sexta-feira, março 20, 2015

O pau











 
 
 
Há um novo brinquedo no mercado – o pau de selfie.

A chegada desta nova geringonça vai acabar com mais um antigo e divertido ritual do turista – escolhia-se um asiático, turista como nós, com a máquina fotográfica ao pescoço, e pedia-se-lhe: would you, please, take us a picture?

Ele (a) sorria, ou não, respondia sure, a gente fazia pose e, no fim, despedíamo-nos todos com simpatia, como o engenheiro Sousa Veloso no tempo do TV Rural.

Aquela foto, tirada pelo asiático criteriosamente escolhido, era a prova provada, e com grande probabilidade a única, de que tínhamos estado mesmo lá, e juntos.

A partir de agora, basta sacar o tal pau de dentro da mochila, e disparar.

A posteridade deduzirá, talvez, que esta foi a época de ouro das relações, porque os casais em férias surgirão, em milhares de fotografias, juntinhos e risonhos.

E pronto, e assim se acabou também com a interacção fotográfica com turistas asiáticos.

Só nos últimos anos já vi desaparecer tanta gente, tantas ideias, tantos costumes, tantas profissões, tantos modos de fazer que às vezes penso que vivo mas é num buraco negro – num daqueles com muita massa, que tudo sugam e tudo fazem desaparecer.
Medo!

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