quarta-feira, outubro 30, 2013

A nossa vida exótica


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É um X, sim, leitor, e não um R, porque não nos têm faltado assuntos exóticos por estes dias. Vejamos:

1 – Só podemos ter dois cães e quatro gatos por casa. Cristas dixit.
Espero, impaciente, que ela regulamente o número de moscas que me podem entrar em casa, como já vi alguém sugerir-lhe. Quanto aos mosquitos, eu própria lhe sugiro a interdição absoluta (sou uma mártir deles).

2 – Um casal muito mediático está muito desavindo e faz porcaria e baixaria como todos os outros.
Neste caso, porém, é como se ambos fizessem nudismo na Praia da Saúde da Costa da Caparica. E com as câmaras do Correio da Manhã sempre ligadas e o povo todo a ver, a discutir e a tomar partido.
Sou feminista, aviso.

3- O ex-ministro Campos e Cunha mais a sua organização SEDES, qual bela adormecida, acordou dum sono de vinte e oito meses e disse que o governo faz mal à saúde do país. Agora que a bela acordou, o reino vai viver feliz para sempre.
Vivó Campos e Cunha.

4 – Houve um milagre, segundo o ministro Pires de Lima, na economia portuguesa. Não é por acaso que Nossa Senhora de Fátima apareceu aqui e não em Frankfurt, digo eu.

5 – Bernardino Soares, do PCP e novel presidente da câmara de Loures, precisando duma coligação, não foi de modas e aliou-se ao PSD. Ainda bem que não moro em Loures. Livra…!

6 – Lá para os lados de S. Bento discute-se mais um orçamento exótico mas, como diria a outra, “isso agora não interessa nada”.

terça-feira, outubro 29, 2013

Do Santo Álvaro ao Tareco Jerónimo


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No Expresso online de ontem, Daniel Oliveira escreve sobre Álvaro Cunhal e a comemoração do seu centenário, dando como título ao artigo “O altar para o Santo Álvaro”. Vale a pena ler aqui.

Refere ele, a dado passo, que o PCP “vive com uma confrangedora e talvez inédita falta de quadros intelectuais… sem os quais um partido comunista dificilmente cumpre a sua função vanguardista ou pode bater-se por uma hegemonia ideológica.

É absolutamente verdade. Por isso temos hoje um PCP dirigido por Jerónimo de Sousa, com uma acção política que chega a ser patética.

Ora, essa manifesta falta de quadros intelectuais, germinou e consolidou-se durante a longa liderança de Cunhal.
Se logo após o 25 de Abril os intelectuais foram tolerados, até porque muitos tinham consumido os ossos na cadeia, aos poucos o PCP foi criando as condições para que se afastassem pelo seu pé.

Aquilo era um partido da classe operária, diziam, onde os intelectuais podiam caber, diziam também, mas apenas se aceitassem, sem estrilho nem interrogações, as orientações que o intelectual Cunhar escolhia para a dita classe operária, digo eu.

É absolutamente seguro que, depois de mortos, geralmente somos todos bons e, como escreve DO, “Cunhal passou a ser, da direita à esquerda, consensual”. Nada de novo, portanto. Está morto, está morto. Não entra na equação da nossa vida.

Porém, preocupante é que Jerónimo de Sousa seja também consensual.
Que simpático, que afável, que cordato, diz a direita em coro.
Eu, no lugar dele, ficava preocupada com tanta afectuosa unanimidade, mas ele, e o seu partido, não só não se importam como até parece que nasceram para agrada.

Como se Jerónimo tivesse tomado para si o papel de Tareco da direita, o gatinho que parece que vai estragar as cortinas mas, afinal, deixa-se apanhar e afagar. É um querido.

A nossa desgraça não consiste só em termos juntado num mesmo tempo histórico Cavaco, Passos, Portas e Seguro.
Geralmente não referimos Jerónimo de Sousa, mas ele não pode, nem deve, ficar fora deste desastrado ramalhete.

Sem negar as enormes qualidades de Álvaro Cunhal, é bom não esquecer que Jerónimo de Sousa e este PCP são herdeiros, e “filhos” legítimos, da sua liderança.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Desolé











 
 
 
Uma jovem criatura muito cá de casa passou os últimos meses da sua vida junto dos gauleses.

A propósito de experiência dizia-me: a palavra francesa que passei a odiar é desolé, porque, basicamente, quando usada pelos franceses, quer dizer “vai à merda”.

Regressada de uns dias fora e sem internet, tentei apanhar as últimas no ar – entrevista do Sócrates, ausências do Seguro, programa cautelar ou segundo resgate, pouca gente nas manifestações.

Tudo na mesma, portanto.

Talvez por isso, neste belo tempo de romãs, só me apetece sair por aí, distribuindo a torto e a direito uns bem puxados e eufemísticos “desolé”, “desolé”, “desolé”.

quinta-feira, outubro 17, 2013

Vou ali, já volto




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este está à minha espera.

Na minha ausência, ninguém cairá das pontes.
O governo também não cairá nas pontes.
Vou indo.


quarta-feira, outubro 16, 2013

Dinheiro bom


 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ouvi uma vez o actor brasileiro Lima Duarte dizer:
Cultura boa não é a que dá dinheiro, é ao contrário; dinheiro bom é o que dá cultura.
Não sei se a frase é dele, mas foi a ele que a ouvi.

Dinheiro bom, a dar cultura, é o da Fundação Caixa Geral d Depósitos −  Culturgest.

Na passada sexta-feira, esta comemorou vinte anos de existência.
Do programa de comemorações, destaque para um concerto com peças de Bach e Händel, e ainda uma magnífica obra encomendada e composta expressamente para a ocasião por António Pinho Vargas.

No mesmo dia inaugurou uma exposição comemorativa dos vinte anos da colecção de arte.
Esta, com curadoria de Bruno Marchand, ocupa todo espaço de exposições das galerias da Culturgest, mostrando trabalhos, quantas vezes esquecidos, mas absolutamente marcantes, no panorama artístico português a partir da segunda metade do século XX.

Música, dança, teatro, leitura, cinema, exposições, conferências e debates.
De tudo isto se tem feito a Culturgest, tentando sempre “contrariar a mercantilização da cultura” nas palavras do seu administrador Miguel Lobo Antunes.

Por isso a Culturgest se anuncia, e bem, como “uma casa do mundo”.
Venham mais vinte.
Dinheiro bom continua a ser o que dá cultura.

 

terça-feira, outubro 15, 2013

Vivam as pessoas


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sempre houve pessoas que se acharam inteligentes e originais por afirmarem que preferem os animais às pessoas.
Lá por as frases do tipo “quanto mais conheço as pessoas mais gosto do meu cachorro” terem origem em pessoas inteligentes, isso não melhora automaticamente o Q.I. dos génios do copy/paste ideológico.
 
Porém, desde que mergulhámos nesta enorme crise, e com a ajuda potenciadora das redes sociais, coisas do género leem-se a cada passo.
A mim, fazem-me logo tocar campainhas no cérebro.
 
Entendo, sempre entendi, os animais como nossos companheiros de “casa”; com eles partilhamos um planeta que a todos acolhe e, provavelmente, uns não teriam sentido sem os outros, ou tudo isto seria muito diferente.
 
É também certo que muitos animais de estimação conseguem elevadíssimos, e até comovedores, graus de relacionamento afectivo com os seus donos.
 
Dou, também, de barato, que muitos deles poderão mesmo ser o mais fiel amigo, mas nunca o melhor amigo.
Esse, o melhor amigo, é o que dá resposta, contrapõe, mima, mas também se enfurece e diz o que não queremos ouvir.
O animal de estimação lambe-nos as mãos, mesmo que sujas; não critica, não incita, não vocifera, não nos abraça.
 
Dizer que se prefere os animais às pessoas parece-me desde logo uma insuportável arrogância moral, um inequívoco sinal do sentimento de superioridade em relação aos outros.
Desconfio disso, desconfio sempre.
 
De uma coisa tenho a certeza − nunca deixarei de preferir os humanos, mesmo que alguns, de entre eles, sejam verdadeiras bestas.
 
 

 


 

segunda-feira, outubro 14, 2013

Hannah














 
 
 
 
 
 
 
Muito se tem escrito ultimamente sobre Hannah Arendt e o filme, agora em exibição, que leva o seu nome.

Nesses escritos, encontra-se quem saiba muito sobre ela, sobre a sua obra e até sobre cinema. Encontra-se também quem escreva apoiado na mais profunda ignorância.

Deixando a sua filosofia para quem a estuda, confesso que há anos que a mulher/filósofa Hannah Arendt desperta também o meu interesse e curiosidade.

A paixão de Hannah Arendt pelo seu professor Martin Heidegger sempre se me afigurou tão poderosa quanto pouco entendível (como, afinal, é próprio de tantas paixões poderosas).

No livro “Hannah Arendt e Martin Heidegger” de Elzbieta Ettinger, encontrei  uma mulher inteligente, jovem judia na Alemanha de Hitler, que se apaixona pelo professor e  homem brilhante, mas de personalidade pouco recomendável, que se serviu dela inúmeras vezes.

Hannah não via isso, ou recusava ver. A sua paixão durou toda a vida.

No filme, numa brevíssima cena, o assunto é aflorado, e Hannah responde, secamente, enquanto puxa mais uma fumaça do seu eterno cigarro, qualquer coisa do tipo – “há coisas maiores que qualquer pessoa”.

Gostei do filme. Gostei da clareza com que o pensamento de Hannah é apresentado, e de confirmar, mais uma vez, que, por mais claro que seja o que dizemos, cada um dos nossos receptores entende sempre, e apenas, aquilo que está, à partida, predisposto para entender.

No filme, apenas me desagradou a cor e o ambiente sempre soturno; há nele momentos verdadeiramente luminosos que mereciam ser fisicamente acompanhados duma outra luz.
Mas isso, são opções estéticas.

Sobre o livro:
Hannah Arendt e Martin Heidegger
Elzbieta Ettinger
Ed: Relógio d’Água, 2009

 

 

 

sexta-feira, outubro 11, 2013

Hoje não há cá modéstias












 

 
 
Hoje não há cá modéstias. E eu não sou coruja.
Mas os meus filhos SÃO DOIS ASES!
Parabéns aos dois.
Era só isso.

quarta-feira, outubro 09, 2013

Esgotou logo, certo?



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O último livro de poesia de Herberto Helder, “Servidões”, foi posto à venda, salvo erro, no princípio de Junho deste ano.

Sabendo-se que só existiria uma edição, o livro esgotou enquanto o diabo esfrega um olho.

Eu ainda li uma ou outra crítica levezinha a esta ideia da edição única, imposta pelo autor, mas logo se levantaram vozes muito autorizadas a mandar calar o pessoal, quem são vocês, seus badamecos, para discutir as decisões do poeta (há por aqui uns quantos intocáveis; poucos, mas há.)

Ora, ontem dei com este anúncio no site do Pó dos Livros Vintage.
Lá está “Servidões” à venda. Assim:

estado de conservação: 5/5
presença no mercado: esgotado / raro / muito raro
pvp: 130.00 €
(sujeito a confirmação de stock)

Vejamos então: não só o livrinho está barato como tem que se confirmar o stock. Mas não tinha esgotado?
Na verdade, não há aqui nada de novo − Único, sempre foi uma palavra mágica para o mercado, um “abre-te Sésamo” para os bons negócios.

Por isso, é aproveitar, minha gente, que o livro está ao preço da chuva, e os portes são grátis para Portugal.

terça-feira, outubro 08, 2013

Um dia a casa vem abaixo













 
Esta é uma imagem do exterior dum banco brasileiro em Manaus.

Os sem-abrigo costumavam abrigar-se ali do sol e da chuva. O banco acabou com o “abuso” (se é sem-abrigo não se pode abrigar, ora essa) mandando colocar pedras pontiagudas no passeio.












 
 
Aqui nas minhas bandas, como se pode ver nesta outra imagem, o banco espanhol BBVA resolveu o problema de “ocupação” das montras com outro material – aço inoxidável.

Um dia “a casa vem a baixo”.
Quando?

segunda-feira, outubro 07, 2013

Viram?


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este 5 de Outubro não teve grande piada. A bandeira, desta vez, subiu direitinha, os políticos chegaram em passo apressado e meteram-se logo lá para dentro, alérgicos que estão ao ar da rua.
Só os meus amigos da Facebook encheram os seus murais de VIVA A REPÚBLICA e eu gostei.

Mas houve outro momento que eu vi na televisão, várias vezes, e de que gostei muito.

Graças à norma, estabelecida pelas “tias”, de dar um só beijinho no acto de cumprimentar, foi lindo de ver, na hora da despedida, a Assunção Esteves deixar Passos Coelho de cabecinha à banda, oferendo-lhe a outra face, enquanto ela desandava ligeira, graciosa, fermosa e segura.

Ah, ah! Sempre ouvi dizer, lá no Alentejo, que quem se mete com rapazes amanhece mijado.
Pode-se deduzir que quem se mete com “tias” …

Ora, não vou acabar a frase. Cada um que escolha.
Desde que introduza uma palavra acabada em “ado” ou “ido”, deve estar bem, com certeza.
E completa o meu raciocínio.

sexta-feira, outubro 04, 2013

Um bom naco de prosa para o fim-de-semana


“É tarde, é muito tarde, cada vez mais tarde, já nem sei se dia se noite, perco-me de mim, as horas não me repelem nem me arrastam para o sono. Acho que faz dias que não acordo. Só sonho. A carta que não te escrevo é um sonho. Um sonho de saudade e de paciência, a mesma que me ensinaste. Quando só resta esperar só resta esperar. Eu espero. Não sei se são estas palavras que te não escrevo que trazem o meu resto de vida arrastado ou o contrário. Tanto faz. Atordoado, eu permaneço aceso. Tens de ser tu a soprar a vela, como sempre fazias ao deitar.
Sopra-me.”

A ler, a ler, a ler.
(e sem acordo ortográfico)

“Que Importa a Fúria do Mar”
Ana Margarida de Carvalho
Ed. Teorema

 

quinta-feira, outubro 03, 2013

Ainda mexe


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Já quase me tinha esquecido dele.

Ontem, porém, soube que na Suécia tomou conhecimento, por interposto sueco, da fusão da Portugal Telecom com a brasileira OI.
Não sabia, o gajo, ninguém lhe disse.

Hoje, logo de manhã, ouvi-o dizer na rádio que “se os nossos credores dizem que a nossa dívida é sustentável nós, os devedores, só diremos o contrário se formos masoquistas”.
Perceberam esta última? Eu não.

É por estas e por muitas outras que o povo o despreza, o Governo o usa, e o dinheiro o ignora.
Tem o fim que merece. Sem dignidade.

quarta-feira, outubro 02, 2013

Não foi a obra que me encantou, foi a informação


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Três dias depois das eleições autárquicas já toda a gente debitou opinião e fez contas.

Eu só venho aqui hoje dar os parabéns ao António Costa pela sua victória com números que já nem se usam.

Mas ele merece, trabalhou que nem um danado nesta campanha.

Suponho que se terá lembrado do que aconteceu ao João Soares há não sei quantos anos, quando prescindiu de fazer campanha porque “já tinha ganho”, e, afinal, não tinha.

Costa é criatura que aprende depressa e bem, e eu imagino que os homens do presidente bateram ruas, ruelas, praças e pracinha para ver o que podiam fazer para animar os munícipes.

Também fui agraciada com um pouco do bodo, mas o que mais gostei, afinal, foi duma informação.

No inverno 2012/2013, chuvoso como poucos, um troço duma rua perto de mim abateu.

Puseram-se umas grades e umas fitas e assim ficámos durante o resto do Inverno, a Primavera e todo o Verão, até agora ao Outono, uma semana antes das eleições. Estão a pensar que o buraco foi arranjado? Nada disso. Nas grades foi colocada a informação: Recuperação de Via a Cargo do Metropolitano de Lisboa.

Pronto, aí todos percebemos que a Câmara não tem nada que ver com aquela desgraceira, embora eu, como outros certamente, a tenha andado a culpar injustamente durante meses.

A culpa toda, todinha, afinal é do Metro.

Da informação, eu gostei, mas a grande chatice é que o Metropolitano de Lisboa não vai a votos. E já chove.

sexta-feira, setembro 27, 2013

Vamos a votos
















 
 
O meu post de ontem, em que lamentava a “machesa” duma comissão de honra para as autárquicas, não era contra ninguém nem a favor de alguém. Era apenas uma constatação de quão pouco a política partidária mudou em Portugal em 40 anos.

Digo-o sem medo de errar. Também eu já fui berloque há muitos, muitos anos.

Quanto ao post anterior (Nem lá vou) apesar do tom ligeiro, exprime o que realmente penso. Quem não sabe o que quer, quem não tem ideia do que será melhor para si e para a sua comunidade, quem assume com gosto e até com ares de superioridade que não percebe nada de política (mas acrescenta logo de seguida que” são todos iguais”) não deve, no meu entender, votar.

O direito de voto, tão duramente conquistado, é demasiado exigente, e por isso não se coaduna com a postura blasé que tantos portugueses exibem, e acham verdadeiramente cool, quando se fala de política.

Se não sabe nem quer saber, então não vá, não estrague. Deixe isso para quem tem convicções (de direita ou esquerda, tanto faz) e quer, de facto, decidir sobre o futuro, convicto de que está a fazer a melhor escolha (às vezes apenas a menos má).

Voto em Évora, onde a mudança me parece inadiável, e domingo lá vou. Vou, vamos de novo a votos. Para mim, é sempre dia de festa.
À noite, bem…”à noite logo se vê”, como diria o Mário Zambujal.

 
Nota: A imagem lá de cima é uma homenagem ao último a entrar nesta campanha. Quanto ao que ele diz, não posso estar mais de acordo.

quinta-feira, setembro 26, 2013

Mulher berloque


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

O que estás aí a fazer Fernanda Lapa?
Estarás a fazer o papel do berloque que dá uma nota de garridice à toilette demasiado macha e cinzenta?

Esse é um “papel” já muito visto – o de berloque − que a Actriz não devia aceitar representar e contra o qual a Mulher se devia insurgir.
Acho eu.

Uma comissão de honra paritária é coisa que nem lhes ocorre.
E era tão fácil.
Canseira! Esta, a de ver sempre a mesma “peça”.

terça-feira, setembro 24, 2013

Mãezinha (deles)













 
A esperada victória da Merkel não me aborreceu nem um bocadinho.
E por várias razões:

- Pertenço ao grupo dos que, cada vez mais, acreditam que só devemos contar connosco.
- Nos últimos anos comecei a detestar surpresas.
- Se há coisa que temos aprendido todos os dias é que pior é sempre possível.

Assim, a única coisa que me inquietou foi perceber que aqueles nossos parentes europeus chamam Mutti (mãezinha) à Merkel.

O vizinho (deles) Freud bem podia vir cá a baixo que há ali muito trabalhinho para fazer.
Mas depois nós é que somos os problemáticos da “família”. Livra!

segunda-feira, setembro 23, 2013

Sabeis quem é este jeitoso?














 
Eu não sabia, mas agora já sei.

Conto: estava eu ontem  posta em sossego, e cogitando sobre qual seria a cor do casaco da Merkel na hora da victória, quando pensei:

- Com mil diabos, será que a CDU portuguesa não concorre às autárquicas em Lisboa? Não tenho notícias de tal candidatura.

Inquieta com tamanho vazio, atirei-me à internet em busca exaustiva.

Pois que sim! Concorre, claro, e este é o seu candidato − João Ferreira, de sua graça, 34 anos, eurodeputado.

Respirei de alívio, mas outra dúvida se me instalou: por que andarão a esconder um rapaz assim tão bem-apessoado?

Se estão com medo que as mulheres o vejam, gostem, e votem nele, deveriam, então, ter escolhido ... o Mário Nogueira.

quinta-feira, setembro 19, 2013

Nem lá vou












Com a aproximação das eleições, quaisquer eleições, ouve-se cada vez mais a frase: “nem lá vou”, frequentemente seguida de “são todos iguais”.

Mais ou menos com a mesma filosofia de base, há sempre algumas freguesias que resolvem boicotar as eleições esperando assim alcançar objectivos que vêm reivindicando.

São acções e afirmações que mostram o quanto essas pessoas pensam que ir votar é um favor que fazem aos políticos, e que só lho fazem se lhes apetecer ou se eles o merecerem.

Esta pesporrência, este entendimento enviesado do acto eleitoral ao fim de 40 anos a exercê-lo, tem tanto de triste como de eloquente sobre o estado em que ainda estamos.

A estes bravos eu só peço uma coisa: façam o que prometem, e não vão votar, por favor, nem agora nem nunca.

Fiquem em casa, vão à bola, à pesca, ao jardim zoológico ou mesmo ao outro sítio (que a gente não pode estar aqui a enumerar tudo), mas não vão votar. É que eu, como tantos outros, que me esforcei por aprender a” ler” a democracia estou fartinha de pagar, com língua de palmo, as vossas asneiras de analfabetos políticos que só sabem assinar de cruz.

Mas esta cruz, por favor, não! Deixem que eu faço.
Sim, porque eu vou. Lá.

terça-feira, setembro 17, 2013

Todas iguais, todas diferentes

















 
Pertenço à enorme multidão de mulheres portuguesas que tem Maria como primeiro nome.

Os pais e padrinhos da minha geração foram, talvez, dos que mais abusaram dessa escolha, mas dantes todas éramos Maria e mais qualquer coisa – Isabel, Antónia, Luísa, Lourdes, Carmo, João, José, Lúcia, Etelvina, Amélia, Conceição, Fátima, Teresa, Manuela, Deolinda, e por aí.

Era por esse segundo nome que éramos chamadas, e era ele que nos distinguia − olá Isabel, olha a Antónia, viste a Luísa? chama a Lourdes, convidei a Carmo, foi a João que me disse, fui com a Zé, a Lúcia cortou o cabelo, a Etelvina teve um rapaz, a Amélia foi promovida, há que tempos não vejo a Conceição, tens falado com a Fátima?, tenho saudades da Teresa, que é feito da Manuela? e da Deolinda?

De há um tempo para cá, contudo, não sei o que deu às mulheres Marias; subitamente, e sem aviso prévio, começaram todas a renegara o seu segundo nome assumindo exclusivamente Maria, seguido do apelido.

Episódio um pouco caricato, um destes dias fui apresentada, em simultâneo, a duas Maria Matos. Perguntei se aquilo lhes tinha acontecido logo à nascença ou se o “acidente” só se dera mais tarde; disseram que foi coisa tardia porque uma nasceu Maria João Matos, a outra Maria do Rosário Matos, e em diferentes famílias.

Se eu ligar para a empresa delas e pedir para falar com a Maria Matos vão-me perguntar “qual delas?” e eu talvez tenha que responder “a dos dentes tortos”. Convenhamos que não é uma grande conversa.

Só uma perguntinha que não pretende ofender:
− Estas modas são um bocadinho aparvalhadas, não são?

Maria de Jesus Lourinho

segunda-feira, setembro 16, 2013

A cena do ódio




















Satan Met a Lady,William Dieterle, 1936


Anda por aí agora muito discurso sobre o ódio.
Explicita e implicitamente, este é sempre considerado um sentimento indigno e impróprio.

Eu, que não sou “zen”, acho que o ódio, como o amor e a paixão, tem potencial para gerar energias capazes de mudar o mundo.
Acho até que o ódio, quando dirigido contra alvo que o mereça, pode mudar o mundo para muito melhor.

O amor é lindo, a paixão também, da compaixão nem se fala, mas, por mim, também sou capaz de me envolver numa relação séria com um sadio e bem estruturado ódio.

Só não gosto mesmo do ódio ao morto. Quando o destinatário do meu ódio morre, sinto-me defraudada; é como passar no exame administrativamente, ou ganhar o jogo por falta de comparência do adversário. Que graça é que isso tem?

No fundo, para odiar bem, exige-se o mesmo que para tudo o mais nesta vida - ou a gente se empenha, ou não vale a pena.

E pronto. Há muito tempo que não fazia aqui uma reflexão filosófica de tanta qualidade e tão mentirosa.
Há dias assim – inspirados.

 

 

sexta-feira, setembro 13, 2013

Formulação de desejo para esta sexta-feira 13












 
 
 
Hoje é sexta-feira, dia 13, do ano 2013.

Eu não acredito em bruxas, mas, por acaso, gostava que hoje todas elas juntassem os seus poderes para fazerem desaparecer, inteirinho, o governo da República Portuguesa.

Se sobrassem ainda uns pozinhos mágicos, podiam levar também para o inferno o residente da república

Teríamos assim um Bruxedo de Salvação Nacional.

Isso, sim, era uma união que valia a pena, e uma pitada de internacionalismo na acção podia até fazer tudo ainda mais bonito.

Elas que venham. A gente agradece.

quinta-feira, setembro 12, 2013

O tempo e a escola

Uma amiga da blogosfera contava ontem da emoção de ir hoje deixar o filho na escola pela primeira vez.

Como me lembro bem desses nossos emocionantes e emotivos dias.
Os catraios já não eram “meninos da mamã”, tinham feito todo o tirocínio de infantário e pré-primária, mas escola é escola, caramba!

E lá íamos, de mãos dadas, os calções limpíssimos, a risca do cabelo impecável e os olhos brilhantes, eles; eu, de coração ora apertadinho, ora ufano, ora aos saltos de canguru.

Os quatro anos da primária ainda levam algum tempo a passar, mas daí para a frente é uma cavalgada louca até à candidatura à universidade.

Depois, bom depois mais pareceu uma corrida de fórmula 1 – entre cursos de cinco anos, InterRails e Erasmus, primeiros trabalhos, mestrados, doutoramentos e MBA, até parece que entrámos num túnel do tempo que nos suga e nos leva às cambalhotas.

E os netos? Ah, esses ainda não chegaram, mas vão chegar, para começar tudo outra vez.
Poça, e como é que tudo isso já aconteceu se eu ainda me sinto tão nova?