sábado, abril 30, 2011
sexta-feira, abril 29, 2011
Cármen
Pele lisa, cor e textura de pêssego, cabelo rebelde, cara lavada, sorriso afável, gargalhada até às lágrimas quando a propósito
É dadora de sangue e dança no rancho folclórico do seu bairro.
Estudou pouco mas aproveitou as “Novas Oportunidades” para completar o 12º ano, e merece-o.
Tudo isto é feito nos intervalos, porque Cármen é cabeleireira profissional durante todo o dia e, da meia-noite às 3 da manhã faz limpezas numa escola por conta duma empresa de limpezas.
Como trabalha 12 horas por dia, e nunca na economia paralela, Cármen ficou sem abono de família. Na hora dessa verdade zangou-se, claro, mas, sem perder balanço inscreveu-se para recenseadora do Censo, e foi aceite. Começou logo com o propósito de alcançar o objectivo máximo para ganhar o bónus.
E não é que ganhou mesmo?!
Contra ventos e marés, é ela que pega no leme e decide a rota; não há temporal que a derrube.
É um privilégio cruzar na vida com uma Cármen, porque cada movimento seu, sem estrépito, tão silencioso quanto seguro, mostra que tudo pode ser diferente do luso e tão tradicional queixume.
Mas atenção, há por aí muito mais Cármen (s) do que aquilo que nos querem fazer crer.
E é, de novo, quase 1º de Maio.
Na sua vida privada, Cármen é uma espécie de estrela à volta da qual gravitam muitos planetas – marido, dois filhos, avô, mãe, meia-irmã.
Possante mas flexível, a balzaquiana Cármen todos mete debaixo da sua asa, até mesmo algum desamparado que se lhe atravessa no caminho.É dadora de sangue e dança no rancho folclórico do seu bairro.
Estudou pouco mas aproveitou as “Novas Oportunidades” para completar o 12º ano, e merece-o.
Tudo isto é feito nos intervalos, porque Cármen é cabeleireira profissional durante todo o dia e, da meia-noite às 3 da manhã faz limpezas numa escola por conta duma empresa de limpezas.
Como trabalha 12 horas por dia, e nunca na economia paralela, Cármen ficou sem abono de família. Na hora dessa verdade zangou-se, claro, mas, sem perder balanço inscreveu-se para recenseadora do Censo, e foi aceite. Começou logo com o propósito de alcançar o objectivo máximo para ganhar o bónus.
E não é que ganhou mesmo?!
Contra ventos e marés, é ela que pega no leme e decide a rota; não há temporal que a derrube.
É um privilégio cruzar na vida com uma Cármen, porque cada movimento seu, sem estrépito, tão silencioso quanto seguro, mostra que tudo pode ser diferente do luso e tão tradicional queixume.
Mas atenção, há por aí muito mais Cármen (s) do que aquilo que nos querem fazer crer.
E é, de novo, quase 1º de Maio.
quinta-feira, abril 28, 2011
Jó
Destinos diferentes para todos eles – dos dois rapazes mais velhos, um aceita ir para o exército do czar, o outro deserta e vai para os Estados Unidos onde prospera. Do primeiro não se sabe mais, mas o “americano” chama a família. Com a filha em bom andamento para se “perder” com os cossacos, Mendel resolve partir, deixando para trás Menuchime, o filho doente, entregue a vizinhos.
A vida em Nova Iorque é pautada pelos dramas trazidos pela Primeira Guerra Mundial.
De perda em perda, Mendal perde também a fé mas nunca deixa de pensar no filho que deixou para trás.
A história tem um final feliz que só pode mesmo acontecer nos romances da época, sendo o livro considerado um dos 100 principais romances do século XX.
Tocante mesmo, é o infinito amor que os pais sempre dedicam a um filho deficiente, como se se amasse mais o elo mais fraco, amor que sempre é amplamente retribuído. Ou talvez seja ao contrário – um ser frágil e doente ama mais e, por isso, prende e recebe mais.
Não sei se não será exagero classificá-lo como obra-prima mas é, seguramente,um livro que vale a pena ler.
Jó, Romance de um homem simples
Joseph Roth
Edições Babel, 2010
quarta-feira, abril 27, 2011
Coisas de que é feio falar
Esta é uma verdade inconveniente, que todos conhecemos, mas de que é feio falar.
O “desperdício” em Portugal não é só o que o Estado faz em todos aqueles setores e situações de que os economistas e comentadores nos falam – Parcerias PP, institutos e fundações, autoestradas, nomeações políticas etc.
O “desperdício” também é obra de muitos portugueses “servidores do Estado” que colocam asas nas fraldas dos hospitais, medicamentos, seringas, compressas, alimentos, materiais de limpeza e tudo o que por lá exista e que, na contabilidade, julgo que se chamam bens transacionáveis.
Dá-se até o caso de, por vezes, algum desse material calhar a aterrar em centros de enfermagem privados, onde serão pagos pelo consumidor.
Da mesma maneira, noutros locais, canetas, lápis, clipes, agrafos, elásticos, papel, fotocópias, tudo é material voador.
Dir-me-ão que o mesmo se passa em muitas empresas privadas, cooperativas, IPSS etc., e eu acredito, até porque já vi.
São tantos os objetos voadores em circulação que até me espanta como não há mais engarrafamentos e choques lá nas alturas.
Claro está que o povo tem o velho provérbio que diz – ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão, mas bom mesmo era que não houvesse ladrões e que um pouco mais de ética voltasse a ter lugar na nossa vida coletiva.
terça-feira, abril 26, 2011
O "escarafunchanço" de Ana Markl
Ana Markl escreve no Atual do Expresso de 22 de Abril uma interessantíssima crónica sobre o “escarafunchanço” nas feridas (suponho que amorosas) que algumas músicas ajudam a fazer. Conta, ligeiramente, como em cada idade se escarafuncha na dita, fala de crostas que se metem na boca, de facas para rodar na ferida, de sacos de confetes (?) que nos hão de cair em cima, do mail dum amigo especialista nessa arte (do escarafunchanço, claro), etc.
Aquilo é uma prosa magnífica a servir um conteúdo que não está ao alcance de todas as cabecitas – o escarafunchanço.
Talvez por isso eu não tenha percebido nada à primeira leitura mas, como sou uma burra teimosa, como todas as burras, suponho, resolvi fazer uma segunda (e penosa) leitura.
Com esforço acho que cheguei lá, e concluí que aquilo devia ter muita filosofia – de Platão a Immanuel Kant, passando por Nietzsche e Heidegger, e que eu é que não estou preparada para tais leituras.
Devem ser coisas que só os mais novos entendem, aqueles a quem a escola recente dá sólida formação em filosofia, que inclui, certamente, o escarafunchanço. Eu estou out.
O que me parece é que esses mais novos não leem, e muito menos compram, jornais. Daí a minha inquietação por também não perceber os critérios editoriais do Expresso para o seu suplemento cultural.
Eu bem escarafuncho, mas não entendo, e fico cada vez mais perplexa, embora esteja completamente encantada com a beleza dessa palavra da lingua portuguesa em boa hora escolhida por Ana Markl - ESCARAFUNCHANÇO. É lindo!
segunda-feira, abril 25, 2011
sábado, abril 23, 2011
Ressurreição
Ressurreição, de Piero della Francesca
Fresco, 1460
Com a esperança de que o país possa ressuscitar ao terceiro ano.
sexta-feira, abril 22, 2011
"Ao Cair da Noite"
Classe média alta, Manhattan, um galerista de arte contemporânea, uma diretora de revista de arte, um casal acomodado nos seus mais de 20 anos de casamento, um irmão (dela) problemático, belo, inteligente, drogado, protegido pelas irmãs, cuja chegada vem alterar as rotinas assim-assim do casal, e, no fundo, uma crise de meia-idade.
As crises de meia-idade, por norma, levam a que se questione a identidade, e é o que aqui acontece chegando, inclusive, à crise de identidade sexual do protagonista, Peter
A crise de Peter é igual a todas as outras - descobre-se que o mundo continuará igualzinho para além de nós, percebe-se a beleza perdida, reaviva-se o desejo de a possuir, o desejo de (ainda) mudar, de poder recomeçar, e surge o primeiro confronto com a velhice que vem vindo, para no fim, geralmente, tudo ficar na mesma
Com uma escrita moderna e eficaz, o livro é quase, sem o ser, um monólogo interior do protagonista, que poder ser o monólogo de cada um de nós na sua crise de meia-idade.
Contudo, parece que o mundo não abanou em 2008, que ninguém se interrogou sobre essas mudanças violentas e que cada um continuou apenas entregue à meditação sobre o seu umbigo.
Se as questões abordadas são de sempre, elas também sofrem cambiantes pelas circunstâncias que as rodeiam. É isso que, quanto a mim, “falta” no livro de Cunningham.
Michael Cunningham
Ed. Gradiva, 2010
quinta-feira, abril 21, 2011
Por qué no te callas?
É caso para dizer – cada tiro, cada melro.
Primeiro Otelo disse que se soubesse que era para isto, não teria feito o 25 de Abril. Além de estúpido e primário, até parece que o fez sozinho e que sem ele não se teria feito.
Hoje vem dizer ao Jornal de Negócios, e segundo o Publico: “Falta-nos quem saiba orientar o povo com honestidade, generosidade, com espírito de missão. Salazar foi uma pena, porque era um crânio em economia e finanças, podia ter feito maravilhas pelo povo, mas era um tipo de miopia política. Precisávamos de um homem com a inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar…”
A continuar assim ainda o vamos tomar pelo palhaço de serviço a cada 25 de Abril.Rating, que é isso?
Nos últimos meses muito temos aprendido de economia e economês. Por mim, não paro de aprender e de me espantar.
Transcrevo o que li no Expresso de 16 de Abril, caderno de Economia.“…há uma norma legal, com 77anos, que estipula que os profissionais das agências de rating não são peritos. Se fossem tidos como tal, não estariam protegidos pela liberdade de expressão.”
Muito bem: estes não-peritos recebem dinheiro, influenciam os mercados, jogam e destroem a vida de milhões de pessoas e são inimputáveis – estão só a dar a sua opinião.
Os deuses devem estar loucos mas, se não estiverem, o mundo está, de certeza.
quarta-feira, abril 20, 2011
A zanga de Clara Ferreira Alves
No Expresso de 16/04/2011 dedica a sua crónica à ignomínia que grassa na internet, nomeadamente com um texto que lhe é falsamente atribuído, em que se dedicaria a demolir o seu amigo Mário Soares e que a Google argumenta não poder retirar, a não ser com ordem do tribunal.
Por acaso, tal texto nunca chegou até mim mas, quem é leitor de CFA certamente perceberá que uma coisa dessas só pode ser uma fraude.
É certo que há muitas coisas desagradáveis na internet. As caixas de comentários de jornais e blogues são, frequentemente, verdadeiros caixotes do lixo onde os malformados despejam os seus ódios, frustrações, invejas e má-criação.
Contudo, como é sabido, o bem e o mal coexistem em tudo na vida e, se a internet pode ter muitas faces desagradáveis, ela é também, e simultaneamente, um espaço de liberdade democrática como nunca antes se tinha conhecido.
Se é aberta a tudo e a todos, é também recetáculo do melhor e do pior que a humanidade contém, ou seja, se ela pode conter tudo o que há de pior nos humanos também é, e é-o muitas vezes, um espaço de criatividade e solidariedade do melhor que somos capazes de fazer.
CFA está zangada e com razão, mas parece que se esqueceu da parte boa da internet, parte que ela certamente a usa com proveito.
Nem tudo na internet é mau, nem tudo na internet é bom mas, pessoalmente, estou convencida de que os benefícios são bem maiores que os malefícios.
Podemos sempre voltar à velha discussão – deve, ou não a internet ser regulamentada.
Entretanto verifica-se que somos todos iguais: quando estamos zangados até o mais perspicaz fica um bocadinho vesgo.
terça-feira, abril 19, 2011
Inferno é a família
Ao contrário, os nossos irmãos europeus querem que o castigo nos fique de emenda – juros altos e prazo curto.
Estes nossos manos à força parecem acreditar na teoria do karma, ou seja, que o Além pôr aqui nove milhões de almas de castigo por erros de vidas passadas. Eles sentem que devem, e podem, ser os impolutos executores das penas
Se é para ter irmãos assim, antes quero ser filha única, e até o fratricídio já me parece uma questão a ponderar.
E se a nossa etérea mãe Europa morrer, acho que nem luto ponho.
segunda-feira, abril 18, 2011
Finlândia
Afinal, apesar de ter defendido há dias que os finlandeses não eram melhores nem piores que nós, tenho que concordar que eles estão mais à frente. Conseguiram dar quase 20% dos votos a um partido nacionalista e xenófobo. Como esse parece ser o caminho da Europa, e nós não estamos nem sequer próximos de tal façanha, é obvio que eles vão à nossa frente e estão mais integrados.
Por isso repito - por favor, não nos comparem com o finlandeses.
Estou farta, agora mais que nunca.
Por isso repito - por favor, não nos comparem com o finlandeses.
Estou farta, agora mais que nunca.
Misteriosa magia da cadeira
A magia da chamada “cadeira do poder” sempre foi, e continua a ser, para mim, um verdadeiro mistério.Há o poder real, o pequeno poder e o hipotético poder, mas todos parecem ser irresistíveis.
Sócrates tem passado as passinhas do Algarve, é talvez o político português mais mal tratado no pós-25 de Abril, acusado de tudo e mais um par de botas, mas não larga a cadeira.
Passos Coelho, que parece ser um homem de grande visão política e que ainda não chegou ao poder já está a dizer mentiras demonstráveis (não foi avisado do PEC IV, afinal houve um telefonema, não, afinal houve mesmo uma reunião), sonha todas as noites com a cadeira e não lhe chega a hora de tomar assento.
Cavaco sentou-se nela e quis voltar a sentar-se, só mesmo para se sentar; até me faz lembrar o Grande Chefe Boi Sentado. Tomou assento e ficou sossegadito, como quem diz – briguem-se para aí à vontade que daqui ninguém me tira; ganhei a cadeira, era só o que eu queria.
Fernando Nobre lutou pela mesma cadeira assegurando que não queria nada com os partidos, só com os cidadãos. Perdeu essa cadeira mas, quando lhe acenaram com a cadeira central do hemiciclo de S. Bento disse logo que sim. Mais vale uma cadeira no traseiro que duas a voar. Nem conhece o programa pelo qual vai fazer campanha, ele só quer mesmo é a cadeira.
Basílio Horta, que chegou a ser líder do CDS, na eminência de perder o lugar de presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo vai ser candidato a deputado por Leiria, nas listas do PS, para não ficar sem cadeira.
Na demanda de cadeira similar, Ferro Rodrigues, político de esquerda que veio do MES para o PS, depois dum exílio dourado na OCDE em Paris, exílio que não podia durar o resto da sua vida, volta para ser cabeça de lista do PS por Lisboa. Pode dizer-se que esse é do PS mas, com mil diabos, não precisava de ser do PS de Sócrates. Mas então, e a cadeira?
Não saberão fazer mais nada? Se calhar até sabem mas, embora para mim continue um mistério insondável, está visto que a poção mágica da cadeira é mesmo muito poderosa.
Quase veneno, ou “substância ilícita” altamente viciante.
sábado, abril 16, 2011
sexta-feira, abril 15, 2011
Afinal...
Em virtude das últimas notícias sobre as eleições na Finlândia, vale a pena acrescentar ao comentário anterior que os finlandeses são, como nós, capazes de dar ouvidos a políticos populistas, e que da Europa só querem as vantagens, e nunca as desvantagens. Também temos cá disso, o que confirma que não são nem melhores nem piores que nós.
Coisas de que estou farta_3
Observar a situação das mulheres na sociedade portuguesa e verificar como quase são cidadãos de segunda, é outra coisa de que estou farta.
Veio agora a público uma coisa chamada “Compromisso Nacional”, assinada por 47 personalidades.
Aquilo vale o que vale, ou seja, as nossas personalidades mais institucionais apelam ao entendimento institucional.
Eles são os notáveis da pátria e são, no total, 47.
Homens – 41
Mulheres – 6
Segundo o censo de 2001, e segundo o Pordata, Portugal tinha então
Homens – 48,3%
Mulheres – 51,7%
Em 2009, frequentavam o ensino superior
Homens – 46,7%
Mulheres – 53,3%
Doutorados em 2009
Homens – 48,4%
Mulheres – 51,6%
Distribuição de notáveis da pátria para assinar o “Compromisso Nacional”
Homens – 87,2%
Mulheres – 12,8%
Quando nem os notáveis se preocupam, ao menos, com um arremedo de paridade, verificamos como, em certos aspectos, ainda somos um país apenas “em vias de desenvolvimento” Podiam pôr os olhos na Tunísia, muçulmana e "atrasada"
Mas aposto que nem tal coisa lhes passa por aquelas lindas e notáveis cabecitas.
Portugal continua a desperdiçar a capacidade das mulheres, como se dum bando de atrasadinhas se tratasse, desrespeitando os seus esforços de formação e participação cívica.
TAMBÉM ESTOU FARTA DISSO.
quinta-feira, abril 14, 2011
Coisas de que estou farta_2
Há mais coisas de que estou completamente farta. Por exemplo, que nos estejam sempre a comparar com os outros.
Isto parece mais um concurso de misses, com 27 meninas, em que sempre apontam para Portugal e dizem: tu és a mais feia e gorda, se calhar estás grávida de Estado
Primeiro, endireitaram as costas, puseram o dedo em riste e disseram: ponham os olhos na Irlanda|
Nós pusemos, mas pensámos que lá chove muito, cá faz muito sol, à noite logo se vê, e deixámos andar.
Afinal a Irlanda também não levou a coroa (farta da coroa ficou ela há muitos anos) e ainda foi desclassificada primeiro que nós.
Agora a favorita é a Finlândia. Freitas do Amaral até escreve no Expresso de sábado passado um artigo com o belo título “Finlândia, País Modelo”.
Sabemos que povos diferentes fazem países diferentes e comparar portugueses e finlândeses é conversa que nem vale a pena começar. Tudo nos separa – a geografia, a história, o clima, o estilo de vida, a religião.
Em pleno solstício de verão, quando praticamente não há noite total na Finlândia, por lá almoça-se ao meio dia e janta-se às seis da tarde.; a bem dizer só comem salmão; têm como “desporto” nacional a sauna onde aquecem até deitarem fumo, chicoteiam-se com um ramo de árvore, e depois atiram-se ao lago; são muito trabalhadores e civilizados mas não entendem o que seja uma festa e são incapazes de tocar numa cerveja que não tenham comprado. Têm o que precisam e deviam ser felizes mas, aos fins de semana as âmbulâncias patrulham incessantemente, e durante toda a noite, as ruas de Helsínquia a apanhar os bêbados comatosos caídos pelos passeios.
A gente cá também bebe uns copos mas... vamos bebendo, gostamos de bife, praia, festa rija se possível toda paga (cerveja incluída) por outos.
Quanto à economia a nossa é muito fraquita mas a deles assenta muito na Nokia, e agora que a Microsoft a convidou para dançar, vamo-nos sentar um bocadinho para ver o que acontece.
Somos piores? Não, somos só diferentes. Porém, desconfio que, a juntar às inúmeras diferenças entre nós e os finlandeses, que, na genaralidade não fazem deles gente melhor nem mais capaz do que nós, há, isso sim, uma diferença fundamental entre o país Finlândia e o país Portugal – a qualidade, seriedade e visão dos respectivos políticos.
Não quero pôr os olhos na doce Finlândia, não me quero comparar com ela nem com ninguém.
Tirem-me deste filme. ESTOU FARTA DE SER COMPARADA!
quarta-feira, abril 13, 2011
Coisas de que estou farta_1
Portugal é lixo.
Lisboa é lixo.
O Porto é lixo.
Cascais é lixo.
Os bancos são lixo.
As empresas portuguesas são lixo.
Os portugueses são lixo.
Resumindo, tudo aqui é lixo.
Comentadores e telejornaleiros adoram dar ênfase ao termo - LIXO
E quem nos classifica como lixo? Os agiotas sem escrúpulos que ganham muito dinheiro com este lixo.
Quem nos conduziu aqui? Políticos portugueses, europeus e mundiais que, eles sim, são verdadeiro lixo. Banqueiros de todo o mundo unidos, eles, sem dúvida, lixo. Empresários escroques e analfafetos, eles também, verdadeiro lixo.
Nós não somos lixo.Ao contrário, somos homens e mulheres de trabalho que, quando integrados numa economia com regras, produzem, criam riqueza, dialogam, imaginam, investigam, investem, dão-se bem e são respeitados.
Nunca ouvir dizer que o lixo se indignasse; pois eu estou indignada, e muito.
Eu não sou lixo.
Portugal não é lixo.
LIXO; A TUA TIA; PÁ!
terça-feira, abril 12, 2011
Nobre?
Até há cerca de um ano Fernando Nobre era um homem respeitado pela generalidade dos portugueses.
E mais não digo, que, para luto, por hoje já basta.
E mais não digo, que, para luto, por hoje já basta.
A Música da Fome
Le Clézio ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 2008 e este livro foi publicado apenas uns dias antes do anúncio do galardão.
Li críticas que o classificavam como mais uma obra-prima, escritas por pessoas que muito sabem de literatura. Quem sou eu para as contrariar?
Pretendendo traçar um quadro da França, antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial, período em que a heroína Ethel também passa de criança a adolescente e depois a jovem adulta, no meu entender Le Clézio acaba apenas por homenagear a vida da própria mãe. Homenagem bela e singela mas longe dum grande romance.
A Frente Popular, o anti-semitismo, o anti-comunismo, o colaboracionismo francês, a deportação dos judeus, tudo é apenas aflorado. As personagens têm pouca espessura e mesmo o amor de Ethel pelo inglês Lucien Feld não se percebe muito bem se é amor ou apenas uma necessidade de criar laços numa família desestruturada e num país em guerra.
Fiquei desiludida, mas deve ser defeito meu.
A Música da Fome
Le Clézio
Ed. D. Quixote, 2009
segunda-feira, abril 11, 2011
Sócrates, o mau aluno de Guterres
Na última eleição directa do PS, quando foi eleito à coreana, José Sócrates disse claramente, quando apresentou a sua moção, que “não está disponível para governar com o FMI”.
O vídeo desse momento anda por aí; se fosse coerente ou confiável, deveria dizer ao seu partido que elegesse outro, e ir-se embora. Sabemos, porém, que tal nunca acontecerá.
Recordo o que foi o fim do governo de António Guterres. Na noite em que perdeu as eleições autárquicas em 2001, demitiu-se de primeiro-ministro dum governo que governava há 6 anos em minoria. Disse ele que, a partir daí seria o “pântano” e toda a gente resolveu dizer que ele fugiu.
Nunca achei que ele tivesse fugido, apenas me pareceu que era um homem que tinha ainda a, já então rara, perspicácia de saber quando sair.
Evitou o pântano dum país que seria ingovernável e fez bem, como se pode comprovar agora que vivemos, de facto, num verdadeiro pântano.
Sócrates, enquanto ministro de Guterres, foi seu aluno, mas, também aí, foi um mau aluno. É certo que os últimos tempos do governo de Guterres foram grotescos, cedendo a todos os interesses corporativos, dizendo e desdizendo, e assim caindo na paralisia total. Mas, por um tempo, com Guterres, fomos felizes. Saídos de 10 anos de cavaquismo cinzento e musculado, muitos saíram também da pobreza com o Rendimento Mínimo e Portugal subiu muitos pontos na tabela do Índice de Desenvolvimento Humano; nasceu uma verdadeira classe média, foi o tempo da Expo, da luta por Timor e da criação de políticas culturais coerentes como o país nunca tinha visto, e nunca mais veio a ver.
Gastámos demais? Claro que sim, mas com os outro todos também gastámos só que com pior distribuição.
Sócrates, aluno de Guterres, também diz e desdiz mas não é o diálogo que o leva à hesitação. É apenas a sua incapacidade para navegar de outro modo que não seja “à vista”. Desde cedo decidiu que a tendência para o diálogo e consenso do seu professor eram um mal que não o iria atacar e, a cavalo duma maioria absoluta decidiu que não tinha que ouvir senão o seu pequeno grupo de apaniguados para decidir. Assim, desde cedo concitou múltiplos ódios e acumulou erros desnecessários.
Onde Guterres se preocupou com a dignidade dos mais pobres, através do rendimento mínimo, Sócrates preocupou-se com o défice e a grandeza da obra a fazer, exercendo um verdadeiro esbulho na coleta fiscal que ia muito para além daquilo que, ao tempo, era mesmo necessário pôr em ordem. Os pobres pagaram e os ricos continuaram a usar os paraísos fiscais e continuaram a não pagar. O fosso social aumentou.
Guterres soube quando ir embora, percebeu que os portugueses já estavam fartos dele e demitiu-se.
Sócrates parece ainda não ter percebido que todos estão fartos dele, que está na raiz de muito do nosso descontentamento, e insiste em ficar mesmo tendo criado as condições com as quais, afirmou, não estaria disponível para a governação (termo que lhe é muito caro). Tem medo que digam que ele fugiu, como se disse de Guterres, e acha que tem de nos mostrar que é muito macho, um macho que não foge. Assim, deixou, com a ajuda de Passos e Cavaco, que se criasse um pântano como nunca tínhamos visto antes, e… fica.
Pouco lhe importa que arraste consigo o PS por muitos anos, que nos entregue nas delicadas mãos do FMI e dum governo neoliberal de jotinhas sem um pingo de cultura política, (que já dizem cada dia sua coisa, cada garganta seu gargarejo).
Ele não sai porque, ao contrário do frouxo Guterres, ele é um duro, um “animal feroz”.
Ele não sai porque, ao ouvir os aplausos no Congresso do PS pensa que é insubstituível.
Ele não sai porque, entre outras coisas, é um mau aluno de Guterres.
domingo, abril 10, 2011
Discurso do Funchal
Passos Coelho já ouviu a "rua" e retransmitiu-o no seu discurso no Funchal.
A demagogia e o uso adequado do zig-zag também se vão aprendendo aos poucos.
O homem faz-se!
A demagogia e o uso adequado do zig-zag também se vão aprendendo aos poucos.
O homem faz-se!
sábado, abril 09, 2011
sexta-feira, abril 08, 2011
O optimista economicista
Segundo notícia do Público online, o Instituto dos Museus e da Conservação, dirigido por João Brigola, está a preparar medidas para reduzir as entradas gratuitas nos museus e palácios a um domingo por mês, em vez da actual situação em que a entrada é livre todos os domingos.
Diz J. Brigola que há demasiadas entradas gratuitas e que com as novas medidas poderia aumentar as receitas em 800 000 euros anuais. E se, por causa dessas medidas, o número de visitantes diminuir, o que o optimista Brigola não receia, não faz mal, porque "o que daí resulta [em termos de receita] é sempre um ganho", diz.
Ora aí temos um bom gestor à frente da cultura; a preocupação não está em criar mais públicos para os museus, mas sim em que estes saiam mais baratos ao Estado.
O ano passado já entraram em vigor algumas medidas para diminuir as entradas gratuitas mas só se perderam 13 620 visitantes. Vamos lá, o que é isso num país em que, cada vez que vamos ao museu, temos que dar “um chega para lá” no vizinho, tal é a multidão que se acotovela diante das obras de arte? Nada, claro!
Porque é que não pomos o homem na CP ? Com esta cultura empresarial, era onde devia estar, parece-me. Se ele consegue ganhar 800 000 euros em 52 domingos imagine-se o que ele faria a deficitária CP ganhar em 365 dias.
Passos, você tem aqui homem!
Passos, você tem aqui homem!
Quanto a nós, vamos todos para o centro comercial ao domingo, que lá não se paga, nem para entrar nem para ver as montras.
Boa, Brigola?
quinta-feira, abril 07, 2011
E à ética disseram nada
O que nos aconteceu ontem era já esperado. O cerco fechou-se e o que aí vem não vai ser bonito de se ver nem de se viver.
Agora, a Espanha que se cuide, porque está na calha, e posso já ouvir a voz dos mercados a dizer – “seguinte”! O objectivo de destruir o euro e a Europa, com a conivência ou, pelo menos, a placidez dos seus governantes, tem um caminho para seguir, e esse caminho passa por Madrid.
Igualmente nada bonito de se ver foi o que a TVI fez ontem a José Sócrates. A inopinada ligação a S.Bento, quando o primeiro-ministro preparava ainda a sua aparição, é um acto paparazzi sem um pingo de ética.
Já todos sabemos que Sócrates vive da imagem, com a imagem e para a imagem mas, sobretudo no momento grave que se esperava, não precisávamos que alguém espreitasse pelo buraco da fechadura para de seguida nos vir mostrar como ele pondera o seu ângulo mais favorável.
Ao achincalhar assim o primeiro-ministro, a TVI achincalhou-se antes de mais a si própria. Disse-nos que não distingue entretenimento de notícia séria, e que, por ali, vale tudo.
E não me venham dizer que não foi intencional. Sócrates só falou quase 45 minutos depois e dos preparativos para a emissão só vimos, exactamente, aqueles segundos.
Contudo, aposto que a grande conversata se vai centrar nas preocupações de Sócrates com a sua imagem e nunca no comportamento da TVI.
Por mim, fiquei duplamente escandalizada.
quarta-feira, abril 06, 2011
E, no entanto, eles movem-se
Estas são imagens dos cartazes que convocam as manifestações das gerações "à rasca" em Madrid, dia 7, e em Itália, dia 9. Fomos pioneiros, as imagens de 12 de Março correram mundo, e outros perceberam o seu alcance.
Lembrei-me que, depois de derrubarmos a nossa ditadura em 25 de Abril de 1974, rapidamente caiu a grega e depois a espanhola. Foi o fim das ditaduras na Europa ocidental.
Orgulhemo-nos de algumas coisas, neste tempo em que todos, a toda a hora, nos querem dizer que não valemos nada.
terça-feira, abril 05, 2011
Peço licença para entrar na Barbearia do Senhor Luís
Movida pela mesma raiva e paixão, mas certamente sem a mesma capacidade de as pôr no papel, peço, contudo, licença para entrar, opinar e parcialmente discordar.
Discordo quando diz que o povo sábio não se vai deixar governar por "tão má casta”; ao contrário, e como me parece evidente, já deixou e vai continuar a deixar.
E a culpa é do povo sábio mas comodista.
Eu, que venho do tempo da ditadura, sempre achei natural que fossem poucos a lutar contra ela, dado o elevado preço a pagar. Vi o 25 de Abril, o PREC, o 25 de Novembro, e com eles o sábio povo sempre a participar, quer nos partidos, quer nas organizações sindicais, quer nessa miríade de outras organizações que foram nascendo por todo o país para resolver os problemas de todos e cada um.
Depois, pouco a pouco, o sábio povo foi percebendo que a política era “um lugar estranho”, cheio de golpes baixos e altos, paixões e traições, lutas sem regras pelo poder, mentiras e meias-verdades, rasteiras e caneladas sem castigo, enfim, um lugar mais ou menos sujo, e o sábio povo foi saindo de fininho, deixando a política a “tão má casta”.
Incluo-me nesse sábio povo que, depois de tudo viver no meio da rua, foi para casa.
Pessoalmente, criei filhos, procurei que entendessem a importância da política, mas nunca dei o exemplo de participação na “coisa pública”. E devia ter dado porque o exemplo é fundamental. No dia 11 de Fevereiro de 2003, pus o almoço na mesa mais cedo e informei que ia à manifestação contra a guerra do Iraque, que também ia fazer-se na minha pequena cidade. Saí de casa sozinha, mas nunca vou esquecer a alegria que foi, passada meia hora, ver surgir os meus filhos, colocarem-se cada um do meu lado e marcharmos juntos sem mais conversa. Esse foi o exemplo que eu devia ter dado mais vezes.
Sim, senhor Luís, nós deixámos tudo entregue aos novos-ricos, patos-bravos e chico-espertos porque não nos queríamos “sujar” na políticas. Eles aproveitaram e encheram tudo de merda sem que um único salpico caísse sobre a nossa vida tão limpa
Por isso lhe digo: em última análise a culpa é nossa, a culpa é do sábio e higiénico povo a que pertencemos.
E agora, se me permite, vou andando, senhor Luís. Com respeito e amizade, deixo-o com uma velha máxima portuguesa - melhores dias virão, mesmo que a gente ainda tenha que se sujar um pouco.
segunda-feira, abril 04, 2011
Pontos nos ii
Absorvidos pela vidinha, pela crise, pelos juros, pelo vem/não vem do FMI , pelas soberbas tiradas do presidente Cavaco e ainda pela cultura do eu, do ego e etc. e tal, senhores da nossa magna individualidade, vale a pena ler isto, porque é também para nos pôr os pontos nos ii que serve a literatura.
Os seres humanos são tangíveis. São dotados de corpo, e, como esses corpos sentem dor e padecem de doenças e terminam na morte, a vida humana não sofreu nem a mais ínfima alteração desde os primórdios da Humanidade.
…
Os factos da vida são constantes. Uma pessoa vive e depois morre. Nasce do corpo duma mulher, e, se conseguir sobreviver ao nascimento, a mãe terá de a alimentar e cuidar dela a fim de assegurar a sua sobrevivência, e tudo o que acontece a uma pessoa desde o momento do seu nascimento até ao momento da sua morte, todas as emoções que vão crescendo dentro dela, todas as explosões de raiva, todas as vagas de desejo, todos os acessos de choro, todas as rajadas de riso, tudo o que essa pessoa – seja ela um homem das cavernas ou um astronauta, viva ela no deserto de Gobi ou no Círculo Polar Ártico – alguma vez sentirá ao longo da sua vida já foi também sentido por todas as outras pessoas que vieram antes dela.
Palavras de Bing Nathan, personagem de Paul Auster em
Sunset Park (pag. 58 e 59)
Ed. ASA, 2010
sábado, abril 02, 2011
Dilma
Esteve por cá, esta mulher que já viveu de tudo - vida boa, prisão, tortura, cancro da mama, e tudo venceu. Agora tem 190 milhões de brasileiros para governar. Espero que vença também. Torço por ela.
sexta-feira, abril 01, 2011
A notícia que não o devia ser
Continuando a leitura é explicado que esta medida foi tomada para poupar energia.
E eu pergunto: qual é o mal? E não têm vida para viver depois das 19h00?
Seguindo a leitura, “Horas extraordinárias só com aprovação superior.”
Qual é o mal? Trabalhar até às 19h00 não dá para fazer o trabalho? Porquê?
Continuando,” depois das 19h00, os seguranças têm de fazer todos os dias uma ronda pelo edifício, para "fechar todas as luzes, aparelhos de ar condicionado ou aquecedores"
“...exige ainda aos funcionários que, antes de se ausentarem do edifício, verifiquem se desligaram as luzes da sala que ocupam, bem como os computadores.
Os funcionários vão deixar de ter ligações telefónicas directas e só os "dirigentes a exercer funções na sede e respectivo secretariado" terão direito a telefone e somente para chamadas fixas nacionais. Telefones sem restrições só na presidência. À excepção destes casos, e quando um funcionário precisar de fazer uma chamada, terá de pedir ao telefonista, que passa a ter uma nova função: registar "o nome da pessoa que pediu a comunicação e o número de telefone ou de telemóvel para o qual a comunicação é feita".
O presidente exigiu ainda que lhe fosse apresentada uma "proposta de optimização das impressoras" de maneira a que só passe a existir uma por piso.
Qual é o mal?
O presidente exigiu ainda que lhe fosse apresentada uma "proposta de optimização das impressoras" de maneira a que só passe a existir uma por piso.
Qual é o mal?
Esta notícia não devia ser notícia. Estes deviam ser os procedimentos normais em todas as organizações do Estado, empresas públicas e privadas, bem como em casa de cada um de nós.
Falo, obviamente de questões ambientais no que toca a desligar aparelhos e apagar a luz, mas também do laxismo instalado no uso estúpido de telefones e telemóveis porque alguém, que não conhecemos, há-de pagar a conta.
E quanto papel se imprime desnecessariamente que, logo de seguida, vai para o lixo?
Não se trata de sermos miseráveis e forretas; trata-se de fazer um uso sensato de bens que, além de caros, são finitos.
O laxismo que se foi instalando na sociedade portuguesa, em que nada é valioso, em que a palavra poupar saiu do dicionário, é causa de muitos dos nossos males no trabalho, na família e na sociedade.
Quanto ao horário de trabalho, devia ser mais que suficiente trabalhar até às 19h00; há mais vida para além do trabalho. Claro está que muitos patrões decidem sobrecarregar os funcionários que têm em vez de contratarem os que lhes são necessários. Mas, nesses casos, onde está a inspecção de trabalho para pôr cobro aos desmandos?
Grande “colheita” fariam se decidissem percorrer certas zonas de escritórios e serviços fora das horas normais de funcionamento. Mas não, se o horário estiver afixado na porta eles já dormem descansados; além disso, para fazerem o que sugiro, teriam que ganhar horas extraordinárias.
Muita coisa tem que mudar na nossa vida. Infelizmente parece que só uma crise do tamanho do mundo faz (por enquanto, só alguns) perceber isso.
Daí a notícia ser notícia.
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