sexta-feira, fevereiro 28, 2014

“Filomena”



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A “bondade” da igreja católica sempre me deixa estarrecida.
Já as contradições dos seres humanos, a sua luz e as suas sombras sempre me fascinam.

Filomena, baseado em factos reais, conta-nos uma história que perturba mas também enternece.

Quem não gostar de rir por encomenda no Carnaval, pode ir ver este filme sem medo de se decepcionar. Se, aqui e ali, pode esboçar um sorriso genuíno, não de encomenda, portanto, também não sairá a chorar.
Melhor dizendo, pode até chorar, se lhe der para aí, mas o filme não cede nunca à tentação de puxar à lágrima fácil.

Judi Dench, maravilhosa, sempre.
Mestria e dignidade são as palavras adequadas para o modo como compôs a personagem Filomena.

quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Apropriação do dia


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“As palavras são seres furtivos, capazes de sentidos onde não alcançam, pobres deles, os dicionários. A palavra “amor”, por exemplo, não precisa de ser pronunciada para significar, e (como se temesse mostrar-se) revela-se quase sempre sob a forma de outras palavras ou de silêncio.”

 Excerto da crónica de Manuel António Pina, publicada em 21/12/2005 no JN

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Ele não sabe, nem sonha











 
Alertada por um amigo da blogosfera e da FB, fui ler isto.
Quem tiver boa resistência ao vómito deve ler também.
Os de estômago sensível ficam isentos.

Eu, que só me queixo da bílis, li a bosta toda, e, mal acabei, desatei logo a sonhar, nem sei porquê.
Segundo o anormal, sonhar é coisa ilícita, mas o meu sonho foi coisa pouca.

Sonhei que pegava na mão do Nuno Ferreira (eu depois desinfecto), e o levava numa viagem no tempo de regresso ao Alentejo dos anos 1940, em que ele seria um menino de 6 ou 7 anos, filho de assalariado rural, atravessando transbordantes ribeiros invernais para chegar à escola, descalço todo o ano, estômago a digerir uma fatia de pão e umas azeitonas, guardando porcos lá no montado antes e depois das aulas.

E, o mais importante, impossibilitado de sonhar.

No meu sonho, eu vinha-me embora e deixava-o lá para sempre com os porcos e sem sonhos, mas acontece que houve homens bons, e sem excesso de bílis, que sonharam que nenhum menino devia viver assim.

Se bem o sonharam, melhor o fizeram, e desse belo sonho usufruíram milhões de meninos; até mesmo os anormais, como o Nuno Ferreira.
Mas ele não sabe disso, claro. Nem sonha.

 

 

 

 

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Circo sem pão












 
 
 
 
 
 
 
“Regresso de Miguel Relvas causa incómodo no PSD”, titulava ontem o Público online.
E eu digo “Não acredito”.

Aquela gente não tem incómodos, a não ser os da falta de poder; já com a falta de pudor, ao contrário, sentem-se cómodos. É, julgo, a sua zona de conforto.
Tácticas. Também têm muitas.

No Coliseu, estavam felizes. Riam, sorriam, acenavam rindo, ou então, sorrindo.

Foi bonito de ver − o sorriso de Passos por os ter “metido todos no bolso”; o sorriso de Marques Mendes, a seu lado, era o do puto que faz qualquer coisa para o deixarem jogar na equipa principal; o sorriso de Marcelo era o do acrobata no fim do número de circo em que conseguiu cair de pé e não partir as costelas; o sorriso de Menezes era o do pobrezinho, boa pessoa mas com azar na vida, que aceita qualquer esmola; finalmente, o sorriso de Santana Lopes era o da velha raposa que os “manca” a todos e nunca larga a presa. E nem o Relvas faltou.

Por mérito próprio, Passos é o rei leão naquela selva.

Pelo caminho que aquilo levava, ainda admiti que se pudesse passar da pornografia soft em que estávamos, para a pornografia hard, se se verificasse também a inopinada aparição de Ferreira Leite ou Pacheco Pereira.

Tal não chegou a acontecer, felizmente. É que os congressos do PSD sempre foram espetáculos pouco edificantes, mas classificáveis como “para toda a família”.
E assim devem continuar.

O Coliseu devia cheirar a futuro e às suas deliciosas promessas; por isso ninguém quis ficar fora da fotografia − para mais tarde recordar, se necessário for.

A esquerda que continue a apaparicar “os críticos” do PSD, citando-os, partilhando-os, louvando-os, em vez de cuidar da sua vida e de pensar uma outra vida.

Eles agradecem essa preciosa ajuda.
Ou talvez nem agradeçam, por já não precisarem.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Olha, afinal também é daltónico



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sempre achei que Octávio Teixeira pertencia ao grupo minoritário de comunistas que não sofre de daltonismo e, se não consegue ver as sete cores do espectro, vê, pelo menos, umas quantas.

Foi-se-me a convicção ao ouvi-lo ontem no Conselho Superior da Antena 1.

Falando sobre a grave situação de Kiev, e também da Venezuela, Octávio Teixeira reduziu tudo aos interesses geoestratégicos das potências, e chegou a dizer que os Estados Unidos querem fazer na Venezuela o que fizeram no Chile − como se Obama fosse Nixon e nada tivesse mudado na vida, e no mundo, ao longo das vertiginosas quatro décadas que vão de 1973 e 2014.

Por sua vez, na Ucrânia, e para Octávio Teixeira, tudo se resume a uma luta entre os interesses (ilegítimos) dos Estados Unidos e da União Europeia, por um lado, e os (mais ou menos legítimos) da Rússia, por outro.

É absolutamente certo que esses interesses existem e são poderosos; é também verdade que os povos podem ser por eles instrumentalizados, mas não me parece que as pessoas, de qualquer parte do mundo, venham para a rua e lá permaneçam (sobretudo com temperaturas negativas) só porque sim.

Percebi ontem que para o comunista Octávio Teixeira há certezas que, para mim, são um pouco surpreendentes. A saber:

- os povos não “riscam” nada – é tudo geoestratégia.
- na sua visão a preto e branco, os maus são, em todas as situações, os EUA e a União Europeia.

E aqui, deixo-me rir.

É que eu ainda sou do tempo em que, sendo a União Soviética e a China irmãs desavindas, o PCP estava do lado da primeira. Quando ela se desfez em pó, passou a estar do lado do anterior inimigo, a China, indiferente ao seu capitalismo selvagem.

Agora, com a questão ucraniana, Octávio Teixeira volta à casa de partida e está do lado desse grande democrata, comunista e paladino dos direitos humanos chamado Putin.

E eu, posto isto, vou ali chorar um bocadinho que esta gente toda só me dá desgostos.

 

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Kiev não mora aqui













 
 
 
 
 
 
Ontem vi Kiev em brasa, mas também a Bósnia e a Venezuela sobre brasas, como antes o Brasil, a Turquia ou a Tailândia, locais onde as pessoas parecem determinadas a inverter o curso dos acontecimentos que lhes querem impor.

Inconformadas estão, aquelas gentes.

Enquanto ontem em Kiev se morreu e se atearam fogos, por cá esteve sol.

Deu nas televisões, e gostei muito de ver, o centrão todo à volta do Vítor Gaspar. Este fez um discurso bonito, em que, por acaso, disse o contrário do que disse no último, mas não faz mal porque o último também era muito bonito.

O Vitorino falou bem, e a Avilez estava cheia de charme a agitar a melena.

Assim, ontem, fazendo o balanço do dia antes de adormecer, verifiquei que só uma coisita me aborreceu – a notícia do Público, segundo a qual, Joana Vasconcelos “está sem tempo para intervenção nas comemorações do 25 de Abril”.

Ora, isto sim, é uma grande contrariedade.

É que precisávamos mesmo da mais rebelde (!!!) artista deste tempo para nos ajudar a comemorar aquele único momento da nossa história recente em que todos (ou quase) fomos realmente rebeldes – há 40 anos houve um dia em que nos mandaram ficar em casa e fomos logo todos para a rua.

Depois desse dia de loucura, graças a Deus, sossegámos.
Definitivamente, Kiev não mora aqui. Nem Caracas. Nem São Paulo.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

45 Milhões de euros


















Eu sou fã da Gulbenkian.

A bem dizer, gosto de tudo ali – dos jardins, do museu, dos auditórios, do CAM, da biblioteca, dos cafés e restaurantes, da livraria Almedina dentro do CAM − e continuo a achar que aquele é um espaço único na cidade.

Porém, às vezes também me merece reparos e críticas, o que nem é de estranhar, posto que é dirigida pelos mesmos de sempre, aqueles que saltitam entre governos, bancos, fundações, empresas públicas, como é agora o caso do banqueiro Artur Santos Silva, e que, obviamente, têm a cabeça orientada no sentido inverso da minha.

Vem isto a propósito das várias obras que têm vindo a ser feitas no espaço da Fundação, com destaque para a inauguração, no último fim-de-semana, do renovado Auditório 1 e zonas adjacentes.

Há cerca de um ano escrevi aqui que, nas actuais condições, cabia à Gulbenkian “voltar a ser o oásis e o motor da nossa vida cultural, com iniciativas que nos galvanizem e nos façam acreditar que há vida para além das crises. Não é o que se está a passar no CAM.” (Post de 25 Março 2013)

Pelos vistos, o dinheiro nunca faltou para que tal se concretizasse, dado que, segundo o Público, o conjunto das obras custou 45 milhões de euros; o que faltou foi fazer essa escolha. Ao contrário, a Fundação escolheu investir em si própria, em vez de investir nos criadores portugueses, que andam à míngua, ou numa programação do CAM integrada nos circuitos internacionais, coisa que nunca sai baratinha.

Temos, assim, um auditório que era muito bom e que passou a excelente.
Ao mesmo tempo, o CAM inaugura exposições quase só com a prata da casa.



















Ainda não vi as que inauguraram na semana passada, talvez até sejam boas mas, para já, quando no jardim passo por esta escultura Rui Chafes, até tenho pena de não ser pombo.

É tão triste, o tempo que vivemos…

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Há os labregos, e há os outros











E o tema da semana passada foi: Miró e as telas do BPN.
No Público de ontem li, vindas de João Fernandes, ex-director do Museu de Serralves e actual director adjunto do Museu Rainha Sofia em Madrid, as mais sensatas opiniões sobre o assunto.

Resumidamente, responde ele:

As telas formam uma colecção?
Não, porque não constituem um núcleo coeso e coerente.
São todas da mesma qualidade?
Não. E o conjunto é menos bom que algumas telas isoladamente.
Devemos vender ou guardar?
Devemos ficar com as mais representativas.
E, se assim fosse, o que fazer com elas?
Depende do que o Estado quer para cada um dos seus museus de arte moderna e contemporânea. É preciso definir uma estratégia para esta área, disse.

Ora aqui é que a porca torce o rabo, digo eu.

Estando fora, é natural que o João Fernandes não se aperceba completamente do que por cá já todos entendemos − política do governo, mesmo, a sério, só há uma: a defesa dos credores.
Depois, há umas políticas avulsas para destruir, tão rápido quanto possível, a saúde, a educação, a ciência, o valor do trabalho e a segurança social.

Quanto à cultura, não há, sequer, política; nem para as artes, nem para os museus, nem para coisíssima nenhuma.

No lugar da política cultural temos agora um bando de labregos pouco sérios que torpedeiam as leis da república e que, sobre o que lhes competia saber, na verdade nada sabem, não querem saber e têm raiva a quem sabe.
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E agora vou andando para norte, porque não quero faltar à inauguração da exposição que se anuncia na imagem ali de cima.
É que, se os artistas presentes são bons, o curador é fantástico.
Garanto eu.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

Género: terror


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A imagem mostra o mais novo livro do género terror, já à venda numa livraria perto de si.

Melhor pensando, a conjugação da autoria Avilez com o “enredo” Gaspar permite-me acreditar que a boa escrita e a boa história não andarão por ali, pelo que, aquilo talvez seja apenas uma coisa tenebrosa em forma de livro.

Mesmo assim, dá medo.

E para o adensar, a sinopse promete que “finalmente se fica a saber quem é Vítor Gaspar.”
Se assim for, admito que até o medo vá ficar assustado.

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Os bravos do paredão




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Da minha porta para fora, ontem foi um dia de cão.
E eu com tanta gente em trânsito – um desassossego.

Pedi a todos que recomendassem, aos pilotos e maquinistas da CP, cuidado com a condução, porque estava muito mau tempo (como se sabe, mães corujas e jarretas como eu, chegam a pontos em que só servem, mesmo, para fazer recomendações assim, tão inteligentes quanto eficazes).

Não sei se deram, ou não, prosseguimento ao meu pedido, mas, pronto, sei que acabou por correr tudo bem.

Também de entre os bravos do paredão, aqueles imbecis que vimos na televisão muito embasbacados a observar a braveza do mar, toda a gente se salvou. Com a graça de Deus, como diria a minha avó.

A tranquilidade total, porém, chegou à hora de jantar, quando Marcelo informou a Judite, e a todos nós por acréscimo, que, apesar do temporal, tinha ido nadar, como sempre. (no Guincho, suponho).

Aí, sim, tomou-me uma descompressão total. Nem precisei do chazinho de cidreira para dormir.
Foi tiro e queda.
Ah, grande Marcelo!

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Monólogo interior de altíssimo gabarito



 
No ano passado, por esta altura, tive uma gripe.

Uma noite, já com ela quase a deixar-me, estava eu, como habitualmente, a ler antes de adormecer, quando ouvi “um passarinho a cantar dentro do peito”, só para dizer uma coisa assim mais para o poético.

Seguiu-se um monólogo interior de altíssimo gabarito:

“ Não faltará muito para teres de escolher entre respirar ou fumar.
Chatice! Mas nessa altura vais escolher respirar, certo?
E se escolhesses já, antes que te mandem? Detestas ser mandada…
Uuummmm, está decidido, amanhã já não fumas.”

E pronto, foi assim.
Depois de quarenta anos, já lá vai um ano.
Faz amanhã.

Bom fim-de-semana.


quinta-feira, fevereiro 06, 2014

E eu lá ia ficar fora do tema Miró?


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Após grande ponderação reflexiva (com os dados que temos disponíveis sobre mais esta novela de grandes e pequenos vigaristas), consigo, por fim, formular a pergunta que todos gostaríamos de ver respondida:

Se o Miró tivesse visto na televisão, como nós vimos, o homem ali da imagem, como o pintaria?

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

10 anos de Facebook












 
 
 
 
O Facebook fez ontem dez anos. Parabéns.
Eu gosto do Facebook e do imenso espaço de liberdade que ele é.
E não tenho nenhum medo.

No Facebook como na vida, é preciso saber escolher os amigos e decidir com bom senso o que pode ser público e o que deve permanecer privado.
Nada mais que isso.

Há pessoas de quem não sou “amiga”, sou apenas seguidora, e essas, no meu caso, são figuras públicas das artes, das letras, do jornalismo.
Geralmente são muito normais, mas às vezes dá-lhes para se armarem em divas.

E agora conto o que me aconteceu por estes dias:

Uma das pessoas que sigo é jornalista, participante dum conhecido programa de televisão, comentador. Pertence a uma área política diferente da minha, mas considero-o intelectualmente honesto e interessante.

Um destes dias postou a seguinte frase:

“Já não lia uma coisa tão imbecil como a que li hoje num jornal há muito tempo. E, como é público e notório, imbecilidades não têm faltado.”

Logo 36 pessoas puseram “gosto”. Pensei: mas gostam de quê?
Seguiam-se outros tantos “amigos” a tentar adivinhar de quê, ou quem, ele estava a falar

Não costumo comentar estas coisas mas, não sendo a primeira nem a segunda vez que o vejo escrever assim, digamos, NADA, não resisti e comentei:

“Essa sua mania de mandar bocas para o ar e os papalvos que adivinhem, está a ficar um bocado irritante, ó companheiro.”

Qual não é o meu espanto, facto nunca visto numa figura pública, obtenho resposta. Assim:

Tem razão, Maria De Jesus Lourinho, mas este espaço também é meu e às vezes dá-me para desabafar.”

Ainda respondi dizendo que o Facebook era, no meu entender, um espaço de comunicação e não de solitária meditação, mas que a razão estava do seu lado porque o espaço é dele, de facto, e só o lê quem quer.

Eu deveria ter dito que desabafar sem bafo é assim uma espécie de onanismo, mas não disse nada disso, claro, e continuo a simpatizar com aquela figura pública.

Bem como com o FB − espaço de ampla liberdade em que todos, até as simpáticas figuras públicas, têm direito à parvoíce; e onde os zés-ninguéns, como eu, têm o direito de lhes dizer que estão a ser parvas, mas que esse é um direito que também lhes assiste.

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Portugueses no mundo


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Eu já aqui escrevi sobre ele, mas o diabo do programa anda-me mesmo a irritar. Todas as manhãs, na Antena 1, uma tal Alice Vilaça conversa ao telefone com um português que está fora – “portugueses no mundo”, assim se chama a rubrica.

Nela, todos os entrevistados estão fora do país porque responderam a inopinadas oportunidades, todos estão felizes, todos acham a experiência muito positiva, todos têm saudades da família, do sol, do café, do bacalhau e tal.

Quase todos são formados, mestrados ou doutoradas, quase todos estão entre os vinte e muitos e os quarenta e poucos anos, todos são felizes, apreciados, bem remunerados e, com uma tal imagem construída, todos devem ser lindos de morrer, penso eu.

Entre os portugueses no mundo não há falhados, ou tipos simplesmente sem sorte, não há um só trolha ou ajudante de cozinha, ou alguém que não consegue adaptar-se, ou ainda alguém que deteste o chefe e os indígenas locais; muito menos há alguém que possa morrer às mãos de energúmenos xenófobos nos arredores de Londres por ter tido de dormir na rua.

É um programa feito com “emigras” de sucesso e, maioritariamente, por opção.
E não é sério, porque não vale branquear assim a realidade.

Todos sabemos que a realidade é, sobretudo, aquele português a quem perguntaram, no aeroporto e em dia de greve europeia dos controladores aéreos, se um atraso de 2 horas lhe fazia transtorno, ao que ele respondeu que não, que o que lhe fazia transtorno é ter de emigrar.

O programa dura há mais de dois anos e ataca-me cinco dias na semana. Ou seja, já ouvi pr’aí uns quinhentos a dizerem as mesmas coisas, mas verifiquei que a sua página no Facebook tem 3458 “gosto”.

Ainda bem que há quem goste. Talvez a Alice Vilaça não tenha de emigrar.
 

 

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Há gente com sorte



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pois há, há gente com sorte. Eu, por exemplo.

Imagine-se que uma nora chega e diz: comprei bilhetes para irmos as duas ao espetáculo do Michael Bublé.
A sogra fica um bocado aparvalhada, mas logo reage com satisfação, se não mesmo júbilo, por muitos motivos, e todos fáceis de identificar.

E fomos. Ontem.
E cantámos, dançámos, batemos pé, e palmas, balançámos, rimos, assobiámos (ela, que eu não sei).

Aquilo estava cheiinho, e como sempre me sinto maravilhosamente no meio duma multidão que se juntou pelos mesmos afectos, divertimentos ou reivindicações, escusado será dizer, (ou não), que foi uma noite e peras, daquelas em que um peso nos sai de cima, enquanto uma quase prece nos vai saindo das entranhas e sussurrando – saudades de ti, ó normalidade!

Falta dizer que, em palco, Michael Bublé é um jovem homem afável e feliz com o sucesso.
Falta ainda dizer o mais importante: o Michael Bublé canta muito, muito bem.

Ooops, falta ainda acrescentar que me diverti “à ganância” graças a uma nora, assim se confirmando que isto anda tudo ao contrário, mas que isso nos pode surpreender pela positiva mais vezes do que aquelas que conseguimos imaginar.