sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Borgen




 
Às vezes, demasiadas vezes, interrogo-me se sobre o meu discernimento, por não encontrar bondade onde tantos outros se derretem, e vice-versa.

Vem isto a propósito da série Borgen que passa na RTP2, mas que eu nunca tinha visto. Tendo lido, aqui e ali, bastantes elogios, decidi vê-la agora, no começo de nova temporada.

E vi: uma mulher dinamarquesa, que já tinha sido primeira-ministra do seu país, regressa do estrangeiro e, descontente com o desvio de direita do seu partido, candidata-se à liderança. Perde.

Num primeiro momento, afirma na televisão que se retira mas, num segundo momento, decide formar um novo partido.
Até aqui, tudo mais ou menos bem, mas também tudo, tudo, já visto no capítulo “Atracção do Poder”.

O que eu nunca tinha visto era essa ideia, levada à prática, de formar primeiro um partido, e pensar o seu programa depois.

Provavelmente, o programa já nem é importante, ou poderá ser formado  apenas pelas “ideias de Brigitte” ; certo é que, exceptuando a oposição à política de imigração do governo, nada mais ali tem uma ideia definida.

Ora, isto parece-me tão inverosímil que não cabe no meu conceito de ficção para adultos.

Numas instalações manhosas, Brigitte aparece sempre impecável de roupa, cabelo, e salto agulha, rodeada de gente que defende isto, aquilo e o seu contrário, e sobre isto e aquilo vai-se dizendo que o partido ainda não tem uma posição tomada.

Portanto, improvisa-se.
E o resto é o costume − o centrão e os seus vícios.

Novo, mesmo, talvez o décor – tudo ali é arquitectura e design nórdico.
Mas também isso começa a não trazer nenhuma novidade.
E a mim, neste inverno, aqueles janelões abertos para o céu cinzento da Dinamarca apenas me trouxeram mais frio.

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