quinta-feira, outubro 27, 2011

Pedro Morais no Chiado 8


Pedro Morais
MA - A dança dos pirilampos
EXPOSIÇÃO

De 31 de Outubro a 30 de Dezembro de 2011 | Chiado 8 (Lisboa)

Curadoria Bruno Marchand

Fruto de uma muito pontual presença nos circuitos artísticos, o trabalho de Pedro Morais (Lisboa, 1944) permanece, em grande parte, desconhecido do público português. Efectivamente, entre 1982 e a actualidade, a sua obra foi apresentada em pouco mais que uma dezena de ocasiões, algumas das quais em espaços ditos alternativos ou em formatos menos evidentes, como é o caso do livro. Longe de espelhar uma eventual relutância do artista em participar nos referidos circuitos, este facto prende-se sobretudo com uma singular ética produtiva: se, por um lado, Pedro Morais entende que o gesto criativo depende de uma resposta empática ao lugar que o acolhe, por outro, não abdica de salvaguardar essa mesma resposta face aos ritmos, às exigências e aos constrangimentos que pautam habitualmente os processos expositivos.
Não é de estranhar, portanto, que as noções de tempo e de acontecimento sejam transversais ao seu trabalho. Dando continuidade a um núcleo recente de obras, o projecto que Pedro Morais traz ao Chiado 8 assume os contornos de uma viagem. Estabelecendo o caminho como parte fundamental e significante deste encontro, o artista propõe como destino as experiências de um corpo instalado no espaço e dos múltiplos estímulos que dele emanam. Entre o que vê e o que ouve, entre o que sente e o que o interpela, poderá o visitante tomar parte na construção de um amplo gesto sinestésico, em cujo lastro talvez se revele, discreta e paradoxalmente, a mais clara expressão da invisibilidade.
Inauguração: 28 de Outubro, 22h

Retirado daqui

quarta-feira, outubro 26, 2011

Medo

O medo é, na sociedade portuguesa, ancestral, fundo e difuso.
Inquisição e ditadura talvez no-lo tenham instilado nos genes e, se nos primeiros tempos de liberdade ele pareceu dissipar-se um pouco, aí está agora de novo tomando conta do que nunca deixou de lhe pertencer.
Não digas, não faças, não vás, fizeram parte da educação de sucessivas gerações e produziram uma sociedade cagarola que, encolhida no seu canto, tanto se atemoriza com os grandes males que já chegaram ou estão para chegar, como com os emails em que nos avisam das drogas que nos darão na rua para nos tirarem órgãos, dos malefícios da água engarrafada em plástico, e do perigo de explosão do isqueiro BIC dentro do bolso.
Estes emails chegam sempre com grandes parangonas – ATENÇÃO! PERIGO! DIVULGUEM!
O medo paralisa, atrofia, cristaliza e serve muitos propósitos políticos.
Em Portugal, hoje, somos todos precários; tudo o que tínhamos como garantido, sumiu – trabalho, reforma, casa, horário de trabalho, cuidados de saúde, escola; até o dinheiro no banco deixa os portugueses amedrontados com a hipótese de o banco falir, e esta insegurança acrescenta novos medos aos velhos medos.
Eles aí estão, cobrindo tudo com o seu manto diáfano que, infelizmente, não permite qualquer fantasia.

terça-feira, outubro 25, 2011

Qualquer dia ainda me cai o queixo de tanto fazer AH!

Por uma vez sou tentada a estar de acordo com o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Então não é que o deputado dos telemóveis “levados”, Ricardo Rodrigues do PS, foi escolhido, pela Assembleia da República, para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários?
Os políticos ainda não perceberam que até os mansos se cansam de estar sempre de boca aberta.
Notícia aqui

A mentira mil vezes repetida

Os portugueses endividaram-se.
Vivemos acima das nossas possibilidades.
Tantas vezes se repete a mentira que quase passa a ser verdade.
Alguém, em consciência, acredita que em algum momento Portugal deixou de ser um país pobre?
É só tirar os olhos de Lisboa (ou apenas duma parte dela).




segunda-feira, outubro 24, 2011

Homessa! Também vou escrever uma carta aos filhos.

Queridos filhos
Primeiro foi o Miguel Sousa Tavares e depois o José Manuel Fernandes.
Parece que agora está na moda escrever cartas aos filhos nos jornais. Como sabem, modismos é comigo mesma, e pensei - homessa, filhos meus não são menos que filhos deles. Por isso aqui estou com a cartinha a que tendes direito.
Confesso-vos que li o MST nas quanto ao JMF só dei uma olhadela - temo distúrbios gastrointestinais que se podem seguir à leitura.

Leitora medrosa, portanto, ficaram-me duas afirmações lapidares do JMF:
1-“Neste país não há profissões: há posições”
Depois de muito matutar conclui o mesmo que sempre achei: vocês dois, meus filhos, têm profissões; quem tem, e teve, e se calhar terá, posições, é JMF.
2- “A muitos da minha geração só lhes resta saírem da frente”.
De acordo, desde que ele seja o primeiro a sair-me da frente.
Contra as terríveis análises que fazem sobre esta porcaria de país, queridos filhos, nada posso. Eles são profissionais da coisa, muitas vezes têm razão embora se assemelhem bastante àqueles realejos antigos das feiras que tocavam sempre a mesma melodia. Contudo, posso contar-vos outras coisas.

Este país já passou por muitas crises. Vocês dois nasceram bem dentro delas. Lembro-me de acordar todos os dias sem saber se haveria leite ou batatas, visto que o bacalhau, só em sonhos; lembro-me de todos os dias o leite e as batatas serem mais caros, à custa duma inflação de mais de 30%. Lembro-me de “herdar" tudo o que vocês precisavam porque os amigos iam passando berços e carrinhos para outros amigos. Lembro-me dos ordenados em atraso e do subsídio de Natal que não veio.

Por incrível que pareça, nessa como noutras alturas, não desaparecemos como país. Correremos agora esse risco? Bom, o douto doutor António Barreto veio há dias profetizar que, a prazo, Portugal pode desaparece; mas eu também posso profetizar que, a prazo, estaremos todos mortos.

É certo que também eu sinto” uma força a crescer nos dedos e uma raiva a nascer nos dentes”, mas tenho a certeza que vamos sair desta, a bem ou a mal, com ou sem Europa.
No que toca à Europa, sabem o que penso – ou nos salvamos todos, ou não se salva ninguém, e por isso não contem comigo para vos incitar à emigração (o Miguel até escreveu logo a carta ao filho ausente, como se o filho presente precisasse de carta para alguma coisa); sei que para muitos não há alternativa, mas também me parece que, para muitos outros de barriga cheia, isto passou a ser uma pocilga malcheirosa onde não é chique estacionar, (e quantas vezes não foram os seus paizinhos a transformar isto em pocilga?).

É tempo de aguentar, lutando pelos direitos e cumprindo com os deveres, como alentejanos de boa cepa que são, e a quem ensinei que não se cospe no prato.
Ah, só mais uma coisa: não me mandem sair da frente, porque eu não saio.
Sem açúcar, mas com muito afecto
Vossa mãe.




sexta-feira, outubro 21, 2011

A rua desfila por "naipes"

Três dias depois da manifestação de 15 de Outubro, o PCP realizou também a sua “passeata do contra”, desta feita descendo o Chiado, tal como nas festas de fim de campanha eleitoral.

O PCP não gosta de misturas, nunca gostou, e se algo lhe parece ideologicamente não puro, dá um passo atrás e exorciza – arreda Satanás!
Por isso nunca dá o seu apoio ao que quer que seja que nasça fora da sua sede ou da da CGTP.
Com esta incapacidade de unir as esquerdas em Portugal, os nossos “revolucionários” instalaram-se a conversar no Facebook e, para os simples mortais, o inimigo transformou-se num vago “eles” – o governo, a troika, o patrão, o capital financeiro, as agências de rating, a Europa, em suma, o mundo.
Temos então a rua, num momento destes, a desfilar por “naipes”, sem estratégia, sem coesão, sem objectivo claro e palpável (ser só do contra não basta), o que nos faz parecer um bando de miúdos a brincar às guerras.
Se nada mudar, “eles” vão olhar e sorrir, passar-nos-ão a mãozinha pela cabeça com bonomia e pensarão – lindos meninos, é assim mesmo que os queremos.

quinta-feira, outubro 20, 2011

E assim foi

…Sempre defendi que Kadhafi não ia sair como os outros, antes iria matar os que fossem necessários para manter o poder; também sempre me pareceu que, por isso mesmo, tem muito mais possibilidades de morrer na rua, tipo Ceausescu.

Excerto do post publicado neste blogue em 25 de Fevereiro 2011

Meia hora (de cada vez)

No dia em que se conheceu a obrigatoriedade de trabalhar mais meia hora por dia, o jovem quadro saiu da empresa, como é muito frequente, aliás, à 1 hora da manhã. No dia seguinte, dirigiu-se à secção de pessoal e disse com ironia:
  - Ontem saí à 1 hora. Isto quer dizer que, a partir de agora, tenho que sair à 1h30?
Há muitos anos que, para uma boa parte dos portugueses, não há hora de saída. O trabalho é muito e o pessoal é pouco; por isso, sai-se quando se pode ou não se aguenta mais.
Para os que ainda têm hora de saída, esta medida da meia hora diária a mais tem exactamente o mesmo objectivo – alcançar maior lucro com menos custos de trabalho, mas à custa do esforço e da vida pessoal do trabalhador.
Há 50 anos, nos campos alentejanos trabalhava-se de sol-a-sol; contra os latifundiários, contra a ditadura e pelo direito às 8 horas de trabalho, os rurais alentejanos travaram uma heróica luta. E ganharam.
Teremos que recomeçar tudo de novo?

quarta-feira, outubro 19, 2011

"Uma raiva a nascer nos dentes"

Na semana passada, coloquei aqui um post sobre a miserável crónica de Henrique Monteiro no Expresso. Como o mesmo jornal é capaz do melhor e do pior, é justo, hoje, aplaudir o comentário de Nicolau Santos ao OE, publicado no sábado passado. Um comentário que vem das entranhas dum homem e jornalista que não é ainda um cadáver adiado em nenhuma das duas circunstâncias. Como tenho jornal mas não tenho link, roubei-o à descarada do blogue da Joana Lopes que teve o trabalho. Ela não se importará, certamente.



Sr. primeiro-ministro, depois das medidas que anunciou sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes, como diria o Sérgio Godinho. V.Exa. dirá que está a fazer o que é preciso. Eu direi que V.Exa. faz o que disse que não faria, faz mais do que deveria e faz sempre contra os mesmos. V.Exa. disse que era um disparate a ideia de cativar o subsídio de Natal. Quando o fez por metade disse que iria vigorar apenas em 2011. Agora cativa a 100% os subsídios de férias e de Natal, como o fará até 2013. Lançou o imposto de solidariedade. Nada disto está no acordo com a troika. A lista de malfeitorias contra os trabalhadores por conta de outrem é extensa, mas V.Exa. diz que as medidas são suas, mas o défice não. É verdade que o défice não é seu, embora já leve quatro meses de manifesta dificuldade em o controlar. Mas as medidas são suas e do seu ministro das Finanças, um holograma do sr. Otmar Issing, que o incita a lançar uma terrível punição sobre este povo ignaro e gastador, obrigando-o a sorver até à última gota a cicuta que o há-de conduzir à redenção.

Não há alternativa? Há sempre alternativa mesmo com uma pistola encostada à cabeça. E o que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse, de forma incondicional, ao lado do povo que o elegeu e não dos credores que nos querem extrair até à última gota de sangue. O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse a lutar ferozmente nas instâncias internacionais para minimizar os sacrifícios que teremos inevitavelmente de suportar. O que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele explicasse aos Césares que no conforto dos seus gabinetes decretam o sacrifício de povos centenários que Portugal cumprirá integralmente os seus compromissos — mas que precisa de mais tempo, melhores condições e mais algum dinheiro.

Mas V.Exa. e o seu ministro das Finanças comportam-se como diligentes diretores-gerais da troika; não têm a menor noção de como estão a destruir a delicada teia de relações que sustenta a nossa coesão social; não se preocupam com a emigração de milhares de quadros e estudantes altamente qualificados; e acreditam cegamente que a receita que tão mal está a provar na Grécia terá excelentes resultados por aqui. Não terá. Milhares de pessoas serão lançadas no desemprego e no desespero, o consumo recuará aos anos 70, o rendimento cairá 40%, o investimento vai evaporar-se e dentro de dois anos dir-nos-ão que não atingimos os resultados porque não aplicámos a receita na íntegra.

Senhor primeiro-ministro, talvez ainda possa arrepiar caminho. Até lá, sinto uma força a crescer-me nos dedos e uma raiva a nascer-me nos dentes.

Nicolau Santos, Expresso 15/10/2011

terça-feira, outubro 18, 2011

Como eu vi o 15 de Outubro

Já toda a gente opinou sobre a manifestação de sábado passado. Estou atrasada, é certo, mas também lá estive e devo dizer que cheguei a casa triste, frustrada, muito longe do sentimento de sã plenitude que nos costuma abraçar depois de sermos apenas mais um na mole humana que afirma uma mesma ideia ou convicção.
Éramos muito? Sim, mas também éramos poucos, dada a gravidade do momento.
Quem ali estava era uma classe média-média, entre os 25 e os 60 anos, com um mínimo de formação política, que segue os acontecimentos, se preocupa, busca alternativas a esta política, escuta e pensa.
Estes, como já sabíamos, são poucos em Portugal, logo, éramos poucos.
Os outros estão fartos, há dez anos que ouvem falar em crise, já não se aguenta, e não vão crer antes de ver.
Quanto às guerrinhas partidárias que se esboçaram entretanto, nem comento porque apenas merecem todo o meu desprezo.
Daqui por seis meses, a gente conta outra vez.

sexta-feira, outubro 14, 2011

Relembrar o passado, desafiar o futuro

O futuro próximo vai exigir muito das pernas dos inconformistas.
Contudo, no sofá, podemos agora ver duas excelentes séries que começaram a ser transmitidas na Fox Life na 2ª feira, uma com 5 e outra com 7 episódios, a saber:
Downton Abbey às 21h25
Mildred Pierce às 22h30 (ou será ao contrário?, não interessa, vem uma a seguir à outra).
Vê-las, ajuda a relembrar o quanto conquistámos no século XX e o quanto nos arriscamos a perder de novo.
E sem pedidos suplementares às pernas.

quinta-feira, outubro 13, 2011

Conversa do casal Eixo ao almoço

  - O que há para o almoço, chéri?
 - Chucrute, liebe.
 - Que barulho é este lá fora, chéri?
 - Não te preocupes, liebe, são apenas os piquenos mal-educados da vizinhança.  
 - Mas acho que há fogo na cozinha, chéri.
 - Também me cheira a esturro, liebe.
 - Chamamos os bombeiros, chéri?
 - Podemos esperar, liebe.
 - Adiamos, então, chéri?
 - Adiamos. Vais ver que até o fogo espera por nós, liebe.
 - Vamos tirar uma fotografia para verem que almoçámos juntos, chéri?
 - Vamos, liebe, os miúdos bem-educados adoram.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Podia lá ser! Sem playoff?

Podem a troika, o fisco, a banca, a EDP, o passe não social, o dentista ou o talhante levarem-nos tudo, mas o que ninguém nos vai tirar são os jogos do playoff da selecção portuguesa.
Não poderíamos passar sem aqueles jogos em que uma trémula alma lusa aguenta a taquicardia, reza desde o primeiro minuto, canta o hino com voz embargada, rói as unhas, faz promessas ao santo de sua devoção, emudece no desastre e explode de orgulho pátrio na hora do golo salvador.
Isso, ninguém nos tira; nem mortos.
Playoff, aí vamos nós com os nossos santinhos, cachecóis, bandeiras e muita, muita "fezada".

terça-feira, outubro 11, 2011

Sem esforço e sem trabalho, disse ele

Na sua crónica da última página do Expresso de sábado passado, Henrique Monteiro discorre sobre “O País que já foi rico”.
Depois de escrever sobre o grande investimento que foi feito em equipamentos nas últimas década, e do dinheiro que não há hoje para os manter (tudo verdadeiro), lá mais para o fim moraliza:
“Quisemos viver bem mas nunca em função do nosso esforço e trabalho”.
E eu interrogo-me: estará falando de quem? da grande massa de portugueses que ganha, em média, 700 euros? dos patrões? dos governantes? ou de si próprio?
Como se limita a largar a sentença moral e vai embora, fiquei a pensar
como seria realmente bom se o cronista despendesse algum esforço e trabalho ao escrever as suas crónicas.
É que, para escrever banalidades e generalidades que não primam pelo rigor, já estou cá eu e mais as Selecções do Reader’s Digest.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Uma mulher no seu labirinto

Declaração primeira: sou fascinada por gadgets.
Declaração segunda: não tenho nenhum.
Declaração terceira: sou ambivalente em relação a Steve Jobs.
Pela blogosfera, Facebook e jornais, tenho lido belas e tocantes homenagens a Jobs após a sua morte. Reconheço o seu génio criativo, fascino-me com os seus iqualquercoisa (gosto de todos) mas não me consigo desligar do outro lado de ver.
Já aqui escrevi sobre uma parte do outro lado; contudo, o pior mesmo, é que eu acho que ele encarnava a essência do capitalismo nonsense em que alegremente nos enredámos.
O que esse capitalismo sabe fazer de melhor para sobreviver, é criar em nós necessidades que nem sabíamos que tínhamos; inventa constantemente, manda fabricar a custo irrisório – pagando o mínimo a quem, em desespero de causa, faz qualquer coisa para sobreviver, e vende depois a preços tentadores.
Para nosso deleite, existem batalhões de escravos, meninas de dedos fininhos mas já quase cegas por trabalharem em tudo o que é micro, lixo e mais lixo no planeta. Em boa verdade, por mais voltas que dê, continuo a achar que não precisamos da maioria dos iqualquercoisa para nada. Eles apenas nos fazem felizes.
Sem deixar de reconhecer o génio inventivo de Steve Jobs, creio que, ao contrário de muitos outros, não trouxe um extraordinário benefício para a humanidade; trouxe, maioritariamente, felicidade efémera para a parte rica do planeta onde se transformou num ícone. Será isso despiciendo? Não dirá isso tudo sobre nós?
Um dia decidirei se vou continuar eternamente às voltas no labirinto ou se opto pela velha lapalissada – as coisas são como são.
Há ainda uma terceira hipótese: se o Steve for bem sucedido no seu projecto iGod, quem sabe se eu, finalmente, não serei tocada pelos dois – Steve and God.
 

sábado, outubro 08, 2011

Coisas boas V (eh!eh!eh!)

Sarah Palin não será candidata à presidência

A antiga governadora do Alaska, Sarah Palin, anunciou na quarta-feira que não será candidata às eleições presidenciais dos Estados Unidos, uma decisão que diz ter tomado após "muitas orações" e "estudo".


Caso para dizer, “benza-a Deus”. E devolve-se o beijo por tão iluminada decisão.

Notícia aqui

sexta-feira, outubro 07, 2011

Umas mentes brilhantes

A troika mandou o governo cortar 195 milhões de euros na educação mas este decidiu cortar 600 milhões.
Já não é só um bom aluno, é, verdadeiramente, “Uma Mente Brilhante”, daquelas muito esquizofrénicas mas capazes de dar uma abada a qualquer professor das reputadas escolas de negócios - FMI, BCE, FEEF ou até da suprema Escola de Chicago.
Valham-nos os santos protectores dos estudantes, (ao que sei, mas talvez mal), Santa Catarina de Alexandria e Santo Expedito.
Não sei porquê, levo mais fé no último.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Querido comendador

Em Junho 2007 postei este comentário em blogue alheio. Passados quatro anos lembrei-me dele, agora que Berardo estrebucha. O que mudou? Bom, agora Berardo é 930 milhões mais pobre, só por conta do BCP, porque perdeu o nosso dinheiro (via CGD) nos jogos especulativos de que tanto gosta. As questões de princípio, essas mantêm-se. Convém ainda lembrar que a fundação que leva o seu nome, entre 2007 e 2010, foi financiada em 88% pelo Estado.


Em Maio de 2007, em Nova Iorque, a leiloeira Christie’s vendeu uma enorme tela de Mark Rothko por 53,5 milhões de euros.
Tinha sido comprada em 1960 por David Rockefeller, que na altura pagou por ela 7350 euros. Houve, portanto, um lucro descomunal em 47 anos de posse da tela.
Na mesma semana realizou-se em Portugal uma Assembleia Geral do BCP, da qual o velho Jardim Gonçalves saiu claramente derrotado.
À saída da Assembleia, as televisões mostraram um homem vestido de preto, punho erguido e ar de vitória. Era Joe Berardo.
Os jornalistas perguntaram-lhe:
- Amanhã vai comprar mais acções?
- Claro que vou, amanhã compro mais.
Não comprou. Mas as acções subiram 20% e ele acordou 50 milhões de euros mais rico.
Este português milionário, amante das artes e patriota, fez de tudo para que a sua colecção de arte ficasse em Portugal, pois ficaria destroçado se tivesse que a levar para França. Com o seu espírito de “mecenas”, conseguiu que o governo de Sócrates lhe desse, para começar, o centro de exposições do CCB para que ele nos empreste a colecção por 10 anos. Durante esses 10 anos o Estado vai pensando se quer comprar, com o dinheiro de todos nós, pela módica quantia de 316 milhões de euros (não há cá descontos), visto ser esse o valor atribuído à colecção pela leiloeira Christie’s.
Foi este o negócio conseguido pelo nosso milionário amante de arte.
O que fez Rockfeller com os seus 53,5 milhões? Doou-os para obras de caridade.
Parece que o Rockfeller é meio apalermado e tem muito a aprender sobre negócios cá com o nosso milionário/mecenas/tugo-madeirense.

Junho 2007

quarta-feira, outubro 05, 2011

Estranheza


33ºC em Lisboa e cheira-me a castanhas assadas.
Alguma coisa não está a bater certa.
Serei eu, as castanhas, o vendedor ou o anticiclone dos Açores?

terça-feira, outubro 04, 2011

Woody está de volta

É já um lugar-comum dizer que, com Meia-Noite em Paris, Woody Allen voltou no seu melhor. Se nos últimos anos houve altos e baixos, Meia-Noite em Paris não nos desilude. Ao contrário, saímos com um sorriso de satisfação. Com um humor inteligente que não dispensa alguma cultura histórica/artística por parte do espectador, este é também um filme de amor em sentido lato – amor a uma cidade, amor aos artistas, amor à fantasia, ao nosso passado comum, amor à verdade e à descoberta das nossas razões profundas e, frequentemente, desconhecidas.
Comédia romântica, sim, mas de mestre.
E mais não digo porque anda toda a gente por aí a contar a história, estragando a “festa” a quem ainda não viu. Tão mau como dizer quem é o assassino a quem ainda vai a meio do policial.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Semear um peixe

Há cerca de trinta anos, numa sala de infantário de crianças de 4/5 anos, havia um pequeno aquário com um peixe, pelo qual todos eram responsáveis. Um dia, o peixe morreu. Em assembleia infantil foi decidido que o Chico, que morava numa quinta, levaria o peixe para o enterrar.
No dia seguinte, à chegada, a educadora perguntou
- Então Chico, enterraste o peixe?
- Não, semeei-o.
Fartinha de que me enterrem o futuro, fui à procura de quem o semeasse, e encontrei – na 6ª feira passada na Gulbenkian na conferência” Economia Portuguesa: uma Economia com Futuro”, e nas ruas de Lisboa na manifestação sindical de sábado.
Não estamos todos mortos nem somos todos parvos; provavelmente, o futuro espera, não que a gente o enterre, mas que a gente o semeie como o Chico fez ao peixe.

sábado, outubro 01, 2011

Pequeno apontamento


Esta semana, Judite Sousa vestiu-se e penteou-se de freira Opus Dei e foi conversar com o seu “Papa”.

A homilia seguiu o cânone, para tranquilidade dos fiéis.