013

Beijos fardados e “às armas” à civil










 
 
 
 
 
 
 
 
Já hoje vi escrito que ainda um dia me vão perguntar onde é que eu estava na noite de 21 de Novembro 2013, dada a importância da data.

Peço licença para discordar da importância e responderei, na eventualidade pouco provável de a pergunta vir a ser feita, que estava em casa a ver televisão. E o que viram os meus olhos?

Uma coreografia policial de pouca qualidade.

Eles subiram, confraternizaram com beijos, abraços e apertos de mão, desceram, e foram jantar que já se fazia tarde.

Foi giro, e eu até fiquei ali um bocado diante da televisão a ver se, afinal, era a bófia que ia rebentar com aquilo tudo, mas qual quê?

Estavam combinados, são todos amigos e gente de paz. Só não sei com que argumentos irão dar na cabeça dos próximos que quiserem subir as escadas.

Também vi, claro, Mário Soares a gritar “às armas” na sua peculiar forma de cantar o hino, e nele vi ainda um idoso, bastante idoso, com muita raiva e cheio de ódio ao outro homem que agora ocupa o lugar que já foi seu – a Presidência da República.

A sala estava cheia de gente duma faixa etária que a coloca mais p’ra lá do que p’ra cá, e que não tenho a certeza que tenha percebido o quanto o mundo mudou, e com ele as pessoas, evidentemente, as suas opções e as suas formas de participação cívica.

De qualquer forma, aquilo deve ter sido um serão tão agradável como inócuo; a prova disso está na ausência de chamadas de capa para a notícia em todos os jornais do dia (apenas o DN o faz).

Devo estar a ficar demasiado céptica, quando não cínica, porque os acontecimentos de 21 de Novembro, aos meus olhos, nada mais foram do que risíveis, e amanhã já ninguém se lembra.

 
Nota: a imagem foi roubada ao João Tunes no Facebook

Coisas que me desaquietam


 
 
 
 
 
 
 
Ainda um dia gostava de perceber porque é que os gajos que têm a mania que são zen, e passam a vida a dizer que é preciso matar o ego, gastam tanta energia a inflar o deles como a pisar o nosso.

 



21 de novembro de 2013

Gosto de abraços, pronto


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Que diferentes somos

"A cadeia sueca de televisão TV4 teve uma ideia bastante simples, mas muito fixe! Colocaram uma câmara sempre a gravar Ibrahimovic e outra sempre em cima de Cristiano Ronaldo, depois foi só juntar os cinco golos – três do português e dois do sueco – num único vídeo com as reacções de ambos." (E não só, digo eu)

 
Ver aqui o vídeo que roubei ao Sérgio Lavos no Facebook
Gosto de abraços, pronto!

 

 

20 de novembro de 2013

O mááááior


 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nos tempos modernos, não conheço nada mais agregador que uma selecção de futebol.

E julgo que não será só aqui no rectângulo.

Novos e velhos, ricos e pobres, letrados e iletrados, da capital ou das berças, autóctones e expatriados, todos torcem, sofrem, rangem os dentes e vibram com a selecção.

Assim deve ter sido ontem pelo mundo inteiro, porque os portugueses são como Deus Nosso senhor, isto é, estão em todo o lado.

Aqui em casa gritou-se golo quando era e quando podia ter sido.
Os meus amigos e amigas do Facebook tiveram palpitações, disseram que não se aguentava, sofreram que nem desalmados, escreveram várias vezes Gooooooooooolo e Ronaaaaaaalllldo.

Escreveram ainda coisas divertidas e entusiásticas como: Ronaldo é o máááior; um verdadeiro campeão; "leva-nos" ao mundial; Ronaldo a presidente já!, e até os mais insuspeitos de perderem tempo com o futebol lhe tiraram, literalmente, o chapéu.

Mas o meu comentário de eleição, porém, foi dum amigo que escreveu:

“Até lhe perdoamos os Ferraris e outras merdas”.
Tendo a concordar.

19 de novembro de 2013

Livre










 

Se o jornalista o diz tão bem...
 
"...A criação de uma nova plataforma política surge assim como o gesto natural e necessário para defender posições que possam ser adoptadas pelo povo de esquerda em geral, que possam ser propostas aos outros partidos e que possam mobilizar os muitos abstencionistas de esquerda. Um novo partido pode roubar votos aos existentes? Pode, mas isso dependerá das propostas que apresentar e da vontade dos eleitores. É importante ter em conta que os eleitores, mesmo quando votam num partido, não são sua propriedade e não podem ser “roubados” por outro partido. Os eleitores deslocam livremente os seus votos, segundo a sua vontade. Se um partido capta eleitores de outro, tem toda a legitimidade para o fazer e tem, provavelmente, mérito. Mas, o que é mais importante, é que o novo partido também pode recuperar para a política e para o voto muitos desiludidos da esquerda e até atrair eleitores de outras áreas políticas.

 

A propósito das críticas (algumas soezes) que o anúncio da criação do Livre suscitou seria importante que os cidadãos de esquerda tivessem presente que criar um partido é algo fundamental numa democracia e um gesto de generosidade cívica. E lembrar que ninguém está obrigado a concordar, a aderir ou a votar no novo partido. Dizer, a propósito da criação de um novo partido de esquerda, que os seus criadores só querem tachos e são oportunistas apenas reproduz o discurso populista antipolítica e antipolíticos que alimenta a abstenção, que alegra a direita tecnocrática e que tem dificultado o apoio popular a um projecto político diferente."
 

18 de novembro de 2013

É sempre bom saber a matéria











É bom avisar logo de entrada que detesto Nuno Crato e as suas políticas; acho-o até um muito perigoso bandido político, dos piores do governo.

Este era o início do post de 7 de Novembro. Repito-o aqui carregado de intenção.

Sendo defensora convicta dos professores, de todos os professores, considero humilhante que docentes contratados há dez, quinze ou vinte anos sejam agora obrigados a prestar uma Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos.

Porém, e embora desconfie deste cratino modelo, não me choca, antes pelo contrário, que exista alguma prestação de provas, exactamente para avaliar capacidades e conhecimentos, no momento da entrada na profissão.

E tenho razões para isso.

É que ambos os meus filhos, em algum momento do seu percurso académico, todo ele feito na escola pública, foram brindados com um ou outro professor que não sabia a matéria que era suposto ensinar.

Estou, com isso, a desconfiar das escolas que formam os professores?
Estou sim, pelo menos de algumas!

15 de novembro de 2013

Foi só uma lembrança


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Senhor presidente Costa dá licença? Desculpe o incómodo.

Talvez tenha lido este meu postzinho, e se não leu não sabe o que perdeu, sobre as suas louváveis diligências, antes das eleições de Setembro, para informar os lisboetas sobre buracos que não eram da sua competência.
Eu até mostrei, na foto ali de cima, os adizeres que vexa mandou pôr para a gente saber que o Metropolitano de Lisboa é que tinha a responsabilidade.

 
Acontece que já choveu e ventou de novo, vexa já foi eleito e bem eleito, e agora os adizeres voaram e tornaram-se lixo. Ainda por cima caíram todos de borco e já não se consegue ler nada. A “paisagem” ficou assim:

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 















 
 
 
 
 
Eu, confesso, estou muito entusiasmada porque, se chover mais um bocadinho, não será preciso muito mais tempo para estarmos ali sentados à espera do autocarro e a ver lá em baixo quantos minutos faltam para a chegada do próximo comboio. Fixe, não é?

Agora a porcaria dos seus papelões é que não está com nada, de tão inúteis que se tornaram.
Não quer ponderar a hipótese de os mandar remover? Foi só uma lembrança minha… e se incomodei, desculpe, mas é que tenho a mania que a via também é minha.

14 de novembro de 2013

Palavras – Plúmbeo


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Plúmbeo - cinzento, carregado, opressivo, pesado, sombrio, sufocante.

Dicionário Houaiss de sinónimos e antónimos

13 de novembro de 2013

Um canalha convicto


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esta notícia quase passou despercebida, mas dizia coisas assim:

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, elogiou hoje as reformas aplicadas em Portugal, Espanha e Irlanda…, e defendeu a necessidade de os Estados "do norte" seguirem este caminho.

…descreveu como um "êxito" as medidas adotadas na UE que permitiram ultrapassar "o risco existencial" que chegou a afetar a zona euro.

"A história dará conta do importante papel que a chanceler Angela Merkel e outros tiveram" nesta fase, realçou.

Depois de salientar a "solidariedade sem precedentes" entre os parceiros europeus durante esta crise…

Será que bebe? Pensei. Ou será antes alguma coisa que fuma?
Talvez beba, talvez fume, talvez quando acorda ponha os óculos ao contrário.

Ou talvez seja, tão-somente, um canalha convicto.