Ir ao cinema
e sair de barriga cheia. Magnífico.
segunda-feira, fevereiro 02, 2015
segunda-feira, janeiro 19, 2015
Ler romances
“Ler
romances é um prazer profundo e singular, uma actividade humana absorvente e
misteriosa que não exige nem mais nem menos justificação moral ou política do
que o sexo.”
Philip Roth
Entrevistas da Paris ReviewEd Tinta da China, 2014
sexta-feira, janeiro 16, 2015
Sinais do tempo que passa
Ainda eu era
bem menina quando surgiu na televisão o primeiro anúncio aos pensos higiénicos.
Meu pai,
comunista e conservador − e não há nisto qualquer contradição, como é sabido −
não gostou nada que lhe invadissem a sala com as intimidades da carne feminina.
E, no
entanto, aquilo era apenas um pudico começo.
Já a alma, (chamemos-lhe
assim para facilidade de entendimento), e se bem me lembro, precisou de mais
tempo para despedir o pudor, abrir os seus mais remotos recantos ao público em
geral e transformar-se, como o corpo, em objecto de marketing pessoal.
Porém,
aconteceu; e falar hoje de intimidade ou recato de qualquer espécie é quase um
anacronismo. Tudo é público e partilhável.
As redes sociais,
entretanto massificadas, fornecem excelente palco a todos os “marketeiros”,
dando os mais novos primazia ao marketing da carne, enquanto os mais maduros,
por vontade ou, talvez, por necessidade, se dedicam, preferencialmente, ao da
alma.
Escrever sobre
pai, mãe, amantes, amores, desamores, paixões, gostos, depressões, êxtases,
habilidades, capacidades e outras façanhas, rende.
Se for bem
escrito, e se na escrita se perceber um intelecto cultivado, um gosto
requintado e uma vida acima das possibilidades de quem lê, melhor.
Acontece-me,
porém, e tenho que o reconhecer, que quando diariamente assisto ao descontraído
striptease da alma, com nu integral e sem ponta de constrangimento, relembro, e,
pior, experimento, o paterno incómodo que, há muitos anos e por culpa exclusiva do penso higiénico, tomou de assalto a
paternal sala.
Sinais do
tempo que passa.Imagem: Jean-Luc Godard, 1960, "À bout de souffle"
segunda-feira, janeiro 12, 2015
Honey
“Honey, I
rearranged the collection…by artist” é o nome da exposição de Cartazes da Colecção
Lampert patente na Culturgest de Lisboa.
“Por que razão tantos artistas,
sobretudo a partir da década de 1960, produziram tantos cartazes, na sua
maioria para anunciar as suas próprias exposições, não deixando esse meio de
comunicação por mãos alheias (de designers, galerias, instituições)?”
Eis a pergunta
formulada, e respondida, no folheto de distribuição gratuita que acompanha a
exposição.
E quem se dispuser
a ir vê-la não sentirá que perdeu o seu tempo, garanto.
Na imagem,
cartaz de Robert Rauschenberg anunciando uma exposição sua em 1981, Moderna
Museet, Estocolmo, e Palais des Beaux-Art, Bruxelas.
sexta-feira, janeiro 09, 2015
Quando morreu a minha avó

Muita gente
boa, por estes dias, tem andado por aí a perguntar a propósito dos assassinatos
no Charlie Hebdo:
− Por que é
que, ó gentes, nunca se indignaram, manifestaram e fizeram semelhante escarcéu com outros
massacres, que estão sempre a acontecer, como no Iraque, na Nigéria ou no
Paquistão?
E o Ruanda,
que dizem? Aquilo é que foi um massacre sem tamanho, um genocídio, uma coisa
brava.
Alguma vez
se lembraram de fazer, e exibir, papelinhos a diz “Eu sou tutsi”?
Estas
pertinentes perguntas remetem-me para uma outra, de cariz mais pessoal, mas que
me atormenta há anos:
− Por que é
que, quando morreu a minha avó, eu fiquei muito mais triste e sentida que
quando morreu a avó da minha vizinha, também ela uma muito boa senhora?
segunda-feira, janeiro 05, 2015
Para o povo
Títulos
lidos (só) no sábado:
- Portugal perdeu mais de mil jornalistas
desde 2007 (RR)
- 52 mil idosos perderam complemento solidário (Público)
Não percebi
logo que memória tudo isto me convocava, mas depois lembrei − o almirante Pinheiro de
Azevedo, Primeiro-Ministro de Portugal nos idos de 1975, a dizer, certa vez, no calor do PREC:
“Bardamerda para o povo”
sexta-feira, janeiro 02, 2015
(Re) Começo
“Flaubert
ensina-nos a olhar para a verdade e não temer as suas consequências;
ensina-nos, como Montaigne, a dormir na almofada da dúvida; ensina-nos a não
nos aproximarmos de um livro em busca de pílulas morais ou sociais: a
literatura não é uma farmacopeia; ensina a superioridade da Verdade, da Beleza,
do Sentimento e do Estilo. E se estudarmos a sua vida privada, ensina a
coragem, o estoicismo, a amizade; a importância da inteligência, do ceticismo e
da imaginação; a palermice do patriotismo barato; a virtude de ser capaz de
ficar sozinho no quarto; o ódio à hipocrisia; a desconfiança nas teorias; a
necessidade de falar com simplicidade.”
Quetzal
Começo ou recomeço.
Aprender ou reaprender.
terça-feira, dezembro 30, 2014
Votos 2015
Que a
barcaça finalmente naufrague com toda a tralha que tem dentro.
Para todos
os que por aqui passam desejo, exactamente, o mesmo que para mim própria.
Feliz 2015
terça-feira, dezembro 23, 2014
Natal 2014
Parece que é o tempo de sentir muito Amor no coração.
Mas, por que não no corpo todo?
FELIZ NATAL.
Nota: Não me foi possível descobrir, com absoluta certeza, o nome do autor da foto
segunda-feira, dezembro 22, 2014
Eles na tv
Para as
crianças deve ter sido assustador; para todos os outros foi apenas grotesco.
Dois
bonecos, macho e fêmea, perfilados em cenário natalício, cumprindo uma
formalidade, foi o que vi.
Actores canastrões
sem talento, exibiam uma ferocidade controlada e impotente, nunca
conseguindo disfarçar o mal-estar que os tomou.
Assim
vi Aníbal e Maria Cavaco Silva, a meio corpo, no mui difícil dia em que se
sentiram obrigados a aparecer na tv para desejar Boas Festas a um país que, eles
sabem, nutre por eles um profundo desprezo.
Faço
parte desse país, como é óbvio.
Nota:Este
episódio pícaro da vida portuguesa poder ser vista na página oficial da Presidência da República
quarta-feira, dezembro 17, 2014
A dois tempos
A imagem
acima, colhida ao acaso, pertence a um primeiro tempo.
Nele, os
portugueses usam as redes sociais para postar
gatinhos, bebés, paisagens de sonho, arquitectura ora de sonho ora de
pesadelo, anjinhos papudos e, sobretudo, “frases inspiradoras” de “pessoas
inspiradoras” - Osho, Buda, Dalai Lama, Brian Weiss, Gandhi, Paulo Coelho, e
autores desconhecidos dos quais a Chiado Editora tem um armazém cheio.
São pessoas
que dizem coisas lindas sobre os enganos em que andamos enredados, a beleza da
vida simples, as virtudes da clareza duma mente limpa, o desapego, e a importância
do amor ao próximo; sobretudo isso, a importância do amor ao próximo.
Talvez por
artes dum qualquer génio do mal, que também anda à solta nas redes sociais, esses
mesmos portugueses, tão inspirados por seres inspiradores, num segundo tempo, mal
se escreve a palavra “Sócrates”, dedicam-se ao comentário:
…
Não se sabe? É claro que sabe! Corrupto! Ladrão! Crápula!
…
Qual direito a defender-se, qual carapuça! Não tem direito a nada, nem sequer ao ar que respira! Na masmorra, na masmorra é que devia estar e para sempre. E ainda digo mais – tudo o que ele tem devia ser confiscado.
…
Inocente? Você está mas é maluca, sua socratista de me$&@!
“Senhor,
abençoa nossa semana e abra nossos corações para o amor e a caridade”.
quinta-feira, dezembro 11, 2014
segunda-feira, dezembro 08, 2014
Beleza radical
Dei por ela pela primeira vez no Bloco de Esquerda, depois vi-a a apoiar não sei o quê do Mário Soares e na 6ª feira vi-a no Expresso da Meia-Noite a fazer descarada campanha eleitoral por um tal partido ou movimento, nem sei, chamado “Juntos Podemos”. Falo de Joana Amaral Dias.
Este
movimento/partido não sei o que propõe mas, pelo menos o nome vem com cheiro a
castelhano, e a “assembleia cidadã” que convoca também me cheira a comida
requentada. Posso estar de mal com os odores mas tudo nesta iniciativa política
me cheira a oportunismo mal cozinhado.
Ao
contrário, oportunismo muito bem cozinhado parece-me o da Joana.
Temendo que
me chamem invejosa e maldizente, nem vou falar da sua postura de boneca
arrogante e sabichona, (ó p’ra mim que estou aqui, que sou tão gira e tão
inteligente). Não, não vou falar, até porque, na verdade, ela é gira e
inteligente. Lamentavelmente, e usando o imenso tempo de antena posto ao seu
dispor, coloca beleza, inteligência e feminilidade ao serviço da inconsequência
política.
E o seu
discurso radical não vai bem com tudo o resto. Quem poderá levá-la a sério?
Sempre
acreditei que mais mulheres fazem falta na política, e que a podem fazer tão bem, ou melhor, que boa parte dos os homens.
O que me
chateia é quando, como no exemplo exposto, a fazem igualmente mal.
Nota : o
referido Expresso da Meia-Noite pode ser visto aqui.
quinta-feira, dezembro 04, 2014
Fechar a boca
Sócrates
escreve cartas.
Sócrates não
quer ser esquecido numa cela da prisão de Évora e está zangado, muito zangado.
Sócrates
sente-se encurralado, começa a estar confuso, a disparar em todas as direcções,
e começa a mostrar falta daquela frieza tão necessária quando se enfrenta um
adversário poderoso mas difuso.
Esta sua última carta, enviada ao Diário de Notícias, mais parece um lamento/acusação. E é
incoerente.
É que, ao perguntar
“quem nos guarda dos guardas?”, por exemplo, está implicitamente, e talvez sem
que o perceba, a assumir o falhanço da sua acção governativa.
Sócrates não
é um preso comum; ele foi primeiro-ministro durante seis anos, e só deixou de o
ser há três. Tudo aquilo de que acusa a justiça, sendo ou não verdadeiro, é também
culpa sua e das políticas que desenvolveu para o sector.
Há pessoas
que, mesmo quando tudo o aconselha, não conseguem fechar a boca.
Isto pode
correr mal. segunda-feira, dezembro 01, 2014
A longa marcha
António
Costa é, finalmente, secretário-geral do PS.
Não foi
pequena a caminhada, e respectiva dose de esforço, que António José Seguro lhe
impôs para aqui chegar − quase meio ano nos separa das europeias que
desencadearam o processo que ontem terminou.
Os termos
ditados por Seguro foram à sua medida – grandiosos nos tempos, mesquinhos nos
objetivos. Costa aceitou prazos absurdos, percorreu concelhias e distritais,
debateu na televisão e encaixou ataques pessoais de baixo nível, mobilizou
militantes e simpatizantes para as primárias que ganhou “sem espinhas”.
Depois,
julgo que houve directas e, a uma semana do congresso, cai-lhe no colo a pior
notícia possível − a prisão de José Sócrates. Se estremeceu, não demos por nada,
antes aproveitou a situação para dar provas de grande acuidade política e capacidade
de liderança.
Por fim,
agarrou um congresso que ameaçava decorrer com o entusiasmo dum velório.
O seu discurso de encerramento mostrou um
líder forte a fazer uma inusitada viragem à esquerda.
Por uma (boa
e inesperada) vez, foi um discurso que alguém como eu gosta de ouvir. Aguardemos
então pela acção, que é o que, verdadeiramente, conta.
Em breve
António Costa começará o circuito da carne assada, fazendo duas voltas ao país,
enxotando o fantasma de Sócrates, que quererá assombrá-lo ao virar de cada
esquina, e tentando passar uma mensagem que agrade à esquerda sem assustar o
centro.
Habituado
que está à “Quadratura do Círculo”, talvez consiga.
Se se fizer
eleger primeiro-ministro, terá passado um ano e meio de grandes trabalhos.
Simpatizo
sempre com gente que luta por objectivos no meio das muitas dificuldades que
lhe vão sendo plantadas no caminho.
Hoje,
António Costa merece o meu respeito.
Até agora, nesta
caminhada, nada para ele foi fácil.quinta-feira, novembro 27, 2014
A mim chateiam-me, pá!

Gosto da
diversidade, mas detesto os que têm que ser sempre diferentes.
Gosto da
crítica, mas detesto que ela me apareça (mal) embrulhada em pensamento
filosófico.
Gosto de
alguma ambição, mas detesto ambiciosos que gostam tanto de subir como de puxar
tudo o resto para baixo.
Hoje, o
“cante” alentejano foi classificado (e não “elevado”, como dizem os ignorantes)
como património imaterial da humanidade.
Eu
alegrei-me, sou alentejana, mas também me alegrei quando foi a vez do Douro, ou
de Sintra, ou de Angra e, sobretudo, de Évora.
Neste tempo
tão desclassificado que vivemos, como escreveu o Daniel Oliveira, “continua a
ser a cultura, essa inutilidade, a dar-nos quase todas as boas noticias”.
Classificar
(pela Unesco) ajuda a divulgar, preservar, manter vivo.
E não é que,
no entrementes, encontrei um intelectual que tem dificuldade em compreender
isto, e que se perturba tentando entender o entusiasmo geral?
Ora bolas
pr’ó intelectual!
Todos estão
no seu direito de ficarem indiferentes, ou até de estarem contra, mas vir, num
dia como o de hoje, questionar o unanimismo da alegria do povoléu, é de quem
precisa, à força toda, de se pôr em bicos de pés.
Dizem que o
país precisa de todos. Talvez, mas a mim chateiam-me, pá!
quarta-feira, novembro 26, 2014
Declaração: sou de Évora e não acredito na Justiça portuguesa
Desde há
muito, quaisquer duas linhas de escrita sobre José Sócrates começam obrigatoriamente
por uma declaração: não gosto de José Sócrates!
Às vezes
acrescenta-se-lhe outra: e nunca votei nele!
Não entendo,
e não me lembro de o mesmo se passar com qualquer outro político em 40 anos de
democracia.
Não conheço
a pessoa em causa e não me sinto obrigada a declarações além da que dá título a
este post.
Conheço
apenas o político e, nessa condição, penso que José Sócrates tomou boas e más
decisões, havendo uma grande diferença entre o seu primeiro e o seu segundo
mandato.
Porém,
também não me lembro de, em democracia, alguém sofrer tantos ataques políticos
e pessoais, ou duma perseguição tão sistemática, tão bem orquestrada e tão bem
dirigida.
Não foi
cabala, não, foi política pura, dura e suja.
Claro que
Sócrates cedo se pôs a jeito e tinha telhados de vidro.
O curso “mal”
tirado e as “casas” assinadas na Beira são coisas próprias dum pequeno trafulha
português; há-os aos montes, mas não se pode fazer parte da horda dos pequenos vigaristas
se se quer ser primeiro-ministro.
Vaidoso,
arrogante, teimoso e auto-suficiente, José Sócrates ousou bulir com os interesses
instalados, a começar pelos juízes e magistrados; e isso paga-se muito caro por
aqui.
Ouso dizer
que, mais cedo ou mais tarde, pode pagar-se com a cadeia.
E ouso
dizê-lo porque esse é o corolário lógico do sentimento que há muito me domina:
enquanto quase todos se apressam a dizer que confiam na justiça, eu por acaso
não confio. Mesmo nada!
Estou
convencida de que, daqui por vários anos, quando tudo isto acabar, estarei como
hoje − se me perguntarem se Sócrates é culpado ou inocente, embora eu possa ter
alguma convicção minha, honestamente, só poderei responder: Não sei!
Porque não acredito na Justiça portuguesa até que ela me dê provas de que posso acreditar, deixando
de ser essa coisa opaca, burocrática e discricionária que é hoje.
Aqui
chegados, quero saudar todos os amigos de Sócrates, quer os que já o visitaram,
quer os que o vierem a visitar na cadeia.
Sou
alentejana, de Évora (olha a coincidência). No resto do país, não sei, mas lá
no Alentejo diz-se que os verdadeiros amigos se conhecem na cadeia e no
hospital. Touché.
E agora,
venha o próximo escândalo. Depois de, em poucos meses, termos visto a queda do
BES, a ruína da PT, o escândalo dos vistos gold,
a prisão dum ex-primeiro-ministro, e de nos termos distraído dum Orçamento para
2015 que nos fará ainda mais pobres, começo a acreditar no Ulrich: o povo
aguenta.
Abençoado povo que
tudo aguenta.
segunda-feira, novembro 24, 2014
Kit de sobrevivência
Na sua
crónica no Ípsilon de 21 de Novembro,
António Guerreiro escreve a dado passo:
“A crónica Vale a pena ler livros novos?
(de José Pacheco Pereira no Público) colocava, sem desvios, a questão de saber
se algum ganho pode advir de gastarmos tempo a ler as novidades (…), um tempo precioso
que nos faz falta para lermos os valores seguros do património literário do
passado. A questão é muito pertinente. Podemos tentar responder-lhe desta
maneira: se queremos compreender a nossa
época, temos de correr o risco de sermos intoxicados por ela.”
Eu continuo a querer compreender mas,
por estes dias, estou tão intoxicada que, se não “abrir as portas e janelas”
corro risco de me ficar na intoxicação.
Ontem resolvi, portanto, ir ao Centro de Arte Moderna da Gulbenkian ver a exposição “Animalia e Natureza na Colecção do CAM”
. Encontrei arte contemporânea (sobretudo a partir da década de 1960) a que se
adere facilmente, e um grande número de trabalhos que nos lavam os olhos e a alma; diante deles, diremos
simplesmente – bonito, muito bonito.
E isso não é coisa pouca.
E isso não é coisa pouca.
Aproveito e informo, com agrado, que
a exposição dura até Maio de 2015, e ao domingo de manhã não se paga.
É que os
tempos de grande intoxicação parece que estão para durar, e todos precisaremos
de um kit de sobrevivência.
Nota: na
imagem, um pássaro bem vivaço de Ana Marchand que integra esta exposição.
segunda-feira, novembro 17, 2014
Empanturrados
Pedro Santos Guerreiro escreveu ontem à noite, no Expresso online, sobre a demissão do
ministro Miguel Macedo.
Termina dizendo:
“O
ministro é inocente e fez bem em demitir-se. Mas apenas abriu a porta da rua
por onde mais algumas pessoas vão ter de passar. Andamos empanturrados com
tantos escândalos. Mas não acostumados a eles.”
Eu, pelo contrário, acho que nos habituamos a tudo, e cada
vez mais depressa.
Peter Kassig, de 26 anos e ex-soldado no Iraque, tinha-se
convertido ao islamismo e fundou uma organização humanitária em 2012 -
"Resposta e Assistência Especial de Emergência" para auxiliar as
populações na guerra da Síria. Foi lá que foi sequestrado.
A notícia da sua decapitação pelo Estado Islâmico, na semana
passada, parece já não ter incomodado ninguém por aqui, ou quase.
Empanturrados de informação e escândalos domésticos que
estamos, a notícia da sua morte horrível já foi empurrada um pouco mais para
baixo nas páginas dos jornais.
O Pedro Santos Guerreiro se calhar ainda não reparou que até
à barbárie nos vamos acostumando.
Mais cabeça, menos cabeça…
terça-feira, novembro 11, 2014
Ide, ide pentear macacos
Estou
fartinha de pagar para entrar em Lisboa, venha eu de onde vier.
Taxas sobre
o turismo não me chocam.O turismo não tem só vantagens, e há que reparar os danos.
Por essa Europa fora tudo é pago – até o inevitável xixi.
Mas, quando
penso que os nossos filhos emigrados, chegando à Portela, vão ter que pagar uma
taxa turistica, bom, aí fico mesmo enxofrada, e só me apetece dizer ao Costa que vá pentear
macacos.
É o que estou fazendo, como se pode ver!
Imagem: Rumble
Fish, Francis Ford Coppola, 1983
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