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sexta-feira, agosto 26, 2011

Ricardo Jacinto no Chiado 8

Até 14 de Outubro, e naquele local tão simpático que é o Largo do Chiado, no belo edifício da seguradora Fidelidade, pode ver-se uma excelente exposição de Ricardo Jacinto.
Com o título O Corredor, é constituída por duas salas, inicialmente escuras que nem breu, onde se projectam vídeos, e um espaço entre elas a que se chamou Foyer. Num dos vídeos vê-se a “História do pinheiro e do lobo” e no outro a “História da água e do avião”
Os vídeos correm em simultâneo, o que não permite vê-los em simultâneo mas permite ouvi-los em simultâneo. Se no 1º há uma ligação ao exterior com a festa do pinheiro em Guimarães e o biólogo que imita a voz do lobo, no 2º o artista remete-nos para os espaços fechados duma piscina e duma câmara anecóica para treino de pilotos.
No Foyer encontram-se, num pequeno ecrã, imagens de depoimentos dos intervenientes nos vídeos e o respectivo som em simultâneo, que nos vem dos quatro cantos da pequena sala, numa perturbante cacafonia inicial; porém, aos poucos, o ouvido e a visão do espectador vão discernindo qual o som que corresponde a qual imagem. É precisamente quando o conseguimos que percebemos que isso não é o mais importante, que os vídeos não pretendem fazer nenhuma narrativa ou ter um sentido.
A subjectividade é, por ali, rainha, e os nossos sentidos e percepção são convocados pelo artista para uma experiência que exige do espectador muito mais que a disponibilidade dum olhar passivo.
É uma boa experiência; vale a pena ir até lá para a ter.

quarta-feira, agosto 17, 2011

Ana Vidigal – “the brain is deeper than the sea”.

Pode-se gostar de arte e de visitar exposições, mas ouvir os artistas visuais a falar do seu trabalho é, à partida e garantidamente, uma experiência que vale a pena ter.
O Museu do Chiado, que no primeiro semestre deste ano aumentou em 63% o número de visitantes em relação ao mesmo período do ano passado (nem tudo são más notícias), tem a decorrer um programa a que chamou “Outros Olhares, Novos Projectos”. Convidou vários artista para que cada um escolha uma obra do museu e produza outra para com ela dialogar.
Neste momento, o olhar e o projecto são de Ana Vidigal, que escolheu o quadro de José Malhoa, “Praia das Maçãs”. Colocou-o em confronto com grandes impressões a jacto de tinta de páginas do seu próprio álbum de fotografias da infância passada na mesma praia, e feito pela sua mãe. Na adolescência, Ana Vidigal retirou as fotos e distribuiu-as pelos amigos, pelo que agora vemos apenas as palavras escritas pela mãe, legendando as imagens, e os cantos que seguravam as fotografias. No texto que acompanha exposição, escrito pela artista, lê-se:


“Mostrar o vazio. Mostrar aos outros que o cérebro, a memória e o que cada um inventa para a sua própria “história” é muito mais profundo que o mar. Ver está muito para além do (nosso) olhar.”


Tudo isto e muito mais explicou Ana Vidigal numa conversa com os visitantes, na sua maneira simples, despretensiosa, directa, fluida, por vezes irónica. E, sendo a ironia um traço característico de Ana Vidigal, não se estranha o subtítulo por ela escolhido (projecto ana/malhoa) que primeiro se estranha e depois diverte. A exposição completa-se com uma fotografia actual do local pintado por José Malhoa e com a frase do poema de Emily Dickinson “the brain is deeper than the sea”. Uma vez que não há anúncio de mais conversas destas, quem visitar a exposição precisa absolutamente de ler o texto citado, escrito pela artista, e que se encontra disponível à entrada do espaço expositivo.

quinta-feira, junho 09, 2011

A ver




Para esquecer os dias pouco felizes, vale a pena ir ver a exposição de José Pedro Croft no Chiado 8  (até 8 de Julho).
Fotografia de Teresa Santos, retirada de Artecapital e que acompanha um artigo chato e dúbio de alguém que assina Bruno Leitão.