quinta-feira, setembro 29, 2011

Ministro da (des)educação



O ministro Nuno Crato, soube-se ontem, decidiu cancelar a entrega de 500 euros aos melhores alunos do secundário, como prémio de mérito, e canalizar essas verbas para ajuda às famílias dos alunos carenciados ou para projecto das escolas, conforme as variadas versões que correm. Tudo nesta situação cheira a história mal contada e a desnorte ministerial.
Um prémio pecuniário para o sucesso académico nestes níveis de ensino sempre foi para mim uma má política, quer em casa quer na escola. Se o aluno faz o melhor que pode, não faz mais que a sua obrigação e sabemos que uns podem mais que outros intelectualmente. O esforço deve ser apreciado, mas não com euros.
Professor e já entradote no tempo, Nuno Crato devia saber que, quando se faz uma promessa a um jovem ou criança, devemos cumprir, porque nesse cumprimento está todo um exemplo de vida. A sua decisão mais não faz do que pretender mascarar um mero corte na despesa com a uma hipotética melhor ideia. Há dinheiro, mas afinal vamos dá-lo aos pobrezinhos ou a projectos, ou à compra de material, diz o ministro aos estudantes.
Pois se há dinheiro, há que cumprir a promessa, embora o ministro tenha toda a legitimidade para anunciar, desde já, que tal coisa não se fará mais, porque dela discorda
Esta decisão, completamente deseducativa, é para estes jovens o início de um longo e doloroso processo de aprendizagem sobre uma trágica verdade – o Estado, em Portugal, não é uma pessoa de bem, diz e desdiz, dá e tira, baralha e dá de novo, conforme a conjuntura e o que passa pela cabeça de cada governante. Dói.

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