segunda-feira, janeiro 13, 2014

Na “Estação Meteorológica”


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sinto sempre um misto de euforia e gratidão quando encontro alguém que consegue verbalizar o que apenas pressenti nas catacumbas de mim.

“Pela morte de Eusébio, as televisões subiram a um desses picos já conhecidos e mostraram, mais uma vez, a violência que são capazes de exercer sobre a nossa vergonha. A vergonha, cuja relação com a culpa foi estabelecida pela psicanálise freudiana, é o índice de uma intolerável proximidade de alguém, que é sempre outro, por mais familiar que seja, em relação à intimidade do Eu: é um mal-estar perante o sentimento do Eu mais íntimo. Sentimos vergonha por ouvir os relatos, os comentários e as reportagens dos jornalistas porque há algo em nós que se sente ameaçado, denudado, com tais palavras e atitudes.”

António Guerreiro, Estação Meteorológica, Ípsilon, 10 Janeiro 2014

Imagem: pintura de Anselm Kiefer, pintor alemão nascido em 1945, cujas pinturas, não raro, também provocam mal-estar, mas de sinal contrário.

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