Roubei esta
imagem de 1 de Maio 1974 no Facebook. Tal como a dona da foto, eu também lá
estava, mas não tenho uma única fotografia. Só memória.
Os meus pais
vieram de Évora passar esse dia comigo, até porque ainda não nos tínhamos visto
desde o dia 25 de Abril.
A viagem que
fizeram, na camioneta da Setubalense, entre Évora e Lisboa, era coisa para
durar 3 horas ou 3 horas e meia, com paragens em Montemor-o-Novo, Vendas Novas,
Pegões e Setúbal, tudo entrepostos em se carregava e descarregava muita
bagagem, acomodada no tejadilho do veículo.
Esperei-os
no fim da carreira, isto é, na Praça de Espanha, no sítio onde veio a existir o
primeiro Teatro Aberto, e foi ali mesmo que demos início aos festejos –
primeiro os íntimos e depois os colectivos.
Sobre a
manifestação, nada a acrescentar. Quem a viveu, viveu, quem não a viveu…temos
pena.
Éramos,
então, todos anti-fascistas, amigos e amigas, camaradas e companheiros, o
futuro era nosso e “fascismo nunca mais”.
Não
conseguimos, como muitíssimos outros, entrar no estádio do INATEl, mas isso não
teve nenhuma importância porque “o povo unido nunca mais será vencido”.
Como se
sabe, o povo começou a desunir-se logo no dia seguinte, sendo isso a coisa mais
natural do mundo. Eu é que ainda não o sabia.
Porque esse
era também o tempo em que “eu era feliz e ninguém estava morto”.