sábado, março 31, 2012
sexta-feira, março 30, 2012
Não, eu não vi a entrevista do PM
A razão por que não vi a entrevista é simples - não era o
meu dia de usar cilício.
São bichos espertos. Este artigo devia ser de leitura obrigatória para os nossos governantes. Nunca se sabe o que pode acontecer com os primatas que habitam a ponta ocidental da Europa, mesmo sendo menos inteligentes que os macacos capuchinhos.
Mas li as notícias, e fiquei a saber coisas e a pensar
nelas.
1 - No final da década, 24 milhões de chineses não
encontrarão mulher para acasalar. Bem feito, não as matem à nascença.
2 - Portugal já está a arder (333 fogos na 4ª feira) e
parece que, para tristeza do governo, a culpa não é da greve geral nem dos
manifestantes.
Assim fica mais difícil, porque polícias eles têm, bombeiros
é que não.
3 - O Papa esteve meia hora com Fidel Castro. De que terão
falado? De doenças, como todos os velhos, acho eu; das artroses, da próstata e
assim…
São bichos espertos. Este artigo devia ser de leitura obrigatória para os nossos governantes. Nunca se sabe o que pode acontecer com os primatas que habitam a ponta ocidental da Europa, mesmo sendo menos inteligentes que os macacos capuchinhos.
quinta-feira, março 29, 2012
Boas notícias
No mesmo dia, li nos jornais online que quem come chocolate tem menos peso e que as pipocas são
uma boa fonte de antioxidantes.
Andem lá com isso, rapazes.
Depois de a sardinha e o azeite terem sido canonizados após
excomunhão, fico ansiosamente à espero do estudo que me vai dizer que as
trouxas-de-ovos e a encharcada diminuem o colesterol, e que o chouriço cura a
miopia.
Como eu não duro para sempre, agradeço que se despachem a
fazer os estudos e a pô-los cá fora, a ver se ainda aproveito alguma coisa.Andem lá com isso, rapazes.
quarta-feira, março 28, 2012
Viegas em cima do muro
Há políticos com sorte. Talvez por terem boas relações nas
redações dos jornais, têm sempre aquilo que se chama “boa imprensa”.
É o caso de Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura.
É o caso de Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura.
Desta vez, o Expresso
foi entrevistá-lo e devem ter combinado qualquer coisa do género – O senhor
Secretário põe-se em cima do muro e a gente não o empurra.
Assim foi; os jornalistas não empurraram e, diga-se em abono
da verdade, Viegas também não caiu sozinho. Daí resultou uma entrevista frouxa e desinteressante, que
não enche nem vaza. Apenas um assunto me despertou o sorriso e o temor em
simultâneo.
Sob o signo das várias Rotas turísticas abordadas, Viegas
parece ter particular carinho pela Rota das Judiarias, que vai desenvolver, com
o “coração” em Belmonte.
Sabendo que o Secretário de Estado se converteu ao judaísmo,
não estranho o seu entusiasmo.
Mas, no final de entrevista, ele afirma:
“A SEC vai colaborar
com o Ministério da Economia nos investimentos que já estão previstos. Falo da
construção de um hotel desenhado por Frank Gehry (arquiteto de origem judaica),
que já está aprovado e espera-se a resposta dele para desenhar a primeira
sinagoga da sua vida. Se for assim, imagine-se o que isso significará.”
Eu fico logo a imaginar charters de judeus para Belmonte,
sorrio à fixação do PSD em Frank Gehry, mas tremo só de pensar quem lhe pagará
a sinagoga e o hotel.
Nota: imagem retirado do Expresso
de 24 Março 2012
terça-feira, março 27, 2012
Para quem ontem desenhou uma linha
Para D.
“Provavelmente lembras-te da famosa afirmação do início de Anna Karénina, na qual Tolstói, envergando os trajes de uma serena divindade aldeã e debruçando-se sobre o nada cheio de bondosa tolerância e calma benevolência, declara lá do alto que todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, ao passo que as famílias infelizes o são cada uma à sua maneira. Com todo o respeito devido a Tolstói, quero dizer-te que é o contrário que é verdade: as pessoas infelizes estão profundamente mergulhadas num sofrimento de convenção, vivendo uma rotina estéril de acordo com um de cinco ou seis clichés de desgraça já gastos. Ao passo que a felicidade é uma porcelana rara e preciosa, uma espécie de jarrão chinês, e as poucas pessoas que a conquistam desenham-na linha a linha, moldando-a ao longo dos anos, cada uma delas à sua imagem e semelhança, cada uma segundo o seu caráter, de tal modo que não há duas felicidades iguais.”
(prémio femina)
Q. Quixote, 2ª edição, 2012
Nota: na imagem, Desenho
habitado de Helena Almeida, roubado aqui
“Provavelmente lembras-te da famosa afirmação do início de Anna Karénina, na qual Tolstói, envergando os trajes de uma serena divindade aldeã e debruçando-se sobre o nada cheio de bondosa tolerância e calma benevolência, declara lá do alto que todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, ao passo que as famílias infelizes o são cada uma à sua maneira. Com todo o respeito devido a Tolstói, quero dizer-te que é o contrário que é verdade: as pessoas infelizes estão profundamente mergulhadas num sofrimento de convenção, vivendo uma rotina estéril de acordo com um de cinco ou seis clichés de desgraça já gastos. Ao passo que a felicidade é uma porcelana rara e preciosa, uma espécie de jarrão chinês, e as poucas pessoas que a conquistam desenham-na linha a linha, moldando-a ao longo dos anos, cada uma delas à sua imagem e semelhança, cada uma segundo o seu caráter, de tal modo que não há duas felicidades iguais.”
Amos Oz
A Caixa Negra(prémio femina)
Q. Quixote, 2ª edição, 2012
segunda-feira, março 26, 2012
Cidadania, isso?
“Isto da cidadania não é só para exercer quando se trata dos
cocós dos cães!” Li estas palavras no Facebook.
Concordo com elas, e como até já aqui escrevi sobre "Beatas e cocós", enfiei a carapuça. Por isso ouso ir um pouco mais além no tema e naquilo que, no Facebook, originou as palavras citadas – a carga policial no Chiado.
A cidadania, em meu entender, exerce-se todos os dias, a todas as horas, em qualquer local. É transversal a todos os atos da nossa vida quotidiana.
Tal como a política, está em tudo.
Porém, pede-se no Facebook a identificação do apelidado “Valentão do Chiado”, aquele polícia que, na foto muito divulgada, está a bater na fotojornalista, e entende-se isso como um ato de cidadania – identificá-lo e, na melhor das hipóteses, castigá-lo, na pior talvez linchá-lo à bastonada. Ora, aqui não concordo; não acho que isso seja um ato de cidadania.
Nota: foto retirada do Facebook
Concordo com elas, e como até já aqui escrevi sobre "Beatas e cocós", enfiei a carapuça. Por isso ouso ir um pouco mais além no tema e naquilo que, no Facebook, originou as palavras citadas – a carga policial no Chiado.
A cidadania, em meu entender, exerce-se todos os dias, a todas as horas, em qualquer local. É transversal a todos os atos da nossa vida quotidiana.
Tal como a política, está em tudo.
Porém, pede-se no Facebook a identificação do apelidado “Valentão do Chiado”, aquele polícia que, na foto muito divulgada, está a bater na fotojornalista, e entende-se isso como um ato de cidadania – identificá-lo e, na melhor das hipóteses, castigá-lo, na pior talvez linchá-lo à bastonada. Ora, aqui não concordo; não acho que isso seja um ato de cidadania.
Os jovens fotojornalistas que foram para o terreno e foram
agredidos, deviam saber que a polícia de choque tem o nome com ela, e quando
intervém é para limpar o local, está cega, só obedece à ordem que recebeu. São
assim todas as forças militares e paramilitares, sempre o foram. Quando
aparecem, é bom que se fuja, seja-se ou não jornalista, porque ali já não estão
homens – apenas máquinas bestiais treinadas para bater.
Identificar um polícia como alvo a abater, como se ele fosse
causa e símbolo de todos os males da nossa democracia, pode ser um alívio para
a raiva que vamos contendo, mas nada tem de exercício de cidadania.
Faz parte das regras do bom jogo democrático que protestemos
sempre contra a violência policial mas, por aqui, nunca vi uma boa discussão
democrática e cidadã sobre se queremos ter, ou não, um corpo
de intervenção, qual o papel que lhe atribuímos e quais as suas baias, já que o
pagamos.
Pedir a cabeça dum polícia (ainda que sádico) não é
exercício de cidadania, é pura expressão de raiva, talvez mesmo de impotência,
mas não deixa de ter um perigoso cheirinho de apelo à justiça popular.
Não, não vou por aí.
sábado, março 24, 2012
sexta-feira, março 23, 2012
A greve geral, parte 2
Percorro o Facebook e vejo que é dado grande destaque aos
incidentes com a polícia no Chiado.
Aquilo que me apetece dizer é que o dia foi bom, porque todos
tiveram o que queriam. O governo fala tanto em prevenir tumultos porque, de
facto, os deseja. Mostrar quem manda e “partir a espinha aos sindicatos”, qual
Thatcher sem malinha, é o seu intento.
A polícia de choque nasceu para “molhar a sopa” e sempre
atuou nos mesmos moldes, aproveitando agora para se vingar de agravos vários.
Os sindicatos nada tiveram que ver com a pancadaria no
Chiado, mas sempre houve, fora deles, quem se dedicasse à provocação à polícia.
Ouso até dizer que alguns quase iam meter a cabecita debaixo do bastão, como
quem diz: bate aqui, bate aqui, eu quero ser a vítima e tu o brutamontes.
Porém, longe (felizmente) vão os tempos em que a maioria
fugia a sete pés da polícia de choque porque ser apanhado implicava ir para à
Pide e não, como agora, mostrar o sangue às televisões.
Nesses tempos sombrios também se aprendia a não responder às
provocações dos infiltrados, porque sempre os houve e haverá.
Em suma, todos tiveram o que queriam – governo, polícia,
plataforma 15 de Outubro e até as televisões. Só o Arménio Carlos não ganhou a
taluda.
Ontem foi uma tarde terrível para a democracia portuguesa
(como li por aí)? Ora poupem-me. Nos últimos anos todos os dias têm sido terríveis
para a democracia portuguesa, só que o de ontem foi mais animado.
Não são os bastões que nos lixam, são as políticas.
A greve geral
Na passada 4ª feira escrevi aqui que, face às políticas desenvolvidas por este governo, a imensa paciência dos portugueses parece não se esgotar nunca.
Como seria de esperar, ainda não foi com esta greve geral que ela deu mostras de se estar a esgotar.
Foi mais um dia de greve dos transportes, algumas autarquias, alguns trabalhadores do setor público.
Sem negar a absoluta necessidade de exprimir revolta e oposição,
parece-me que esta fórmula está esgotada, e que os sindicatos deviam pôr os
seus jovens a pensar em novas formas de protesto, mais imaginativas e adequadas
à realidade que vivemos, com tantos precários e trabalhadores por conta própria
para quem aderir a uma greve é um ato suicidário.
Tenho pena, mas acho que se está a banalizar a poderosa arma
que pode ser uma greve geral, tornando-a assim improdutiva e repetitiva.
Assemelha-se à nossa morte – no dia seguinte vamos a
enterrar mas cá em cima tudo continuará exatamente igual.
quinta-feira, março 22, 2012
O Ministro da Educação não vê um boi da dita!
Ele não vê um boi, nem quer ver, nem tem ninguém que lhe
mostre.
Ou será só crueldade e frieza glacial?
Até dói.
Alunos com necessidades educativas vão passar a fazer os mesmos exames que os outros estudantes
Ou será só crueldade e frieza glacial?
Até dói.
Alunos com necessidades educativas vão passar a fazer os mesmos exames que os outros estudantes
quarta-feira, março 21, 2012
Não é desespero, é estupidez
O DN noticia que a secretária-geral da Confederação Europeia
de Sindicatos (CES), Bernadette Ségol, afirmou, sobre o incitamento à emigração
jovem por parte do governo português, que o governo deve estar desesperado porque
"é claro que se os jovens deixam os seus países, a sua força, as suas
ideias e a sua capacidade para construir o futuro perdem-se".
Passos e companhia sabem-no, e só por isso ousam uma afronta atrás da outra.
Óbvio, não?
O que a senhora Ségol não sabe, porque não vive por cá, é
que isto não é desespero, é estupidez, frieza, humilhação do povo que se
governa, arruaça, delinquência.
Há um projeto político incendiário que chegou ao poder para
impor a defesa da finança, do patronato e dos grandes interesses instalados,
espezinhando, pelo caminho, toda uma população que nem pensa em defender-se,
entregue que está ao seu ancestral fatalismo.
Morre de frio e de gripe, não vai ao hospital quando
precisa, abandona a universidade, engrossa desde madrugada as filas dos centros
de emprego, perde o trabalho e a casa, consegue um trabalho temporário com um
salário de anedota, volta para casa dos pais, vende o ouro, pede ajuda às
instituições de caridade para comer.
Tudo muda na sua vida, exceto esta imensa paciência
portuguesa que parece não se esgotar nunca.
Por aqui, o velho lema “antes morrer de pé que viver
vergado” vive-se ao contrário.Passos e companhia sabem-no, e só por isso ousam uma afronta atrás da outra.
terça-feira, março 20, 2012
O trabalho dá saúde
Os suíços fizeram mais um referendo.
A pergunta que nele se fazia era se queriam ter seis semanas de férias em vez de quatro.
No país/lavandaria de dinheiro que é a Suíça, o povo quer é trabalhar muito.
Pois que continuem a contar as notas nos bancos, a bater o chocolate e a acertar os relógios.
A pergunta que nele se fazia era se queriam ter seis semanas de férias em vez de quatro.
A resposta foi NÃO.
Os suíços trabalham entre 45 a 50 horas semanais e um terço
deles sofre de stresse no trabalho.
A passada utopia do futuro profetizava que os homens
haveriam de trabalhar menos, ajudados pelas máquinas e que, com isso, seriam
mais felizes.
A utopia, era utopia mesmo. Com as máquinas, cada vez um
menor número de pessoas trabalha mais, deixando de fora uma grossa fatia de
desempregados.
Quanto a serem mais felizes, não se sabe bem o que isso
seria mas, pelo menos para os suíços, a felicidade não passa por mais tempo
livre para si próprios, os seus hobbies,
a sua família, o seu alívio do stresse.
Certamente muitos acharão louvável tal comportamento, e dirão
que devíamos ser como eles, nós, os preguiçosos do sul.
Acontece que a maioria de nós ainda acha que há mais vida
para além do trabalho.
Dou de barato que as seis semanas não seriam para gozar de
seguida, e que melhorar as condições de trabalho seria mais eficiente na
diminuição do cansaço.
Porém, recusar liminarmente mais tempo de férias num tecido
social cansado parece-me mais uma aberração da sociedade que fomos criando,
aquela em que muitos, cada vez mais, não sabem o que fazer com o seu tempo
livre e, postos perante ele, também entram em stresse.
No país/lavandaria de dinheiro que é a Suíça, o povo quer é trabalhar muito.
Pois que continuem a contar as notas nos bancos, a bater o chocolate e a acertar os relógios.
Se o trabalho dá saúde, chegará o dia em que nem precisarão
de férias nenhumas, e ficarão todos tão fresquinhos e viçosos como a Heidi e o avô lá no alto da montanha.
segunda-feira, março 19, 2012
sábado, março 17, 2012
Potencialmente tóxico
Suponho que seja um novo e poderoso veneno. Vai estar à
venda, engarrafado sob a forma de vinho, com o nome “Memórias de Salazar”.
Que ninguém diga que não foi avisado.
sexta-feira, março 16, 2012
Tiro ao Sócrates
A sensação que tenho é que o governo contratou uma empresa
de marketing para nos entreter, sabe-se
lá porquê (!)
Lá nessa empresa escolhida por adjudicação direta, reuniu-se o pessoal e fez-se o inevitável brainstorming.
Lá nessa empresa escolhida por adjudicação direta, reuniu-se o pessoal e fez-se o inevitável brainstorming.
Pensaram, pensaram e decidiram que o melhor e mais eficaz
era chamar o Sócrates outra vez. Os jornalistas iam cair que nem patinhos.
Invadem então todo o “mercado”, esmiúçam, esmiúçam para nos
dar circo.
Sai Sócrates sobre o Freeport – quantas vezes se pronunciou
o seu nome na audiência? quantas?
Sai a licenciatura – os documentos estão quase, quase a ser
entregues em tribunal. Quando?
Saem as contas da parentela em offshores – onde? quanto?
Sai uso de cartões de crédito pelos ministros de Sócrates –
tinham? eh!, e usaram em despesas pessoais?
Vem Cavaco e dá uma ajuda pro bono à empresa de marketing
– Sócrates? nunca houve ninguém tão desleal.
Retirando a cavacada, eu olho e penso com os meus botões –
quem se mete com juízes ou magistrados, leva. Nunca é de mais lembrá-lo.
Ó deuses, eu só queria esquecer Sócrates, e o homem até
ajudou; foi-se embora e ficou calado, mas eles não me deixam esquecer, aliás,
não querem que eu esqueça.
O professor Marcelo bem me podia fazer um favorzinho lá numa
das suas homilias dominicais, largando a sentença: parem com o tiro ao
Sócrates!
Eu só quero esquecer. É pedir muito? Irra!
quinta-feira, março 15, 2012
Conheço um país II
Conheço um país, o nosso, em que o governo paga “rendas
excessivas” às empresas de energia no valor de 4 mil milhões de euros. Foi dito
pela troika que, para suportar os
custos da eletricidade, havia que taxar as empresas produtoras e distribuidoras
e não apenas os consumidores domésticos e as empresas. Que faz o governo? Despede o
governante que acha que rendas de 4 mil milhões são excessivas assim nos
mostrando, mais uma vez que a defesa e proteção dos grandes grupos económicos é
para manter “custe o que (nos) custar”.
Nesse mesmo país, nos dias que correm, não se pode
apresentar queixa em algumas esquadras da polícia porque não há como
registá-las, visto que não há dinheiro para os tinteiros das impressoras. Nem
para pequenos arranjos de centenas de viaturas. Nem para lhes mudar o óleo.
Acabou a tinta, sim, mas há cada vez mais “lata” para fazer tudo ao contrário do que se prometeu.
quarta-feira, março 14, 2012
Silêncio
Há dias, passou na RTP2 um filme com o nome “O meu amigo
Michael ao trabalho”. Tratava-se de acompanhar a realização duma enorme tela de
Michael Biberstein, artista nascido na Suíça mas que vive em Portugal desde o final da década 1970.
Do seu trabalho resultam telas que nos convidam também ao silêncio e onde, se nelas nos detivermos, podemos encontrar o sublime.
O vazio, tal como o silêncio, provoca medo. Isso é algo de muito contemporâneo".
Nota: na imagem, foto de tela de Michael Biberstein
Michael Biberstein, artista nascido na Suíça mas que vive em Portugal desde o final da década 1970.
Quando Michael entrava de manhã no ateliê sentava-se
longamente diante da tela e observava o trabalho já feito.
O grande silêncio, a grande solidão do artista.Do seu trabalho resultam telas que nos convidam também ao silêncio e onde, se nelas nos detivermos, podemos encontrar o sublime.
No Atual do Expresso de 3 de Março, Siza Vieira dizia:
"o nada, o
aparente nada, às vezes é o mais importante, mas existe uma doença
contemporânea muito grave que é o horror ao vazio.O vazio, tal como o silêncio, provoca medo. Isso é algo de muito contemporâneo".
Rodeados que estamos de ruído visual e auditivo, escolhemos
demasiadas vezes a fuga para a frente, para dentro dele, na esperança vã de
fugir à grande solidão que a sociedade contemporânea toma por um grande mal, se
não mesmo como um sinal de desadaptação.
Porém, a solidão, o vazio e o silêncio são as vias para a
criação, o conhecimento de si, as descobertas, e o apaziguamento face a uma
realidade cada vez mais dura.
Não se pode fugir do real, mas a forma como o encaramos e
nos encaramos (e aos outros por arrasto) pode constituir mudança significativa.
Encontrar momentos de fuga do ruído, de todos os ruídos,
ouvir o silêncio, morder o vazio, viver a solidão, continuam a ser actos
decisivos e fundadores da nossa vivência para além dos ossos, dos músculos e
das vísceras.
Seja isso o que for; a cada um, sua verdade. Ou dúvida.Nota: na imagem, foto de tela de Michael Biberstein
terça-feira, março 13, 2012
Guardemos um triplo para a avó do Mota Soares
Está agora ministro da Solidariedade e Segurança Social um moço
simpático que gosta de Vespas e não foge das manifestações; enfim, um moço tão
endiabrado como pode ser alguém que está no CDS desde o jardim-de-infância.
Dá pelo nome de Pedro Mota Soares.
O Pedro, para além da sua vocação assistencialista de que já
deu provas, descobriu agora uma maneira de meter mais 10 000 idosos em lares
sem gastar um tostão. Como? Ora, é simples – apertam-se um bocadinho.
Quarto onde estava um, passam a estar dois, e quartos onde
havia dois, passam a estar três.
Tal e qual como um fabricante de salsichas poderia
lembrar-se de nos dar um brinde metendo sete numa lata de seis.
A minha imaginação recusa-se a vislumbrar as noites passadas
nos quartos com três idosos, um gemendo, outro tossindo, outro com insónias,
ou, ou, ou…
Dir-me-ão que fazem companhia uns aos outro e se
entreajudam. Pois!
Mas se o Pedro acha que é bom, e que criar assim 10 000
lugares é um avanço civilizacional, é porque é bom. Afinal, o ministro é ele.
Por isso espero que a sua avó ou avô, pais, tias e afins
tenham à sua espera um quartinho triplo quando chegar a sua hora de entrarem
para o lar, doce lar, para que possam provar a clarividência e bondade das
políticas do seu iluminado descendente.
segunda-feira, março 12, 2012
Às malvas: Independência, República e Mortos
Já tínhamos percebido, estarrecidos, que o Papa também manda
aqui no protetorado, mas, por mim, apesar de escandalizada, achei que aquilo
era mais um assinar de cruz do que outra coisa. Puro engano.
Sua Santidade acha que o feriado de 15 de Agosto, que
costumamos dedicar ao deus Sol, feiras, festarolas e arraiais, é mais
importante que o de 1 de Novembro e, por isso, talvez se faça a troca.
Sua Santidade lá sabe aquilo que é melhor para a nossa alma.
Assim à primeira vista, eu diria que faz bem à alma de
milhares de portugueses irem ao cemitério (no dia 1 de Novembro, por ser
feriado, e não no dia 2 como marca o calendário) com as suas flores, vistosas
ou campestres, aos molhos ou solitárias, modo de dizer aos seus mortos que
ainda não foram esquecidos.
A Igreja portuguesa deve pensar como eu, mas Sua Santidade,
que não é de cá e só nos visitou como um rei, com grande estilo e recursos, não
sabe nem quer saber nada desta gente humilde que homenageia mortos.
Vai dai, se bem calhar, vai-se o dia que lhes dedicamos e
fica o da tal Assunção que poucos sabem quem é. Por mim, não conheço essa nem
nenhuma outra com o mesmo nome.
Apetece dizer - valham-nos Todos os Santos, mas parece que
por agora, para os portugueses, nenhum está de serviço ou com disposição.
sábado, março 10, 2012
sexta-feira, março 09, 2012
Só não privatizam as mães porque já são privadas
O mundo, tal como o conheci, vai desaparecer muito mais
depressa do que aquilo que eu imaginei. Só falo por mim, mas custo a dar conta
a tanta mudança.
Segundo esta notícia, caminhamos para a privatização da
polícia, tal como já está a acontecer noutros países (Reino Unido, por
exemplo).
Ouvidos sobre o assunto, o
presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), e um
sociólogo do ISCTE acham a situação normal, desde que devidamente
regulamentada.
Depois da polícia, se calhar,
vamos privatizar as Forças Armadas e os tribunais e aí vai chiar mais fino.
Esses terão potencial de grandes empresas, em que quem vai decidir é o
acionista, como está bom de ver. E sobre o teor das decisões dos acionistas já
temos vasta experiência.
Até somos capazes de imaginar, com
uma imaginação doentia e tenebrosa, que um dia, com o passar do tempo, venderão
o tribunal-empresa e a marinha-empresa aos chineses e angolanos ( brrrrrr, foi
só um calafrio.)
Isto vai tão depressa que eu nem a
galope consigo alcançar o alcance de tantas novidades.
Se calhar, a culpa nem é dos
decisores, mas apenas da velocidade a que viajamos; segundo fiquei a saber
outro dia num pequeno artigo do Expresso,
se contarmos com todos os movimentos da terra e do cosmos, mesmo a dormir,
estamos a viajar a 600 km por segundo.
Deve ser disso.quinta-feira, março 08, 2012
Nós e a TAP
As reações ao não-corte de salários na TAP é o espelho quer
do governo, quer da oposição, quer dos portugueses em geral.
O governo, cede mais uma vez a quem pode; os trabalhadores
da TAP têm nas mãos, diariamente, milhões de euros, e isso confere-lhes um
enorme poder negocial, quer para o melhor, quer para o pior. O governo cedeu.
Já aqui me insurgi com as frequentemente caprichosas e
irrealistas reivindicações destes trabalhadores, mas não será hoje o caso.
Eles lutaram e ganharam. E nós, ou bem que somos contra
todos os cortes salariais e devemos saudar esta vitória, ou nos refugiamos na
estreita mesquinhez habitual e achamos que devemos nivelar tudo por baixo.
Aconteceu o mesmo com a nossa socialista oposição que pediu
explicações pela voz de Basílio Horta, como quem diz – por que não batem também
naqueles? são mais bonitos, é? ou há moralidade, ou comem todos!
Não estamos aqui a falar das exceções para banqueiros,
gestores públicos amigalhaços ou de jovens assessores recém-empossados.
Estamos a falar de trabalhadores como nós, que lutaram e
ganharam.
Por uma vez devíamos tomá-los como exemplo em vez de
ficarmos ressentidos e invejosos.
Afinal, somos contra TODOS os cortes salariais. Ou não?
quarta-feira, março 07, 2012
Se calhar, devia ir
Os temas espiritualidade e esoterismo enchem prateleiras de
livrarias. A procura é muita, os autores multiplicam-se, bem como as técnicas
para alcançar os desejos de cada um.
Luso, Pedras, Carvalhelhos, Perrier, Evian?
Falta de ambição não vai com os dias de hoje.
A astrologia está em alta. Oiço até dizer que há gente importante
que não toma decisões sem consultar o seu astrólogo, o que me leva a concluir
que passou a ser tão imperioso ter astrólogo como ter médico, advogado ou personal trainer.
Tarot, cartas, búzios, números, pêndulos e outras miudezas
mais, atraem milhões.
Eu, aqui sentada na cadeira, todos os dias recebo e-mails com propostas de cursos e
workshops sobre o arquétipo de Peixes, a astrologia centrada no indivíduo,
viagens da consciência, astrologia do relacionamento, a química dos elementos
etc. E não são spam.
Sendo certo que a astrologia não me interessa nada, quando
recebi a informação sobre a química dos elementos, dei comigo a pensar:
Se o meu signo é do elemento água, que tipo de água gostaria
eu de ser?Luso, Pedras, Carvalhelhos, Perrier, Evian?
Não, conclui que gostava mesmo era de ser água da torneira –
completa mas com muitas impurezas.
Rematei este profundíssimo pensamento retirando a óbvia
conclusão: a pensar assim, esta mulher não vai a lado nenhum.Falta de ambição não vai com os dias de hoje.
Talvez, então, tenha chegado a hora de também eu fazer uma
sessão de coaching, ou hélas!, ir ao astrólogo.
Qualquer dia, menos hoje.
terça-feira, março 06, 2012
Conversa para totós
O nosso primeiro-ministro vê os seus governados como um
bando de totós a quem é necessário ensinar o básico, e fala com eles como um
bom pai de Massamá fala com os filhos pré-púberes.
Interrogado sobre como é que
os portugueses irão fazer férias, com que dinheiro, respondeu: “Fazendo uma boa aplicação dos recursos
que têm, como é evidente. Quando há menos, tem de se gastar menos, quando há
mais tem de se pensar em ficar com algum de lado para os tempos em que há
menos. É isso que eu espero que os portugueses também possam fazer”.
Isto
é o que ele espera. Por mim, espero que 850 000 desempregado montem uma tenda à
porta dele e resolvam aí passar férias com tudo o que isso implica – banhos de
sol, cozinhar o jantar, piquenicar ao almoço, lavar a loiça e usar regularmente
os sanitários. E nada de inibições com os ruídos noturnos, porque férias são
férias.
E que belas férias poderíamos proporcionar ao nosso primeiro-ministro.
Vai daí, segundo o jornal Público, diz assim:
E que belas férias poderíamos proporcionar ao nosso primeiro-ministro.
segunda-feira, março 05, 2012
Demências
Hoje roubo posts que merecem ser lidos
Joana Lopes, Estranho modo de vida
Sérgi Lavos, Ladrões, corruptos, vigaristas
E enquanto vamos ficando todos mais pobres, há quem continue a não sentir os efeitos das medidas de austeridade, e até lucra com elas. A história divulgada esta semana é exemplar: uma das primeiras decisões do Governo depois de tomar posse foi introduzir portagens na ponte 25 de Abril durante o mês de Agosto, acabando com uma tradição antiga que beneficiava os lisboetas que não têm dinheiro para ir passar férias longe da cidade e apenas podem frequentar as praias da Costa da Caparica. A ideia seria aumentar a cobrança dos impostos pagos nas portagens mas sobretudo poupar na indemnização compensatória paga à Lusoponte pela quebra nas receitas, no valor de 4.4 milhões de euros. O problema é que a Lusoponte, cujo presidente é Joaquim Ferreira do Amaral, dirigente do PSD e antigo ministro das Obras Públicas que saiu directamente do executivo de Cavaco Silva para a administração desta empresa, exigiu ao Governo esses 4.4 milhões.
( continua)
Joana Lopes, Estranho modo de vida
Não é fácil imaginar a vida concreta de cerca de 500 mil
pessoas que não trabalham porque tudo lhe é proporcionado gratuitamente e que
ainda recebem cerca de 35.000 US$ / ano desde que nascem. Todas as tarefas são
asseguradas por um milhão adicional de estrangeiros, bem pagos, mas que nunca
adquirem a nacionalidade do país em que vivem, ou mesmo em que nascem: as
segundas e terceiras gerações mantêm o «passaporte» dos seus ascendentes, o
mesmo acontecendo às mulheres que casam com locais.
( continua)Sérgi Lavos, Ladrões, corruptos, vigaristas
E enquanto vamos ficando todos mais pobres, há quem continue a não sentir os efeitos das medidas de austeridade, e até lucra com elas. A história divulgada esta semana é exemplar: uma das primeiras decisões do Governo depois de tomar posse foi introduzir portagens na ponte 25 de Abril durante o mês de Agosto, acabando com uma tradição antiga que beneficiava os lisboetas que não têm dinheiro para ir passar férias longe da cidade e apenas podem frequentar as praias da Costa da Caparica. A ideia seria aumentar a cobrança dos impostos pagos nas portagens mas sobretudo poupar na indemnização compensatória paga à Lusoponte pela quebra nas receitas, no valor de 4.4 milhões de euros. O problema é que a Lusoponte, cujo presidente é Joaquim Ferreira do Amaral, dirigente do PSD e antigo ministro das Obras Públicas que saiu directamente do executivo de Cavaco Silva para a administração desta empresa, exigiu ao Governo esses 4.4 milhões.
( continua)
sábado, março 03, 2012
sexta-feira, março 02, 2012
Sede nossa
O caso do entorneiro de cinco cervejas pelas costas da
Merkel abaixo foi um sucesso. Não houve jornal ou televisão que não
disponibilizasse o vídeo.
Em boa verdade, a senhora comportou-se com grande aprumo,
reagindo como se estivesse habituada a tomar banho de cerveja, embora me pareça
que aquela pele tão sedosa estará mais habituada a tomar banho em leite de
burra como a Cleópatra.
Um “acidente” destes seria quase uma não-notícia, dada a
ínfima reação da vítima, se não se desse o caso de lhe estarmos com uma tal
“sede” que nem cinco cervejinhas são capazes de mitigar.
quinta-feira, março 01, 2012
Beatas e cocós
Segundo notícia do Expresso
de 25 de Fevereiro 2012, a Câmara de Lisboa vai lançar uma campanha para uma
cidade mais limpa, tendo como alvos a separação do lixo, as beatas, e os
dejetos de cão.
Dá vontade de mandar tocar os sinos de todas as igrejas da
capital num gesto de congratulação por tão luminosa ideia, que só peca por
tardia.
Civismo é um conceito encarado muito restritamente pelos
portugueses, e tem vindo a perder terreno desde que a estupidez e alarvidade
tomaram conta das televisões.
Sem campanhas e ações concretas não chegaremos lá.
É bom mesmo que espalhem cinzeiros pelas portas de
restaurantes e de serviços públicos porque, desde que só se pode fumar na rua,
mesmo o fumador mais civilizado se vê frequentemente num excruciante dilema
entre comer a beata ou deitá-la para o chão.
Quanto aos dejetos de cão, é outra história. Há por aí
maravilhosos sanitários para cães que os donos nem veem. Os seus adorados
animais fazem o cocó onde quiserem e fica lá, porque é tão bonito o que o meu
cãozinho faz que todos devem poder apreciar.
Ai de quem manifeste incómodo com tão bela exposição – é
logo mandado para todos os lados, e que o meu bichinho c*** onde quiser e tu, ó
minha estúpida, não tens nada com isso, mete-te na tua vida.
Venham, então, de lá as campanhas (mais vale tarde que
nunca) e, já agora, as coimas, porque sem elas continuaremos a caminhar pelas
nossas ruas ao jeito de Paulo Portas a fazer slalom numa pista de Aspen.
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