6 de dezembro de 2013
Animais e cavalgaduras
Pertenço ao
grupo dos que acham que, por mais profunda que seja a crise, e por mais negro
que seja o tempo que vivemos, não devemos desistir de dar uma boa gargalhada, de gozar
o sol numa esplanada, de estar com os amigos, de gritar golo, de saborear um
pastel de Belém, nem de tantos outros pequenos nadas de que se faz a vida.
Da mesma
maneira, no campo legislativo, nem só do Orçamento de Estado vive o Parlamento.
Porém, ó
meus amigos, estes parlamentares ofendem-me com a sua escandalosa falta de
sentido de oportunidade.
Li ontem que, depois da Cristas querer decidir quantos cães e gatos cada português
poderia ter, vem agora o PS, que mais aprece um espectro, coitado, a querer
legislar sobre o castigo que os portugueses merecem se maltratarem animais.
Para ambos
os casos o país tem legislação, que tem servido, desde os anos de 1990, mas
parece que, agora que isto está calmo e
o país está sem problemas, os partidos “do arco da Governação” decidiram
apurar legislativamente as questões do reino animal quantificando tudo.
Por acaso
também li a notícia do lado, que também quantificava, e que dizia que um em cada quatro portugueses está em risco
de pobreza − 25%, ou seja, 2700000 (dois milhões e setecentos mil).
Nada era
referido sobre legislação a apresentar para resolver este problema ou punir quem
maltrata as pessoas.
Pensava que
não, mas há dias em que estas cavalgaduras ainda me conseguem indignar.5 de dezembro de 2013
Palavras - Brete
Imagem Street View Photography, Facebook
Brete, s. m.
− cilada, engano, logro, enleio, ludíbrio, armadilha
Dicionário de Sinónimos, Porto Editora
3 de dezembro de 2013
Os extravagantes caprichos da pluma
Eu sou fã de
Clara Ferreira Alves.
Ela tem lá
os seus defeitos, que serão muitos, certamente, e eu tenho os meus, que não
serão menos.Mas ela sabe escrever. E sabe pensar.
Porém, nas
últimas semanas tem-me deixado preocupada.
Há quinze
dias escreveu sobre “O tal 1%” que é dono do mundo, sendo que o próprio mundo o
não conhece.
Quando
cheguei ao fim da página, achei que a única coisa sensata a fazer era ir à
cozinha cortar os pulsos com a faca do pão.
Se o quadro
é deveras negro, a CFA pintou-o de luto carregado, qual viúva disposta a nunca
mais “refazer a sua vida”; sem futuro, portanto. Tudo morto.
Já de faca
na mão, lembrei-me que o futuro não é meu, nem dela – é das gerações mais novas,
e serão elas a escolher o rosto do tempo por vir. Acabei por não cortar os pulsos, como é público e notório.
Esta semana,
a cronista resolve entoar loas ao casal Eanes.
É lá com
ela, se lhe apetece entrar no coro dos que já acham que fazer os mínimos é o
mesmo que ganhar a medalha de ouro (falo dessa coisa simples que é continuar a
ser honesto mesmo estando na política).
O incompreensível
nesta crónica, é que a Clara, duma penada, e à boa maneira estalinista − que
não lhe assenta nada bem, apaga do currículo do general a criação, e o seu
total envolvimento, com PRD (Partido Renovador Democrático).
É certo que
ele pouco deu a cara pelo partido, mas, por acaso, isso foi bonito? Ou
meritório? Ou deve ser esquecido?
Perguntas
que não interessam a ninguém.
Nem à Clara Ferreira
Alves, que até se costumava interessar.2 de dezembro de 2013
Bicho ruim

Nestes
conturbados tempos, há dois crimes de lesa–pátria que ninguém deve ousar
cometer, muito menos nas redes sociais.
Um, é não se
derreter com as megalómanas e apologéticas obras de Joana Vasconcelos; o outro
é não carregar o andor de Nossa Senhora dos Pobrezinhos, ou seja, Santa Isabel
Jonet.
Quem a tal
se abalançar, leva logo pelas trombas com os rótulos de esquerda entre aspas,
mesquinho, ressabiado, bem pensante, enfim, tudo aquilo que os genuínos guardadores
da verdade acham que têm o direito de chamar aos bichos ruins, comuns
criminosos de lesa-senhoras.
Quanto à
Joaninha, espero que continue por muitos anos a sacar dinheiro às empresas e
apoio ao Estado. Sabe viver, e não me pede nem sequer que goste do seu
trabalho, ao contrário dos seus apaniguados. Aprecio isso. Força Joana.
Santa Isabel
vem, duas vezes por ano, pedir comida para os pobres. Claro que alguém tem que
os alimentar, e temos que ser nós. Se as empresas os despedem, se os troikos acham que o salário mínimo por aqui é sumptuário, e se o Estado acha que os nossos enormes impostos não podem
servir para amparar quem tem fome, vamos fazer o quê? Temos que ser nós, é
claro que temos que ser nós.
Não carrego
o andor da santa, não gosto nadinha dela, mas é óbvio que também dei para
aquele peditório. Temos que ser nós, é claro que temos que ser nós. Qual é a
dúvida?
Procurei também não
pensar nos ganhos extra dos supermercados este fim de semana, nem no IVA que a
Maria Luís Albuquerque arrecadou à contra dos famélicos da nossa terra. Meti a
viola no saco, e mais o arroz, o óleo e as salsichas, e fiz o que tinha a fazer.
No Facebook
encontrei a imagem lá de cima e roubei-a. Ontem foi dia da Restauração da
Independência e a mim só me apetecia fazer o que aqueles fizeram há 373 anos –
defenestrar, defenestrar, defenestrar.
Mas isso é
porque eu sou um bicho ruim.
Nota: imagem
roubada no FB à Adriana Bebiano.
29 de novembro de 2013
Estranha relação
Hoje, ao ouvi-la de novo, pensei que já passaram 12 anos e disse de mim para comigo um velho lugar-comum: parece que foi ontem.
Amanhã, sobre o mesmo assunto, posso pensar noutro lugar-comum: caramba, foi há tanto tempo…, foi há uma eternidade.
Certo é que, com ou sem lugares-comuns, parece cada vez mais estranha a relação que hoje, todos nós, novos e velhos, mantemos com o tempo – ora passa a correr, ora nunca mais passa.
No meu caso, quem sempre me tira as dúvidas e me diz a verdade sobre o tempo é o espelho, e…pronto, bom fim-de-semana, que já é sexta-feira.
28 de novembro de 2013
Mulherzinha estúpida
É Assunção Esteves.
Há dias, com
ar beato e hipócrita, declarava às televisões, após a manifestação das polícias,
“alegria",
e disse ter “orgulho por o Parlamento ser o ponto de destino das manifestações”,
ou ainda: “eu quero dizer é que o Parlamento tem orgulho em ser a casa, a porta, a
que todos batem".
Olhei para
ela e vi uma beata falsa.
Ontem disse
que as manifestações no Parlamento são uma “ofensa à democracia” e
considera-as “um crime público”.
Além de
beata falsa também já me parece uma barata tonta – parva, incompetente e pouco
esperta.
Ser-lhe-á assim tão difícil encontrar um discurso coerente que lhe sirva para todos os dias da semana?
Entregues à bicharada, é o que é. Sem ofensa para os animais, claro.
Ser-lhe-á assim tão difícil encontrar um discurso coerente que lhe sirva para todos os dias da semana?
Entregues à bicharada, é o que é. Sem ofensa para os animais, claro.
27 de novembro de 2013
Nada
Não percebo
o alarido que houve com esta notícia de há uma semana.
Acho
absolutamente normal que o Secretário de Estado da Cultura necessite de três
adjuntos, sete técnicos especialistas, duas secretárias pessoais, um chefe de
gabinete, dez técnicos administrativos, três técnicos auxiliares e três
motoristas, para fazer NADA.
Acho mesmo
que é o pessoal mínimo para tanto Nada.
Por isso
acho também normal que tenha contratado um novo assessor, para o ajudar a fazer
um pouco mais de Nada.
Gosto de ver
as pessoas a progredirem na vida, como o tal Mestre João Filipe Vintém Póvoas,
de 24 anos, o contratado.
Este pobre,
só tinha um Vintém, já nem os três tinha, mas agora passa a ter todos os meses
uns 3069 euros.
Criticar
isto é ser invejoso; e isso é feio, muito feio.
O senhor
Secretário de Estado da Cultura, perante tanta inveja, veio pedir que o
deixássemos gerir os seus recursos humanos.
Ó senhor
Secretário, por quem sois. Nós, portugueses não só o deixamos gerir os SEUS
recursos humanos como o deixamos gerir o NOSSO dinheiro.
Dizem que o
senhor se preparou a vida inteira para ocupar este lugar; então não havíamos de
querer que fosse feliz nele?
Veja se
precisa de mais alguém para o ajudar. Nós já estamos por tudo, de tal modo que
já nem saímos da posição dos patinhos na canção infantil − “…cabeça para
baixo/rabinho para o ar” − lembra-se?
E isto
também é cultura a preservar.
Txiii,
quanto NADA para fazer!26 de novembro de 2013
Declaração de amor
O meu. Por
Amos Oz, escritor israelita, natural de Jerusalém, nove anos mais velho que o
Estado de Israel, 74 anos de idade, 30 a viver num kibbutz, muitos outros em Arad, às portas do deserto, agora em
Telavive; também combatente nas guerras de 1967 e 1973, activista pela paz e
defensor da existência de dois Estados – Israel e Palestina.
Li a
entrevista que deu ao Expresso desta semana, palavra a palavra, frase a frase,
como quem saboreia um pitéu raro.
Amos Oz é,
também ele, um ser raro, dotado de inteligência, ponderação, sensatez, brilho
intelectual, sabedoria e modéstia em doses sumptuosas.
Perguntam-lhe
no fim da entrevista: Pode a escrita ser um fardo?
Totalmente. É um
trabalho duro. Se escrevo um romance com 55 mil palavras, tenho o mesmo número
de decisões a tomar. Cada palavra é uma luta.
Quem escreve
alguma coisa sabe que assim é.
No caso de
Amos Oz é uma luta sempre ganha, e que nunca deixei de lhe agradecer no final de
cada livro.Raça de homem que me fascina.
Nota: Já aqui falei sobre um dos seus melhores livros
25 de novembro de 2013
É hoje
O Dia Internacional para a Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra as Mulheres.
E este ano já morreram 33.Ser do contra
Várias
organizações, entre as quais o movimento Não
Apaguem a Memória, vão realizar, no dia 7 de Dezembro, uma sessão
comemorativa do 40º aniversário do III Congresso da Oposição Democrática
realizado em Aveiro a 7 de Abril de 1973.
Caracterizado
por uma brutal carga policial, e congregando sectores ideológicos democráticos
muito variados, aquele foi um importante momento na luta contra a ditadura.
Uma frase
proferida por Pacheco Pereira na reunião das esquerdas em defesa da Constituição,
da Democracia e do Estado Social, salvaguardando todas as enormes distâncias, lembrou-me
esse momento de 1973, quando os portugueses se dividiam em duas grandes
categorias – “da situação” e “do contra”.
Nesse “contra”
cabia tudo − socialistas, comunistas, maoístas, católicos progressistas,
sociais-democratas, democratas cristãos, trotskistas e o que mais houvesse.
Hoje,
deixando de lado a política partidária com as suas querelas, mas também com as
suas justas e indispensáveis diferenças, os cidadãos comuns agrupam-se, cada vez mais,
como em 1973 – há os “da situação” e os “do contra”.
Daí fazer,
para mim, todo o sentido a frase de Pacheco Pereira:
“Neste momento, o que
nos deve unir não é aquilo que defendemos, mas aquilo a que nos opomos".
Uma pequena
e certeira frase que contém a real dimensão do retrocesso político e
democrático português verificado em apenas dois anos e meio.
22 de novembro de 2013
Beijos fardados e “às armas” à civil
Já hoje vi escrito
que ainda um dia me vão perguntar onde é que eu estava na noite de 21 de
Novembro 2013, dada a importância da data.
Peço licença
para discordar da importância e responderei, na eventualidade pouco provável de
a pergunta vir a ser feita, que estava em casa a ver televisão. E o que viram
os meus olhos?
Uma
coreografia policial de pouca qualidade.
Eles
subiram, confraternizaram com beijos, abraços e apertos de mão, desceram, e
foram jantar que já se fazia tarde.
Foi giro, e
eu até fiquei ali um bocado diante da televisão a ver se, afinal, era a bófia
que ia rebentar com aquilo tudo, mas qual quê?
Estavam combinados,
são todos amigos e gente de paz. Só não sei com que argumentos irão dar na
cabeça dos próximos que quiserem subir as escadas.
Também vi,
claro, Mário Soares a gritar “às armas” na sua peculiar forma de cantar o hino,
e nele vi ainda um idoso, bastante idoso, com muita raiva e cheio de ódio ao
outro homem que agora ocupa o lugar que já foi seu – a Presidência da
República.
A sala
estava cheia de gente duma faixa etária que a coloca mais p’ra lá do que p’ra
cá, e que não tenho a certeza que tenha percebido o quanto o mundo mudou, e com
ele as pessoas, evidentemente, as suas opções e as suas formas de participação
cívica.
De qualquer
forma, aquilo deve ter sido um serão tão agradável como inócuo; a prova disso
está na ausência de chamadas de capa para a notícia em todos os jornais do dia
(apenas o DN o faz).
Devo estar a
ficar demasiado céptica, quando não cínica, porque os acontecimentos de 21 de
Novembro, aos meus olhos, nada mais foram do que risíveis, e amanhã já ninguém
se lembra.
Coisas que me desaquietam
Ainda um dia
gostava de perceber porque é que os gajos que têm a mania que são zen, e passam
a vida a dizer que é preciso matar o ego, gastam tanta energia a inflar o deles
como a pisar o nosso.
21 de novembro de 2013
Gosto de abraços, pronto
Que diferentes somos
"A cadeia sueca de televisão TV4 teve uma ideia bastante
simples, mas muito fixe! Colocaram uma câmara sempre a gravar Ibrahimovic e
outra sempre em cima de Cristiano Ronaldo, depois foi só juntar os cinco golos
– três do português e dois do sueco – num único vídeo com as reacções de ambos."
(E não só, digo eu)
Gosto de abraços, pronto!
20 de novembro de 2013
O mááááior
Nos tempos
modernos, não conheço nada mais agregador que uma selecção de futebol.
E julgo que
não será só aqui no rectângulo.
Novos e
velhos, ricos e pobres, letrados e iletrados, da capital ou das berças,
autóctones e expatriados, todos torcem, sofrem, rangem os dentes e vibram com a
selecção.
Assim deve
ter sido ontem pelo mundo inteiro, porque os portugueses são como Deus Nosso
senhor, isto é, estão em todo o lado.
Aqui em casa
gritou-se golo quando era e quando podia ter sido.
Os meus
amigos e amigas do Facebook tiveram palpitações, disseram que não se aguentava,
sofreram que nem desalmados, escreveram várias vezes Gooooooooooolo e
Ronaaaaaaalllldo.
Escreveram
ainda coisas divertidas e entusiásticas como: Ronaldo é o máááior; um verdadeiro
campeão; "leva-nos" ao mundial; Ronaldo a presidente já!, e até os
mais insuspeitos de perderem tempo com o futebol lhe tiraram, literalmente, o
chapéu.
Mas o meu
comentário de eleição, porém, foi dum amigo que escreveu:
“Até lhe
perdoamos os Ferraris e outras merdas”.
Tendo a concordar.19 de novembro de 2013
Livre
Se o jornalista o diz tão bem...
"...A criação de
uma nova plataforma política surge assim como o gesto natural e necessário para
defender posições que possam ser adoptadas pelo povo de esquerda em geral, que
possam ser propostas aos outros partidos e que possam mobilizar os muitos
abstencionistas de esquerda. Um novo partido pode roubar votos aos existentes?
Pode, mas isso dependerá das propostas que apresentar e da vontade dos
eleitores. É importante ter em conta que os eleitores, mesmo quando votam num
partido, não são sua propriedade e não podem ser “roubados” por outro partido.
Os eleitores deslocam livremente os seus votos, segundo a sua vontade. Se um
partido capta eleitores de outro, tem toda a legitimidade para o fazer e tem,
provavelmente, mérito. Mas, o que é mais importante, é que o novo partido
também pode recuperar para a política e para o voto muitos desiludidos da
esquerda e até atrair eleitores de outras áreas políticas.
A propósito
das críticas (algumas soezes) que o anúncio da criação do Livre suscitou seria
importante que os cidadãos de esquerda tivessem presente que criar um partido é
algo fundamental numa democracia e um gesto de generosidade cívica. E lembrar
que ninguém está obrigado a concordar, a aderir ou a votar no novo partido.
Dizer, a propósito da criação de um novo partido de esquerda, que os seus
criadores só querem tachos e são oportunistas apenas reproduz o discurso
populista antipolítica e antipolíticos que alimenta a abstenção, que alegra a
direita tecnocrática e que tem dificultado o apoio popular a um projecto
político diferente."
18 de novembro de 2013
É sempre bom saber a matéria
É bom avisar logo de entrada que detesto Nuno Crato e as suas políticas; acho-o até um muito perigoso bandido político, dos piores do governo.
Este era o início do post de 7 de Novembro. Repito-o aqui carregado de intenção.
Sendo
defensora convicta dos professores, de todos os professores, considero
humilhante que docentes contratados há dez, quinze ou vinte anos sejam agora
obrigados a prestar uma Prova de Avaliação de Capacidades e
Conhecimentos.
Porém, e embora
desconfie deste cratino modelo, não me choca, antes pelo contrário, que exista
alguma prestação de provas, exactamente para avaliar capacidades e
conhecimentos, no momento da entrada na profissão.
E tenho
razões para isso.
É que ambos
os meus filhos, em algum momento do seu percurso académico, todo ele feito na
escola pública, foram brindados com um ou outro professor que não sabia a
matéria que era suposto ensinar.
Estou, com
isso, a desconfiar das escolas que formam os professores?
Estou sim,
pelo menos de algumas!15 de novembro de 2013
Foi só uma lembrança
Senhor
presidente Costa dá licença? Desculpe o incómodo.
Talvez tenha
lido este meu postzinho, e se não leu
não sabe o que perdeu, sobre as suas louváveis diligências, antes das eleições
de Setembro, para informar os lisboetas sobre buracos que não eram da sua
competência.
Eu até
mostrei, na foto ali de cima, os adizeres que vexa mandou pôr para a gente
saber que o Metropolitano de Lisboa é que tinha a responsabilidade.
Eu,
confesso, estou muito entusiasmada porque, se chover mais um bocadinho, não
será preciso muito mais tempo para estarmos ali sentados à espera do autocarro
e a ver lá em baixo quantos minutos faltam para a chegada do próximo comboio. Fixe,
não é?
Agora a
porcaria dos seus papelões é que não está com nada, de tão inúteis que se
tornaram.
Não quer
ponderar a hipótese de os mandar remover? Foi só uma lembrança minha… e se incomodei, desculpe, mas é que tenho a mania que a via também é minha.14 de novembro de 2013
Palavras – Plúmbeo
Plúmbeo - cinzento,
carregado, opressivo, pesado, sombrio, sufocante.
Dicionário Houaiss de sinónimos e antónimos
13 de novembro de 2013
Um canalha convicto
Esta notícia quase passou despercebida, mas dizia coisas assim:
O presidente do
Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, elogiou hoje as reformas aplicadas em
Portugal, Espanha e Irlanda…, e defendeu a necessidade de os Estados "do norte"
seguirem este caminho.
…descreveu como um
"êxito" as medidas adotadas na UE que permitiram ultrapassar "o
risco existencial" que chegou a afetar a zona euro.
"A história dará
conta do importante papel que a chanceler Angela Merkel e outros tiveram"
nesta fase, realçou.
Depois de salientar a
"solidariedade sem precedentes" entre os parceiros europeus durante
esta crise…
Será que
bebe? Pensei. Ou será antes alguma coisa que fuma?
Talvez beba,
talvez fume, talvez quando acorda ponha os óculos ao contrário.
Ou talvez
seja, tão-somente, um canalha convicto.
12 de novembro de 2013
Viver do lado de cá
A 26 de
Dezembro de 2004, um descomunal tsunami varreu a costa de vários países do sul
da Ásia. Alguns desses locais eram estâncias de turismo onde muitos ocidentais
passavam férias de Natal munidos de câmaras fotográfica e iphones; e falavam
inglês.
Através dos
seus registos de imagens e palavras, tivemos horas de reportagens televisivas,
onde quase podíamos tocar o pânico, a dor, a perda e também o heroísmo.
Em Agosto de
2005, o furacão Katrina destruiu boa parte da cidade de New Orleans. Era a
América nas suas imensas contradições. As televisões assentaram arraiais e
forneceram centenas de horas de reportagem sobre o pânico, a dor, a perda e
também o heroísmo. Todos falavam inglês.
Há poucos
dias, o tufão Haiyan levou literalmente consigo a vida de milhares de filipinos
– uns porque morreram, e outros porque ficaram sem passado.
As
televisões mostram algumas imagens nos telejornais, entre declarações de
treinadores de futebol, declarações de Rui Machete, e outros desastres.
Aqueles
filipinos são todos pobres, e não falam inglês.
O pânico, a
dor, a perda e o heroísmo também lá estão, mas por baixo da pele ou atrás das
pálpebras.Teremos que os adivinhar, se quisermos. Geralmente não queremos.
Neste caso,
teríamos também que falar a sério de alterações climáticas e, geralmente,
também não queremos.
Porque
vivemos do lado de cá da vida e, se necessário, até falamos inglês.11 de novembro de 2013
A estrela
O PCP está a
comemorar o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, e faz muito bem. Além de
ter sido seu líder, Cunhal foi uma figura incontornável do século XX português.
Entre várias
efemérides, contou-se, ontem, um comício no Campo Pequeno, em Lisboa,
antecedido dum desfile.
Mas não foi
um desfile comum. Veja-se aqui como foi programado:
O comício tem início marcado para as
15 horas, mas as celebrações começam antes, nas ruas em redor do Campo Pequeno.
Às 13h45 arrancam para o local do comício quatro
desfiles, que prometem dar a estas comemorações uma vibrante expressão de rua: quem venha dos distritos
de Lisboa, Leiria e Santarém concentra-se em Entrecampos; os oriundos
dos concelhos da Península de Setúbal partem da Avenida de Berna, junto à
Fundação Calouste Gulbenkian; os que venham de Évora, Beja, Portalegre e
Litoral Alentejano iniciam a marcha na Avenida de Roma; e a JCP começa a
desfilar na Praça Duque de Saldanha. A chegada dos
desfiles ao Campo Pequeno será, seguramente, um momento particularmente
emocionante.
Segundo uma
das televisões, o objectivo era fazer uma estrela.
Deve ter
sido bonita de ver, a coreografia. Mas de helicóptero, claro.
Os
comunistas sempre me garantiram que Cunhal tinha horror ao culto da personalidade,
e que lhe dava um combate sem tréguas.
Posso até
acreditar nisso, mas fica óbvio que não só perdeu essa batalha em vida, como
continua a perdê-la depois de morto.
Ter-lhe-ia
sido mais fácil se não tivesse uma presença tão magnética.
E sexy, já
agora.
Nota: Foto
de Rui Ochôa, retirada daqui
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