quarta-feira, junho 24, 2015

Do lado certo do betão










 
 
 
 
 
 
Poucos anos depois de eu nascer, a Europa do pós-guerra acordou um dia com a construção de um muro em Berlim.

O mundo ocidental chamou-lhe “Muro da Vergonha”.

Com ele cresci e vivi até 1989, data em que o muro foi derrubado pelos povos de leste e todos, no leste e no oeste, achámos que iríamos viver tempos de paz, liberdade e prosperidade.

Não foi o que aconteceu, como muito bem sabemos hoje, mas a minha mais recente perplexidade resulta da tomada de conhecimento da construção de novos muros: a Hungria constrói um muro de 175 quilómetro de comprimento por quatro de altura, ao longo da sua fronteira com a Sérvia, para impedir a entrada de clandestinos, e a Bulgária constrói uma cerca ao longo de toda a linha fronteiriça com a Turquia, junto à cidade búlgara de Lesovo, para impedir a entrada de refugiados. O primeiro trecho, com cerca de 32 quilómetros, ficou concluído em Setembro.” (aqui e aqui)

Afinal, na Europa, e segundo percebo:

a) os muros só são da vergonha se construídos por comunistas;
 
b) também não é vergonha nenhuma os pobres enxotarem os miseráveis;

c) os muros, para estes povos tantos anos subjugados por um, até são, afinal, uma forma expedita de resolver problemas, desde que consigam ficar do lado certo do betão

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