terça-feira, julho 12, 2011

Dublinesca

Há livros que compramos sem entusiasmo, vá-se lá saber porquê. Pegamos-lhes também sem entusiasmo e, quando assim é, muito raramente eles nos conseguem agarrar.
Foi o que me aconteceu com Dublinesca de Enrique Vila-Matas, lido durante um ror de tempo mais por teimosia do que por cumplicidade.
Ele é considerado o grande autor contemporâneo espanhol (ou catalão), e esta já é a segunda vez que faço o esforço para gostar dos seus livros, mas agora acho que já chega.
O resumo do livro apresentado pelo editor está por toda a parte para quem quiser ter uma ideia sobre o seu conteúdo, e nem vale a pena falar dele aqui, mas vale a pena relembrar algumas frases proferidas pelo autor numa entrevista concedida a José Riço Direitinho no ípsilon  de 23/02/2011..

"a situação actual da literatura não poderia ser mais lamentável".
“O Auster decidiu que esse passado em comum nos unia. Creio que decidiu isso porque tinha vontade de encontrar um motivo razoável para começar a ser meu amigo.”
“O curioso é que no final do meu romance a pobre literatura acaba por estar mais viva do que nunca, como se o seu funeral em Dublin - ou o meu romance - a tivessem trazido de novo à vida, a tivessem ressuscitado.”
Ora aí está um homem/escritor contente consigo e que se tem em alta consideração; pois se até o Paul Auster quis à força encontrar um motivo para ser seu amigo e se o seu romance ressuscitou a literatura...

E acrescenta também:
"Não sabemos se a literatura está em crise, mas a crise do juízo literário salta à vista."
Não tenho dúvidas – é esse o mal de que padeço.

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