19 de julho de 2012

Uma estranha mania

Chegando a esta altura do ano, os jornais têm o hábito de nos recomendar livros para férias. Nunca percebi o que são livros para férias. Livros são livros e pronto. No máximo tomo atenção ao peso que terei de carregar para a praia e, se não estiver mortinha por ler um em especial, levo o mais fininho. Questão meramente prática e defensiva, portanto.

Para ler em qualquer tempo, lugar ou suporte, recomendo estes dois:

“ A Sorte de Jim” (Quetzal Editores) é um livro divertido do grande escritor inglês Kingsley Amis.
O tema muito explorado da vida dos professores nas Universidades inglesas com o seu mau-carácter, grandes egos, equívocos, maquinações, favorecimentos, amores e traições etc., é aqui tratado com graça e muito talento.

“ O Legado de Humboldt” (Quetzal Editores) é um monumento à literatura, erguido pelo grande, enorme, Saul Bellow. Mais de 500 páginas densas e poderosas, para quem não tiver medo de muitas letras, algum esforço, muitas ideias a assimilar, grandezas e misérias dos humanos.

A propósito deste livro houve aqui uma divertida alfinetada da crítica Ana Cristina Leonardo sobre o que foi escrito aqui pelo crítico Eduardo Pitta.

E agora, vou. Levo comigo “Goodbye Columbus” do meu muito estimado Philip Roth, que nunca me desilude; também não será desta, tenho a certeza.

VOLTO JÁ!

18 de julho de 2012

Januário, o incendiário

Quem me lê sabe que não sou católica, nem sequer crente; sabe também como sou muito crítica deste governo, dos seus ministro e da sua política. Porém, também não gosto nadinha de ouvir D. Januário Torgal Ferreira considerar que o Governo liderado por Passos Coelho é “profundamente corrupto”.(aqui)

D. Januário é cidadão deste país, e terá as suas opiniões, mas quando abre a boca, queira ou não, é sempre bispo, é a Igreja que fala, e eu gosto da Igreja a tratar dos assuntos divinos.
A política e, sobretudo, a avaliação dos políticos, está claramente fora do seu âmbito de acção.

Haverá muita gente a bater palmas, a aplicar adjetivos como corajoso ou desassombrado, mas quem o faz esquece-se que está a abrir a porta para tolerar que a Igreja se meta em muitos outros aspectos da vida secular, nos quais, pessoalmente, não admito que se meta – caso do aborto, do uso do preservativo, ou dos apelos feitos do púlpito para votar no partido A ou no partido B.

O desbragamento oratório do senhor bispo é, quanto a mim, intolerável; viveremos sempre muito melhor continuando com a sólida separação entre a Igreja e o Estado.
Ou, mais prosaicamente, cada macaco em seu galho.

Trate das almas, D. Januário, ajude os pobres, cumprindo a vocação assistencialista da Igreja, mas deixe a política, os políticos, as leis e a vida privada connosco.

17 de julho de 2012

Anedotário

Por essa Europa fora, estamos fartos de ver casos de políticos afastados dos seus lugares por terem amigos “errados”, por aceitarem dinheiro “errado” para si ou para o seu partido, por estarem no sítio “errado” à hora “errada”, por terem mentido, ou por plagiarem uma tese de doutoramento. A Europa política está podre mas ainda teme os juízos morais das suas populações.
Estes homens e mulheres demitem-se ou são demitidos.

Em Portugal temos um poderoso ministro, o número dois do governo, que já mentiu ao Parlamento, já pressionou intoleravelmente jornalistas e que agora tem nos braços uma licenciatura ganha como brinde do bolo-rei.

Que acontece por aqui?
O primeiro-ministro acha que é um não-assunto, uma parte do seu partido achincalha (caso de Alberto João) e outra parte dá conselhos de substituição apresentando substituto e tudo (caso de “vigário” Marcelo).
Estão lindos, estão, e o desnorte é total.

Que faz o bom povo português?
Na sua esmagadora maioria faz anedotas, ri-se muito e o homem vai ficando.
Um povo do caraças, este.

Nota: a foto usada é do Público, corre nas redes sociais, data de 2004 e é uma pérola.


16 de julho de 2012

Os professores


Confesso que tenho por hábito não perder nada do que António Guerreiro escreve no Atual do Expresso e, que me lembre, as minhas expectativas nunca saíram defraudadas.

Na última edição do jornal, escreve um longo artigo em que analisa os exames do 12º ano, a que deu o título “Os exames e a comédia do rigor”.

É um texto que merece ser lido por todos, os que estão no sistema de ensino e os que estão de fora mas que gostam de opinar sobre o que não conhecem.

Como declaração de interesses, esclareço que nunca fui professora, mas a maior parte dos meus amigos são-no, ou foram.

Também nunca esqueço os professores que marcaram positivamente a minha vida, e foi com grande mágoa que vi Maria de Lourdes Rodrigues começar a destruir a dignidade de toda uma classe fundamental para o futuro do país, transformando os professores em burocratas stressados e indisponíveis para a cultura e investigação na sua área de trabalho.

Para entender o que vale hoje um professor para o Ministério da Educação, atrevo-me a publicar um (longo) excerto do artigo de António Guerreiro.

Lamento profundamente que tenhamos chegado aqui, mas o que vai escrito é tão exacto quanto indigno:

 “Chegados a este ponto, seria altura de entrar num longo capítulo de descrição do que tem acontecido à mais desventurada e vilipendiada classe profissional: a dos professores. Resumindo bastante uma longa história, podemos dizer que os professores estão desde há bastante tempo sujeitos a estas duas regras que não passam de alíneas nos tratados de domesticação: fazer com que a sua legitimidade não tenha uma fonte mais elevada - por exemplo, o saber, algo que não move nem comove a escola atual - do que a dos próprios gestores do ministério; fazer com que eles não acedam a nenhuma espécie de autonomia. Deste modo, se outrora o tempo de trabalho do professor se dividia entre o tempo controlado e o tempo autónomo, hoje todo o seu tempo de trabalho é controlado (à hora, aliás). A única autoridade que conta hoje na escola é de ordem administrativa. Para perceber isto em toda a sua dimensão (que é a dimensão grotesca da caricatura), basta ler as "normas relativas aos professores vigilantes".

Aí, em quatro páginas de normas, algumas delas insultuosas, fabrica-se o professor como um suspeito, um indivíduo propenso ao crime que é preciso vigiar (ficando assim no lugar do vigilante vigiado), de tal modo que justifica o uso de uma severa linguagem normativa, cheia de proibições (e até incitando, num determinado caso, a que seja policiado), onde é fácil descobrir um paradigma criminológico.

Depois de identificarmos a parte mais visível da máquina implacável que, em todos os domínios, destituiu a autonomia dos professores e os fez entrar numa mecânica da subordinação, poderíamos pensar que lhes resta ainda o poder autónomo que advém da tarefa da correção dos exames.

Nada mais falso. Os critérios de correção, lavrados em verdadeiros tratados (os critérios de correção têm mais páginas do que o enunciado do exame), fundam-se numa ciência para a qual não temas nome parque trata de hipóteses e de "cenários de resposta". Eles preveem tudo - todos os desvios, todas as incorreções, todas as imperfeições e incompletudes das respostas dos alunos - e para tudo o que preveem têm uma quantificação.

Se, ainda assim, o professor, presumindo-se um avaliador competente, quiser operar um pequeno desvio e introduzir o seu critério de quantificação, lago saberá que a grelha Excel onde vai lançando a pontuação das respostas só aceita os números previstos pela ciência que projeta "cenários de resposta".

No fim de todos os mecanismos de vigilância por que passou, há uma grelha Excel que lhe diz que ele não é nada e nunca será nada.” 

António Guerreiro, Atual, 14/07/2012


13 de julho de 2012

Sem título




O nosso Primeiro-ministro disse na 4ªfeira no Parlamento esta frase de fino recorte retórico:

“Não vou pôr porcaria no ventilador”.

Deduzi que vai de férias, porque até agora ainda não fez outra coisa.

Imagem a dedicada ao PM, tirada daqui

12 de julho de 2012

Coitada, está uma lástima

Ontem foi dia de discutir o Estado da Nação no Parlamento.

Eu também conheço a Nação, mas ninguém me chamou para falar sobre ela.
Metediça que sou, vou falar, queiram ou não.

Acho que a Nação está uma lástima, envelheceu imenso em pouco tempo e, ainda por cima, envelheceu mal, pois nem sequer ganhou sabedoria (que é aquela coisa que substitui, com grande desvantagem, a juventude).

A pobre da Nação está cheia de papos nos olhos, joelhos e cotovelos cheios de rugas, pele flácida e com manchas, cabelo e unhas quebradiços, um pneu à volta da cintura (são as gorduras do Estado), cataratas, hérnias discais e um a infinidade de outras maleitas conhecidas e desconhecidas.

Com o pretexto de que a eletricidade está cara, a Nação começou a apagar a luz do espelho, e por isso continua, tristemente, a “borrar a pintura”.

Está magrita (exceptuando o pneu, claro) porque ganhou o hábito de falar mais de comida do que de comer. Dantes, comia fora muitas vezes, não tinha paciência para cozinhar, dizia, e estava até a afeiçoar-se ao gourmet e sushi. Ainda há pouco me disse que agora fica bem com um Nestum ao almoço e uma banana ao jantar.

Também tinha o hábito de ir à urgência porque lhe doía um dente, mas agora não vai lá nem com as crises da hérnia discal que a deixam cada vez mais alquebrada.

Ainda me lembro de a ver com um belo saco de marca a caminho do ginásio; porém, de repente, começou a dizer que já não tem pernas para ir a manifestações, e fica em casa.
Também perdeu a vontade de ir à Zara, e passou a usar o que, graças a deus, nunca deitou fora nem deu.

Vê mal, mas o oftalmologista está caro; ontem, quando viu imagens da manifestação nocturna de espanhóis acompanhando os mineiros em greve (como aquela ali em cima), percebendo que havia muita luz, perguntou-se, apalermada que está – “já será Natal?”.

Na minha perspectiva, a Nação está a precisar dum lifting total, realizado por alguém que soubesse o que anda a fazer, alguém que tivesse feito um curso inteiro mas, provavelmente, não o vai conseguir - não tem dinheiro, nem vontade, nem esperança.

Por este andar, qualquer dia acorda morta.
Eu tenho muita pena da Nação.


11 de julho de 2012

Doações

Este vídeo é chocante, e, por isso mesmo, aconselho vivamente a que seja visto, bem como a ler a curta notícia que o acompanha – uma mulher a ser executada no Afeganistão, acusada de adultério.

Conta o artigo que a mulher foi executada porque seria disputada por dois comandantes talibãs que teriam "alguma forma de relacionamento" com a vítima. "Para salvar a face", acusaram-na de adultério, explica o governador da província de Parwan, onde foi filmado o vídeo amador. Depois, "fingiram um julgamento para decidir o destino desta mulher e, numa hora, executaram-na", acrescenta.

Há poucos dias li também que mais de 80 países e organizações, reunidos na conferência de doadores em Tóquio, prometeram doar quatro mil milhões de dólares ao Afeganistão, todos os anos e até 2015.

Li, há mais dias, que Portugal se comprometeu a doar 1 milhão de euros às forças armadas afegãs. É dinheiro que não nos faz falta e será, certamente, bem usado.

Os doadores exigem em troca do seu dinheiro “compromissos de combate à corrupção e de garantias de transparência”, ou seja, coisas vagas, muito vagas.

O Afeganistão continuará a ser um inferno na terra para quem lá nasce mulher, perante a complacência de doadores muito civilizados, correctos e, na sua maioria, cristãos.


10 de julho de 2012

Abre-se a porta, mas só metade

A Universidade Lusófona concedeu meia hora aos jornalistas para consultarem o processo de licenciatura de Relvas; e supervisionados pelo Provedor do Aluno.

Ah, também os proibiu de captar imagens do dossiê.

Numa desesperada tentativa de guardar alguma credibilidade, aqueles iluminados cérebros universitários resolveram que tinham que “abrir a porta”, mas só até metade

Este é, definitivamente, um país de segredos. Até para sabermos o terceiro segredo de Fátima tivemos de esperar para aí 80 anos, e no fim ficámos na mesma porque ninguém percebeu nada.

O mesmo não se passa neste caso. Com segredo ou sem segredo já todos percebemos que eles deram a licenciatura ao homem.

Para salvar a credibilidade, caíram no ridículo.
Cada cavadela, sua minhoca.


9 de julho de 2012

Macário, miúdas e cinzeiros

O Supremo Tribunal Administrativo condenou Macário Correia à perda de mandato face a umas “complicaçõezinhas” que arranjou enquanto presidente da Câmara de Tavira.

Este insigne autarca, ex-deputado do PSD e ex-Secretário de Estado do Ambiente de Cavaco Silva, proferiu há uns anos uma frase linda e digna de antologia de que nunca me esqueci. Disse o homem:

“Beijar uma miúda que fuma é como lamber um cinzeiro.”

Imaginei então um Macariozinho  pré-púbere , muito traquinas mas um bocado estúpido, a experienciar a arte de lamber cinzeiros, treino sem o qual não poderia avaliar o beijo da fumadora quando púbere.

Depois deste intenso, mas não inopinado, chocho que o tribunal lhe pregou, apetece-me mesmo perguntar-lhe:
- Macário, agora sente-se a lamber o quê?
Ainda bem que não deu cadeia (livra!), foi só perda de mandato.

Macário fez longa caminhada desde que lambia cinzeiros; deixou de ser estúpido mas é ainda um traquinas capaz de antecipar os acontecimentos.
Por isso, atempadamente, pediu a reforma - tem direito a duas (2) vitalícias - e aos 57 anos pode dormir descansado.

Os cortes suplementares na saúde e educação seguem dentro de momentos.
Tem de ser. É que não há mais por onde cortar nas despesas do Estado.

6 de julho de 2012

Bons sem bola III

O excerto do texto que se segue foi publicado por CC no seu blogue Ardósia Azul com título “Prémio”.

É mais um “Bom (boa) sem bola”, heróis anónimos e esquecidos no torvelinho do nosso difícil quotidiano.
Percursos académicos e de vida há muitos. Por estes dias, debaixo dos holofotes está o de um governante. É comparar.

Parabéns CC.

Querem saber do que me orgulho mais? Não é da tese propriamente...mas de ter tido uma mãe doméstica, um pai polícia (ambos pobres), de eles se terem divorciado, de eu ser retornada, de ter morado numa casa ocupada e depois num quarto alugado onde viviam quatro pessoas, de ter mudado depois de casa várias vezes, de por vezes não ter um tostão que fosse nem para livros nem para mais coisa nenhuma. O orgulho está no corte com o estigma da pobreza e da desgraça, é isso que vale este prémio, a hipótese de que o mérito pode valer alguma coisa mesmo num país como este.

5 de julho de 2012

Leio coisas extraordinárias

Victor Constâncio disse hoje em conferência de imprensa:

A 'troika' considera que o programa de assistência a Portugal continua a correr bem".

Ora então, não continua? Com mais 311.000 desempregados desde o início, o pessoal a emigrar, a natalidade a cair, os imigrantes a partirem, o povo a entregar a casa ao banco, as lojas a fecharem, os estudantes a deixarem de estudar, os médicos e enfermeiro a ganharem 3 euros à hora, os impostos o subirem, os subsídios a definharem ou mesmo a morrerem, as empresas a falirem, o défice (enfim, um) a subir, isto não podia mesmo estar a correr melhor.

Candidatamos esta choça à 8ª Maravilha do Mundo, ó Constâncio?

Tempo de cortar a relva

A perseguição a José Sócrates começou com o “caso” da sua licenciatura.
Como a vingança se serve fria, o poderoso ministro Relvas começa agora a provar do mesmo veneno.

Para começar, aqui na parvónia, não se pode ser político sem uma licenciatura, e por isso, se ela não existe, arranja-se; basta ter connections.

Levantada a questão, aí está de novo o manto de silêncio e secretismo que cobre as nossas instituições. As pautas são públicas, mas a Universidade Lusófona, quando questionada sobre o percurso académico do ministro, nada diz. Segredo, mais um segredo.

Tenho para mim que Sócrates e Relvas não fizeram cursos, pediram-nos aos amigos que foram arranjando nos meios políticos e empresarias.

Não serão os únicos neste país de “compadres”, mas lástima mesmo
é verificar, todos os dias, que este modo tão português  de estar na vida, com base no desenrascanço e no expediente, invadiu o topo da hierarquia política.

Para concluir a composição do ramalhete, falta apenas acrescentar que, segundo o jornal i, Feliciano Barreiras Duarte, actual secretário de Estado de Relvas, “era professor do curso de Relvas na Lusófona” e, enquanto deputado, foi coordenador dos deputados do PSD na Comissão Parlamentar de Ética Sociedade e Cultura. Tal qual o Rodrigues dos gravadores.

Ele há coincidências, oh!, se há!


4 de julho de 2012

Eu vou

Inauguração da exposição de Pedro Casqueiro.

"Tríptico", de Pedro Casqueiro | Exposição | Chiado 8 | Curadoria: Bruno Marchand | Até 31 de agosto
Entrada Gratuita
Inauguração: 6 de julho, às 22h

Imagem "Augenblick" (pormenor), 200


Uma questão de vistas

No Expresso de sábado passado li esta frase:

“A Grécia está no olho do furacão da crise das dívidas soberanas mas um problema numa vista afastou o PM da cimeira”.

Apeteceu-me logo perguntar ao jornalista João Dias, que assina o artigo, como vai de vistas. É melhor a da sala ou a do quarto? E o serviço de pratos é Vista Alegre? E que me diz dos de vistas curtas que por aí andam? E dos que fazem vista grossa? E dos que só pensam em fazer vista?

Bem vistas as coisas, o jornalista não deu nenhum pontapé na língua, limitou-se a usar o termo popular, mas fez-me lembrar a tia Ermelinda lá da aldeia, sempre a lacrimejar por causa dum problema numa “vista”.

Ela diz sempre assim, talvez porque tenha medo que a palavra olho ofenda, e todos sabemos porquê; acontece que ela nunca foi à escola e por isso não sabe que não há confusão possível – “aquele”, o tal que a faz temer a confusão e a ofensa, tem outro nome, e o órgão da visão, o que tem retina, chama-se OLHO.
Era desse que padecia o PM grego.

Ora, um jornalista do Expresso não deve escrever como fala a tia Ermelinda, acho eu, é o meu ponto de vista.
E será que o Expresso já não tem revisor, ou ele é dos que só dá uma vista de olhos? Ou terá vista cansada?

Eu gosto muito da tia Ermelinda mas, quando leio o jornal, caramba, gostava mesmo que chamassem olho ao OLHO.
Até à vista.

3 de julho de 2012

Bons sem bola II

A Antena 1, no seu programa matinal e diário “Antena Aberta”, com participação dos ouvintes, tratou ontem o tema - Em tempo de crise qual é a importância da prestação do Rendimento Social de Inserção?

Como habitualmente, as opiniões foram diversas, e sabemos como a direita se tem empenhado, ao longo dos anos, a denegrir esta prestação social, chegando ao ponto de dizer que convida à preguiça.
Lá mais para o fim do programa foi possível ouvir alguém dizer mais ou menos isto:

Antes de mais, quero agradecer à sociedade em geral porque durante algum tempo beneficiei do Rendimento Social de Inserção; hoje estou a trabalhar, com todos os meus descontos em ordem, e estou a retribuir para quem precisa; e isso enche-me de orgulho”.

O nome deste excelente português (sem bola) é Carlos Gonçalves, e vive no Pinhal Novo.
Um exemplo de dignidade, brio e consciência cívica.


2 de julho de 2012

Anne Sinclair

Somos mulheres que, com toda a probabilidade, pouco ou nada teremos em comum; também quase nada sei dela, porém, respeito-a. Talvez até a admire um pouco.

Refiro-me a Anne Sinclair, mulher de Dominique Strauss-Khan há mais de vinte anos.

Se meio mundo sabia das “fragilidades” de Khan, era óbvio que Sinclair também saberia, mas a vida e entendimentos dum casal, por mais estranhos que possam parecer, só aos próprios dizem respeito.

Sinclair deixou isso bem claro ao fazer tudo o que pôde para ajudar o marido no processo de Nova Iorque.

A revista Closer anunciou agora que o casal está em processo de divórcio e que Anne Sinclair expulsou o marido de casa. A resposta não se fez esperar e o casal anunciou que vai processar a revista por “atentado à vida privada”.
Questionados sobre a hipotética separação, nada responderam.(notícia aqui).

Inteligente, bonita, rica, Anne Sinclair amou um homem “complicado”; provavelmente também foi amada por ele, e foi apenas isso que o mundo pôde ver. Haverá sempre quem especule sobre a sua vida privada e quem sobre ela teça juízos morais, mas não porque Anne Sinclair para tal tenha dado algum pretexto.

Assim se prova que as figuras públicas também podem, se quiserem, salvaguardar a sua vida privada. O seu silêncio diz uma coisa muito simples – a nossa vida não é da vossa conta.


1 de julho de 2012

Bons sem bola
















Dulce Félix ganhou a medalha de ouro na corrida
dos 10 mil metros nos Europeus de Atletismo em Helsínquia.