quinta-feira, setembro 22, 2011

O Ministro, o jornalista, sua crónica e eu.

Há neste país jornalistas que, na ânsia de defesa dos governos do seu coração, chegam a ser patéticos
Logo depois de ter posto o pequeno post de ontem sobre o “desaparecimento” de Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, calhou ler a crónica de João Vieira Pereira no caderno de Economia do Expresso de 17 de Setembro a que deu o título "Aguenta Pereira"
Escreve o referido jornalista (será?) que é conversa de café comentar que o ministro não anda a fazer nada, visto que “anda longe dos holofotes mediáticos”, e sai em defesa do governo, e sobretudo dos ministros ditos independentes, que certamente andam todos a trabalhar muitíssimo e que não têm tempo para aparecer nem paciência para agendas mediáticas (ao contrário dos energúmenos anteriores, como se depreende).
Respondo, como é óbvio, só por mim. Para começar, tomo o café ao balcão, raramente vejo televisão mas dou-me ao trabalho de ler crónicas patéticas como as de João Vieira Pereira, “parva que sou”.
E sim, acredito que o ministro esteja a trabalhar, até porque foi para isso que o elegeram e é para isso que todos lhe pagamos, mas também estou preocupada que um homem que escreveu tantos livros e que para tudo tinha solução, ao fim de 3 meses ainda não nos tenha dito nada. É que, por um lado, ao acho normal que esteja a trabalhar, mas também acho normal que vá prestando contas desse trabalho aos palermas que por aqui andam sem fazer nada. Sei que isto é uma esquisitice, ou até mau feitio, mas cada um tem lá as suas manias.
Por outro lado, estou farta de ouvir e ler que “até com contas de merceeiro” se percebe que não vamos conseguir pagar aos agiotas com quem nos metemos, e por isso eu gostava que o Sr. Ministro partilhasse connosco as suas ideias sobre como vamos dinamizar a economia e criar mais riqueza. Até agora, ainda só ouvi falar de finanças mas, na minha santa ignorância, acho que finanças e economia são quase gémeas univitelinas, são muito unidas e quase não fazem nada uma sem a outra.
Com todo o respeito pelo Álvaro e o seu trabalho longe dos holofotes, parece-me que vai sendo tempo de ele arranjar tempo para falar com a malta, com ou sem agenda mediática, ou lá como é que isso se chama.
E ainda lhe digo mais, João, os jornalistas de serviço ao governo começam a não ser suficientes para manterem sossegaditos os “comentadores esporádicos” e os “especialistas em conversa de café” como lhes chama.

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