quarta-feira, março 26, 2014

Que é que vamos fazer?




Lá venho eu outra vez com o António Guerreiro, mas o facto é que ele sempre tem alguma coisa para me ensinar.

Desta vez ensinou-me o que é a síndrome burn-out.

Citando-o, direi que “é uma doença da civilização exclusivamente ligada aos aspectos que caracterizam a organização contemporânea do trabalho”, e que apresenta os seguintes sintomas: fadiga até ao limite do esgotamento, ansiedade, incapacidade de controlar o stress, despersonalização e impotência.”

Continuando a citar o artigo de AG:

“Em média, o tempo de trabalho é hoje superior ao que vigorava no século XIX” e o progresso tecnológico em vez de libertar o homem "forneceu utensílios que acabaram por aumentar o tempo de trabalho com vista ao aumento da produção e do lucro."

Os actuais métodos de gestão “submetem, controlam, pressionam e induzem a uma competição que quebra solidariedades e cria delatores”.
“Não há exterior ao tempo de trabalho” e não há classe profissional que não sofra de burn-out, ou, em linguagem de rua, já ninguém consegue “ter uma vida”, digo eu.

A juntar a este mal global, o governo português, nos últimos três anos, legislou arduamente para aumentar o horário de trabalho, descer salários, aumentar as rendas de casa, aumentar o IMI, cortar nos apoios sociais e levar a cabo um enorme aumento de impostos.

Desregulamentar o trabalho, incitar à emigração e tornar as nossas vidas cada vez mais precárias foi uma aposta ganha pelo governo.
Assim sendo, não espanta que os dados sobre a natalidade em Portugal sejam assustadores.

Joaquim Azevedo, docente não sei do quê, disse que, a continuarmos assim, em breve estaremos nos níveis populacionais da idade média, o que torna o país inviável.

Aí o governo interroga-se: Que é que vamos fazer?

A mim apetece-me logo responder como o Pedro Abrunhosa, mas não o faço.
Primeiro, porque sou uma senhora, e segundo porque fiquei muitíssimo descansada quando li no jornal ionline:

“O docente (Joaquim Azevedo) foi apresentado recentemente pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, como coordenador de uma equipa de trabalho sobre questões de natalidade que irá trabalhar o tema e apresentar propostas ao Governo.”

Ah, pronto, com mais um grupo de estudo isto resolve-se. Alguma dúvida?

PS: Ó mãe, não abra o link do Abrunhosa

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