segunda-feira, setembro 26, 2011

Nós e a chinela

Muito se tem escrito ultimamente sobre a Madeira e o seu governo.
Há quem conheça bem a realidade do arquipélago, como aqui, e nos mostre as razões para o que por lá acontece.
Aqui, pensa-se que a democracia não permite criminalizar os responsáveis políticos e que devem ser os eleitores a puni-los.
São pontos de vista válidos e que podem enriquecer o conhecimento e o pensamento de quem os lê mas, creio, ninguém tem dúvidas de que Alberto João Jardim vai renovar a sua maioria absoluta.
Para além de todas as boas razões apresentadas, do real défice democrático na Madeira e do sentimento de vitimização que os madeirenses devem estar a experimentar neste momento, creio que há uma outra poderosa razão para a reeleição de Jardim – o pouco ou nenhum valor que os portugueses, hoje em dia, dão à ética e à moral, parceiras indispensáveis dum julgamento político em democracia.
Somos muito moralistas e indignamo-nos quando sabemos de compadrios e favorecimentos, corrupção dos “poderosos” e ganhos ilícitos mas, ao pé da nossa porta, e em concreto, preferimos esquecer. Não é nosso hábito reeleger Isaltinos, Felgueiras, Loureiros ou Avelinos? Desde que façam obra, a gente quer lá saber. São todos iguais, e este, ao menos faz. Também é frequente que nos seja transmitida uma ideia do tipo - tens é inveja do sucesso deles.
Há um fatalismo egoísta e amoral em afirmações destas que, em síntese, desprezam os valores democráticos e escondem uma outra característica dos portugueses: demasiadas vezes “foge-nos o pé para a chinela”.

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